Trecho do Livro: Porque Algumas Pessoas Fazem Sucesso e Outras Não | Carol Dweck

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Quando eu era uma jovem pesquisadora, em início de carreira, aconteceu algo que mudou minha vida. Eu era obcecada pela idéia de compreender como as pessoas lidam com seus fracassos, e resolvi estudar esse tema observando como os estudantes tratavam os problemas difíceis. Assim, levei várias crianças, uma de cada vez, a uma sala na escola delas, onde as deixei ficar à vontade com uma série de quebra-cabeças para resolver. Os primeiros eram bastante fáceis, mas os seguintes ficavam mais difíceis. Enquanto as crianças resmungavam, suavam e se esforçavam, eu observava suas estratégias e investigava o que pensavam e sentiam. Esperava encontrar diferenças no modo como elas enfrentavam as dificuldades, mas percebi algo que jamais havia imaginado.

Diante dos quebra-cabeças difíceis, um menino de 10 anos puxou a cadeira para mais perto, esfregou as mãos, estalou os lábios e exclamou: “Adoro um desafio!” Outro, lutando com os quebra-cabeças, ergueu os olhos com expressão satisfeita e disse, com ar de autoridade: “Sabem, eu esperava aprender alguma coisa com isso!”

O que há de errado com esses meninos?, pensei. Sempre havia achado que uma pessoa ou sabia lidar com o fracasso ou não sabia. Nunca imaginara que alguém pudesse gostar do fracasso. Essas crianças seriam excepcionais ou teriam encontrado alguma coisa nova?

Todos temos um exemplo a seguir, ou alguém que nos indicou o caminho num momento crítico de nossas vidas. Aquelas crianças se tornaram meus modelos de comportamento. Evidentemente sabiam algo que eu desconhecia e eu estava decidida a descobrir o que era — a entender o tipo de código mental capaz de transformar o fracasso em um dom.

Que sabiam elas? Sabiam que as qualidades humanas, tais como a inteligência e as aptidões, podem ser cultivadas por meio do esforço. E era isso que estavam fazendo — tornando-se mais espertas. Não apenas o fracasso não as desestimulava, como elas nem sequer imaginavam que estivessem fracassando. Achavam que estavam aprendendo.

Já eu pensava que as qualidades humanas eram imutáveis. Você podia ser ou não inteligente, e o fracasso significava que não era. Simples assim. Se conseguia planejar os êxitos e evitar os fracassos (a qualquer custo), poderia continuar sendo inteligente. Os esforços, os erros e a perseverança não faziam parte desse panorama.

A questão de saber se as qualidades humanas podem ser cultivadas ou se são imutáveis é antiga. A novidade é o que essas convicções significam para você: quais são as conseqüências de imaginar que nossa inteligência ou nossa personalidade são características que podemos desenvolver, em vez de constituírem algo fixo, um traço profundamente arraigado? Examinemos inicialmente o antiqüíssimo e feroz debate a respeito da natureza humana e em seguida voltaremos à questão de saber o que tais convicções significam para você.

POR QUE AS PESSOAS SÃO DIFERENTES?

Desde o começo dos tempos, as pessoas pensaram de maneira diversa, agiram de formas distintas e viveram de modo diferente umas das outras. Obviamente alguém iria querer saber por que as pessoas eram diferentes — por que algumas são mais inteligentes ou mais éticas — e se existia alguma coisa que as tornava permanentemente distintas. Essa questão foi vista de duas maneiras pelos estudiosos. Alguns afirmavam que existia uma forte base física para as diferenças, que as tornava inevitáveis e inalteráveis. Ao longo do tempo, entre essas alegadas diferenças físicas foram incluídas as deformações cranianas (frenologia), o tamanho e a forma do crânio (craniologia) e, hoje em dia, os genes.

Outros apontaram para a grande diversidade de formação de cada pessoa, suas experiências, o treinamento ou a forma de aprendizado. Talvez você se surpreenda ao saber que um dos grandes defensores dessa opinião foi Alfred Binet, inventor do teste de aferição do quociente de inteligência (QI). Seria o objetivo desse teste resumir a inteligência imutável das crianças? Na verdade, não. Binet, francês que trabalhou em Paris no início do século XX, pretendia com isso identificar as crianças que não estivessem obtendo êxito no aprendizado nas escolas públicas parisienses, a fim de possibilitar a criação de novos programas educativos que permitissem a sua recuperação. Sem negar as diferenças individuais nos intelectos infantis, Binet acreditava que a educação e a prática seriam capazes de produzir mudanças fundamentais na inteligência. Eis um trecho de uma de suas obras principais, Idéias Modernas sobre as Crianças, no qual ele resume o trabalho que fez com centenas de crianças que tinham dificuldades de aprendizado:

Alguns filósofos modernos […] afirmam que a inteligência de um indivíduo é uma quantidade fixa, uma quantidade que não pode ser aumentada. Devemos reagir e protestar contra esse pessimismo brutal. […] Com a prática, o treinamento e, acima de tudo, o método, somos capazes de aperfeiçoar nossa atenção, nossa memória e nossa capacidade de julgamento, tornando-nos literalmente mais inteligentes do que éramos antes.

Quem terá razão? Hoje em dia, a maioria dos peritos concorda que não há uma única resposta. Não se trata de natureza ou circunstâncias, genes ou meio ambiente. A partir da concepção, há um intercâmbio constante entre uma coisa e outra. Com efeito, como diz Gilbert Gottlieb, eminente neurocientista, não apenas os genes e o meio ambiente cooperam entre si à medida que nos desenvolvemos, como os genes necessitam da contribuição do meio ambiente, a fim de funcionar de maneira adequada.

Ao mesmo tempo, os cientistas estão percebendo que as pessoas têm maior capacidade do que se havia imaginado para aprender e desenvolver o cérebro durante toda a vida. É claro que cada um possui uma dotação genética específica. As pessoas podem ter diferentes temperamentos e aptidões no início de suas vidas, mas evidentemente a experiência, o treinamento e o esforço pessoal conduzem-nas no restante do percurso. Robert Sternberg, o guru da inteligência na atualidade, escreveu que o principal modo de aquisição de conhecimento especializado “não é alguma capacidade prévia e fixa, e sim a dedicação com objetivo”. Ou, como reconheceu seu precursor Binet, nem sempre as pessoas que começam a vida como as mais inteligentes acabam sendo as mais inteligentes.

O QUE SIGNIFICA TUDO ISSO PARA VOCÊ?

OS DOIS TIPOS DE CÓDIGO DA MENTE

Ouvir opiniões de sábios sobre assuntos científicos é uma coisa. Outra é compreender de que forma essas opiniões se aplicam a você. Minhas pesquisas ao longo de vinte anos demonstraram que a opinião que você adota a respeito de si mesmo afeta profundamente a maneira pela qual você leva sua vida. Ela pode decidir se você se tornará a pessoa que deseja ser e se realizará aquilo que é importante para você. Como acontece isso? Como pode uma simples convicção ter o poder de transformar sua psicologia e, conseqüentemente, sua vida?

Acreditar que suas qualidades são imutáveis — um código mental fixo — cria a necessidade constante de provar a você mesmo seu valor. Se você possui apenas uma quantidade limitada de inteligência, determinada personalidade e certo caráter moral, nesse caso terá de provar a si mesmo que essas doses são saudáveis. Não lhe agradaria parecer ou acreditar-se deficiente quanto a essas características fundamentais.

Alguns de nós aprendemos a adotar esse código desde a tenra infância. Ainda criança, eu me preocupava em ser esperta, mas o verdadeiro código mental ficou na verdade marcado em mim por causa da sra. Wilson, minha professora da sexta série. Ao contrário de Alfred Binet, ela achava que os resultados do QI revelavam exatamente quem eram as pessoas. Nossas carteiras na sala eram arrumadas em ordem decrescente de QI, e somente os alunos de QI mais elevado eram encarregados de transportar a bandeira, cuidar dos apagadores ou levar um bilhete ao diretor. Além da ansiedade que ela constantemente provocava com sua atitude julgadora, criava também um código mental fixo no qual cada criança da classe tinha um objetivo primordial: parecer inteligente, não fazer papel de boba. Quem poderia se ocupar de aprender, ou achar isso divertido, quando a totalidade de nosso ser se sentia ameaçada cada vez que ela nos dava uma prova ou nos interrogava na aula?

Já vi inúmeras pessoas que têm esse único objetivo essencial de provar-se a si mesmas — na sala de aula, em suas carreiras e em seus relacionamentos. Cada situação exige uma confirmação de sua inteligência, personalidade ou caráter. Cada situação passa por uma avaliação: Terei sucesso ou fracassarei? Farei papel de tolo ou me mostrarei inteligente? Serei aceito ou rejeitado? Vou me sentir vencedor ou derrotado? Mas não é fato que nossa sociedade valoriza a inteligência, a personalidade e o caráter? A resposta é sim, mas…

Há um outro código mental no qual essas características não são simplesmente como cartas de baralho que você recebe e com as quais tem de viver, sempre procurando convencer a si mesmo e aos demais que tem um royal flush nas mãos, quando na verdade teme ter somente um par de dez. Nesse outro código, as cartas recebidas constituem apenas o ponto de partida do desenvolvimento. Esse código mental construtivo se baseia na convicção de que você é capaz de cultivar suas qualidades básicas por meio de seus próprios esforços. Embora as pessoas possam diferir umas das outras de muitíssimas maneiras — em seus talentos e aptidões iniciais, interesses ou temperamentos —, cada um de nós é capaz de modificar-se e desenvolver-se por meio do esforço e da experiência.

Será que as pessoas dotadas desse código mental acreditam que qualquer um pode se tornar qualquer outra coisa, que qualquer pessoa com as motivações ou instrução adequadas pode transformar-se em um Einstein ou em um Beethoven? Não, mas acreditam que o verdadeiro potencial de uma pessoa é desconhecido (e impossível de ser conhecido); que não se pode prever o que alguém é capaz de realizar com anos de paixão, esforço e treinamento.

Você sabia que Darwin e Tolstoi foram considerados alunos medianos? Que Ben Hogan, um dos maiores golfistas de todos os tempos, era completamente descoordenado e desajeitado quando criança? Que a fotógrafa Cindy Sherman, que aparece praticamente em todas as listas dos artistas mais importantes do século XX, foi reprovada em seu primeiro curso de fotografia? Que Geraldine Page, uma de nossas maiores atrizes, foi aconselhada a abandonar essa profissão por falta de talento?

Você pode agora perceber como a convicção de que é possível desenvolver as qualidades desejadas cria uma paixão pelo aprendizado. Por que perder tempo provando constantemente a si mesmo suas grandes qualidades, se você pode se aperfeiçoar? Por que ocultar as deficiências em vez de vencê-las? Por que procurar amigos ou parceiros que nada mais farão do que dar sustentação a sua auto-estima, em vez de outros que o estimularão efetivamente a crescer? E por que buscar o que já é sabido e provado, em vez de experiências que o farão desenvolver-se? A paixão pela busca de seu desenvolvimento e por prosseguir nesse caminho, mesmo (e especialmente) quando as coisas não vão bem, é o marco distintivo do código mental construtivo. Esse é o código que permite às pessoas prosperar em alguns dos momentos mais desafiadores de suas vidas.

A VISÃO A PARTIR DE CADA UM DOS DOIS CÓDIGOS

Para ter uma visão melhor do funcionamento de ambos os códigos, imagine — da forma mais vívida possível — que você é um jovem num dia realmente muito negativo:

Certo dia, você vai a uma aula realmente importante para você, de uma matéria que lhe agrada muito. O professor entrega aos alunos as provas parciais corrigidas. Sua nota foi cinco. Você fica muito decepcionado. Naquela tarde, ao voltar para casa, descobre que seu carro foi multado por estacionamento proibido. Frustrado, você telefona a seu melhor amigo para compartilhar tudo o que lhe aconteceu, mas ele não lhe dá muita atenção.

O que pensaria você? O que sentiria? O que faria?

As pessoas que adotam o código mental fixo me responderam assim: “Eu me sentiria rejeitado.” “Sou um fracasso total.” “Sou um idiota.” “Sou um perdedor.” “Me sentiria inútil e tolo — todos os outros são melhores do que eu.” “Sou um lixo.” Em outras palavras, entenderiam o que aconteceu como uma medida direta de sua competência e de seu valor.

Eis o que pensariam sobre suas vidas: “Minha vida é lamentável.” “Não tenho uma verdadeira vida.” “Alguém lá em cima não gosta de mim.” “Todos estão contra mim.” “Alguém quer acabar comigo.” “Ninguém gosta de mim, todos me odeiam.” “A vida é injusta e é inútil esforçar-me.” “A vida é um horror. Sou um idiota. Nada de bom me acontece.” “Sou a pessoa mais sem sorte de todo o mundo.”

Perdão, mas houve morte e destruição ou simplesmente uma nota baixa, uma multa e um telefonema desagradável?

Serão essas nada mais do que pessoas com baixa auto-estima? Ou serão pessimistas de carteirinha? Não. Quando não estão às voltas com o fracasso, sentem-se tão valiosas e otimistas, inteligentes e atraentes quanto as que adotam o código mental construtivo.

Então, de que maneira lidam com o fracasso? “Eu não me preocuparia em perder tempo esforçando-me para caprichar em coisa alguma.” (Em outras palavras, não deixarei que ninguém me avalie novamente.) “Não farei nada.” “Ficarei na cama.” “Vou encher a cara.” “Vou comer.” “Vou dar uma bronca em alguém se tiver oportunidade.” “Vou comer chocolate.” “Vou ouvir música e ficar de cara feia.” “Vou entrar no armário e ficar lá dentro.” “Vou arranjar uma briga com alguém.” “Vou chorar.” “Vou quebrar alguma coisa.” “Que mais posso fazer?”

Que mais posso fazer! Vejam, quando elaborei aquela situação hipotética, determinei que a nota fosse cinco, e não dois, que a prova fosse parcial, e não final, que fosse uma multa, e não um acidente. O amigo do protagonista “não lhe deu muita atenção”, mas não o rejeitou completamente. Nada do que aconteceu era catastrófico ou irreversível. Mesmo assim, a partir dessa matéria-prima o código mental fixo criou o sentimento de completo fracasso e paralisia.

Quando propus a mesma situação a pessoas de código mental construtivo, eis o que responderam:

“Preciso esforçar-me mais na aula e ser mais cuidadoso quando estacionar o carro. E imagino que meu amigo teve um dia difícil.”

“A nota cinco mostra que devo dedicar-me muito mais às aulas, mas ainda tenho o resto do semestre para melhorar a média.”

Houve muitas outras respostas como essas, mas acho que você já entendeu. Agora, como essas pessoas enfrentariam o fracasso? Claro que de frente.

“Eu começaria a pensar em estudar com mais empenho (ou estudar de maneira diferente) para a próxima prova naquela matéria, pagaria a multa e esclareceria as coisas com meu amigo na próxima vez em que nos víssemos.”

“Verificaria onde fui mal na prova, tomaria a decisão de melhorar, pagaria a multa e ligaria para meu amigo para explicar que no dia anterior eu estava nervoso.”

“Me esforçaria mais para a prova seguinte, conversaria com o professor, seria mais cuidadoso ao estacionar ou contestaria a multa, e procuraria saber qual tinha sido o problema de meu amigo.”

Qualquer que fosse seu código mental, você se sentiria perturbado. Quem não ficaria? Notas baixas, multas de estacionamento ou desinteresse da parte de um amigo ou pessoa querida não são coisas agradáveis. Ninguém esfregaria as mãos de satisfação. Mas as pessoas que adotavam o código construtivo não se rotularam nem se desesperaram. Embora se sentissem inquietas, estavam dispostas a assumir os riscos, enfrentar os desafios e continuar a esforçar-se.

MAS, ENTÃO, QUAL É A NOVIDADE?

Será essa uma idéia nova? Existem muitos ditados que mostram a importância do risco e o poder da persistência, como “Quem não arrisca não petisca”, “Se não der certo da primeira vez, tente uma segunda e uma terceira” ou “Roma não foi feita em um só dia”. (Aliás, fiquei encantada ao saber que os italianos usam a mesma expressão.) O que verdadeiramente surpreende é que as pessoas de código mental fixo não concordariam com isso. Para elas, os ditados seriam: “Se eu não arriscar, nada perderei.” “Se não der certo da primeira vez, é porque provavelmente não tenho competência.” “Se Roma não foi feita em um só dia, provavelmente foi porque não poderia ser feita em menos tempo.” Em outras palavras, risco e esforço são coisas capazes de revelar suas deficiências e mostrar que você não está à altura da tarefa. Com efeito, é espantoso verificar até que ponto as pessoas de código mental fixo não acreditam no esforço.

O que também constitui novidade é que as idéias das pessoas a respeito de risco e esforço derivam de seus códigos mentais mais básicos. Não se trata somente do fato de que algumas pessoas são capazes de reconhecer o valor de desafiar-se a si mesmas e a importância do esforço. Nossa pesquisa demonstrou que isso deriva diretamente do código mental construtivo. Quando ensinamos a alguém esse código, cujo ponto focal é o desenvolvimento, as idéias sobre desafio e esforço vêm em seguida. Da mesma forma, não se trata somente de que para algumas pessoas o desafio e o esforço podem não ser agradáveis. Quando (temporariamente) colocamos alguém num código mental fixo, que se concentra nas características permanentes, essa pessoa rapidamente passa a temer o desafio e a dar pouco valor ao esforço.

Freqüentemente vemos livros com títulos como Os Dez Segredos das Pessoas Mais Bem-sucedidas do Mundo lotando as prateleiras das livrarias, e esses livros podem fornecer muitas dicas úteis. Mas em geral nada mais são do que uma lista de conselhos sem relação uns com os outros, como “Assuma mais riscos!” ou “Acredite em você mesmo!”. Você passa a admirar as pessoas capazes de fazer isso, mas nunca fica claro de que forma essas coisas se inter-relacionam, ou como você poderia chegar a imitar essas pessoas. Assim, você se sente inspirado durante alguns dias, porém, basicamente, as pessoas mais bem-sucedidas do mundo conservam bem guardados seus segredos.

Ao contrário disso, à medida que você começa a compreender os códigos mentais fixo e construtivo, passa a ver exatamente como uma coisa leva a outra — como a convicção de que suas qualidades são imutáveis gera uma legião de pensamentos e atos, e como a crença de que suas qualidades são suscetíveis de serem cultivadas gera uma legião diferente de pensamentos e atos, guiando-o por um caminho completamente distinto. É o que nós, psicólogos, chamamos de uma experiência de descoberta. Não apenas verifiquei isso em minha pesquisa, quando ensinávamos a alguém um novo código mental, mas recebo a toda hora cartas de gente que leu minhas obras.

Essas pessoas se reconhecem a si mesmas: “Ao ler seu artigo, literalmente me vi repetindo: ‘Isso sou eu, isso sou eu!’” Percebem as conexões: “Seu artigo me entusiasmou. Senti que havia descoberto o segredo do universo!” Sentem que seus códigos mentais se reorientam: “Sem dúvida sou capaz de relatar uma espécie de revolução pessoal que acontece em meu próprio raciocínio, e esse sentimento é excitante.” E são capazes de colocar essas novas idéias em prática para si mesmas e para os outros: “Sua obra permitiu-me transformar meu trabalho com crianças e olhar a educação por um prisma completamente diferente” ou “Gostaria de informá-la do impacto, tanto no nível pessoal quanto no prático, que sua extraordinária pesquisa causou em centenas de estudantes”.

INTROSPECÇÃO: QUEM É CAPAZ DE TER IDÉIAS CLARAS SOBRE SUAS CAPACIDADES E LIMITAÇÕES?

Bem, talvez as pessoas que adotam o código mental construtivo não se achem nenhum Einstein ou um Beethoven, mas não será mais provável que tenham opiniões exageradas a respeito de suas capacidades e busquem coisas além de seu nível de competência? Com efeito, estudos mostram que poucos sabem avaliar suas capacidades. Recentemente, procuramos investigar que tipo de pessoa seria mais capaz de fazer avaliações mais precisas. Sem dúvida, verificamos que existe muito pouca exatidão nas estimativas de realizações e de capacidades. Mas aqueles que adotavam o código mental fixo foram responsáveis por quase toda a inexatidão. As pessoas de código construtivo foram extraordinariamente precisas.

Pensando bem, isso faz sentido. Se você acreditar que é capaz de se aperfeiçoar, assim como fazem os que adotam o código construtivo, estará aberto a informações exatas sobre suas capacidades atuais, ainda que não sejam lisonjeiras. Além disso, se estiver orientado para o aprendizado, como estão essas pessoas, terá necessidade de informações exatas sobre sua capacidade, a fim de aprender com eficiência. No entanto, se quaisquer dados sobre suas preciosas características forem vistos como boas ou más notícias, como ocorre com as pessoas de código fixo, é quase inevitável que aconteçam distorções. Alguns resultados serão enaltecidos, outros, desprezados, e você acabará sem realmente se conhecer.

Em seu livro Extraordinary Minds (Mentes Extraordinárias), Howard Gardner concluiu que os indivíduos brilhantes possuem “um talento especial para identificar seus próprios pontos fortes e fracos”. É interessante observar que os que têm código mental construtivo parecem possuir esse talento.

O QUE O FUTURO NOS RESERVA

Outra coisa que os indivíduos extraordinários parecem possuir é um talento especial para converter em sucesso futuro as dificuldades da vida. Os estudiosos de criatividade concordam. Numa enquete com 143 desses pesquisadores, houve amplo acordo sobre o principal ingrediente para a obtenção de sucesso criativo. E esse ingrediente era exatamente o tipo de perseverança e maleabilidade produzido pelo código mental construtivo.

Você pode voltar a perguntar: Como é possível que uma convicção leve a tudo isso — gosto pelo desafio, confiança no esforço, capacidade de recuperação diante dos tropeços e maior sucesso (e mais criativo!)? Nos capítulos seguintes, você verá exatamente como isso acontece: como o código mental altera o que as pessoas buscam e o que identificam como sucesso. De que maneira ele modifica a definição, a importância e o impacto do fracasso, e como transforma o sentido mais profundo do esforço. Verá como os códigos funcionam na escola, nos esportes, no trabalho e nos relacionamentos. Verá de onde eles provêm e como podem ser modificados.

Aperfeiçoe Seu Código da Mente

Qual é o seu código mental? Responda a estas perguntas sobre a inteligência. Leia cada uma das afirmativas seguintes e diga se, na maior parte das vezes, concorda ou não com elas.

1. Sua inteligência é algo muito pessoal, e você não pode transformá-la muito.

2. Você é capaz de aprender coisas novas, mas, na verdade, não pode mudar seu nível de inteligência.

3. Qualquer que seja seu nível de inteligência, sempre é possível modificá-la bastante.

4. É sempre possível mudar substancialmente seu nível de inteligência.

As afirmativas 1 e 2 referem-se ao código mental fixo. As de número 3 e 4 refletem o código construtivo. Com qual dos dois grupos você concorda mais? É possível que sua resposta seja mista, mas a maioria das pessoas se inclina mais para um grupo do que para o outro.

Você também possui convicções a respeito de outras capacidades. Pode substituir “inteligência” por “talento artístico”, “tino comercial”, ou “aptidão para esportes”. Tente fazer isso.

Não se trata somente de suas aptidões, mas também de suas qualidades pessoais. Veja estas afirmações sobre personalidade e caráter e decida se concorda ou não com cada uma delas.

1. Você é um certo tipo de pessoa, e não há muito a fazer para mudar esse fato.

2. Qualquer que seja o tipo de pessoa que você é, sempre é possível modificá-lo substancialmente.

3. Você pode fazer as coisas de maneira diferente, mas a essência daquilo que você é não pode ser realmente modificada.

4. Sempre é possível modificar os elementos básicos do tipo de pessoa que você é.

Aqui, as perguntas 1 e 3 se referem ao código mental fixo, e as de número 2 e 4 refletem o código construtivo. Com qual dos dois grupos você se identifica mais?

Seria esse resultado diferente de seu código em relação à inteligência? Isso é possível. Seu “código para a inteligência” entra em ação quando as situações têm a ver com capacidade mental.

Seu “código para a personalidade” entra em ação nas situações que têm a ver com suas qualidades pessoais — por exemplo, quão confiável, cooperativo, atencioso ou socialmente habilidoso você é. O código fixo faz com que você se preocupe com a forma pela qual será avaliado; o código construtivo torna-o interessado em seu aperfeiçoamento.

Eis aqui algumas outras situações para se pensar sobre os códigos mentais:

Pense em alguém que você conheça e que esteja atolado no código fixo. Veja como essas pessoas sempre procuram se pôr a prova e como são supersensíveis a respeito da possibilidade de terem opiniões equivocadas ou de cometerem erros. Você já se perguntou por que elas são assim? (Você é assim?) Agora você pode começar a compreender os motivos.

Pense em alguém que você conheça e que tenha as aptidões do código mental construtivo, alguém que compreenda que as qualidades importantes podem ser cultivadas. Pense em como essas pessoas enfrentam os obstáculos. Pense naquilo que fazem para aperfeiçoar-se. Em que você gostaria de modificar-se ou de aperfeiçoar-se?

Muito bem, agora imagine que você resolveu aprender um novo idioma e se matriculou num curso. Depois de algumas aulas, o professor chama você e começa a lhe fazer uma série de perguntas.

Coloque-se na posição de quem tem um código mental fixo. Sua capacidade está em jogo. É capaz de sentir que todos os colegas estão olhando para você? É capaz de ver a fisionomia do professor enquanto o avalia? Sinta a tensão, sinta seu ego estilhaçar-se e hesitar. Em que mais você está pensando e o que está sentindo?

Agora coloque-se no lugar de uma pessoa com código mental construtivo. Você é principiante, e por isso está ali. Está ali para aprender. O professor é um facilitador para o aprendizado. Sinta que a tensão se esvai; sinta sua mente se abrir.

A mensagem é a seguinte: você é capaz de mudar seu código da mente.
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