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Turismo: Hotéis 5 Estrelas | Rio de Janeiro

Relação dos hotéis classificados como sendo de luxo (cinco estrelas) na cidade do Rio de Janeiro.

Hotel Copacabana Palace
Av. Atlântica, 1702 – Praia de Copacabana
Rio de Janeiro – RJ
Fone: (21)2548-7070
Reservas: 0800-21-1533
http://www.copacabanapalace.com.br

Hotel Fasano Rio de Janeiro
Av. Vieira Souto, 80 – Ipanema
Rio de Janeiro – RJ
Fone: (21)3202-4000
http://www.fasano.com.br

Hotel JW Marriott
Av. Atlântica, 2600 – Praia de Copacabana
Rio de Janeiro – RJ
Fone: (21)2545-6500
Reservas: 0800-703-1512
http://www.marriott.com.br/riomc

Hotel Sofitel Rio de Janeiro
Av. Atlântica, 4240 – Praia de Copacabana
Rio de Janeiro – RJ
Fone: (21)2525-1232
Reservas: 0800-703-7000
http://www.sofitel.com.br

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Turismo: Salvador | Bahia

A capital baiana é parte fundamental da história brasileira. Salvador foi o primeiro foco de colonização européia na América do Sul e a primeira capital do Brasil. Sua área abrange 313 km2 às margens da baía de Todos os Santos, com população de quase 3 milhões de habitantes.

Sua composição demográfica indica a existência de 52,9 % de mulheres e 47,1 % de homens em sua população, composta, em sua maioria, de descendentes de portugueses, africanos e índios nativos. A cidade possui traços culturais marcantes, ligados à religiosidade de raízes africanas e ao misticismo, que se traduzem em diferentes tipos de rituais e festas populares.

A cidade foi construída em dois níveis distintos – “cidade alta” e “cidade baixa” – ligados tanto por elevadores destinados a pedestres, quanto por vias de acesso a meios de transporte rodoviários. O clima favorável durante o ano inteiro e a ampla infra-estrutura voltada para o turismo fazem com que Salvador esteja recebendo, permanentemente, visitantes estrangeiros e de outros Estados do Brasil. No entanto, é durante os festejos de Carnaval que a procura por lazer na cidade aumenta consideravelmente, tornando-a conhecida pela grande festa que dura 4 dias.

Além do Carnaval, outras festas também importantes mobilizam a população da cidade e turistas que chegam de todas as partes do mundo. São os festivais ligados ao sincretismo religioso oriundo da fusão do catolicismo e da religião africana chamada “candomblé”. Entre as festas mais populares encontram-se a de Nossa Senhora da Conceição, no dia 8 de dezembro, a procissão marítima em homenagem ao Senhor dos Navegantes, no dia 1º de janeiro, a festa do Senhor do Bonfim, na segunda quinta-feira de janeiro, e a festa de Yemanjá, em homenagem à deusa das águas, no dia dois de fevereiro. Poucos locais no mundo possuem o forte misticismo existente em Salvador, também conhecida como Terra de Todos os Santos ou Terra dos Orixás. Existem centenas de terreiros espalhados pela cidade, numa relação complementar ao catolicismo dominante. As igrejas da Bahia são tão numerosas que um ditado diz haver uma para cada dia do ano.

Existem mais de vinte mil vagas para turistas em hotéis de várias categorias na cidade, localizados à beira-mar ou em seus sítios históricos. A indústria do turismo emprega milhares de pessoas em Salvador, embora sua economia também esteja baseada nas atividades de comércio, serviços, nos pólos industriais existentes e na produção de frutas.

Famosas pela beleza natural e pela agradável temperatura de suas águas, as praias do litoral baiano são muito procuradas por turistas do mundo inteiro. Em Salvador as praias se estendem por uma extensão de 50 km, que incluem Porto da Barra e Itapuã entre as mais conhecidas, além da praia do Forte, localizada na direção norte da cidade.

Uma das atrações turísticas obrigatórias na capital baiana é o Pelourinho, patrimônio da humanidade tombado pela UNESCO em 1985. O Pelourinho constitui-se de um conjunto de edifícios históricos e monumentos localizados numa área denominada “Centro Histórico”, onde se encontram também galerias de arte, restaurantes, comércio de artesanato, a Associação Carnavalesca Afro Olodum e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída por escravos no século XVIII.

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Trecho do Livro: Lisboa – O Que o Turista Deve Ver | Fernando Pessoa

Livros Lisboa O Que o Turista Deve Ver Fernando Pessoa Lisbon What the Tourist Should See BooksLivro: Lisboa – O Que o Turista Deve Ver

Sobre sete colinas, que são outros tantos pontos de observação de onde se podem disfrutar magníficos panoramas, espalha-se a vasta, irregular e multicolorida massa de casas que constitui Lisboa.

Para o viajante que chega por mar, Lisboa, vista assim de longe, ergue-se como uma bela visão de sonho, sobressaindo contra o azul vivo do céu, que o sol anima. E as cúpulas, os monumentos, o velho castelo elevam-se acima da massa das casas, como arautos distantes deste delicioso lugar, desta abençoada região.

O espanto do turista começa quando o barco se aproxima da barra e, depois de passar o farol do Bugio — a pequena torre – guardiã na embocadura do rio, construída há três séculos sobre planta de Frei João Turriano — lhe aparece o baluarte que é a Torre de Belém, como um exemplar magnífico da arquitectura militar do século XVI, em estilo romano-gótico-mourisco. À medida que o barco avança, o rio torna-se mais estreito, para logo alargar de novo, formando um dos mais largos portos naturais do mundo, podendo nele ancorar as maiores frotas. Então, à esquerda, as massas de casas agrupam-se vivamente como cachos sobre as colinas. E aí temos Lisboa.

Desembarcar é fácil e relativamente rápido; costuma fazer-se num ponto da margem onde abundam os meios de transporte. Um trem, um automóvel ou então um simples eléctrico conduzirá o estrangeiro em poucos minutos ao centro da cidade. Ao desembarcar, tudo lhe é facilitado e, quanto a funcionários, descobre que os há invariavelmente educados e prontos a darem-lhe todas as indicações que possa pedir, quer se dirija aos funcionários da Alfândega ou aos do porto, ou mesmo à Guarda Fiscal.

No exterior da Alfândega há um pequeno posto de controle que vem mesmo a propósito, pois controla o transporte de bagagens, para prevenir os abusos que, sem isso, seriam inevitáveis onde quer que fosse, em tais circunstâncias. Este posto despacha bagagem para qualquer parte da cidade e assume a responsabilidade pela entrega. Os funcionários são competentíssimos e falam várias línguas.

Convidaremos agora o turista a vir connosco. Servir-lhe-emos de cicerone e percorreremos com ele a capital, mostrando-lhe os monumentos, os jardins, os edifícios mais notáveis, os museus — tudo o que for de algum modo digno de ser visto nesta maravilhosa Lisboa. Depois de a sua bagagem ter sido confiada a um bagageiro de confiança, que a entregará no hotel se o turista ficar por algum tempo, deixemo-lo tomar o seu lugar conosco num automóvel e seguir para o centro da cidade. Pelo caminho mostrar-lhe-emos tudo o que merece ser visto.

Mesmo em frente do cais que lhe fica ali à esquerda é a Rocha de Conde de Óbidos, uma elevação coroada por um bem tratado jardim a que se acede por duas largas escadas de pedra; do cimo desse mesmo jardim tem-se uma bela vista sobre o rio. Seguindo ao longo da Rua 24 de Julho, passamos pelo Jardim de Santos (ou Jardim Vasco da Gama) e logo a seguir pelo Jardim da Praça de Dom Luís, onde está a estátua de bronze de um dos heróicos chefes das lutas liberais, o Marquês de Sá da Bandeira; este monumento, esculpido por Giovanni Ciniselli, foi fundido em Roma, e a base feita em Lisboa por Germano José de Salles, tendo sido erigido em 1881.

Um pouco mais adiante, e depois de passar o belo edifício onde estão instalados os serviços da Assistência Nacional aos Tuberculosos, fundados pela Rainha D. Amélia, permitam-nos mencionar esta praça que se estende ao longo do rio; à esquerda fica o monumento ao Duque da Terceira, que libertou Lisboa do governo absolutista, e à direita uma pequena mas interessante estátua de mármore representando um marinheiro ao leme. Este monumento deve-se ao escultor Francisco dos Santos, e o do Duque ao escultor Simões de Almeida. Ali perto situa-se a estação de caminho de ferro provisória da linha de Cascais, e à beira-rio o cais para os pequenos vapores que cruzam o Tejo. Há também aqui uma praça de automóveis de aluguel.

O nosso automóvel vai andando, percorre a Rua do Arsenal, e passa junto à Câmara Municipal, um dos mais belos edificios da cidade. É notável não só pelo seu exterior como também pelo seu interior e deve-se ao arquitecto Domingos Parente, sendo visível a colaboração de famosos artistas, na cantaria, nas pinturas, etc. A monumental escadaria que conduz ao primeiro andar é digna de ser vista, especialmente no que se refere às magníficas pinturas que decoram as paredes e o tecto; e as várias salas do edifício são também nobremente decoradas com frescos e telas de Sequeira, Columbano, José Rodrigues, Neves Júnior, Malhoa, Salgado etc., representando figuras históricas e outras, havendo uma grande pintura de Lupi figurando o Marquês de Pombal e a reconstrução de Lisboa por ele efectuada depois do grande terremoto, assim como bustos dos melhores escultores, fogões artísticos, mobiliário, etc.

No meio do largo poderemos ver o Pelourinho, muito bem conhecido no estrangeiro; é uma obra-prima do século XVIII, com a forma de uma espiral, feita de um único bloco de pedra. Do lado direito deste largo, veremos, ao passar, o Arsenal da Marinha, um vasto edifício englobando, além do arsenal e das oficinas — que, com a doca, estão do lado do rio e portanto invisíveis para nós —, a Escola Naval, fundada em 1845, e o Tribunal da Relação, em cujas salas podem ser admirados alguns belos exemplares de antiga tapeçaria. Estão também instalados neste edifício outros serviços públicos de menor importância. Mais adiante, numa ala diferente do edifício, dando para o lado da Câmara, estão os Serviços de Correios e Telégrafos, ainda que só a entrada para a Posta Restante fique desse lado.

Chegamos agora à maior das praças de Lisboa, a Praça do Comércio, outrora Terreiro do Paço, como é ainda geralmente conhecida; esta é a praça que os ingleses conhecem por Praça do Cavalo Negro e é uma das maiores do mundo. É um vasto espaço, perfeitamente quadrado, contornado, em três dos seus lados, por edifícios de tipo uniforme, com altas arcadas de pedra.

Os principais serviços públicos estão todos aqui instalados — os Ministérios (excepto o dos Negócios Estrangeiros), os Serviços de Correios e Telégrafos, a Alfândega, a Procuradoria-Geral da República, o Serviço de Emigração, o Tribunal Administrativo, os serviços centrais da Cruz Vermelha etc. O quarto lado, ou lado Sul, da praça é bordejado pelo Tejo, muito largo neste sítio e sempre cheio de embarcações. No centro da praça fica a estátua equestre de bronze do Rei D. José I, uma esplêndida escultura de Joaquim Machado de Castro, fundida em Portugal, de uma só peça, em 1774. Tem catorze metros de altura. O pedestal é adornado com magníficas figuras representando a reconstrução de Lisboa depois do grande terremoto de 1755. Há uma figura segurando um cavalo que esmaga o inimigo sob as patas, outra com as insígnias da Vitória, a Fama num outro grupo; e o conjunto é verdadeiramente notável. Além disso, podemos aí ver as Armas Reais e o retrato do Marquês de Pombal, assim como uma alegoria que representa a Generosidade Real levantando Lisboa das ruínas. O monumento, acessível por degraus de mármore, é circundado por altas grades alternando com colunas.

Do lado Norte da praça, perpendiculares ao rio, há três avenidas paralelas; a do meio parte de um magnífico arco triunfal de grandes dimensões, indubitavelmente um dos maiores da Europa. É datado de 1873 mas foi projectado por Veríssimo José da Costa e começado a construir em 1755. O grupo alegórico que coroa o arco, esculpido por Calmels, personifica a Glória coroando o Génio e o Valor; as figuras reclinadas, que representam os rios Tejo e Douro, assim como as estátuas de Nuno Álvares, Viriato, Pombal e Vasco da Gama, são da autoria do escultor Vítor Bastos.

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Trecho do Livro: De Mala e Cuia – Tudo o que você precisa saber para morar, estudar, trabalhar e se divertir na Europa | Adriana Setti

Livros De Mala e Cuia Europa Adriana Setti BooksLivro: De Mala e Cuia

Frio na barriga e um mar de interrogações. Eis as conseqüências imediatas e inevitáveis da difícil decisão de se mudar para outro país. Aconteceu comigo, com você e provavelmente com todo mundo que, pelo motivo que seja, resolveu fazer a trouxa e se mandar para a Europa, o tal do Velho Mundo. O motivo é simples. Traçar um caminho concreto em um lugar desconhecido não é moleza. E, por mais que você já tenha estado como turista onde sonha morar, os mistérios dos mecanismos e códigos da vida cotidiana de uma cidade, seja ela Carapicuíba ou Paris, são segredos que só se revelam com o tempo. Uma vez assumida a condição de não-turista, de pouco lhe servirão os guias Lonely Planet e Let’s Go da vida ou as publicações especializadas em viagem. Matematicamente falando, 99% de tudo o que se publica para quem quer conhecer a Europa resolverá apenas cerca de 10% de todos os seus problemas. Os 90% restantes só podem ser solucionados com muita pesquisa e vivência. O que essas estatísticas de fundo de quintal demonstram é que a sua aflição tem uma razão de ser: a falta de informação clara reunida em um mesmo lugar.

Ao decidir vir a Barcelona no começo de 2000, por mais que tivesse amigos morando aqui, tive perspicácia o suficiente para compreender que nenhum conhecido ou funcionário de embaixada teria paciência para solucionar todas as minhas questões. Elas eram inesgotáveis e de todos os tipos e níveis de complexidade. Portanto, o jeito foi levar na bagagem uma mistura de dicas (muitas vezes conflitantes) gentilmente cedidas por amigos, informações burocráticas coletadas em consulados, alguma pesquisa de Internet e muita disposição para dar cabeçadas aqui e acolá.

Com o cocuruto calejado, escrevi este guia com a obsessiva intenção de que fosse uma reunião de tudo aquilo que eu gostaria de ter sabido antes de vir para a Europa e que não tive para quem perguntar. Com este minucioso trabalho de investigação independente e de interpretação de informações confusas e imprecisas fornecidas pelas instituições brasileiras e européias (consulados, embaixadas, universidades, institutos fornecedores de bolsas de estudo etc.), almejo fazer com que sua aventura, cara leitora, caro leitor, seja mais prazerosa e menos atrapalhada do que de costume. Espero também, confesso, livrar-me de boa parte dos e-mails suplicantes (aqueles que geralmente são intitulados “dicas para o amigo do fulano”) de amigos, primos, amigos do cunhado, vizinho do colega de trabalho etc., que me serviram como fonte de inspiração e me causaram uma pontinha de dor de cabeça durante os últimos cinco anos.

Há muitos milhares de brasileiros vivendo na Europa, e nem o Itamaraty tem uma idéia precisa do número exato. As estatísticas oficias são baseadas nas pessoas que voluntariamente se inscrevem nos consulados brasileiros. No entanto, esse procedimento, apesar de recomendado, não é de modo algum obrigatório. Com isso, muita gente deixa de comunicar oficialmente a residência no exterior por preguiça, desinformação ou simplesmente por falta de interesse. Mesmo assim, os dados do Ministério das Relações Exteriores mostram que os países preferidos dos brazucas na Europa são Reino Unido, Portugal, França, Espanha, Alemanha e Itália.

Levando em consideração esses dados, informações provenientes do famoso boca-a-boca, uma atenta observação do que se passa ao meu redor e mais o estudo de fenômenos internautas como blogs e comunidades, optei por fazer deste livro um manual para três países específicos dessa lista – Espanha, França e Reino Unido –, com informações extremamente detalhadas sobre os três e mais alguns dados adicionais sobre outros países, para que possam servir como base para comparação e inspiração.

Os motivos para essa escolha são vários. Em primeiro lugar, queria que este guia servisse para diversos tipos de imigrantes: os que querem estudar, os que querem aprender idiomas, os que pretendem fazer um pé-de-meia em moeda forte, os que estão em busca de aventuras, os que querem ampliar horizontes e os que misturam um pouco de tudo isso. Explico porque decidi excluir Portugal, Alemanha e Itália: Portugal é um país procurado por brasileiros especialmente para trabalho e pela facilidade de falar português; a Alemanha pode ser um pouco dura demais pelo idioma; e a Itália é extremamente restritiva na questão do trabalho pela dificuldade de se conseguir permissão ou autorização para trabalhar como estudante.

Restaram, pois, Reino Unido, onde milhares de brasileiros sonham em morar por vários motivos, entre eles o de aprender o inglês com o sotaque mais bonito do mundo e juntar dinheiro em potentes libras; a França, capital cultural européia por excelência, que oferece cursos conceituados e possibilidades de trabalho; e a Espanha, que tem preços acessíveis, um ótimo clima, baladas enlouquecedoras e atrai cada vez mais gente interessada em aprender o segundo idioma mais falado no mundo.

Na primeira parte deste livro, o futuro não-turista encontrará informações exaustivas sobre todas as providências que deve tomar antes de ir. Nela estarão detalhes sobre cada tipo de visto, cursos, bolsas de estudo, passagem, bagagem, dinheiro, seguros de saúde, imigração e muito mais. Na segunda parte, está tudo o que você precisará fazer e saber após sair do aeroporto de destino, incluindo moradia, comida, transporte, trabalho, providências burocráticas em geral, diferenças culturais, viagens etc. A informação crua e dura está permeada por casos verdadeiros que aconteceram comigo e com pessoas que conheço, em uma tentativa de que a deglutição deste livro seja, além de um aprendizado e um guia para a nova vida que você pretende levar, também uma experiência agradável.

Minha vivência européia inclui um verão de estudos da língua francesa na tradicionalíssima universidade Sorbonne, em Paris, cinco anos em Barcelona (onde estudei História da Arte e Fotografia, fiz uma pós-graduação em Comunicação Cultural e trabalhei como garçonete, jornalista e tradutora) e freqüentes viagens por vários países, da Grécia à República Tcheca, da Suécia ao Reino Unido. Minha experiência pessoal inclui também, e sobretudo, a convivência com numerosas pessoas das mais variadas nacionalidades. Tudo isso junto, somado a um espíritode observação incansável, faz com que, modéstia à parte, possa falar com alguma autoridade do estilo de vida europeu. Leia, releia, consulte e, acima de tudo, relaxe e divirta-se desde os primeiros preparativos para a sua investida.

Ao partir para o exílio voluntário no Velho Continente, muitas vezes deixamos para trás grandes mordomias, como emprego estável (na medida em que isso ainda é possível no Brasil), empregada doméstica e carro na garagem. Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média européia não está acostumada com moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. E você, em sua empreitada, muito dificilmente escapará do batente. Mas, pasme, foi justamente isso que acabei convertendo em uma das maiores lições de vida que tive nesses últimos cinco anos em que vivi em Barcelona. Sim, a limpeza do banheiro ocupa algumas horas semanais na minha rotina, mas passei a conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social.

Essa descoberta veio até mim como um tapa na cara. E num dia qualquer, em que meu namorado e eu fomos visitar um apartamento que pretendíamos alugar. Ao chegarmos no local, nos deparamos com duas portas de entrada. A corretora imobiliária, com um ar didático, e meio sem graça, soltou a frase que faria com que muitas fichas caíssem: “ Veja só, este prédio tem muita história. Está vendo estas duas portas? Antigamente, as pessoas tinham empregados e eles entravam por uma porta diferente da porta do patrão!”. Não me restava nada além de esboçar uma risada amarela e um “oh” esverdeado. Afinal, venho de um país onde a “entrada de serviço” é uma instituição nacional.

Calma! Não é que não existam empregadas domésticas na Europa. Graças a Deus elas existem, sim. E qualquer pessoa – desde que esteja muito bem de vida – pode contratar uma algumas vezes por mês. A grande diferença é que elas são profissionais como qualquer um, como você e eu. Ganham os mesmos salários que os publicitários ou arquitetos em começo de carreira, caem na balada, podem comer fora de vez em quando e, o principal, entram e saem pela mesma porta que o patrão. São cidadãs de primeira classe.

Se você acha terrível ter de esfregar o próprio chão de vez em quando, pense pelo outro lado. No mundo em que há uma certa igualdade social, também se pode andar na rua sem medo, voltar a pé pra casa à noite, viver em prédios sem grades e guaritas e andar com as janelas do carro abertas. Além disso, nenhum cidadão honesto europeu tem medo da polícia e, muito pelo contrário, confia nela. Em um nível mais profundo, o grande diferencial europeu é o respeito aos direitos humanos e a valorização da pessoa. Isso, sim, é qualidade de vida.

Apesar de sempre ter tido a sorte de conseguir trabalhos muito legais, como jornalista e como tradutora, também construí um fantástico currículo que inclui desde trabalhar em sorveteria com uniforme de manguinhas bufantes, ser garçonete em um bar de praia (divertidíssimo, diga-se) até ser gerente de restaurante da moda. Nos tempos dos serviços braçais, minha mãe costumava brincar comigo, com seu senso de humor afiadíssimo, perguntando quando eu cansaria de “brincar de pobre”.

A verdade é que trabalhar como garçonete cansa, sim. Mais fisicamente do que qualquer outra coisa. Mas enganam-se redondamente os que pensam que quem lavou pratos em Londres aprendeu menos da vida do que quem fez um MBA em Paris. A Europa pode ter muitos problemas, entre eles o terrorismo, alguns focos de pobreza e uma visível xenofobia, coisas que têm piorado bastante com o grave problema da imigração ilegal. Não há como negar, porém, que a convivência de alguns anos com povos que já enfrentaram agruras e conquistas de milhares de anos de história, incluindo duas guerras mundiais, faz com que, pelo menos, se volte para o Brasil com a visão real de que as coisas podem ser melhores. Por essas e muitas outras que você verá a seguir: morar na Europa faz abrir a cabeça. É um fato.

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Trecho do Livro: 1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer | Patricia Schultz

Livros 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer Patricia Schultz 1000 Places to See Before You Die BooksLivro: 1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer
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É a necessidade ou um impulso natural o que faz com que uma pessoa bote o pé na estrada – que sussurra em seus ouvidos que é hora de levantar âncora e buscar novos horizontes apenas para descobrir o que existe lá do outro lado?

A vontade de viajar – de abrir nossa mente e ir além daquilo a que estamos habituados – é tão velha quanto a própria humanidade. Era isso o que levava os romanos da Antiguidade a visitar a Acrópole em Atenas e o anfiteatro de Verona. Foi isso o que fez com que Marco Polo embarcasse na crucial jornada rumo ao Oriente e o que motivou Santo Agostinho a escrever: “O mundo é um livro, e os que não viajam acabam lendo só uma página.” Não importa se estamos partindo para umas férias em Londres ou para um lugar extremamente exótico: viajar nos transforma – às vezes de modo superficial, às vezes de maneira profunda. É como uma sala de aula sem paredes.

Não posso falar por ninguém, mas posso contar algo a respeito da minha própria mania de viajar. Há uma lenda familiar (jamais comprovada) de que temos um parentesco com Mark Twain, um dos principais escritores nort e – americanos e também um dos grandes viajantes do seu tempo. Então, como explicar a reação da minha mãe quando eu vivi minha primeira Grande Aventura?

Foi no fim dos anos 1950. Atlantic City me parecia tão estranha e distante quanto Shangri-lá – só havia areia, o mar, os hotéis, a passarela feita de tábuas e o pressentimento de que existiam coisas mais grandiosas para além do estreito campo de visão oferecido pela toalha de praia da família. Escapuli na primeira oportunidade. Mas, depois do que me pareceram alguns poucos e preciosos minutos (na verdade, passaram-se várias horas) de incríveis descobertas, fui agarrada pela minha mãe – furiosa – e por vários salva-vidas, visivelmente aliviados, que me levaram de volta ao ninho. Essa é minha lembrança mais antiga: escutei o canto da sereia me chamando para o que estava mais adiante e respondi a ele. Havia sido fisgada. Eu tinha quatro anos.

Saltemos alguns anos para minha festa de formatura. Enquanto alguns colegas de faculdade seguiram direto dali para estágios em Wall Street , tomaram parte em programas internacionais promovidos por bancos ou assumiram compromissos ligados a negócios de família, eu corri para a fila do aeroporto, pronta para embarcar na minha própria grande viagem em meio às maravilhas da Itália e dos países vizinhos. Seria possível fazer da dolce vita um meio de vida? Fiquei espantada quando meus primeiros artigos foram publicados, mas compreendi: sim, isso era possível. Muitos guias e artigos mais tarde, um dia me vi cara a cara com o editor Peter Workman e seu braço-direito, a saudosa Sally Kovalchick, que me falaram do seu desejo de concentrar num único volume o que havia de mais fascinante e interessante neste mundo e também de sua convicção de que eu estava à altura da missão. Eu acabara de subir a bordo.

Mas, quando chegou a hora de realmente pôr a idéia em prática – escolher tanto as opções familiares quanto as pouco conhecidas no manancial inesgotável que o planeta oferece –, percebi que tinha pela frente uma batalha, às voltas com questões de filosofia e metodologia e com todas as perguntas que qualquer pessoa que folheie este livro certamente fará. Como cheguei a essa relação em particular de lugares e eventos? Quais foram meus critérios? Como explicar a enorme amplitude das indicações, que incluem desde atrações em países distantes cujos charme e mistério são inegáveis até outras mais conhecidas e aparentemente banais? A inclusão do Taj Mahal e da Capela Sistina fazem sentido, porém por que dar a alguns pequenos restaurantes do Caribe quase o mesmo peso do lendário Taillevent? Estou de fato querendo dizer que uma pousada simples na região vinícola da Toscana é tão importante quanto o célebre Oriental Hotel de Bangcoc, que tinha Somerset Maugham e James Michener entre seus habitués? O clima de mistério de um canto distante do mundo como Timbuktu pode competir com a mágica de Tikal? O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, teve mais sorte quando perguntou ao geógrafo – “Que lugar você me aconselha a visitar agora?” – e aquele lhe respondeu – “O planeta Terra. Falam bem dele”.

No fim das contas, o denominador comum que escolhi era simples: cada lugar deveria transmitir ao visitante – e, espero, também ao leitor – algo da magia, da integridade, da beleza e do passado do planeta. Esse foi o critério que procurei seguir em todos os continentes, da atração mais conhecida e previsível até aquela pequena e discreta; de destinos que têm algo de espiritual, como Bagan, em Mianmar, até outros mais voltados para o aspecto material, como as ruas de compras de Hanói; de belezas naturais, como o Grand Canyon, até aquelas feitas pela mão do homem, como Petra, a fascinante “cidade perdida” na Jordânia.

Todos esses são lugares que proporcionam experiências inesquecíveis. Para elaborar minha lista, baseei-me nas décadas de viagens que, de modo compulsivo, se seguiram à revelação que tive nas areias de Atlantic City. Eu me debrucei sobre centenas de livros de viagens e revistas sofisticadas e também contatei dezenas de escritórios de turismo e agências de relações públicas que são de uma fidelidade inabalável aos seus clientes. Então fui à luta para, de modo independente, apresentar minha própria visão desses destinos. Infernizei a paciência dos meus colegas de profissão e de amigos que gostam de viajar e submeti a interrogatórios qualquer um que fosse visto saltando de um ônibus, trem ou avião exibindo um sorriso no rosto. Num sem-número de jantares e festas, ouvi histórias enquanto estranhos rabiscavam em guardanapos os nomes de lugares que, segundo eles, seriam mágicos. Alguns deles também me obrigavam a jurar segredo antes de sussurrarem no meu ouvido o nome de suas atrações preferidas.

Nos sete anos de que precisei para apurar os dados e escrever esta obra, mais de uma vez fui obrigada a não me esquecer de que viajar é sempre algo pessoal e de que duas pessoas jamais saem da mesma experiência levando as mesmas memórias. No balanço final, o que fica claro é o fato inegável de que cada um dos lugares apresentados aqui é ou foi capaz de verdadeiramente servir de inspiração – no passado e na época moderna, às vezes em ambos – tanto para o simples turista curioso quanto para poetas, aventureiros, pintores, peregrinos, estudiosos e escritores de guias de viagens. ” Viajar”, escreveu meu possível antepassado Mark Twain no livro The Innocents Abroad (Os inocentes no exterior), “é fatal para preconceitos, para o fanatismo e para as mentes estreitas.” As viagens desfazem muitas das nossas más impressões, confirmam as positivas e prometem numerosas surpresas. Abrem nossos olhos para lugares exóticos, como Zanzibar, Katmandu, Machu Picchu e Lalibela – nomes com os quais nos familiarizamos através de filmes, livros e histórias, mas cuja realidade só pode ser plenamente compreendida ao vivo. Conhecer pessoalmente esses locais é compreender por que os mais consagrados clichês em termos de experiências de viagens – como andar de gôndola em Veneza, ir a um banho turco em Istambul ou presenciar a contagem do Ano-Novo na Times Square – são eternamente populares.

Viajar torna nossa mente mais curiosa, nosso coração mais forte e nosso espírito mais alegre. E, uma vez que nossa mente tenha se expandido dessa maneira, jamais poderá voltar ao seu tamanho original.

O mundo é hoje um lugar menor do que costumava ser há apenas 20 anos, e, mesmo que o conceito romântico de Última Thule – que o dicionário Webs – ter define como “qualquer região remota e desconhecida” – ainda possa ser encontrado nas paisagens exóticas da Namíbia, no Butão, em pleno Himalaia, e nos imemoriais jogos eqüestres de Ulan Bator, na Mongólia, a verdade é que esses lugares ficam a poucos dias de viagem, graças à monumental estrutura do turismo internacional. O que esse fato acarreta para nosso sentido de aventura, para o impulso que nos leva a explorar aquilo que desconhecemos? Para mim, tudo é uma questão de ponto de vista: como o guia xerpa disse ao alpinista neozelandês Edmund Hillary nas encostas do monte Everest, algumas pessoas viajam para olhar, outras para ver. Motoristas compulsivos são capazes de acelerar pelas estradas sem registrar uma única coisa observada no caminho. Mas eu posso dar a volta no quarteirão onde moro, em Manhattan, e voltar para casa com uma caixa de leite e muitas histórias para contar. Enfim, o número de quilômetros que percorremos nada tem a ver com os verdadeiros prazeres proporcionados pela viagem; a beleza inerente ao mundo, assim como a sensação de descoberta que ela nos promete, está em toda parte à nossa volta.

Nestes tempos de incertezas globais, mesmo os mais intrépidos talvez sintam uma inclinação a se apegar mais ao seu lar e ao seu país ou a se contentar com as aventuras de poltrona, lendo sobre viagens alheias – e até isso pode ser algo recompensador. Posso fechar os olhos e ouvir o som dos pássaros em Palenque e o drapejar das bandeiras cerimoniais do lado de fora de um mosteiro tibetano em Lhasa. Consigo sentir o aroma dos condimentos do mercado no bairro antigo de Fez e o do molho pesto nas ruelas de uma cidadezinha da Riviera italiana. Esse é o banquete de lembranças que carrego comigo aonde quer que eu vá, são as memórias que me sustentam até eu estar com uma nova passagem na mão – minha próxima Grande Aventura. 1.000 lugares para conhecer antes de morrer é minha lista pessoal das melhores viagens do mundo. Ainda que esse número a princípio tenha me assustado, acabei descobrindo que na verdade as possibilidades poderiam chegar a 1.000 vezes 1.000… Talvez eu as reserve para outro livro ou para outra vida. Nem todos os destinos são adequados a todas as pessoas, mas aposto que qualquer leitor encontrará nestas páginas opções suficientes para se manter ocupado pelas próximas décadas. Eu, que em matéria de viagem nunca fui uma esnobe, confesso que jamais entendi o charme de certas atrações consideradas imperdíveis (embora tenha ficado feliz em incluí-las). Por exemplo, não vejo muita graça em jogar golfe nos badalados campos da Escócia nem em praticar bungee- jump na Nova Zelândia, porém essas atividades podem constar da sua programação. Sei que determinados leitores vão estranhar o fato de eu ter listado lugares pouco convencionais, como Calcutá e Madagascar, opções de viagem que exigem certo esforço e que devem ser evitadas por algumas pessoas. Para mim, no entanto, esses locais são profundamente comoventes, como janelas abertas sobre uma experiência humana, passeios capazes de nos fazer refletir.

O número de hotéis que listei também merece uma explicação. Como uma especialista de longa data nesses estabelecimentos, passei a perceber que minha opinião sobre as cidades – tanto as grandes quanto as pequenas – era bastante influenciada pelo lugar onde deixava minha mala e desfazia a bagagem. Dá para imaginar visitar Londres e não tomar chá no Ritz? Ou, em Cingapura, não provar o drinque Singapore Sling onde ele foi criado, no célebre Raffles Hotel? A visão da pousada para safáris no Singita, na periferia do Parque Nacional Kruger, na África do Sul, não é tão inspiradora quanto a dos próprios animais selvagens? Existe algo mais incrível do que o Hotel de Gelo na Suécia, que se derrete a cada primavera?Há, no entanto, lembranças inesquecíveis que fui incapaz de reconstituir para inserir neste livro, como o sábado em que meu motorista em Casablanca me levou para almoçar na casa da sua mãe depois que lhe perguntei onde se comia o melhor cuscuz na cidade e a ocasião em que me transformei em convidada de honra durante os quatro dias da festa de casamento de um desconhecido no Cairo. Foi a partir de experiências como essas que acabei aprendendo que a carne de camelo não é nada má e que os acasos felizes podem suplantar as dicas do melhor guia de turismo.

Qualquer viagem está sujeita a provocar frustrações – as expectativas são sempre grandes e tudo pode dar errado. Quanto a isso, aí vai uma sugestão para novatos e veteranos do ramo: mais importante do que encher a mala de dinheiro é levar na bagagem muita curiosidade e paciência. Dê a si mesmo o direito – na verdade, estimule a possibilidade – de enveredar por desvios inesperados e até de se perder. Não existem viagens ruins, só boas histórias para serem contadas na volta. Viaje sempre com um sorriso e lembre-se de que, quando está visitando outro país, é você que tem hábitos exóticos. Confiar na gentileza de estranhos não é ingenuidade – aonde quer que você vá, sempre haverá pessoas boas. E, finalmente, quanto mais tempo você dedicar a entender os outros, mais compreenderá a si próprio. A viagem para o exterior reflete outra jornada: para o interior de nós mesmos – o mais desconhecido, estranho e menos explorado de todos os territórios, a derradeira terra incognita. Como disse Mark Twain: “Daqui a 20 anos você tenderá a ficar mais decepcionado com as coisas que deixou de fazer do que com as coisas que fez. Portanto, lance fora as amarras. Navegue para longe do porto seguro. Deixe que o vento sopre suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.”

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