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Filmes e Curtas: “Mankind Is No Island” | Jason van Genderen

“Mankind Is No Island”, curta-metragem vencedor do festival Tropfest NY 2008, dirigido por Jason van Genderen. Todas as imagens do curta – gravadas em Nova Iorque (EUA) e em Sydney (Austrália) – foram captadas a partir da câmera do telefone celular do diretor.
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Mankind Is No Island

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Vidas: Profeta Gentileza (José Datrino)

José da Trino – ou Datrino – (1917–1996), começou a pregar a gentileza como uma alternativa de paz e lucidez para a cidade do Rio de Janeiro e para a humanidade. Seu impacto nas camadas populares foi grande, a ponto de ser chamado de “Profeta Gentileza” (ou “José Agradecido”).
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jose datrino gentileza foto gentileza

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Como todo profeta, Gentileza sentiu um chamado divino, dentro de um determinado contexto histórico. Tinha uma pequena empresa de transporte de carga na zona norte do Rio de Janeiro. Vivia como qualquer trabalhador das classes populares até que, no dia 17 de dezembro de 1961, ocorreu um incêndio criminoso no Gran Circus Norte-Americano, no outro lado da Baía de Guanabara, em Niterói, onde cerca de 500 pessoas morreram queimadas, a maioria delas crianças. A tragédia abalou José Datrino. Seis dias após o incêndio irrompeu a vocação profética, entre meio-dia e uma hora da tarde, quando entregava mercadorias com o seu caminhão. Ele mesmo testemunhou que recebeu um chamamento divino, confirmado três vezes, de que deveria deixar tudo e entregar-se ao consolo das vítimas do circo. Às vésperas do Natal, tomou seu caminhão, comprou uma certa quantidade de vinho, foi a Niterói e lá, junto às barcas, o distribuiu em copos de papel para todos que o desejassem, anunciando: “Quem quiser tomar vinho não precisa pagar nada, é só pedir por gentileza, é só dizer agradecido”.
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jose agradecido profeta gentileza profeta gentileza amor 46

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Depois se instalou por quatro anos no local do incêndio. Cercou-o e transformou-o num jardim cheio de flores. Colocou dois portões, um de entrada e outro de saída, com as inscrições: “Bem-vindo ao Paraíso da gentileza. Entre, não fume, não diga palavras obscenas porque esse local se tornou agora um campo santo”. Consolava a todos que ali chegavam desesperados, dizendo: “Seu papai, sua mamãe, sua filha, seu filho, não morreram; morreu o corpo, o espírito não. Deus chamou. Até o pior pecador se salvou porque Deus não é vingativo. Eu fui enviado por Deus e vim consolar vocês”. Os que vinham e escutavam a sua mensagem sentiam-se consolados.
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gentileza mural 18

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José Datrino também peregrinou por outras cidades. Em uma de suas viagens, na cidade de Aquidauana (Mato Grosso do Sul), o Profeta Gentileza foi preso e humilhado, o seu cabelo foi cortado e o seu estandarte foi quebrado. O motivo para tal atitude teria sido o fato de ele estar pregando sem uma bíblia nas mãos o que, para alguns, remetia ao desrespeito contra a fé cristã e até mesmo ao charlatanismo. Os jornais da época relataram este episódio com imensa indignação. Em Campo Grande, um dos jornais locais estampou a manchete:

Que mal fez este homem?

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Em resposta a esta pergunta que a muitos incomodava, Gentileza criou uma frase singular:

Quem é mais inteligente, o livro ou a sabedoria?

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Esta e outras frases do Gentileza, assim como certas circunstâncias pertinentes a sua vida, foram posteriormente abordadas pela cantora Marisa Monte na canção Gentileza, do álbum Memórias, Crônicas e Declarações de Amor. A canção também trata das pinturas (murais) que José Datrino fez em mais de cinquenta pilastras de viaduto. Com o passar dos anos pichadores e vândalos deterioraram os murais, e mais tarde as pinturas foram cobertas com tinta cinza.
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caricatura profeta gentileza glen batoca

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Com a ajuda da Universidade Federal Fluminense, da Prefeitura do Rio de Janeiro e de outras entidades e empresas, os murais foram restaurados e o patrimônio cultural produzido pelo Profeta Gentileza foi preservado. (Veja as imagens das pinturas do Gentileza no blog de David Wilson, site dedicado a José Datrino).
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auto retrato gentileza jose datrino profeta gentileza

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Assim como os profetas bíblicos, o Profeta Gentileza via nos acontecimentos a manifestação de um sentido profundo. O circo lhe sugere o mundo como um circo, como teatro e representação. Sua destruição é uma metáfora da destruição de um tipo de mundo construído na falta de gentileza e gratuidade. Claramente diz: “A derrota de um circo queimado em Niterói é um mundo representado, é isso que aconteceu; e o mundo é redondo e o circo arredondado; por esse motivo, então, o mundo foi acabado”. A alternativa a esse mundo reside na vivência da gentileza e da atitude de agradecimento.

José Datrino faleceu em maio de 1996, aos 79 anos de idade, na cidade de seus familiares (Mirandópolis-SP).
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Fonte: UFPR / profetadegentileza.blogspot.com

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Gentileza | Marisa Monte
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Arte: O Realismo

Movimento artístico que se manifesta na segunda metade do século XIX. Caracteriza-se pela intenção de uma abordagem objetiva da realidade e pelo interesse por temas sociais. O engajamento ideológico faz com que muitas vezes a forma e as situações descritas sejam exageradas para reforçar a denúncia social. O realismo representa uma reação ao subjetivismo do romantismo. Sua radicalização rumo à objetividade sem conteúdo ideológico leva ao naturalismo. Muitas vezes realismo e naturalismo se confundem.

Artes Plásticas: A tendência expressa-se sobretudo na pintura. As obras privilegiam cenas cotidianas de grupos sociais menos favorecidos. O tipo de composição e o uso das cores criam telas pesadas e tristes. O grande expoente é o francês Gustave Courbet (1819-1877). Para ele, a beleza está na verdade. Suas pinturas chocam o público e a crítica, habituados à fantasia romântica. São marcantes suas telas Os Quebradores de Pedra, que mostra operários, e Enterro em Ornans, que retrata o enterro de uma pessoa do povo. Outros dois nomes importantes que seguem a mesma linha são Honoré Daumier (1808-1879) e Jean-François Millet (1814-1875). Também destaca-se Édouard Manet, ligado ao naturalismo e, mais tarde, ao impressionismo. Sua tela Olympia exibe uma mulher nua que “encara” o espectador.

Literatura: O realismo manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o parnasianismo e o simbolismo. O romance – social, psicológico e de tese – é a principal forma de expressão. Deixa de ser apenas distração e se torna veículo de crítica a instituições, como a Igreja Católica, e à hipocrisia burguesa. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexu*alidade são os principais temas, tratados com linguagem clara e direta.

Na passagem do romantismo para o realismo, misturam-se aspectos das duas tendências. Um dos representantes dessa transição é o escritor e dramaturgo francês Honoré de Balzac, autor do conjunto de romances Comédia Humana. Outros autores importantes são os franceses Stendhal, que escreve O Vermelho e o Negro, e Prosper Merimée (1803-1870), autor de Carmen, além do russo Nicolai Gogol (1809-1852), autor de Almas Mortas.

O marco inicial do realismo na literatura é o romance Madame Bovary, do francês Gustave Flaubert (1821-1880). Outros autores importantes são o russo Fiódor Dostoiévski, cuja obra-prima é Os Irmãos Karamazov; o português Eça de Queiróz, que escreve Os Maias; o russo Leon Tolstói (1828-1910), criador de Anna Karenina e Guerra e Paz; e os ingleses Charles Dickens, autor de Oliver Twist, e Thomas Hardy (1840-1928), de Judas, o Obscuro.

A tendência desenvolve-se também no conto. Entre os mais importantes autores destacam-se o russo Tchekhov e o francês Guy de Maupassant.

Teatro: Com o realismo, problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem torna-se coloquial. O primeiro grande dramaturgo realista é o francês Alexandre Dumas Filho (1824-1895), autor da primeira peça realista, A Dama das Camélias (1852), que trata da pros*tituição.

Fora da França, um dos expoentes é o norueguês Henrik Ibsen. Em Casa de Bonecas, por exemplo, trata da situação social da mulher. São importantes também o dramaturgo e escritor russo Gorki (1868-1936), autor de Ralé e Os Pequenos Burgueses, e o alemão Gerhart Hauptmann, autor de Os Tecelões.

O Realismo no Brasil

No Brasil, o realismo marca mais intensamente a literatura e o teatro.

Artes plásticas: Entre os artistas brasileiros, tem maior expressão o realismo burguês, nascido na França. Em vez de trabalhadores, o que se vê nas telas é o cotidiano da burguesia. Dos seguidores dessa linha se destacam Belmiro de Almeida (1858-1935), autor de Arrufos, que retrata a discussão de um casal, e Almeida Júnior , autor de O Descanso do Modelo. Mais tarde, Almeida Júnior aproxima-se de um realismo mais comprometido com as classes populares, como em Caipira Picando Fumo.

Literatura brasileira: O realismo teve seu início, oficialmente, com a publicação do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que faz uma análise crítica da sociedade da época. O realismo manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o parnasianismo e o simbolismo. O romance é a principal forma de expressão, tornando-se veículo de crítica a instituições e à hipocrisia burguesa.

Ligados ao regionalismo destacam-se Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892), autor de Dona Guidinha do Poço, e Domingos Olímpio (1860-1906), de Luzia-Homem.

O Realismo no Brasil só entrou em declínio com o surgimento do Parnasianismo, por volta do ano de 1890.

Teatro: Os problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem passa a ser coloquial. Entre os principais autores estão romancistas realistas, como Machado de Assis, que escreve Quase Ministro, e alguns românticos, como José de Alencar, com O Demônio Familiar, e Joaquim Manuel de Macedo, com Luxo e Vaidade. Outros nomes de peso são Artur de Azevedo, criador de comédias e operetas como A Capital Federal e O Dote, Quintino Bocaiúva e França Júnior (1838-1890).

Fonte: Abril

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Curtas: “Edna” | Thomas Giusiano e Mathieu Rey

Edna, curta-metragem francês de Thomas Giusiano e Mathieu Rey, retrata a personagem Carlitos (Charlie Chaplin) em busca da sua namorada. O filme faz referência ao universo cinematográfico de Steven Spielberg.

Edna
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Trecho do Livro: Eu Fui Vermeer – A Ascensão e a Queda do Maior Falsário do Século XX | Frank Wynne

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Toda criança é artista. O problema é: como continuar sendo artista, depois de adulto. – Pablo Picasso

O domador do leão

Han van Meegeren nasceu para ser pintor; infelizmente, chegou com cinqüenta anos de atraso.

Em 19 de agosto de 1839, Paul Delaroche, um dos pintores franceses mais populares e respeitados do século XIX, solenemente declarou: “A partir de hoje, a pintura está morta”. Paradoxalmente, fez essa declaração enquanto trabalhava para a École des Beaux-Arts, retratando a história da arte numa pintura de 27 metros. O dobre fúnebre soou em resposta ao acontecimento mais espetacular da história da arte figurativa: a doação ao mundo, feita pelo governo francês, de uma nova e fascinante patente, o daguerreótipo.

Por toda a Europa, a nova tecnologia de pintar com luz, apelidada de “fotografia”, foi recebida com empolgação e assombro. Exposições realizadas nas grandes cidades européias celebraram esse processo mágico, capaz de congelar o tempo e criar uma semelhança perfeita. Observando um dos primeiros daguerreótipos, o velho J. M.W. Turner teria dito que estava contente por seu tempo já ter passado.

Embora o processo de Louis Daguerre fosse caro e trabalhoso demais para suplantar a pintura de imediato, o medo de que a pintura estivesse morta era real e palpável. Na exposição parisiense de 1860, Charles Baudelaire definiu a fotografia como “o refúgio de pintores fracassados e bem pouco talentosos”. E acrescentou: “É óbvio que essa indústria se tornou o inimigo mais mortal da arte. Se conseguir suplementar a arte em algumas de suas funções, a fotografia logo a terá suplantado ou corrompido, graças à estultícia da massa, que é seu aliado natural”. Enquanto alguns artistas chamavam a fotografia de arte-fe-to-gráfica, outros eram mais otimistas: quando a rainha Vitória lhe perguntou se a fotografia representava uma ameaça para o pintor, o miniaturista Alfred Chalon respondeu secamente: “Não, senhora: a fotografia não consegue bajular”.

Na verdade, longe de destruir a pintura, a fotografia foi um fator crucial de sua evolução. Os temas tradicionais do pintor se restringiam a história, religião e mitologia; já a fotografia se insinuava em todas as áreas da experiência humana, registrando a vida de trabalhadores, capturando atitudes espontâneas, mudando para sempre os critérios que definiam o que se prestava à observação. Enquanto a fotografia se esforçava para imitar a bela arte, utilizando métodos que lhe permitiam obter efeitos do realismo romântico, os pintores davam início a uma radical reconsideração de temas e técnicas, abandonando o realismo como o auge da conquista artística e voltando-se para os estranhos e inacabados esboços “impressionistas”.

Em 1889, quando Han nasceu, o realismo declinava, mas a pintura florescia. Foi em 1889 que Gauguin se afastou do impressionismo para criar algo menos naturalista, que chamou de sintetismo; e que Georges Seurat fez seu esboço pontilhista da Torre de Gustave Eiffel, enquanto os operários se esfalfavam para concluir essa extravagância de ferro para a Exposition Universelle. Esse foi o ano em que um desconhecido pintor holandês se internou voluntariamente no asilo de St. Paul, em Arles, onde retratou o banco de pedra e os ciprestes dos jardins; o ano em que o jovem Henri Matisse, escrivão que nunca tinha posto o pé numa galeria de arte, matriculou-se num curso de pintura em sua Saint Quentin natal. E foi em 1889 que Picasso, aos oito anos de idade, pintou o que se considera sua primeira obra: Le Picador. Algo quase mágico estava acontecendo na arte ocidental. Uma centelha de loucura, uma faísca de gênio estava no ar, alimentando discussões e controvérsias em Paris e Londres. Nada disso havia chegado a Deventer.

Han van Meegeren nasceu na histórica cidade hanseática de Deventer, que na época, como hoje, proporcionava um confortador vislumbre das glórias da Holanda, mil anos de história congelados em pedra. À distância, parecia pouco diferente da cidade retratada nas paisagens de Salomon van Ruisdael. Cercada de moinhos de vento, casas colmadas, antigas florestas e campos cercados, onde as ovelhas podiam pastar em segurança, era um cenário idílico. Han a detestava. Já na infância, apreciava o estilo de vida dos ricos; mais tarde na vida, penderia para a marginalidade. Deventer não lhe oferecia nem um, nem outra. Suas ruas medievais exalam bom senso burguês, porém uma breve caminhada aos arredores desse centro aprazível revela a dura crosta industrial: fábricas de produtos químicos, tecelagens e oficinas mecânicas do século XIX, sombrias e satânicas como Blake imaginou, cercam-na com a firme ética do trabalho holandesa.

Henricus van Meegeren e sua esposa, Augusta Louise, batizaram seu terceiro filho com o nome de Henricus Antonius van Meegeren, seguindo o costume nacional de dar nomes latinizados aos filhos, mas, como os holandeses raramente resistem a um diminutivo, Henricus foi abreviado para Han, que se tornou Hantje — “pequeno Han” — para diferenciá-lo do pai.

Henricus pai era a encarnação do pragmatismo vigoroso e ferrenho. Professor na escola Rijksweek, era formado em inglês e matemática pela Universidade de Delft e escrevera um punhado de áridos manuais. Morava com a família num elegante sobrado de três andares, com janelas salientes e mansarda, e governava os cinco filhos da mesma forma como conduzia seus alunos. Era um homem bom: correto, honrado e sem um pingo de imaginação. Católico fervoroso, todos os domingos fazia a família marchar em fila, por oito quilômetros, até a igreja onde seu irmão era pároco. Seus filhos — Hermann, Han, Joanna, Louise e Gussje — estavam proibidos de brincar com crianças protestantes. Eles logo aprenderam que fugir ao futuro que o pai lhes reservava produziria sofrimento e decepção. Henricus já havia decidido que Hermann, o primogênito, seria padre; Han, que era um bom estudante, seguiria os passos do pai, dedicando-se ao magistério. Quanto às meninas, só podiam esperar casar com um homem bem-criado e instruído, que exercesse uma profissão.

Na infância, Han desenhava leões. Quando tinha oito anos, as margens de seus livros escolares haviam se transformado em onduladas planícies e em picadeiros onde bandos de enormes felinos brigavam e brincavam. A mãe o levara para vê-los. Augusta Louise alimentava no filho a mesma centelha criativa que um dia sentira em si mesma e que o casamento extinguira. Conduzia Han pelo emaranhado de ruas medievais que Erasmo percorrera, quando era estudante. Falava-lhe de Gerard Ter Borch, grande pintor, o filho mais famoso de Deventer. Mostrava-lhe as casas com empena que davam para o Ijssel, a St. Lebuinuskerk e a Bergkerk, mas ele sempre lhe implorava que o levasse à De Waag, a Casa de Pesagem medieval que dominava a praça da cidade com sua curiosa torre octogonal e um torreão em cada ângulo. Han se sentava ali com seu caderno de desenho e contemplava os leões esculpidos. Dois deles ficavam sentados nos pilares que flanqueavam a grande escadaria; outros pareciam se esgueirar pelas balaustradas de pedra, agachados, ameaçadores, prontos para dar o bote. Às vezes, ao voltar da escola para casa, Han ia até lá só para vê-los.

Os desenhos eram seu segredo. Ele gastava toda a sua mesada com lápis e papel. Intuitivamente desconfiava que pappa não aprovaria. Tinha dez anos, quando o pai, furioso com a aparente piora em seu desempenho escolar, encontrou os desenhos e rasgou-os, diante de seus olhos perplexos.

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