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Trecho do Livro: Por Que as Chinesas Não Contam Calorias | Lorraine Clissold

Livros Por Que as Chinesas Nao Contam Calorias Lorraine Clissold BooksLivro: Por Que as Chinesas Não Contam Calorias

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Uma das primeiras coisas que Tim me contou sobre a vida na China foi como, no primeiro ano que passou lá, ficava intrigado com uma moça que lhe perguntava toda tarde se ainda não havia comido, embora logo na primeira semana ele lhe tivesse dito que nunca almoçava. Depois acabou percebendo que na China a expressão Ni chi fan le ma? (“Já comeu?”) é apenas uma forma de cumprimentar as pessoas.

Essa frase simples, com seu misto de preocupação e interesse, diz tudo. Comer é importante na China; a comida não é um motivo de preocupação, mas sim uma fonte de grande prazer. Os chineses se deliciam com todos os aspectos do alimento, desde o planejamento e a expectativa de uma refeição, até a preparação ou a escolha de vários pratos, o ato de comê-los e desfrutá-los e de pensar na refeição que se fez.

Os chineses falam o tempo todo em yin e yang, no valor nutricional dos alimentos. Há uma palavra para calorias, re liang, mas se trata de um termo científico (que significa literalmente “medida de calor”) que é obscuro para os leigos. Quando eu estava introduzindo alimentos sólidos ao meu filho Sam, Xiao Ding logo sugeriu que eu o alimentasse com purê de cenoura e não de batata, porque cenoura tinha mais yin e yang. Fascinada, interroguei-a cuidadosamente e descobri que, embora nunca tivesse ouvido falar em calorias, nem em vitaminas e minerais, nem tivesse tido uma educação formal, pois foi criada na época da Revolução Cultural, ela sabia muito bem quais alimentos eram bons para comer e como combiná-los.

Durante aquela breve conversa, debruçada sobre uma tigela de purê de batata, aprendi o primeiro segredo da cultura alimentar chinesa: pense em comida como algo que vai nutri-lo, não como uma fonte de calorias indesejáveis. Na minha cabeça, antes de eu ir para a China, comida era algo que engordava, a menos que se tomasse muito cuidado. Quem visivelmente gostava de comer parecia ter se resignado a um futuro de cintos de elástico e uma morte prematura. A única alternativa era a vigilância permanente. Com apenas 1,60 metro e vestindo manequim 38, muitas vezes os meus amigos mais volumosos me chamavam de “sortuda”. Mas não era uma questão de sorte. No primeiro ano de faculdade, vibrando com a liberdade da vida universitária, eu havia comido e bebido com os mais gulosos. Depois de seis meses de comida de cantina, pães com lingüiça, barras de chocolate devoradas às carreiras e batatas fritas no pub, eu engordara quase 6 quilos — não desastrosos, mas certamente bem visíveis na minha constituição miúda, especialmente quando algumas amigas supostamente preocupadas me faziam entrar na Woolworth’s e subir na balança. Precisei de seis semanas trabalhando num camping no sul da França e de uma dieta severa à base de frutas e salada para voltar ao manequim antigo. O calor, aliado ao trabalho braçal de limpar diariamente as barracas, sem falar na necessidade de usar biquíni na frente de todos aqueles jovens franceses, ajudou na minha determinação.

Daquele verão em diante, sem contar com os períodos de gravidez, comecei a vigiar cuidadosamente o meu peso. Eu me deitava à noite e, no lugar do Pai Nosso que eu rezava antes, eu ficava repassando as calorias que consumira naquele dia. Como eu procurava manter o peso, e não emagrecer, e tenho a tendência de me lembrar de informações inúteis, como quantas calorias há num biscoito digestivo, era um exercício fácil de fazer. O café-da-manhã em geral era farelo de trigo com leite desnatado e uma torrada integral com um pouco de alguma coisa; o almoço nunca passava de um sanduíche ou uma salada. Mantendo meu consumo diário em cerca de 800 calorias, eu podia me permitir um jantar razoável, talvez um prato de massa ou frango, até mesmo um frango ao curry, e umas taças de vinho. Se ultrapassasse meu limite diário de 2.000 calorias, eu compensava no dia seguinte. Respeitando essas regras, eu era aceitavelmente magra. Tudo bem, eu tomava xícaras e mais xícaras de chá e café para enganar a fome, e com freqüência estava bem irritada à noitinha. Também sofria de uma variedade de pequenos incômodos, como dores de cabeça depois de comer, inchaços, má digestão e varizes, e vivia exausta — mas o médico dizia que tudo aquilo era perfeitamente normal. É triste, mas ele provavelmente estava certo. Muitos ocidentais são transigentes na sua relação com o alimento, e muitos mais sofrem de uma quantidade de incômodos constantes; e a sensação geral é de que esses problemas são comparáveis à chuva, algo com a qual temos de conviver e agradecer os dias de sol.

Uma vez conheci uma ex-anoréxica que religiosamente almoçava uma barra de chocolate Kit-Kat com base no fato de que continha apenas 120 calorias e, portanto, se encaixava perfeitamente na sua ração auto-imposta de 1.000 calorias diárias; mas nunca lhe passou pela cabeça comer uma porção de batata, arroz ou massa com uma quantidade de calorias semelhante, porque esses alimentos eram “engordativos”. De outra feita, num jantar caríssimo de seis pratos num restaurante de Londres, sentei ao lado de uma moça que me mostrou como aprendera a arte de brincar com a comida no prato para fazer a garçonete achar que ela havia comido alguma coisa. O objetivo do exercício, confidenciou ela, era poupar sua ração de calorias para a mousse de chocolate, os petits-fours e as trufas. Nossa obsessão ocidental com a contagem de calorias criou um monte de problemas novos: anorexia, bulimia e outras formas de desnutrição. Gastam-se milhões em fórmulas dietéticas especiais, desperdiçam-se horas em aulas de emagrecimento; nos hospitais, os médicos estão costurando bocas e estômagos.

Depois de minha conversa com Xiao Ding, examinei com mais atenção os produtos à venda nas lojas chinesas. Em 1995 na China, refeições congeladas eram algo que não existia, os cereais matinais não haviam aparecido e havia um número limitado de biscoitos e doces nas prateleiras ao lado dos alimentos chineses básicos de grãos, nozes e frutas secas. Li cuidadosamente as embalagens: não encontrei nenhuma contagem de caloria. Um pesadelo, pensei, para quem estivesse seguindo a dieta dos Vigilantes do Peso. Mas logo percebi que ninguém estava. Os chineses passam anos pontificando sobre os benefícios para a saúde de diferentes alimentos, compartilhando o conhecimento passado de geração a geração, e muitas vezes fazem observações bastante pessoais sobre como uma pessoa precisa comer mais de um tipo de comida que de outro; mas ninguém jamais consideraria o valor de um alimento em termos do seu conteúdo calórico. A comida na China é desfrutada porque tem um aspecto bom, um cheiro gostoso, é saborosa e faz bem. E as pessoas que eu via à minha volta estavam visivelmente bem. A China não possui lojas especiais de roupas de tamanhos grandes nem instalações especiais para gordos. Quando morei na China, a obesidade simplesmente não era um problema. Em 2002, um estudo multicultural sobre atitudes em relação à forma do corpo mostrou, para crianças de diferentes países, silhuetas de pessoas que iam do muito magro ao obeso. Enquanto as crianças americanas viam as figuras muito obesas como as de que elas menos gostavam, as chinesas não tinham sentimentos negativos em relação à obesidade: parece que elas não acreditavam que existissem pessoas tão gordas.

Não sabemos o que comer

No ano em que cheguei à China e estava me maravilhando com a quantidade de alimentos na dieta chinesa, um estudo realizado pela organização Mass Observation no Reino Unido verificou que “a sociedade agora depende quase completamente de alimentos de conveniência. Os trabalhadores começam o dia com uma tigela de cereal com leite e açúcar e tomam chá; durante o dia, comem biscoitos e sanduíches e tomam mais chá; quando estão em casa, poucos deles parecem cozinhar uma refeição que toma como base ingredientes crus”. Esse quadro é muito triste, e a situação melhorou recentemente depois de várias campanhas, mas explica por que os ocidentais que fazem dieta acabam passando fome. Corte o pão e os biscoitos que foram apontados como “vilões”, e o que sobra para comer? Os fabricantes se deram muito bem produzindo versões com pouca gordura e poucas calorias do número limitado de alimentos com os quais os consumidores ocidentais se sentem confortáveis: iogurtes diet, biscoitos light, bebidas sem açúcar, substitutos da manteiga, molhos de salada sem óleo. O setor de carnes produziu porcos mais magros; a indústria de laticínios eliminou a gordura do leite. Passamos os últimos anos obcecados com o que não comer, quando há milhares de alimentos repletos de nutrientes, mas não sabemos o que fazer com eles.

Será que é fácil deixar de lado toda a bagagem do jargão ocidental sobre nutrição, quando a mensagem da “contagem de calorias” nos é apregoada na embalagem de nosso cereal matinal “saudável”, nas lojas, nas revistas e na televisão o dia inteiro e, para muitos, na tabela dos Vigilantes do Peso que preenchemos ao nos deitarmos à noite? Até eu ver com meus próprios olhos a maneira de comer dos chineses, não acreditava muito ser possível comer sem culpa e sem engordar.

No Ocidente, fomos doutrinados com a idéia de que a única maneira de perder peso é comer menos e fazer mais exercícios. Durante meu primeiro ano em Pequim, assisti a uma palestra organizada pela International Newcomers Network (INN). O locutor era o instrutor de fitness do centro de lazer de um dos melhores hotéis: a mensagem era “entre para a nossa academia e nunca mais terá que se preocupar com seu peso”. Ainda não imune à mentalidade ocidental, e com um tempo livre recém descoberto, graças à ajuda doméstica em tempo integral, entrei. Até arranjei um motorista para me levar até lá. Em geral, eu me exercitava no fim da manhã, enquanto a minha caçula dormia, e saía durante o rush da hora do almoço, quando a academia ficava repleta de gente suada. Na saída, eu dava uma olhada na cantina e via um grupo de motoristas apreciando um almoço farto. E não podia deixar de levar em conta que, embora alguns deles tivessem que pedalar todos os dias de casa para o trabalho e do trabalho para casa, em geral os motoristas têm um estilo de vida bastante sedentário — e eu não via muitos gordos.

Eu sentia um pouquinho de inveja da camaradagem tão evidente nas cantinas chinesas. Enquanto eu bufava em silêncio na esteira, nos aparelhos de step e de remo, vendo o mostrador registrar as calorias que eu queimava, toda a equipe chinesa, do gerente ao recepcionista e das garçonetes aos faxineiros, estava se banqueteando com os amigos. Minha recompensa por queimar 200 calorias a mais podia ser uma fatia a mais de um pão velho com minha salada e um biscoito para acompanhar o chá: mas será que isso estava me fazendo bem?

Não estou pondo em dúvida que o exercício físico queime calorias ou que comer menos ajude a perder peso. O que questiono é uma cultura alimentar que permitiu que esses princípios tirassem o prazer de comer, que tradicionalmente era uma experiência positiva associada à nutrição, boa saúde e sobrevivência.

Neste estágio, você certamente estará pensando que deve haver uma armadilha. O Ocidente está engordando e todos sabemos que o motivo disso é estarmos consumindo mais calorias do que queimamos. Então, se os chineses não precisam contar calorias, mas conseguem continuar magros e em forma, será que há um fator genético ou de estilo de vida envolvido? Ou talvez, apesar de aparentarem comer muito, eles na verdade não ingerem muitas calorias por causa dos tipos de alimento que constituem sua dieta?

Todas essas perguntas também me passavam pela cabeça. Minha busca para descobrir os segredos da dieta chinesa começou sem o menor treinamento ou método científico; minha única qualificação era meu entusiasmo pelo tema e um desejo ardente de entender por que a relação do Ocidente com a comida deu tão errado. A ciência moderna, com todos os seus pontos fortes, tende a se concentrar em fatores isolados; eu queria entender toda uma cultura e estava tão interessada em fatores não quantificáveis, como atitudes em relação à comida, quanto na relação entre consumo calórico e níveis de obesidade.

Os chineses ingerem mais calorias

À medida que fui entendendo mais, vi muitas das minhas observações justificadas pela pesquisa moderna. Os chineses realmente comem mais que os ocidentais e se mantêm mais magros. The China Study, de T. Colin Campbell, se diz o “estudo mais abrangente da ligação entre dieta e doença já publicado”. Um estudo conduzido pelo dr. Campbell e uma equipe científica internacional em 1990 interrogou 6.500 adultos de 65 condados da China e comparou as estatísticas com aquelas reunidas em diferentes países, particularmente nos Estados Unidos. Não só o estudo fez 8 mil associações estatisticamente significativas entre estilo de vida, dieta e doença, como também teve “conseqüências estarrecedoras para a perda de peso”. Qualquer investigação de hábitos alimentares necessariamente inclui um registro de consumo de calorias e peso corporal. The China Study mostrou que, quando a China era comparada com os Estados Unidos, “o consumo médio de calorias, por quilo de peso corporal, era trinta por cento maior… Mas o peso corporal era vinte por cento menor”.

Os chineses ingerem mais calorias que os americanos, mas se mantêm mais magros. Isso é extraordinário. “Então os chineses são mais ativos!”, você deve estar exclamando, com alívio, e tomará a decisão de voltar à academia. Certamente, quando viam os nativos se fartando com enormes porções de comida três vezes por dia, meus amigos ocidentais em geral logo presumiam que os chineses não se preocupam em contar calorias porque precisam alimentar seu estilo de vida ativo. E de fato a maioria dos chineses ainda vive no campo e trabalha na terra, e os que vivem em cidades geralmente vão para o trabalho a pé ou de bicicleta. Mas e os motoristas sedentários curtindo seus fartos almoços? Ou a tradição escolástica chinesa e as centenas de milhares de funcionários públicos confinados no escritório?

Os chineses não são mais magros porque consomem menos calorias nem porque fazem mais exercício. “Então deve ser genético”, conclui você resignado. (As pessoas diziam ter “ossatura pesada” quando eu era criança; agora a expressão “metabolismo lento” está mais na moda.)

A teoria genética é tentadora, mas demasiado simplista. Com diferentes origens étnicas, vêm estilos de vida e hábitos alimentares diferentes. É mais fácil apontar para o único ponto que não pode ser reproduzido do que descobrir mais sobre os que podemos mudar; mas, ao longo do tempo, tive a sorte de ser capaz de investigar o que vai além da cor da pele e dentro das marmitas.

Antes de me mudar para Pequim, fiz um curso de mandarim em Londres. No início da gravidez, entrei na sala no primeiro dia de aula com um certo medo, sem falar no enjôo. Eu não sabia dizer se os outros alunos estavam naquele ano sabático após a conclusão do segundo grau ou haviam acabado de entrar na faculdade, mas suas roupas elegantemente sujas deixavam transparecer o entusiasmo e a segurança da juventude. Foi com imenso alívio, portanto, que vi Paula sentada sozinha e fui me sentar ao lado dela. Como quase metade da turma, Paula era de origem chinesa, mas, enquanto os outros eram na maioria filhos de cantoneses donos de restaurantes focados nas oportunidades de carreira que a terra natal podia oferecer, Paula era uma mulher casada e com filhos e estava mais interessada em redescobrir suas raízes. Unidas pela idade e pela responsabilidade, tornamo-nos grandes amigas em uma semana.

No primeiro dia, logo saímos de nossa sala esfumaçada e nos aventuramos no mar de concreto da cidade para almoçar. Enquanto eu sentia uma dor de fome que eu considerava fazer parte da gravidez, vi que Paula, cuja pequena estatura fazia com que eu me sentisse gigantesca, nunca tentava segurar a fome com um sanduíche ao meio-dia. Sua marmita revelou um monte de arroz coberto de carne e vegetais. Fiquei olhando incrédula enquanto ela manejava os pauzinhos. Aquilo não era um simples lanche e, no entanto, ela falava animadamente da refeição que prepararia à noite. Embora sua família talvez não tivesse se esforçado para manter a herança lingüística, seu legado culinário estava visivelmente intacto — e a deixava com uma aparência ótima.

Senhoras que almoçam (e não engordam)

A primeira amiga que fiz ao chegar em Pequim foi May, casada com um dos colegas de Tim. May era de Hong Kong e adorava “almoçar”. Foi em seu apartamento, com aquela vista panorâmica do Bairro Sanlitun das Embaixadas, que provei de fato pela primeira vez a comida caseira chinesa. Comer com May e suas amigas de Taiwan, Cingapura e Malásia era a confirmação de que na Ásia todo mundo come bem; elas de fato celebram a comida e nunca falam em restringir o que comem de forma nenhuma. Pegávamos tigelas fumegantes de arroz ou de macarrão e cobríamos com uma seleção de acepipes saborosos. Descobri as delícias da raiz de lótus, fibrosa e de sabor delicado, e a alface chinesa, crocante e com um leve sabor de aspargo, e comecei a reconhecer as pastas de soja fermentada que dão a tantos pratos chineses o seu sabor característico, e a identificar os tipos de tofu. Eles me apresentaram a alimentos que eu não sabia que existiam, como os dim sum, bolinhos delicadamente recheados e feitos no vapor, típicos da região de Cantão, sushis japoneses fresquinhos, o macarrão coreano que me levou à loucura e os sabores fascinantes dos refogados locais. Aprendi também que berinjela não é só ratatouille e o repolho não é só bubble and squeak (Prato inglês tradicional feito com sobras de legumes. Os ingredientes principais são batata e repolho). Quando essas mulheres falavam sobre comida era com entusiasmo e prazer. Embora o viés de sua dieta fosse na direção de pratos saborosos cozidos na hora, elas não tinham nenhum tabu nem áreas proibidas. Quando chegava a feira beneficente das tortas da escola, que existiam com uma regularidade monótona, elas podiam produzir um cheesecake ou um prato de muffins à altura de Betty Crocker, ícone da culinária americana em matéria de bolos e biscoitos.

May e suas amigas asiáticas eram todas magras, embora comer fosse sua ocupação favorita. Como Paula, todas elas pareciam ter sido criadas tendo em casa uma atitude positiva em relação à comida. Mas, enquanto estive em Pequim, também tive muitas oportunidades de observar outras asiáticas, cujos hábitos alimentares foram influenciados por idéias e estilos de vida ocidentais. Quem é de origem étnica chinesa e nasceu no Ocidente é descrito de forma vaga na Ásia como Chinês Nascido na América (CNAs). Quando a economia chinesa explodiu nos anos 1990, milhares de CNAs foram atraídos de volta para a terra de seus ancestrais. Um desses foi minha amiga Deborah, uma médica sino-britânica que conheci numa consulta de rotina. Ela possuía um invejável domínio do mandarim, que aprendera sem professor, o qual eu esperava poder me abrir algumas portas de restaurantes. Era uma mulher robusta e, pelo jaleco branco apertado no busto, dava a impressão de gostar de comer.

Fui almoçar com Deborah. Ela pediu apenas um suco de melancia. Convidei-a para cear e ela mal tocou na comida, queixando-se de uma indisposição de estômago. Parecia viver de brisa e, apesar de nossa simpatia inicial, nunca tive intimidade com ela. Quando nos encontrávamos socialmente, eu continuava reparando que, apesar do seu tipo físico, ela nunca demonstrava se interessar por comida nem ter prazer em comer.

Então, e a teoria do “gene da magreza”? Deborah, como May e Paula, era etnicamente chinesa, e todas três pertenciam mais ou menos ao mesmo grupo socioeconômico. Mas, enquanto duas das minhas amigas adoravam comer, e comiam muito, a terceira evitava o assunto sempre que possível. Mas era Deborah quem tinha o problema de peso. Sua alimentação não estava sob controle; ela estava acima do peso e infeliz.

Essas três histórias de caso não constituem uma estatística, mas estudos demonstraram que a obesidade adolescente aumenta de forma significativa entre imigrantes de segunda e terceira gerações para os Estados Unidos. O tempo passado na escola internacional de meus filhos confirmou minhas suspeitas. Entre as crianças CNAs, que quase eram mais numerosas que as outras, a obesidade e outros problemas correlatos, como acne e alergias, eram freqüentes. E essas crianças muitas vezes eram complicadas para comer ou faziam dietas da própria cabeça. No entanto, os milhares de jovens chineses vestindo agasalhos esportivos que lotavam as ruas de manhã cedo e à noitinha pareciam magros e vendendo saúde. E não beliscavam a comida nem escolhiam opções de baixa caloria. Meu filho mais velho, Max, passou um ano na Escola de Ensino Médio Número 55, uma escola pública municipal chinesa, quando tinha 13 anos. Eu lhe dava 3 RMB (cerca de R$1,00) por dia, que lhe comprava, como para seus colegas, uma tigela de arroz e acompanhamentos. Em seu primeiro dia, ele comeu tomate com ovo, carne de porco com cenoura e brotos de bambu, xiao bai cai frito (“pequeno repolho branco”, que na verdade é verde), com chili. Nunca chegou em casa com fome.

Os anos em que morei e comi na China, e tudo o que aprendi e ensinei, me levaram a concluir que há uma diferença primordial de atitude entre a forma como as pessoas se alimentam na China e no Ocidente. Em vez de ver a comida como inimiga e focar no que não comer, o que muitas vezes priva o corpo de nutrientes, os chineses focam em tornar a comida saborosa e capaz de suprir as necessidades do corpo. Não ocorre aos chineses aproximarem-se da comida com medo, ou receando que seus prazeres favoritos lhes tragam quilos e centímetros indesejados. Os chineses consomem mais calorias, mas não “calorias vazias” cheias de gorduras e açúcares e desprovidas de nutrientes, que constituem uma grande porcentagem do consumo ocidental.

Não se passa um dia na China sem que você ouça a frase “Já comeu?”. Pense no fato de que mais de um bilhão de pessoas na China, e outros milhões na Ásia, comem regularmente, comem muito e nunca se preocupam em contar calorias — e deixe de lado as suas paranóias.

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Trecho do Livro: O Código da Inteligência | Augusto Cury

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O Homo sapiens, um ser além dos limites da lógica.

As três grandes áreas que definem a inteligência:

Ao definir nos próximos parágrafos o que é inteligência gostaria que o leitor não acostumado a esses conceitos não se desanimasse. Será uma sintética exposição. Para a Psicologia Multifocal a definição de inteligência é abrangente e como o próprio nome da teoria diz, é multifocal, multidinâmica, multifatorial. Alguns autores também sugeriram que a inteligência é multidimensional e modificável (Feurstein, 1980). O conceito global de inteligência entra em três grandes estágios ou três grandes áreas. As duas primeiras são inconscientes e a última, consciente.

A primeira área é mais profunda, refere-se aos fenômenos inconscientes que atuam em milésimos de segundos no resgate e na organização das informações da memória e conseqüentemente na construção de pensamentos e emoções. Essa produção é registrada milhares de vezes por dia pelo fenômeno RAM (registro automático da memória), construindo a plataforma que forma o Eu, que é a expressão máxima da consciência crítica e capacidade de escolha. Tudo o que percebemos, sentimos, pensamos, experimentamos, tornam-se tijolos na construção dessa plataforma de formação do Eu.

A segunda área se refere ao corpo das complexas variáveis que influenciam em pequenas frações de segundos os fenômenos que lêem a memória e produzem os pensamentos, imagens mentais, idéias e fantasias. Entre essas variáveis destaco “como estou” (estado emocional e motivacional), “quem sou” (a história existencial arquivada nas janelas da memória), “onde estou” (ambiente social), “quem sou geneticamente” (natureza genética e a matriz metabólica cerebral) e o “como atuo como gestor da psique” (o Eu como diretor do roteiro de nossa história).

Normalmente, as teorias enfatizam os aspectos psíquicos, sociais e genéticos na construção da inteligência. Alguns pensadores se fixaram na interação entre as duas grandes forças geradoras do desenvolvimento em geral, e da inteligência em particular, a natureza e a cultura. “Não é uma competição, é uma dança” (Sternberg, 1990). Sim, de fato há uma dança dinâmica de variáveis, mas que ultrapassa essas duas grandes forças geradoras.

Como vimos, além da variável genética e cultural estão, em primeiro plano, as variáveis “como atuo como gestor do psiquismo” e o “grau de abertura das janelas da memória” determinado pelos estados emocionais (alegria, tranqüilidade, humor depressivo, ansiedade). Ao estudar esses outros fatores descobrimos que a mente humana é mais complexa do que imaginamos.

Por exemplo, pensávamos no passado que somente quem teve uma infância com traumas, saturada de perdas e frustrações adoeceria, desenvolveria transtornos psíquicos e psicossomáticos. Pobre engano! Sabemos hoje que mesmo os que gozaram de uma infância feliz e sem traumas, que tiveram o privilégio de ter pais amorosos, generosos, solidários, podem ter uma vida psíquica miserável na adolescência e na vida adulta se não aprenderam a decifrar alguns códigos fundamentais ao longo do processo de formação da personalidade.

Poderão ser vítimas dos estresses financeiros, estresses existenciais, perdas, competição predatória, frustrações, preocupações excessivas; enfim, de uma série de variáveis que dilapidam seu patrimônio psíquico, em especial seu prazer de viver.

Outro exemplo: acreditamos ingenuamente que temos pleno domínio do processo de construção de pensamentos, idéias, imagens mentais. Não é verdade. Podemos dominar computadores, carros, aviões, mas não temos o domínio completo da mais incompreensível das máquinas: a mente humana. Quantos pensamentos inquietantes perturbam nossa tranqüilidade sem que os tenhamos produzido conscientemente? Quantas idéias fóbicas transitam pelo palco psíquico sem que tenhamos permitido que fossem construídas pela vontade consciente?

O Eu como gestor psíquico, administrador do intelecto, é apenas um dos códigos da inteligência. Se mesmo sendo um bom gestor psíquico não dominamos completamente os pensamentos e as emoções da complexa mente humana, imagine se não decifrarmos esse código, imagine se abrirmos mão dessa gestão que ocorre nessa segunda grande área da inteligência.

Nesse caso, se usarmos um veículo como uma analogia da mente humana, podemos dizer que somos amordaçados no banco de passageiro como espectadores passivos de uma viagem que não programamos. Aliás, diariamente milhões de pessoas viajam em suas mentes no território das fobias, das preocupações doentias, da ansiedade, sem ter programado essa viagem. Entraram em um filme de terror que não queriam assistir. O dramático é que o filme roda na sua mente. Não há tecla para desligar o aparelho mental.

Ao estudarmos a primeira e a segunda grande área da inteligência podemos concluir que Homo sapiens, capaz de desenvolver equações matemáticas, fórmulas físicas e lógicos programas de computador, pode ser tão ilógico a ponto de produzir reações agressivas, desproporcionais, irracionais.

Peritos em lidar com números podem perder sua lógica e reagir estupidamente à mínima contrariedade. Médicos aparentemente dosados diante de seus pacientes, podem reagir sem qualquer controle ao serem questionados por seus pares. Na realidade, o Homo sapiens, seja ele um psiquiatra ou paciente, matemático ou aluno, é micro ou macro de acordo com cada momento existencial. Ninguém é plenamente estável e coerente. O nível de flutuação apenas determina o grau de nossas doenças.

A terceira grande área da inteligência se refere aos resultados das duas primeiras áreas. Nessa área se encontram os comportamentos perceptíveis, capazes de serem analisados, avaliados, aferidos. Nessa área se evidencia a rapidez de raciocínio, o grau de memorização, a capacidade de assimilação de informações, o nível de maturidade nos focos de tensão, bem como os patamares de tolerância, inclusão, solidariedade, generosidade, altruísmo, segurança, timidez e empreendedorismo.

Na terceira área da inteligência, segundo o conceito da Psicologia Multifocal, é que são feitos os mais variados testes para se medir os mais diversos tipos de quocientes de inteligência. Entretanto, todos os testes são circunstanciais, parciais e incompletos. Nenhum deles é definitivo. Habilidades que são detectadas em uns, não são em outros. Capacidades que são aferidas em um momento, se mudamos as variáveis (como estou, onde estou, níveis de gestão psíquica), não são aferidas em outros.

Não vou entrar em muitos detalhes teóricos e científicos sobre essas áreas nesta obra de aplicação psicológica, mas gostaria de dizer que os códigos da inteligência envolvem as três áreas. Decifrá-los e aplicá-los são processos conscientes, mas ao fazer esse exercício atingiremos as regiões inconscientes, as camadas mais profundas da inteligência humana, ainda que não percebamos.

Destacarei oito códigos da inteligência mais relevantes. Grande parte do que a imprensa escreve é texto de auto-ajuda, orientação para os leitores fazerem suas escolhas, apesar de alguns jornalistas não admitirem e nem gostarem dessa linha literária.

Gosto muito de escrever livros de ficção. Mas vários dos meus livros são de “não-ficção”. Alguns deles são classificados erroneamente como auto-ajuda. Os que os classificam assim, não entendem quais são as gritantes diferenças entre um livro de auto-ajuda e um livro de ciência aplicada; enfim, de psicologia, psiquiatria, pedagogia e filosofia aplicada. Apesar das minhas enormes limitações, procuro democratizar o conhecimento sobre o funcionamento da mente extraído da teoria que desenvolvi.

Meu objetivo é disponibilizar ferramentas para estimular o debate de idéias, para que os leitores aprendam a atuar em seu psiquismo, a desenvolver consciência crítica, proteger sua emoção, tornarem-se gestores da sua mente e serem capazes de expandir seu potencial intelectual e prevenir transtornos psíquicos.

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Trecho do Livro: Sete Passos para Curar | David Servan-Schreiber

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Antes de mais nada, quero agradecer o apoio que deram a meu livro. Com ele, é uma nova medicina das emoções que vocês apóiam. E eu não esperava tamanho entusiasmo por idéias ainda estranhas aos modos de pensar habituais.

O sucesso do livro Curar, que se deve a todos vocês, vem dessa abertura de espírito, da curiosidade que demonstraram, do desejo de explorar novos caminhos. Reconheço-me em cada um desses traços, mas não sabia que somos tantos a compartilhá-los. Para mim, é um sinal bastante encorajador de que, juntos, consigamos talvez fazer com que as mentalidades evoluam. Sinal de que, talvez, possamos levar nossas instituições científicas e médicas a investirem suas pesquisas também nesses novos e fascinantes campos.

Muitos de vocês me escreveram. Recebi, a cada semana, mais de 100 cartas. Essa confiança envaidece-me e me encoraja. Várias dessas mensagens me contam um sofrimento, uma dor, pessoal ou de um próximo, e pedem ajuda. Cada um desses relatos me interpela e sinto realmente vontade de ajudá-los. Porém, me é impossível fazer frente a solicitações tão numerosas (mesmo se é tão difícil dizer “não”…). Não recebo mais nenhum paciente, conservando o pouco do tempo que me resta para aqueles que já estavam em tratamento comigo antes da publicação de Curar. Quero, sobretudo, reservar meu tempo para escrever e para formar novos terapeutas, que poderão dar continuidade em escala bem maior aos métodos expostos no meu livro.

Creio que somos testemunhas de uma vaga profunda que atravessa todas as sociedades ocidentais: uma demanda, vinda de cada um, e em todos os lugares, por uma indústria que respeite o meio-ambiente, por uma agricultura que respeite a terra e, agora, também por uma medicina que respeite as capacidades que tem nosso corpo de recuperar seu próprio equilíbrio. São vocês os verdadeiros agentes dessa transformação social, e fico feliz em fazer parte daqueles que podem ajudar a canalizar toda essa energia.

Estabeleci para mim mesmo, como prioridade, a tarefa de tornar os métodos de Curar acessíveis ao maior número de pessoas. Isso me conduziu ao ensino, para perto de colegas médicos, psicólogos e psicoterapeutas. Mas levou-me ainda a ações de ordem mais “política”, junto às agências governamentais e aos decididores de toda espécie, tanto na França quanto nos Estados Unidos, onde ainda leciono. E, talvez já tenham ouvido falar, comprometi-me também em tornar disponível um complemento alimentar Ômega-3 cuja concentração e pureza correspondam ao que foi testado nos estudos científicos da psiquiatria. Como esse tipo de complemento não é patenteável (não se pode patentear o peixe!), nenhum indústria farmacêutica julgou rentável engajar-se nesse campo. Orgulho-me de ter conseguido fazer com que esses complementos Ômega-3, da melhor qualidade e pureza possíveis, possam hoje ser encontrados em qualquer farmácia. Mas tudo isso demandou tempo e exigiu esforços consideráveis que me desviaram de uma conexão mais estreita com todos vocês.

Esses importantes passos devem-se às decisões de grandes agências institucionais, no Reino Unido, nos Estados Unidos e na França:

1) Um relatório do governo do Reino Unido demonstrou que 70% dos antidepressivos receitados jamais deveriam ter sido utilizados. Foram prescritos para depressões consideradas “menores ou moderadas” para as quais, segundo esse relatório, seria recomendável utilizar primeiro métodos mais “naturais”, antes de pensar em receitar medicamentos cujos efeitos secundários parecem cada vez mais claros para a comunidade médica científica.

2) Em seguida, a prescrição de antidepressivos para as crianças (à exceção do Prozac) foi proibida no Reino Unido e é alvo hoje de restrições consideráveis nos Estados Unidos. Com efeito, ficou comprovado que, no caso das crianças, os benefícios que esses medicamentos trazem não são (ou são apenas em proporção mínima) superiores aos de um placebo. Sabe-se também que provocam um aumento significativo do risco de suicídio. Isso, naturalmente, fez com que médicos e psiquiatras se sentissem um tanto desamparados, pois não aprenderam em sua formação a utilizar métodos alternativos aos medicamentos. Mas, ao mesmo tempo, isso também criou um ambiente bastante propício à incorporação, pela medicina convencional, de alternativas naturais e eficazes.

3) Por fim, o método de Dessensibilização e Reprocessamento pelo Movimento Ocular, o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), foi reconhecido oficialmente, na França, como um método de tratamento eficaz (pelo relatório da comissão do INSERM concernente às psicoterapias) e, mais recentemente, também nos Estados Unidos (por um relatório da prestigiadíssima American Association of Psychiatry, cuja influência abrange o mundo inteiro).

Graças, em parte, a esses desenvolvimentos todos, a psiquiatria convencional começa a abrir verdadeiramente seus horizontes às novas idéias. Em todos os lugares, inicia-se um debate em torno daqueles métodos de que eu falava em Curar. Seu reconhecimento oficial permitiu também estimular novos projetos de pesquisa. De fato, são as pesquisas que farão com que uma abordagem mais natural da medicina penetre realmente no interior das instituições médicas.

Mas é verdade também que cada um de vocês, conversando com seu médico ou com seu terapeuta a respeito do EMDR, de coerência cardíaca, da acupuntura, de exercício físico ou do Ômega-3, contribuiu grandemente para difundir a mensagem. Vocês fizeram ouvir o desejo manifesto por uma medicina ao mesmo tempo mais humana e mais racional, uma medicina que saiba utilizar as capacidades intrínsecas de nosso corpo e de nosso cérebro a se curarem por si mesmos.

Para concluir essa breve introdução, aprendi recentemente que a palavra que designa, em chinês antigo, “O Pensamento” é composta por dois caracteres: aquele do “Cérebro” (em cima) e aquele do “Coração” (em baixo). Eu o ofereço aqui a todos vocês, com votos de harmonia entre seu cérebro e seu coração.

Com um abraço,

David Servan-Schreiber

Questões Gerais

O senhor conhece médicos clínicos que utilizam as técnicas descritas em Curar?

Infelizmente, na França ainda não. No centro de medicina complementar que eu dirigia na universidade de Pittsburgh, reunimos médicos, psicoterapeutas, acupunturistas, nutricionistas que compartilhavam a mesma filosofia e organizavam avaliações e programas de tratamento completos. Espero, finalmente, ajudar a instalar esse mesmo tipo de centro clínico na França. Enquanto isso, recomendo a todos que organizem seu próprio tratamento, em parceria com as recomendações de seu médico ou de seu psiquiatra.

Os métodos recomendados em Curar são compatíveis com um tratamento convencional?

Os métodos descritos em Curar são todos absolutamente compatíveis com um tratamento convencional e não exigem, de modo algum, que este seja interrompido, nem modificado. Eu mesmo muitas vezes tratei com o EMDR (Método de Dessensibilização e Reprocessamento pelo Movimento Ocular) pacientes que seguiam sua psicanálise com outro terapeuta ou que usavam medicamentos prescritos por seu psiquiatra.

Como, concretamente, começar um tratamento?

Se você acha que o EMDR lhe trará benefícios, sugiro que procure um terapeuta com um certificado de “Clínico EMDR”, fornecido pela Associação EMDR-Europa. É uma garantia de que o terapeuta tenha seguido uma formação completa e participado de um ciclo de supervisão sob a égide de um clínico mais experimentado.

No que diz respeito à coerência cardíaca¸ ainda muito recente na Europa, só posso recomendar que acompanhe cursos de Hatha Yoga – método multimilenar que utiliza técnicas respiratórias e de concentração que levam a um estado fisiológico do corpo comparável àquele descrito em Curar.

Cabe a você, em seguida, modificar seu regime alimentar para reequilibrar a relação Ômega-3/Ômega-6 e reduzir as gorduras animais saturadas. Voltarei adiante aos suplementos Ômega-3.

Cada qual pode escolher seu próprio programa de exercício físico, conforme às recomendações gerais retiradas da literatura científica e que eu enuncio em Curar. Você pode também providenciar uma lâmpada de simulação da aurora para despertar de modo mais natural e ajudar a estabilizar seus ritmos biológicos.

Enfim, cada um deve, do meu ponto de vista, preocupar-se em administrar melhor os conflitos – quer sejam profissionais ou pessoais. Uma das melhores maneiras de progredir neste campo é formar um grupo de reflexão com amigos ou próximos para que possam exercitar-se em conjunto aplicando os métodos SPA-CEE e Perguntas de ELFE. É, aliás, o que eu mesmo faço regularmente, com alguns amigos, para continuar bem “centrado” nessa abordagem das relações humanas.

É possível beneficiar-se de seus métodos sem gastar muito?

Infelizmente, os métodos que descrevo em Curar não são ainda – a grande maioria deles –, na França, reembolsáveis pela Seguridade Social, ficando portanto reservados àqueles que podem pagar por sua saúde. É um estado de coisas que me parece inaceitável e faço o que posso para mudá-lo. Quanto mais se avolumam os estudos científicos que demonstram sua eficácia (como é o caso do EMDR, mas também da nutrição e dos Ômega-3, ou ainda da coerência cardíaca), mais fácil será incorporar essas abordagens à oferta reembolsável da medicina convencional.

Nesse entretempo, o Instituto Francês de EMDR que coordeno e que é responsável pelo ensino do EMDR na França forma gratuitamente alguns terapeutas que trabalham exclusivamente em meios desfavorecidos, de modo a permitir que pratiquem o EMDR junto a seus pacientes. Todos os terapeutas interessados nessa possibilidade podem entrar em contato com o programa humanitário da associação francesa de EMDR (www.emdr-france.org).

É possível também começar a praticar alguns dos métodos descritos em Curar sozinho – como o despertar com a aurora natural, a coerência cardíaca, o exercício físico, a mudança alimentar ou a comunicação emocional –, e eu recebo com freqüência testemunhos de leitores que começaram a praticá-los por conta própria e constataram notáveis transformações em suas vidas.

O senhor aconselha outros livros? Existem outros métodos que lhe interessam?

Sempre me interesso por novas abordagens. Decidi, porém, consagrar meu tempo e minha energia a fazer avançar essas que já conheço bem, cujos efeitos estão demonstrados e que, ainda assim, continuam a não ser utilizadas o suficiente, principalmente porque não podem ser patenteadas e, portanto, não provocam interesse econômico capaz de impulsionar sua introdução na medicina convencional.

Poderia indicar um método simples de meditação que melhore o funcionamento do Qi?

Segundo a medicina tradicional chinesa ou tibetana, todos os métodos de meditação facilitam o funcionamento do Qi. O método que focaliza unicamente este aspecto chama-se o Qi Gong (pronunciar “Tchi Gong”).

A música, ouvida ou praticada, pode ajudar no caso de depressão?

Claro! Embora haja poucos estudos a esse respeito (isso não dá patente e, sem patentes em vista, sem dinheiro para pesquisas…), inúmeros pacientes relatam como o fato de ouvir música pode ter um efeito poderoso sobre seu humor. Acho que é certamente ainda mais eficaz quando você próprio toca um instrumento, sobretudo em grupo, se possível, para estimular nosso cérebro emocional nos momentos de desencorajamento e pô-lo em fase com os ritmos e as melodias da vida que passa em nós e à nossa volta. Nos Estados Unidos, participei várias vezes de “drum circles” (“círculos de percussão”), nos quais várias pessoas que mal sabiam bater num tamborim aprendiam a tocar ritmos diferentes que se transformavam em verdadeira melodia quando o grupo encontrava seu equilíbrio. Não há dúvida alguma que esses são momentos particularmente exaltantes e que nos lembram a força de nossa conexão com os outros.

1. Comunicação Emocional

Poderia dar alguns conselhos que ensinem a se autocontrolar no caso de situações de conflitos profissionais?

A primeira coisa a fazer é inspirar, por meio de duas grandes respirações, lentas e profundas, e em seguida começar a expirar o stress, antes de reagir. Lembrar, depois, que os conflitos são inevitáveis, mas não seu envenenamento, provocado por nossas próprias reações, muitas vezes exageradas ou até mesmo violentas.

Qual a diferença entre antidepressivo e neuroléptico?

Os neurolépticos bloqueiam o estímulo de certas zonas do cérebro pela dopamina. São utilizados principalmente nos distúrbios do pensamento (alucinações, delírios, paranóia) e, às vezes, para acalmar um episódio maníaco ou uma hipersensibilidade ao julgamento alheio. Os antidepressivos, por sua vez, aumentam esse estímulo por neurotransmissores, como a serotonina, a noradrenalina e, em alguns, também a dopamina. Têm menos tendência que os neurolépticos a reduzir a percepção e as sensações. Também revelam menos efeitos secundários a longo prazo.

Seus métodos são adaptados aos distúrbios bipolares?

Os distúrbios bipolares parecem ter uma base biológica e genética mais profunda que as depressões não-bipolares. Todavia, é certo também que os episódios de depressão ou de mania dos distúrbios bipolares são muitas vezes provocados por um período de stress mal administrado e mal vivido. Na medida em que os métodos de que falo em Curar tornam-nos mais resistentes ao stress, eles também reduzem, consequentemente, a probabilidade de recaídas para quem sofre de uma doença bipolar. Recomendo porém aos pacientes bipolares que continuem a tomar um estabilizador de humor de eficiência já comprovada na prevenção das recidivas e que são em geral bem tolerados.

Suas técnicas podem ser utilizadas para dores crônicas?

No centro de medicina complementar de Pittsburgh que eu dirigia, utilizávamos frequentemente a meditação (ou a coerência cardíaca) e a acupuntura como métodos de auxílio no tratamento das dores crônicas. O EMDR pode também ser útil quando as dores têm por origem um acontecimento que pode ter sido psicologicamente traumático (como um acidente de carro, por exemplo).

Seu método pode resolver, ou ajudar a resolver, uma depressão ligada não a um evento traumático particular, mas à dupla influência da hipersensibilidade aos acontecimentos e a uma infância difícil?

No caso de uma infância difícil e de traumatismos emocionais reiterados, o EMDR muitas vezes é eficaz, mas exige um período necessariamente mais longo de tratamento (em geral de 6 meses, ou ainda mais tempo).

Pode-se de fato substituir os antidepressivos pelos ÔMEGA-3 e pelas caminhadas?

Os estudos disponíveis sugerem que a caminhada é tão eficaz quanto um antidepressivo moderno (inibidor da recaptura da serotonina) e que, um ano depois do fim do tratamento, as recidivas são 4 vezes menos freqüentes. É bastante provável, todavia, que, nesses estudos, os sujeitos que melhoraram com a prática da caminhada tenham continuado a exercitá-la por conta própria ao passo que aqueles que usaram com proveito o antidepressivo muito provavelmente interromperam o tratamento.

Até agora, os trabalhos referentes aos Ômega-3 sugerem que eles são eficazes em sujeitos cujos sintomas de depressão resistiram a vários antidepressivos sucessivos enquanto continuam a usar o último daqueles com que começaram o tratamento. Não dispomos ainda de estudos que permitam afirmar com certeza que um antidepressivo que se revelou eficaz possa ser completamente substituído por um suplemento alimentar de Ômega-3.

Pode falar um pouco mais a respeito das depressões “hereditárias” fisiológicas, às quais fez apenas breves alusões em Curar?

A depressão pode muito bem possuir um componente hereditário, sobretudo quando um dos pais sofreu de depressão severa (ou outra doença psiquiátrica) necessitando de internação hospitalar. Em alguns desses casos, os antidepressivos (ou outros medicamentos psicotrópicos) são às vezes absolutamente indispensáveis. Todavia, é importante, mesmo quando os medicamentos são obviamente úteis, utilizar toda a capacidade de resiliência do cérebro emocional para maximizar seus efeitos. Não há nenhuma contradição em utilizar, ao mesmo tempo, a coerência cardíaca, o EMDR, o exercício físico, a acupuntura, ou tomar os Ômega-3. Nem em acordar com a luz do nascer do sol (simulada ou não) ou cuidar de bem administrar suas relações afetivas. Muito ao contrário.

Vi na Internet que existe um legume, chamado atmagupta, utilizado pela medicina ayurvédica para tratar o mal de Parkinson. Este legume contém levodopa. Conhece este tipo de tratamento natural para a doença? Saberia onde encontrar esse legume?

Não conheço esse legume. A Levodopa é um precursor da dopamina, neurotransmissor cruelmente ausente naqueles que sofrem do mal de Parkinson. É portanto bem possível que qualquer fonte nutricional desse precursor importante seja útil no combate à doença. Todavia, a prescrição da Levodopa como medicamento é geralmente acompanhada de um inibidor da enzima que torna a Levodopa particularmente inativa antes que possa ser transformada no cérebro em dopamina. Seria preciso, portanto, muito provavelmente, ingerir grandes quantidades desse alimento – se ele for realmente eficaz – para obter um efeito sobre a dopamina do paciente.

A tirosina, um ácido aminado que se encontra facilmente nas parafarmácias sob a forma de complemento alimentar, é outro precursor da dopamina às vezes bastante útil àqueles que sofrem do mal de Parkinson. Não conheço relato de efeitos secundários.

Ao exercício, então, David! Mas, vamos reconhecer, é muito chato fazer exercícios. Você, porém, afirma: “não é preciso muito”…

Sim. Por sorte, não sou quem diz, ou não acreditariam em mim, necessariamente! São os estudos que o afirmam, e é isso que é fascinante. Pesquisas recentes realizadas na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, demonstraram que, para a depressão, por exemplo, o exercício físico, 3 vezes por semana, 30 minutos a cada vez, é tão eficaz quanto tomar um antidepressivo.

Mas, 30 minutos de que? Salto de vara, crawl intensivo…?

Isso depende da idade das pessoas. Mas, num dos estudos em que os sujeitos tinham entre 50 e 77 anos, simplesmente eles faziam 30 minutos de marcha rápida.

Nem correr?

Nem correr. Caminhavam ao ar livre. Mas é preciso andar rápido. Dizem que o que é preciso conseguir, e não necessariamente a primeira vez, é encontrar um ritmo em que se pode conversar, fazendo o exercício, mas não cantar.

E isso cura?

Sabe-se, agora, que isso é de fato eficiente.

Em quanto tempo? Três meses? Três anos?

Nos estudos já realizados notou-se que em 6 semanas os efeitos eram notáveis e que no final de 4 meses obtinha-se o mesmo efeito de um antidepressivo. É um pouco mais lento que um antidepressivo. Um antidepressivo leva mais ou menos duas semanas para fazer efeito e, com os exercícios, é preciso esperar entre 2 e 6 semanas antes de notar uma real diferença. Mas, sentimo-nos melhor desde o início, porque nosso corpo foi estimulado.

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Trecho do Livro: A Cientista que Curou seu Próprio Cérebro | Jill Bolte Taylor

Livros A Cientista que Curou seu Proprio Cerebro Jill Bolte Taylor My Stroke of Insight BooksLivro: A Cientista que Curou seu Próprio Cérebro

Todo cérebro tem sua história, e esta é a do meu. Há dez anos eu estava na Harvard Medical School realizando pesquisas e lecionando para jovens profissionais sobre o cérebro humano. Porém, em 10 de dezembro de 1996, eu mesma recebi uma lição. Naquela manhã, sofri uma forma rara de derrame no hemisfério esquerdo do cérebro. Uma hemorragia importante, devido à má-formação congênita dos vasos sanguíneos em minha cabeça, aconteceu inesperadamente. No breve espaço de quatro horas, sob um olhar de curiosa neuroanatomista, vi meu cérebro deteriorar-se por completo em sua capacidade de processar informação. No final daquela manhã, eu não conseguia andar, falar, ler, escrever ou lembrar nenhum dado da minha vida. Encolhida, como se voltasse a ser um feto, senti meu espírito render-se à morte, e é certo que em nenhum momento imaginei que seria capaz de dividir minha história com alguém.

A cientista que curou seu próprio cérebro é uma documentação cronológica da jornada que realizei para o abismo amorfo de uma mente silenciosa, em que a essência de meu ser existia envolvida numa profunda paz interior. Este livro é uma trama composta pelo alinhavo de meu treinamento acadêmico, experiência pessoal e insights. Até onde tenho conhecimento, este é o primeiro relato documentado de uma neuroanatomista que se recuperou por completo de uma severa hemorragia cerebral. Estou eufórica por estas palavras finalmente ganharem o mundo, onde poderão ser bastante úteis.

Mais que tudo, sou grata por estar viva, e comemoro o tempo que tenho aqui. Inicialmente, fui motivada a enfrentar a agonia da recuperação graças a muita gente bonita que me estendeu as mãos e me ofereceu amor incondicional.

Ao longo dos anos, mantive-me fiel a esse projeto devido à jovem que me procurou movida pelo desespero, querendo entender por que a mãe dela, que morrera vítima de um derrame, não havia ligado para a emergência. Também por causa do cavalheiro idoso, que estava sobrecarregado pela apreensão de que a esposa houvesse sofrido muito durante o coma antes de sua morte. Fui praticamente mantida presa ao computador (com meu fiel cachorro Nia no colo) devido a muitos indivíduos que cuidavam de seus doentes e me procuravam em busca de orientação e esperança. Persisti nesse trabalho pelas 700 mil pessoas da nossa sociedade (e suas famílias) que ainda sofrerão um derrame. Se uma única pessoa ler “Manhã do derrame”, reconhecer os sintomas e pedir ajuda — antes tarde do que nunca —, então meu esforço estará mais do que recompensado.

A cientista que curou seu próprio cérebro tem quatro divisões naturais. A primeira parte, “A vida de Jill antes do derrame”, apresenta ao leitor quem eu era antes de meu cérebro ficar “desconectado”. Descrevo por que me tornei neurocientista, um pouco da minha jornada acadêmica, meus interesses por Direito e minha jornada pessoal. Eu vivia de maneira grandiosa. Era neurocientista em Harvard, integrava o comitê nacional da Nami (National Alliance on Mental Illness — Aliança Nacional de Doenças Mentais) e viajava pelo país como a cientista cantora. Relato essa breve sinopse pessoal em termos científicos simples, cujo propósito é ajudar o leitor a entender o que ocorria biologicamente no meu cérebro na manhã do derrame.

Se você já se perguntou qual deve ser a sensação de ter um derrame, então o capítulo “Manhã do derrame” é para você. Nele, conduzo o leitor numa jornada muito incomum pelo passo-a-passo da deterioração das minhas habilidades cognitivas, sob o olhar de um cientista. Na medida em que a hemorragia em meu cérebro vai se tornando cada vez maior, relaciono os déficits cognitivos que estava experimentando à biologia subjacente. Como neuroanatomista, devo dizer que aprendi muito durante aquele derrame sobre meu cérebro e como ele funciona, tanto quanto havia aprendido em todos os meus anos acadêmicos. No final daquela manhã, minha consciência em estado alterado percebeu que eu estava unificada ao Universo. Desde aquele momento, passei a entender como somos capazes de ter uma experiência “mística” ou “metafísica” em relação à anatomia cerebral.

Se você conhece alguém que sofreu um derrame ou algum outro tipo de trauma cerebral, os capítulos sobre recuperação podem ser um recurso valioso. Neles, compartilho a jornada cronológica da minha recuperação, incluindo mais de 50 dicas sobre coisas de que eu precisava (ou não precisava) para recuperar-me completamente. Minhas “Recomendações para recuperação” estão relacionadas no Apêndice para sua conveniência. Espero que compartilhem essa informação com quem dela puder se beneficiar.

Finalmente, “Meu derrame de sabedoria” define o que o derrame me ensinou sobre meu cérebro. Nesse ponto, você vai perceber que este livro não é realmente sobre derrame. Mais precisamente, o derrame foi o evento traumático pelo qual me chegou o conhecimento. Este livro é sobre a beleza e a resistência do cérebro humano graças a sua capacidade inata de se adaptar constantemente à mudança e recuperar suas funções. Em última análise, é sobre a jornada do meu cérebro a caminho da consciência do meu hemisfério direito, onde me vi envolvida numa profunda paz interior. Ressuscitei a consciência do meu hemisfério esquerdo com a finalidade de ajudar outras pessoas a alcançar aquela mesma paz interior — sem precisar sofrer um derrame!

Espero que apreciem a jornada.

A Vida de Jill Antes do Derrame

Sou uma neuroanatomista experiente e tenho vários artigos publicados. Cresci em Terre Haute, Indiana. Um de meus irmãos, que é só 18 meses mais velho que eu, é portador de uma desordem mental chamada esquizofrenia. Ele recebeu o diagnóstico oficial aos 31 anos, mas exibiu sinais óbvios da psicose muitos anos antes disso. Durante nossa infância, ele era muito diferente de mim no modo como experimentava a realidade e se comportava. O resultado é que fiquei fascinada pelo cérebro humano ainda muito jovem. Eu me perguntava como era possível que meu irmão e eu vivêssemos a mesma experiência, mas saíssemos da situação com interpretações completamente diferentes sobre o que havia acontecido. Essa diferença na percepção, no processamento de informação e no resultado final me motivou a ser uma cientista do cérebro.

Minha jornada acadêmica começou na Indiana University, em Bloomington, Indiana, no final da década de 1970. Por causa da interação com meu irmão, eu estava ávida por entender o que era o “normal” em nível neurológico. Naquele tempo, o assunto da neurociência era ainda tão novo que não existia nenhum campus da universidade como área formal de especialização. Estudando psicologia fisiológica e biologia humana, aprendi tanto quanto possível sobre o cérebro humano.

Meu primeiro trabalho de verdade no mundo da ciência médica acabou se tornando uma enorme bênção em minha vida. Fui contratada como técnica de laboratório no Terre Haute Center for Medical Education (THCME), que é um braço da escola de medicina da Indiana University e funciona no campus da Indiana State University (ISU). Meu tempo era igualmente dividido entre o laboratório médico de anatomia humana e o laboratório de pesquisa em neuroanatomia. Por dois anos, vivi mergulhada no estudo da medicina e, tendo por mentor o Dr. Robert C. Murphy, apaixonei-me pela dissecação do corpo humano.

Depois da graduação como mestre, passei os seis anos seguintes envolvida oficialmente no programa de doutorado do Departamento de Ciência da Vida da ISU. Minha carga horária era consumida pelo currículo do primeiro ano da faculdade de medicina e pela especialização em neuroanatomia, sob a orientação do Dr. William J. Anderson. Em 1991, tornei-me doutora e me senti competente para lecionar Anatomia Geral Humana, Neuroanatomia Humana e Histologia no nível de graduação em medicina.

Em 1988, durante meu período no THCME e na ISU, meu irmão recebeu o diagnóstico oficial de esquizofrenia. Biologicamente, ele é o ser mais próximo de mim no Universo. Eu queria entender por que eu conseguia conectar meus sonhos à realidade e torná-los verdadeiros. O que havia de tão diferente no cérebro de meu irmão que ele não conseguia conectar os seus com uma realidade comum, de maneira que eles se tornavam, então, ilusões? Estava ansiosa para me dedicar à pesquisa em esquizofrenia.

Depois do começo na ISU, fui convidada a ocupar uma posição em pesquisa de pós-doutorado na Harvard Medical School, no Departamento de Neurociência. Passei dois anos trabalhando com o Dr. Roger Tootell sobre a localização da área MT, que se localiza na parte do córtex visual do cérebro que acompanha o movimento. Interessei-me por esse projeto porque uma elevada porcentagem de indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia exibia comportamento ocular anormal quando observava objetos em movimento. Depois de ajudar Roger a identificar anatomicamente a área MT no cérebro humano, segui meu coração e me transferi para o Departamento de Psiquiatria da Harvard Medical School. Meu objetivo era trabalhar no laboratório da Dra. Francine M. Benes no McLean Hospital. A Dra. Benes é uma especialista mundialmente renomada na investigação pós-morte do cérebro humano em relação à esquizofrenia. Eu acreditava que por esse caminho poderia dar minha contribuição e ajudar as pessoas portadoras da mesma desordem mental de que sofria meu irmão.

Uma semana antes de começar em minha nova posição no McLean Hospital, meu pai, Hal, e eu fomos a Miami a fim de participar da conferência anual de 1993 da Nami. Hal, ministro episcopal aposentado com um doutorado em aconselhamento psicológico, sempre defendera a causa da justiça social. Nós dois queríamos participar daquela convenção para aprender mais sobre a Nami e o que poderíamos fazer para unir nossa energia à deles. A Nami é a maior organização civil dedicada a melhorar a vida de pessoas portadoras de sérias enfermidades mentais. Naquela época, a Nami tinha aproximadamente 40 mil famílias associadas, todas com um membro que havia recebido algum tipo de diagnóstico psiquiátrico. Agora a Nami tem um número de aproximadamente 220 mil famílias associadas. A organização nacional Nami age em nível de estado. Além disso, há mais de 1.100 afiliadas locais da Nami espalhadas pelo país que oferecem apoio e educação, e promovem oportunidades para famílias no âmbito da comunidade.

A viagem para Miami mudou minha vida. Um grupo de cerca de 1.500 pessoas, entre elas pais, irmãos, filhos e indivíduos com diagnóstico de severa doença mental, reuniu-se em busca de apoio, educação e representação, e para abordar assuntos relacionados à pesquisa. Até conhecer outros irmãos de indivíduos portadores de doença mental, não havia percebido o profundo impacto que a enfermidade de meu irmão tivera em minha vida. Ao longo daqueles poucos dias, conheci uma família de pessoas que entendiam a angústia que eu sentia por perder meu irmão para sua esquizofrenia. Elas entendiam o esforço da minha família para ajudá-lo a ter acesso a tratamento de qualidade. Lutavam juntas como uma voz organizada contra a injustiça social e o estigma relacionado à doença mental. Tinham como armas programas educacionais para eles mesmos, bem como para o público, sobre a natureza biológica dessas desordens. Também muito importante, aliavam-se aos pesquisadores para ajudar a encontrar uma cura. Tive a sensação de estar no lugar certo na hora certa. Era uma irmã, uma cientista e apaixonada pela idéia de ajudar pessoas como meu irmão. Sentia que havia encontrado não só uma causa digna do meu esforço, mas também uma grande família.

Na semana seguinte à convenção de Miami, cheguei ao McLean Hospital cheia de energia e ansiosa para começar meu novo trabalho no Laboratório para Neurociência Estrutural, domínio da pesquisa da Dra. Francine Benes. Estava eufórica e entusiasmada para começar as investigações pós-morte para as bases biológicas da esquizofrenia. Francine, a quem eu chamava carinhosamente de Rainha da Esquizofrenia, é uma fabulosa cientista pesquisadora. O simples fato de observar como ela pensava, como explorava e como reunia tudo que aprendia com os dados colhidos era um completo fascínio para mim. Era um privilégio testemunhar sua criatividade em projeto experimental e a persistência, precisão e eficiência com que administrava um laboratório de pesquisa. Aquele trabalho era um sonho que se realizava. Estudar o cérebro de indivíduos diagnosticados com esquizofrenia me dava uma sensação de propósito.

No primeiro dia do meu novo trabalho, porém, Francine causou-me o primeiro desapontamento ao revelar que a pouca freqüência de doações de cérebros de famílias cujos indivíduos tinham doença mental provocara em longo prazo uma ampla carência de tecidos para investigação pós-morte. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Havia passado a maior parte da semana anterior na Nami Nacional com centenas de outras famílias cujos indivíduos que a ela pertenciam tinham diagnóstico de severa doença mental. O Dr. Lew Judd, ex-diretor do National Institute of Mental Health, havia moderado o plenário de pesquisa, e vários cientistas de renome tinham apresentado seus trabalhos. As famílias que integram a Nami gostam de divulgar o que sabem e aprender mais sobre a pesquisa neurológica, por isso eu considerava surpreendente que pudesse haver falta de doação de tecido. Decidi que a questão era só de divulgação. Precisávamos despertar a consciência pública. Acreditava que, assim que soubessem que havia carência de tecido para pesquisa, as famílias da Nami promoveriam doações dentro da organização e resolveriam o dilema.

No ano seguinte (1994), fui eleita para o Conselho de Diretores da Nami Nacional. Foi uma grande alegria poder servir àquela maravilhosa organização, uma grande honra e responsabilidade. É claro, a base da minha plataforma era a valorização da doação cerebral mediante a carência de tecido psiquiatricamente diagnosticado para a realização de pesquisa científica. Chamei o problema de Questão de Tecido. Na época, a idade média de um membro da Nami era de 67 anos. Eu tinha apenas 35. Sentia-me orgulhosa por ser a mais jovem eleita para aquele conselho. Tinha muita energia e estava ansiosa para começar.

Com minha nova posição dentro da organização Nami Nacional, passei imediatamente a determinar a política de ação dentro das convenções anuais das Nami Estaduais em todo o país. Antes de começar essa empreitada, o Harvard Brain Tissue Resource Center (Banco de Cérebro), o banco de tecido cerebral que ficava localizado à esquerda do Laboratório Benes, recebia menos de três cérebros por ano de indivíduos psiquiatricamente diagnosticados. Essa quantidade de tecido mal era suficiente para a realização do trabalho no laboratório de Francine, e o Banco de Cérebro não dispunha de material bastante para doar a outros renomados laboratórios que o solicitavam. Poucos meses depois do início do meu trabalho, que incluía viagens e programas educativos para informar as famílias da Nami sobre a Questão do Tecido, o número de doações de cérebro começou a crescer. Atualmente, o número de doações da população psiquiatricamente diagnosticada varia entre 25 e 35 doações anuais. A comunidade científica daria boa utilidade a cem doações anuais.

Percebi que no início das minhas apresentações sobre a Questão do Tecido, o assunto da doação de cérebro fazia alguns membros da platéia reagir com desconforto. Havia aquele momento previsível em que o público deduzia: “Oh, meu Deus, ela quer o meu cérebro!” E eu lhe dizia: “Bem, sim, eu quero, mas não se preocupem, não estou com pressa!” Para combater a evidente apreensão, escrevi um jingle para o Banco de Cérebro e comecei a viajar com meu violão como a cientista cantora. Quando me aproximava do assunto da doação de cérebro e a tensão na sala começava a crescer, pegava o violão e cantava para os que me ouviam. O jingle do Banco de Cérebro parecia ser suficientemente ingênuo para amenizar a tensão, enternecer corações e abrir caminho para que eu comunicasse minha mensagem.

Meus esforços com a Nami deram profundo significado à minha vida, e meu trabalho no laboratório floresceu. Meu projeto primário de pesquisa no laboratório Benes envolvia agir em conjunto com Francine para a criação de um protocolo no qual pudéssemos visualizar três sistemas neurotransmissores na mesma fração de tecido. Neurotransmissores são as substâncias químicas com as quais as células do cérebro se comunicam. Esse trabalho foi importante, uma vez que os mais novos medicamentos antipsicóticos atípicos são formulados para influenciar múltiplos sistemas neurotransmissores, em vez de somente um.

Nossa habilidade de visualizar três diferentes sistemas na mesma fração de tecido elevava a capacidade de entendermos a delicada interação dos sistemas. O objetivo era entender melhor o microcircuito do cérebro — que células em que áreas do cérebro se comunicavam com que substâncias químicas e em que quantidade dessas substâncias. Quanto melhor entendêssemos quais eram as diferenças, em âmbito celular, entre o cérebro de indivíduos com diagnóstico de severa enfermidade mental e controles cerebrais normais, mais próxima a comunidade médica estaria de ajudar os necessitados com medicação apropriada. Na primavera de 1995, esse trabalho foi matéria de capa do BioTechniques Journal, e em 1996 ele me rendeu o prestigiado Mysell Award, um prêmio do Departamento de Psiquiatria da Harvard Medical School. Eu adorava trabalhar no laboratório e amava dividir esse trabalho com minha família Nami.

E, então, o imponderável aconteceu. Estava com trinta e poucos anos, prosperando nos campos profissional e pessoal. Mas, numa descida vertiginosa, meu futuro promissor e minha vida cor-de-rosa evaporaram. Acordei no dia 10 de dezembro de 1996 para descobrir que eu mesma era portadora de uma desordem cerebral. Sofria um derrame. Em quatro horas, vi a deterioração da capacidade de minha mente em processar todos os estímulos que penetravam pelos sentidos. Essa rara forma de hemorragia deixou-me completamente incapacitada, de forma que não podia andar, falar, ler, escrever ou lembrar aspectos de minha vida.

Compreendo que o leitor deve estar ansioso para começar a ler o relato pessoal da manhã do derrame. Porém, para que seja possível entender de maneira mais clara o que ocorria no interior do meu cérebro, decidi apresentar um pouco de ciência simples nos capítulos 19 e 20. Fiz o possível para torná-los acessíveis e úteis, para que você possa entender a anatomia que dá suporte às minhas experiências cognitiva, física e espiritual. Se for absolutamente indispensável que você leia esses capítulos depois, então tenha certeza de que estarão à mão como fonte de referência. No entanto, insisto que é mais aconselhável ler antes estas seções, pois acredito que vão simplificar profundamente seu entendimento.

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Trecho do Livro: Escreva e Emagreça | Julia Cameron

Livros Escreva e Emagreca Julia Cameron The Writing Diet BooksLivro: Escreva e Emagreça

Sou uma especialista em criatividade, e não em dietas. Então, por que estou escrevendo um livro sobre perder peso? Porque por acaso descobri um segredo sobre a perda de peso que funciona de verdade. Há 25 anos dou aulas sobre como desbloquear a criatividade, um processo com 12 semanas de duração baseado em meu livro A Via do Artista (The Artist’s Way). Do meu lugar à frente da sala de aula, vejo vidas se transformarem — e, para meu espanto, corpos se transformarem também. Levei algum tempo para perceber o que estava acontecendo, mas, com certeza, alunos que começaram o curso com alguns quilinhos a mais chegavam ao final visivelmente mais magros e bem-dispostos. O que está acontecendo aqui? Perguntei a mim mesma. Tratava-se apenas de imaginação ou havia mesmo um “antes” e um “depois”? Havia, sim!

Aos meus olhos experientes, a perda de peso é freqüentemente uma conseqüência da recuperação da criatividade. Comer em excesso bloqueia a criatividade. O contrário também é verdade: podemos usar a criatividade para bloquear a gula excessiva. E isto é o que faremos neste livro: usaremos instrumentos criativos para combater o excesso de peso e alterar nosso peso através da alteração da nossa consciência. Acreditem ou não, escrever é uma ferramenta para perder peso — uma ferramenta desprezada, subutilizada e extremamente poderosa.

Não que eu não tenha experimentado as dietas tradicionais. Pelo contrário — sou quase especialista. Durante anos tentei a dieta do dr. Atkins, mas meu colesterol ia às alturas; South Beach, mas recupero o peso perdido assim que saio da fase um; a dieta dos Comedores Compulsivos Anônimos me deixa louca com as privações impostas, e loucura é algo que quero evitar tanto quanto a gordura. Recorri aos Vigilantes do Peso, mas essa história de contar pontos também me parece uma forma de loucura. O que sei contar são palavras. Escrevi mais de vinte livros e aprendi que cada palavra tem seu peso, assim como cada caloria. De repente — literalmente — passei a alimentar o pensamento. Como seria consumir palavras, em vez de calorias? Que tal escrever de modo a chegar ao tamanho certo? Assim que a idéia brotou em minha cabeça, tive certeza de que havia descoberto algo.

Todos nós sabemos que comemos em excesso porque alguma coisa está nos roendo por dentro. Que tal nos perguntarmos que coisa é essa, exatamente na hora em que nos der vontade de comer? Que tal se, à beira de um desejo por guloseimas, eu me perguntasse: “O que está me roendo tanto por dentro que senti essa vontade súbita de comer?” E se eu parasse para anotar meus sentimentos por escrito? Por que não dar à minha mente algo para pensar, em vez de dar comida para meu corpo? Já que é possível usar a comida para bloquear os sentimentos, por que não seria possível usar as palavras para bloquear a gula? Calorias não passam, no final das contas, de unidades de energia, e assim são as palavras também.

Essa idéia me entusiasmou. Minha longa experiência como escritora ensinou-me que a escrita é um meio de metabolizar a vida. Se consigo escrever sobre algo, posso lidar com esse algo — e muitas vezes com charme. Poderia a escrita se tornar um meio para metabolizar os vaivéns do meu próprio metabolismo? Acho que sim. Nunca fui magra, mas também nunca fui gorda — até que tive necessidade de tomar um medicamento que lista o ganho de peso entre seus possíveis efeitos colaterais. Remédios são uma necessidade. O ganho de peso, aos olhos do meu médico, era um preço pequeno a ser pago pela minha estabilidade mental. Certamente, pensei, deve haver uma saída. Seria a escrita essa saída?

Durante os 25 anos em que ensinei desbloqueio criativo, uma das ferramentas que sempre aconselho é escrever diariamente, pela manhã. Quantas vezes vi meus alunos usarem suas Páginas Matinais para se livrarem não só da inibição criativa, mas assim também dos quilos a mais! Embora a finalidade do curso A Via do Artista seja atingir um renascimento criativo, vi que era possível atingir ao mesmo tempo um renascimento corporal. Muitas vezes recebo alunos corpulentos e deprimidos. Eu lhes digo que escrevam. Uma dieta contínua de auto-reflexão em pouco tempo controla sua gula. Quilos começam a desaparecer. À medida que as Páginas Matinais metabolizam suas vidas, eles deixam de comer em excesso para bloquear seus pensamentos desagradáveis. Sua criatividade aumenta enquanto seu peso diminui. Vista do meu lugar à frente da sala de aula, a transformação chega a ser espantosa.

Ao iniciar seu processo de desbloqueio criativo, Laura, uma professora de jardim-de-infância, era, para ser bem franca, gorda.

Alta e loura, carregava 18 quilos de excesso de peso. Costumava vestir-se de preto para parecer mais magra, mas essa ilusão de ser magra não convencia ninguém. Laura pertencia àquele tipo de mulher de quem se costuma dizer: “É uma pena que ela seja tão gorda. Tem um rosto tão bonito…”

Laura cresceu em um lar violento e desde cedo aprendeu a bloquear seus sentimentos por meio da comida. Escrevendo suas Páginas Matinais, começou a enfrentar seus sentimentos turbulentos. Com isso, sua necessidade de bloquear as emoções foi desaparecendo. Os quilos foram sumindo também, e Laura emergiu de um curso de 12 semanas como uma mulher muito mais esbelta. Ela atribui à escrita sua perda de peso. “Havia tantas coisinhas que me incomodavam”, lembra-se ela. “Minhas Páginas Matinais eram sessões de queixumes, nas quais eu reconhecia meus ressentimentos e lidava com eles.” Depois que descobriu o que a incomodava, já não sentia necessidade de comer tanto.

Escrever nos torna conscientes. Uma vez conscientes, fica difícil agir de maneira inconsciente. Depois que percebemos que comer em excesso é um artifício que nos bloqueia, fica mais fácil recorrer às palavras do que recorrer à comida. E é isso que este livro tem para ensinar. Diante da perspectiva de um ataque às guloseimas, você pode correr para suas páginas em vez de correr até a geladeira. E, em conseqüência, sua criatividade responderá com um fluxo maior de percepções e idéias.

“Estava na ponta da língua”, dizemos muitas vezes quando uma idéia nos foge. O que nem sempre percebemos é que as idéias vivem na ponta da nossa língua — e que as afogamos com um excesso de comida. Michael, um escritor, conta que, quando consome doces e carboidratos no lanche, sua fonte de criatividade para escrever seca, mas que, quando ingere um lanche saudável, como um pedaço de fruta, seu fluxo criativo dispara. Mary Alice, também escritora, declara que quando registra por escrito seus sentimentos é premiada com um fluxo de criatividade mais abundante. “É como se ao dar nome a certas coisas eu encontrasse nomes para muitas outras.”

Nossas emoções se tornam conhecidas. Uma vez conhecidas, deixam de ser os sabotadores que nos levam a comer demais. Somos todos criativos e podemos, todos nós, ser mais criativos do que já somos. Ao abandonarmos nossos mecanismos de bloqueio, entramos no gozo de nossos poderes. Neste livro, focalizamos especificamente o bloqueio criativo constituído pela comida — e o ato de escrever como meio de controlar o peso.

Embora muitos dos meus alunos digam que descobriram uma vida nova e cheia de emoções depois de seguir minhas dicas sobre a criatividade, não posso prometer uma nova carreira se você seguir a dieta do Escreva e Emagreça. O que posso prometer é um aumento em sua clareza, energia e produtividade. À medida que for escrevendo, você perderá peso e ganhará em criatividade. Ao desbloquear seus sentimentos, terá acesso à energia neles contida. À medida que se familiarizar consigo mesmo, com a origem de seu trabalho criativo, você se tornará, literalmente, mais original. À medida que emagrecer, seus pensamentos se tornarão mais claros. Ao perder peso, deixará de esperar pela varinha mágica que vai transformar sua vida. Em vez disso, compreenderá que a varinha mágica é, na verdade, sua caneta, e que, com a caneta na mão, você será capaz de transformar sua própria vida.

Diferentemente de outros livros de dieta que se proclamam donos da verdade, a dieta do Escreva e Emagreça funciona bem aliada a qualquer dieta sensata. Escrever é a chave. Você pode escrever e seguir a dieta Atkins. Escrever e seguir a South Beach. Você pode escrever enquanto freqüenta os Vigilantes do Peso ou os Comedores Compulsivos Anônimos. Na verdade, as ferramentas do livro contribuirão para aumentar suas chances de sucesso em qualquer dieta de sua escolha.

Se você se sente atraído por este livro, isso significa que provavelmente você se considera criativo, mas também vítima de uma criatividade inibida. Você se sente literalmente faminto por uma vida mais satisfatória. Trabalhar com a ajuda das ferramentas deste livro pode lhe proporcionar essa vida que almeja. Seu desejo por doces será saciado pela doce satisfação de levar uma vida mais rica e produtiva.

Para simplificar, este livro se divide em duas partes. A Parte I vai lhe apresentar sete ferramentas simples. Elas são o alicerce da sua gula, que a partir de agora está em recuperação. A Parte II se compõe de artigos curtos que descrevem as inúmeras situações e circunstâncias que você pode vir a encontrar. Cada artigo vem acompanhado de mais uma ferramenta que permitirá o aprofundamento de sua consciência e de sua criatividade.

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