Trecho do Livro: Superdicas para Impulsionar Sua Carreira | Max Gehringer

Livros Superdicas Impulsionar Sua Carreira Max Gehringer BooksLivro: Superdicas para Impulsionar Sua Carreira

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Pra começo de conversa:

Existe uma fase na carreira em que algo parece que vai acontecer, mas ainda não aconteceu. Aquela fase em que você não é mais um iniciante, mas ainda não começou a ser, de fato, respeitado como sabe que pode – e quer – ser. Essa é uma fase vital em qualquer carreira.

Esse período corresponde, na vida biológica, ao que está entre a infância e a adolescência. No trabalho, é um tempo em que você ainda é tratado como se fosse criança, mas já é cobrado como se fosse adulto. Porém, é nessa fase que a empresa começa a decidir em quais funcionários vale a pena investir.

Se você está nessa fase, preste atenção aos cinco pontos que deve sempre observar. São cinco atitudes que não requerem prática nem investimento.

1. Não faça inimizades no trabalho; seu inimigo de hoje pode ser seu chefe amanhã.

2. Quando ouvir uma crítica a algum colega, não concorde nem discorde, apenas aponte algo positivo que o criticado tenha. Empresas gostam de quem consegue enxergar o lado bom das situações.

3. Se você apresentou um trabalho, e ele foi elogiado, tire uma cópia e guarde numa pasta. Essa pasta será o seu melhor currículo, e você um dia precisará dele.

4. Sempre peça conselhos a seu chefe direto; seu futuro na empresa começa pela aprovação dele.

5. Concentre-se nos resultados. Por mais boas idéias que você possa ter para melhorar a empresa, seu foco deve estar 100% no objetivo que lhe foi passado.

6. Preste atenção ao tipo de pessoa que é elogiada pelos superiores. Esses funcionários são os modelos internos de desempenho e de comportamento.

7. Jamais questione seu salário. Não peça mais dinheiro, peça mais oportunidades.

Você deve estar se perguntando: “Max, você não sabe contar? Você disse cinco pontos e mostrou sete!”. Como você pôde ver, foram dois pontos a mais que o prometido. E essa é a atitude mais importante: sempre procure entregar mais do que prometeu ou do que as pessoas lhe pedem. Isso é ter iniciativa.

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Para o alto! E avante!:

Em fevereiro de 1940, uma rádio norte-americana começou a transmitir o programa Superman. Bud Collyer emprestava sua voz ao super-herói toda vez que o Super-Homem, e o programa, iam ao ar. Collyer ficou conhecido pelo jargão “Para o alto! E avante!”, pois, por tratar-se de rádio, era a única forma de o ouvinte saber que o Super-Homem estava voando.

Quinze anos depois, tudo já tinha mudado de figura: o filme Os Dez Mandamentos havia ganhado um Oscar de efeitos especiais, principalmente por causa da cena em que o Mar Vermelho se abria, permitindo a passagem do povo de Israel, e logo em seguida se fechava, engolindo o exército do Egito. Esse truque de filmagem foi feito em absoluto segredo. O diretor Cecil B. de Mille jamais revelou os detalhes de sua criação porque, se outros diretores pudessem copiar o truque, ele perderia o encanto.

Hoje, um filme cheio de efeitos especiais, como Matrix, já vem acompanhado de um segundo filme, o making off, em que se explica como cada truque de filmagem foi feito.

O mercado de trabalho acompanhou essa tendência. Houve uma época em que uma pessoa valia pelo que só ela sabia. Chefes não explicavam nada para seus funcionários, porque, acreditava-se então, se o funcionário viesse a saber o que só o chefe sabia, iria se transformar em uma ameaça para o cargo do chefe, ou, quem sabe, revelaria os segredos da empresa para o concorrente quando mudasse de emprego.

Por trás dessa história, existe uma grande mudança de atitude. A lógica dos criadores de efeitos especiais do cinema é simples: um segredo é revelado. Aí, os concorrentes passam um ano tentando reproduzi-lo. Durante esse tempo, quem criou o efeito ganha um ano de vantagem para criar novos efeitos, assim, estará sempre à frente da concorrência. Hoje, para você ser bem-sucedido, precisa ensinar os outros a pescar. Porque, enquanto eles estiverem ocupados aprendendo a pescar, você já estará aprendendo a voar. Para o alto! E avante!

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Ei, chefe, tive uma idéia!:

As empresas apreciam funcionários criativos. Na realidade, querem que um profissional lógico tenha seus momentos de criatividade e que um profissional criativo tenha seus repentes de lógica. Mas a maioria dos funcionários acredita que é de fato criativa, embora reclame ter, na prática, poucas oportunidades para demonstrar essa criatividade.

O problema não é a falta de oportunidade, mas a maneira de criá-la. Pense em criatividade separando o conceito em três partes: conhecimento, curiosidade e imaginação. Primeiro, a pessoa criativa precisa conhecer muito bem todos os detalhes de um processo. Depois, precisa ter uma boa dose de curiosidade, que se resume numa pergunta: “Dá para fazer isso de outro jeito?”. E, finalmente, vem a imaginação, que é a maior dádiva do criativo. Ele vê o que os outros não enxergam.

Mas, normalmente, a coisa emperra já no primeiro passo: o conhecimento. Um chefe com vinte anos de experiência pode até não ter imaginação nem curiosidade, mas com certeza possui conhecimento. O que acontece é que as pessoas criativas já chegam apresentando ao chefe o terceiro passo: a solução criativa, que nasceu da imaginação. E é aí que trava. Ele primeiro precisa ser convencido de que o subordinado tem um conhecimento profundo do assunto, mas o subordinado insiste em pular essa etapa.

Então, sempre que for demonstrar uma idéia criativa, uma solução inovadora, em vez de chegar e dizer “Chefe, tive uma idéia!”, comece a conversar com ele sobre o processo. É chato, mas necessário. Depois, tente despertar a curiosidade dele para uma solução alternativa. Faça até o sacrifício de pedir sugestões, mesmo sabendo que não haverá nenhuma ou que, se houver, a probabilidade de serem ineficazes é enorme. Só aí apresente sua sugestão criativa.

Uma última coisinha: é claro que, se sua idéia for colocada em prática e der certo, é prudente exagerar os méritos do chefe. Essa é a maior garantia de que ele estará mais disposto a ouvir suas sugestões criativas no futuro.

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Chefe, chefe meu, há alguém melhor que eu?:

Há uma dezena de fatores que influem em uma carreira profissional. Mas a experiência prática mostra que o primeiro deles, em ordem de importância, é, sem dúvida, dar-se bem com o chefe. Todas as promoções ou são de iniciativa do chefe ou dependem da opinião dele. Por isso, aqui vão os dez mandamentos do bom relacionamento com o chefe:

1. Nunca falar mal do chefe — as orelhas do chefe são do tamanho de todas as paredes e de todos os corredores da empresa.

2. Nunca ofuscar o chefe — seja na roupa, seja no comportamento.

3. Jamais, nunca, em hipótese alguma, colocar a culpa no chefe — principalmente quando a culpa for dele.

4. Não assumir responsabilidades que são do chefe — se não existe um subchefe oficial, isso não significa que a função será de quem pegar primeiro.

5. Não tratar o chefe como amigo íntimo na frente de colegas ou de clientes.

6. Não interromper o chefe quando ele está falando — não é que chefes não gostem de ser interrompidos. É que eles detestam.

7. Nunca dizer “Chefe, temos um problema” — isso é o que se chama de delegar para cima. O chefe não quer problemas, quer soluções.

8. Jamais perguntar se um trabalho é urgente — se o chefe em pessoa pediu, então é muito urgente. Sempre.

9. Nunca dizer que cometeu um erro porque não entendeu bem o que o chefe tinha pedido — se o chefe fala em gótico, você precisa aprender gótico.

10. Nunca tentar explicar para os colegas alguma coisa que o chefe disse — chefes não apreciam o subordinado porta-voz. Se alguém tem dúvida, deve perguntar diretamente para o chefe.

Com certeza, depois de ler isso, você está pensando: “ah, meu chefe não merece tanta reverência porque ele é um péssimo chefe!”. Pode até ser verdade, mas não tem nada a ver a tomada com o focinho do porco. Se o chefe não aprendeu a ser chefe, isso não isenta você de aprender a ser subordinado. Pelo menos não até que seja chefe.

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Paixão e números:

Convivi com dois gerentes que compartilhavam da mesma visão sobre os negócios da empresa. Mas eles tinham comportamentos completamente opostos. Um deles era movido pela paixão. Era comovente ouvi-lo defender seus pontos de vista, porque ele se inflamava ao falar e, depois de cinco minutos de argumentação, convencia qualquer platéia. Já o outro não tinha um pingo dessa paixão, mas tinha algo que o primeiro não tinha: números. Nem bem o gerente apaixonado tinha terminado de falar, o gerente numérico abria uma planilha e passava cinco minutos mencionando dados concretos.

Obviamente, um não gostava do outro. Às vezes, um ganhava a discussão. Outras vezes, o outro ganhava. Demorou anos para ambos compreenderem que eles não eram adversários. Eram aliados. Quando os dois finalmente se juntaram, tudo ficou mais simples. Um providenciava os números, e o outro os defendia com paixão. Separados, eles provocavam conflitos. Juntos, convenciam qualquer um.

No trabalho, paixão é fundamental. Mas só ela não resolve. Paixão é uma palavra que, em sua origem, significava “sofrimento”. É por isso que a Paixão de Cristo ganhou esse nome. Não é porque Jesus amou, é porque ele sofreu. Pelo mesmo motivo, nas empresas, quem só tem paixão sofre, porque pode ser desmentido pelos números. E quem só tem números não apaixona ninguém, porque é monótono. Alexandre, o Grande, fazia belos discursos para seus soldados antes das batalhas. Sempre terminava falando de bravura, de coragem, e de paixão. Mas sempre começava o discurso mencionando que seu exército tinha milhares de homens a mais que o exército inimigo. Como Alexandre, o Grande, provou, com paixão é possível conquistar o mundo. Desde que essa paixão seja sustentada por números confiáveis.

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