Trecho do Livro: Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica | Joseilton S. Correia

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Por que investir em ações?

Basicamente, investe-se em ações por estar descontente com os rendimentos oferecidos pela renda fixa.

Lembro-me de que antes de começar a investir em ações, havia aplicado R$ 5.000,00 em dois fundos, sendo um deles CDB (Certificado de Depósito Bancário), que oferecia segurança e rentabilidade semelhantes às da poupança, porém com liqüidez e rentabilidade diárias, e o outro um fundo referenciado DI que procurava acompanhar a variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O fato é que após três meses de aplicação nesses fundos, um deles havia rendido R$ 75,00 e o outro, cerca de R$ 90,00 brutos. Isso era equivalente a uma taxa de rendimento de aproximadamente 0,5% e 0,6%, respectivamente, ou seja, um valor muito baixo para atender a meus sonhos. No final dos três meses, como por brincadeira, comecei a investir uma quantia pequena em ações, menos de R$ 1.000,00, mas por ter comprado as ações certas, meu rendimento em uma semana foi superior a 5% e tal fato me chamou a atenção, de modo que zerei minhas posições em renda fixa e comecei a investir em ações de forma séria.

Além destes, existem também outros motivos para aplicar em ações, tais como: utilizar os rendimentos obtidos como complemento da renda principal, transformar as operações no mercado financeiro na principal fonte de renda, desfrutar de uma atividade sem chefes, sem horários e que pode ser desenvolvida em qualquer lugar do mundo.

O fato é que o mercado oferece um desafio intelectual único e uma oportunidade ímpar de ganhos para aqueles dispostos a muito trabalho, dedicação e superação. É importante, no entanto, ter em mente algumas questões básicas em relação à alternativa de renda variável.

Em renda variável, sempre é possível errar e perder:

O mercado de renda variável leva este nome justamente porque não é possível determinar, com absoluto grau de certeza, qual o rendimento futuro de um investimento feito nessa modalidade. Muito embora o investidor esforce-se ao máximo para determinar que sua aplicação seja rentável, não há garantias disso.

Em algumas situações, o mercado pode oscilar bruscamente, pegando de surpresa os desavisados. Por exemplo: as ações do Itaú estavam cotadas a R$ 38,63 em agosto de 2007 e, em dezembro desse mesmo ano, chegaram a valer R$ 50,48. Se observarmos um período posterior, de dezembro de 2007 a fevereiro de 2008, as ações foram de R$ 50,48 para R$ 34,87, apresentando uma desvalorização de 34%.

Não existe Bolsa segura:

Em outubro de 2007, a Bovespa Holding resolveu abrir seu capital lançando suas ações na Bolsa de Valores. No lançamento, as ações tiverem uma valorização superior a 50% em um único dia. Esse fato atraiu muitos novos operadores à Bolsa de Valores.

Esses novos “investidores” acreditavam que poderiam aumentar o capital da noite para o dia desde que encontrassem uma outra oportunidade como essa. Suas orações pareciam ter sido atendidas, pois poucos meses depois saiu a notícia da oferta inicial de ações (IPO) da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O número de participantes foi tão grande que limitou o rateio em R$ 1.200,00 por participante, decepcionando muita gente. Mas as pessoas estavam iludidas pela ganância, dava para ver os cifrões nos olhos desses novos investidores, e comecei a ouvi-las falando: “Assim que abrir o pregão, eu entro comprando mais, afinal com a Bovespa foi assim, ela abriu em um valor e depois ainda subiu mais 30%. Vou aproveitar essa subida. Essa operação será uma barbada, segurança total”.

O primeiro ponto extremamente relevante que esses investidores esqueceram é que não existe “Bolsa segura”. Bolsa é um investimento de risco e a pessoa que quer operar no mercado comprando e vendendo ações (IPO é uma forma de aplicar em ações) precisa aceitar o risco para ter a chance de ganhar mais do que na renda fixa e o risco é proporcional à possibilidade de ganho. O resultado dessa IPO foi que as ações da BM&F abriram com uma valorização de 25%, mas, ao contrário da Bovespa, não continuaram subindo e despencaram, fazendo que muitas pessoas desavisadas amargassem prejuízos altíssimos.

Portanto, é preciso ter em mente que ninguém acerta sempre e que, em alguns momentos, prejuízos vão ocorrer, o que é perfeitamente normal. O que fica ao alcance do investidor são as maneiras de mitigar esse risco, o qual, mesmo assim, estará sempre presente.

Cuidado com os falsos profetas:

Os profetas da Bolsa, mais conhecidos como gurus, sempre fizeram parte da história dos mercados e tenha certeza de que continuarão a existir no futuro.

Nos tempos modernos, talvez os gurus sejam mais conhecidos e famosos do que o eram há cem anos, mas isso é apenas conseqüência dos enormes progressos no âmbito das comunicações que fazem que as notícias e opiniões corram o mundo em escassos segundos e tudo ganhe uma dimensão maior. Mas, na essência, nada mudou.

Geralmente, os gurus são analistas independentes que, por não pertencerem a nenhuma instituição financeira, não possuem limites em sua forma de investir, podendo desse modo ser mais arrojados e obter resultados mais espetaculares. Como visto anteriormente, a taxa de ganho é proporcional ao risco que se corre e como esses gurus não têm nada a perder além do próprio capital, eles arriscam muito mais do que os analistas ligados a uma instituição financeira e, sem ninguém para fiscalizá-los, podem mascarar as perdas apresentando apenas os ganhos que tiveram ao longo do tempo e que, na maioria das vezes, será devolvido ao mercado.

Conhecer um guru é, para os investidores iniciados, um sonho e – simultaneamente – a ilusão de que a fortuna está aí à porta, mas é preciso saber que nenhum guru irá lhe deixar rico e que ninguém consegue sobreviver no mercado sem desenvolver as suas próprias aptidões e análises.

Os gurus surgem em virtude da preguiça que os investidores têm de pesquisar para desenvolver os seus próprios métodos operacionais. É muito mais fácil seguir os conselhos de alguém do que freqüentar cursos, ter de ler vários livros e aprender por conta própria. Além disso, seguir os conselhos do guru isenta o iniciante da responsabilidade de decidir sobre quais ações comprar ou vender e, caso o investimento não saia como o esperado, sempre será possível pôr a culpa em outra pessoa. O principal problema que essa abordagem traz é que não permite ao investidor evoluir com as perdas. Pode ser difícil de crer, mas são as perdas e os insucessos que fazem os investidores evoluírem. Perceber onde e por que falhamos é dar um passo muito importante na nossa aprendizagem. Quem negocia apenas com base na opinião de um guru não consegue tirar ilações das perdas, pois não identifica o erro de análise que levou à perda. O único erro que identifica foi ter seguido cegamente a opinião de alguém. E se tiver lucidez para o fazer, talvez essa derrota seja mesmo sua grande vitória.

Como investidor inteligente, você precisa entender que, no longo prazo, nenhum guru vai torná-lo rico. Você tem que trabalhar por conta própria, ler muitos livros, simular e desenvolver estratégias. Ser paciente com o lucro e impaciente com a perda.

Prepare-se para a batalha:

Todos que resolvem operar no mercado de ações enfrentam uma grande batalha contra aqueles que querem tirar-lhe o dinheiro. “Na natureza nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma.” Essa frase de Lavoisier expressa muito bem o ciclo do dinheiro no mercado de ações, afinal dinheiro não surge em árvores, o que significa dizer de forma simples que quando alguém tem lucro, em outro lugar com certeza alguém teve um prejuízo de mesmo valor, por isso, na verdade, o que aconteceu foi que o dinheiro saiu do bolso de A e passou para o bolso de B. Tudo que não queremos ser neste momento é B.

Se fossemos disputar uma luta de boxe contra Sugar Ray Leonard quando ele estava no auge, a menos que por uma intervenção divina (um lustre do ginásio poderia cair na cabeça dele), certamente perderíamos. Entrar no mercado estando despreparado seria como entrar num ringue de boxe contra um grande campeão sem nunca ter treinado. Pesquisas mostram que mais de 70% das pessoas que operam acabam perdendo dinheiro consistentemente. A maioria dos investidores opera reagindo emocionalmente ao movimento dos preços, sem nenhum tipo de planejamento. O usual é a improvisação, a tomada de decisão seguindo uma dica, uma notícia ou um boato; estes são os que chamamos de “achistas”, ou seja, é aquela pessoa que compra ações da Vale porque acha que o preço vai subir ou vende Petrobras porque acha que o preço vai cair. Isso leva a pessoa a se transformar em presa fácil aos tubarões famintos que nadam calmamente pelas águas do mercado, aguardando o momento para arrancar o dinheiro do bolso dos despreparados. Não entregue seu dinheiro facilmente.

Nessa batalha, o conhecimento será sua arma, por isso é preciso estudar bastante, ler o máximo que puder sobre o assunto, fazer cursos, definir sua estratégia e testá-la, se possível, com dinheiro virtual. O site folhainvest.folha.com.br permite fazê-lo e só depois de tudo isso você estará pronto para encarar o mercado.

A boa notícia é que como você está lendo este livro, sei que está trilhando o caminho certo.

Esqueça o pulo do gato:

O trader iniciante, quando chega ao mercado pela primeira vez, está à procura do que chamamos de “o pulo do gato”, ou seja, daquilo que ninguém ensina, mas que transforma o trader comum em um supertrader e, embora isso não exista, os novatos tendem a acreditar que o pulo do gato está em descobrir a lógica linear que existe por trás do mercado.

Acreditam que, por meio da observação das notícias e da situação de determinada empresa, é possível tomar uma decisão segura de compra ou venda e esquecem que o principal fator que faz que os preços variem são os sentimentos humanos, sendo os mais importantes os de medo e ganância e, como sabemos, muitas vezes tais sentimentos são irracionais, explicando a falta de lógica linear do mercado.

As pessoas compram porque acreditam que o preço vai subir e vendem porque acreditam que o preço vai cair. Se a pessoa compra e o preço cai, ela fica com medo e vende. Se ela vende e o preço sobe, ela fica gananciosa e compra novamente. Esse é o motor do mercado: a reação emocional ao movimento dos preços.

O canto da sereia do mercado:

As sereias, segundo a mitologia grega, eram criaturas lindas que cantavam com tanta doçura que atraíam para a morte os tripulantes dos navios que passavam próximos a elas.

No mercado, muitas pessoas são atraídas pela ilusão de que é possível multiplicar dinheiro, transformando um pequeno capital numa fortuna, em um curto espaço de tempo. Apesar de essa possibilidade existir, a chance disso acontecer é muito pequena, talvez comparável à de ganhar na loteria, com a desvantagem de que na loteria você investe apenas R$ 1,00 num bilhete e, ao perder tal quantia, esta não fará nenhuma diferença em seu orçamento.

O mercado de renda variável oferece a possibilidade de um ganho maior do que as demais alternativas de investimento, caso seja encarado de maneira séria. Praticamente todas as pessoas que entram no mercado com o objetivo de multiplicar rapidamente seu capital acabam perdendo tudo que investiram.

Minha mulher, ao ver meus ganhos na Bolsa, se interessou pelo assunto, mas como não tinha nem conhecimento, nem vontade de aprender mais a esse respeito, pediu que eu investisse sua restituição do imposto de renda, o que fiz com muito gosto. Transcorridas cerca de duas semanas, ela me perguntou como andava o investimento e informei-lhe que já havia rendido 8%, o que ela adorou, mas nas semanas seguintes o preço da ação que eu havia comprado tinha variado bastante. No final do mês, ela tornou a fazer a mesma pergunta e o rendimento havia subido para 9% “apenas”, o que a deixou bastante chateada, a ponto de me pedir o dinheiro de volta, pois, segundo ela, eu não estava dando a devida importância ao dinheiro que lhe pertencia. Naquele dia tivemos uma briga feia por conta disso, mas hoje me lembro desse episódio com bom humor, pois as pessoas passam a vida inteira com seu dinheiro aplicado em cadernetas de poupanças e fundos de investimentos que rendem menos de 1% ao mês e de um momento para outro um rendimento de 9% num mês passa a ser pouco e elas querem arriscar ter 20%. É aí que mora o perigo.

Os melhores fundos de investimento do mundo têm uma rentabilidade média de 20% a 30% ao ano. Bons traders conseguem manter uma rentabilidade média anual entre 50% e 100%. Ter como objetivo uma rentabilidade maior do que essa, principalmente se você estiver iniciando nessa atividade, é uma ilusão perigosa que pode levá-lo em direção às rochas.

O sucesso não virá antes de muito trabalho:

Em toda profissão que conheço, para a pessoa se tornar um bom profissional é preciso anos de dedicação, investindo muito tempo e dinheiro. Um advogado leva cinco anos para se formar e depois tem que continuar estudando até conseguir obter a carteira da OAB, mais o tempo necessário para ganhar experiência e finalmente poder advogar de forma satisfatória. No mercado financeiro, a frase de Einstein que diz que “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário” parece não se aplicar. Vamos entender os motivos pelos quais isso acontece para que não aconteça com você.

Na maioria das vezes, as pessoas entram no mercado com a expectativa de que em pouco tempo estarão sabendo operar bem e ganhando um bom dinheiro. Isso ocorre principalmente para aqueles que entram no mercado durante uma tendência forte de alta, em que todas as operações acabam dando certo, afinal o mercado sobe a cada dia, trazendo ganhos a todos e transmitindo a sensação de que é muito fácil fazer dinheiro no mercado. Desse modo, as pessoas acabam operando cada vez mais, aumentando a quantidade de dinheiro por operação e diminuindo as proteções, afinal de contas, todos estão ganhando. Até que a tendência vira, revelando a verdade e destruindo o capital das massas.

Entre meados de 1500 e 1636, a tulipa era uma flor rara na Europa e logo passou a ser sinônimo de riqueza e ostentação. Nessa época, Amsterdã controlava o comércio no noroeste da Europa e com participação crescente na atividade comercial com a América. O comércio da tulipa se tornou então muito atrativo. Muitos investidores entraram nesse ramo, pois consideravam o retorno de dinheiro algo certo, passando, então, a investir freneticamente na tulipa, cujo preço logo se tornou totalmente sobrevalorizado em relação ao valor real da planta. Um bulbo de uma tulipa mais rara chegou a custar o equivalente a 10 mil dólares atuais. No entanto, uma crise surgiu inesperadamente. Em fevereiro de 1637, a possibilidade de as tulipas se tornarem definitivamente invendáveis foi mencionada pela primeira vez. Durante os quatro meses seguintes, várias tentativas foram tomadas entre floristas, produtores e governo para controlar a queda dos preços do bulbo da tulipa, mas todas falharam. Em maio de 1637, o bulbo da tulipa já não possuía mais valor financeiro algum.

Em 1987, o índice Dow Jones teve uma queda de 30% em apenas um dia (foi o maior crash visto em todo o século 20). Em valor presente, esse crash contabilizou a perda de US$ 7,5 trilhões em um único dia.

Em outubro de 1997, houve a crise asiática, quando se comprovou que, apesar da supervalorização dos mercados asiáticos, os fundamentos macroeconômicos da economia de tais países não estavam fortalecidos, o que gerou a quebra seqüencial desses mercados.

Um dos crashes mais recentes foi o que ocorreu no início de 2000 no Pregão Automático da Associação Nacional dos Corretores (National Association Securities Dealers Automated Quotation – Nasdaq), em que havia uma expectativa otimista por grandes retornos no mercado da chamada “Nova Economia” (empresas ponto com). Os investidores esperavam um aumento expressivo nas vendas de serviços de internet e outros produtos relacionados ao mercado de computação. No entanto, essa expectativa não foi atingida, levando ao colapso desse setor de mercado. Como exemplo do ocorrido, nesse crash as ações da Linux Systems, que abriram em 9 de dezembro de 1999 por US$ 239,25, fecharam em 14 de abril de 2000 por US$ 28,94.

A história repete-se de tempos em tempos e faz que muitas pessoas destruam a poupança de uma vida inteira. A grande verdade é que aprender a operar no mercado custa tempo e dinheiro, como qualquer outra atividade que se queira desenvolver de forma profissional. Para se chegar ao nível de um bom trader, são necessários anos de preparo e prática. É essencial investir em educação e contabilizar possíveis perdas iniciais como um gasto que faz parte do processo de aprendizagem.

O mercado não é lugar para emoções:

O mercado é movido por pessoas e as pessoas são movidas pelos sentimentos de medo e ganância, mas se você quiser ser um operador de sucesso, terá que deixar as emoções de lado e operar com racionalidade.

Todas as vezes que operei movido por sentimentos de ganância ou medo, perdi dinheiro, todas as vezes sem exceção. Por isso, caso queira ter emoções, vá ao jogo de futebol de seu time do coração ou a um casamento, mas jamais opere se perceber que tais sentimentos estão lhe turvando a mente.

Preocupe-se em não perder dinheiro:

Sempre que um operador novo entra no mercado, ele pensa que sua função é aumentar seu capital ganhando dinheiro. Certo? Errado! Sua primeira preocupação, como operador, é não perder dinheiro. Recuperar um dinheiro perdido é muito mais difícil do que ganhá-lo. Vamos entender o porquê.

Imagine que você entrou no mercado com R$ 10.000,00 querendo aumentá-lo, mas depois de algumas operações erradas percebe que perdeu 50% de seu capital inicial ficando agora com apenas R$ 5.000,00. Caso deseje recuperar o capital perdido, em quanto precisará aumentar o capital que restou? Exatamente, precisará aumentá-lo em 100%. Por isso, quando você se preocupa primeiramente em não perder dinheiro, tal preocupação termina vindo por conseqüência.

Fundamentos do mercado de ações:

Ações:

São títulos negociáveis de renda variável que representam a menor parcela do capital social da empresa que os emitiu. Por isso, quando você compra ações de uma empresa, é como se possuísse pedaços dessa empresa. As empresas precisam de dinheiro para financiar suas compras, ampliar instalações, negócios etc. Para não pegar dinheiro emprestado dos bancos, onde os juros são altos, as empresas emitem ações para captar dinheiro sem o pagamento dos juros. Para compensar, pagam aos acionistas a participação nos lucros (dividendos). Esta é uma forma de conseguirem dinheiro com baixo custo. As ações podem ser de dois tipos. Veja-os a seguir.

Ações ordinárias:

Os detentores de ações ordinárias nominativas (ONs) têm o direito de votar nas assembléias da empresa; no entanto, na maioria das vezes, não têm poder de veto.

O direito de voto ganha relevância nos casos em que há divergências entre os acionistas controladores. Veja, por exemplo, o caso de uma empresa que tenha três sócios no controle e um deles discorda sobre determinado assunto na assembléia. Esse sócio pode, dependendo das circunstâncias, vir a ter direito de veto ao se juntar a outros minoritários detentores de ações ONs.

O que torna as ações ordinárias ainda mais interessantes, contudo, para o investidor é o tag along. A Lei das Sociedades Anônimas determina que todos os acionistas com ações ON tenham direito de participar do prêmio de controle. Pela lei, esses acionistas possuem o direito de receber por suas ações no mínimo 80% do valor pago para o controlador em caso de venda da empresa.

Ações preferenciais:

As ações preferenciais nominativas (PNs) são aquelas que menos protegem o acionista minoritário, porque não lhe dão o direito de votar em assembléia e, ainda, em caso de venda da empresa, a lei não lhe garante o direito de participar do prêmio de controle.

São ações típicas do mercado brasileiro. Não há ações com essas características em mercados mais desenvolvidos, como o americano, por exemplo.

No Brasil, no entanto, são as ações PNs as que geralmente têm maior liqüidez, porque permitem que a empresa emita ações, sem precisar ter sócios com direito a voto, não correndo assim risco de perder o controle da empresa.

A nova Lei das Sociedades Anônimas limitou a emissão de ações PN. Atualmente, ao constituir uma nova empresa, para cada ação ON, a empresa pode emitir apenas uma ação PN. Antes essa relação era de duas ações PN para uma ação ON. As empresas que existiam antes da vigência da nova lei podem continuar emitindo ações pela regra antiga.

Os acionistas preferenciais, como são chamados os detentores de ações PNs, contudo, têm preferência no recebimento dos dividendos pagos pela empresa quando esta tem lucro. A legislação estabelece dividendo mínimo obrigatório para as ações PNs, e se a empresa não pagar dividendos por três anos consecutivos, as PNs adquirem direito a voto.

Codificação adotada pela Bovespa:

Na Bolsa, as ações recebem códigos que padronizam a negociação. Toda ação recebe um código de quatro letras e um número. As letras indicam o nome da empresa e o número representa o tipo de ação.

Formas de negociação:

As ações são negociadas normalmente em lotes, mas também podem ser negociadas de forma unitária. Os lotes de ações podem ser:

  • Lote padrão – é uma quantidade mínima de ações que pode ser negociada em cada pregão. Geralmente é um número inteiro múltiplo de 100, 1.000 e assim sucessivamente.
  • Fracionário – é qualquer quantidade de ações inferior ao lote-padrão. Exemplo: o lote-padrão da Bradesco Preferencial BBDC4 é de 100 ações. Caso você queira comprar 95 ações da BBDC4, número este inferior ao lote-padrão, será necessário recorrer ao mercado fracionário, diferenciado pela letra F ao final do código da ação BBDC4F. Caso você compre 150 ações da BBDC4, sua compra será realizada da seguinte forma: um lote-padrão BBDC4 + 50 ações no fracionário BBDC4F.

Há uma grande desvantagem em operar no mercado fracionário. Você, com certeza, já deve ter visto nas casas de câmbio o dólar sendo vendido por um valor mais alto do que o valor de compra, algo como venda a R$ 2,00 e compra a R$ 1,80. A diferença entre o preço de compra e o preço de venda é chamada de spread. No mercado de ações também existe o spread e quanto menor a liqüidez do papel, maior será essa diferença, logo, como o mercado fracionário tem uma liqüidez menor que a do lote padrão, o spread no fracionário tenderá a ser maior. Você entenderá melhor essa situação com o seguinte exemplo: No dia 25 de julho, a VALE5 (lote-padrão) estava com ordem de compra a R$ 38,55 e ordem de venda a R$ 38,60, logo com spread de R$ 0,05, o que demonstra excelente liqüidez. Já a VALE5F (fracionário) estava com ordem de compra a R$ 38,50 e ordem de venda a R$ 39,48, logo com spread de quase R$ 1,00. Parece pouca essa diferença? Então observe o exemplo a seguir.

Você compra um lote-padrão da VALE5 ao preço de R$ 38,60. O valor financeiro dessa transação será de R$ 3.860,00. A título de exemplo, vamos calcular essa mesma quantidade de ações (100) no fracionário. Você compraria VALE5F a R$ 39,48 e desembolsaria R$ 3.948,00. O seu custo inicial aumentaria em 2,23%. Observe que essa diferença já representa um valor superior à rentabilidade de dois meses em um fundo de renda fixa.

Desta forma, dê preferência a negociar um número de ações múltiplo do lote-padrão sempre que for possível.

Bolsa de Valores:

São locais que oferecem condições e sistemas necessários para a realização de negociação de compra e venda de títulos e valores mobiliários de forma transparente. Além disso, têm atividade de auto-regulação que visa a preservar elevados padrões éticos de negociação e divulgar as operações executadas com rapidez, amplitude e detalhes.

Bovespa é a sigla para Bolsa de Valores de São Paulo, que representa o maior mercado de negociação de ações da América Latina.

Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CCVMs):

São as instituições irtermediadoras das operações de compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários (inclusive ouro) por conta de terceiros, seus clientes. Sua constituição está condicionada à autorização do Banco Central, e o exercício de suas atividades depende de autorização da CVM.

Distribuidoras de Títulos de Valores Mobiliários (DTVMs):

Têm faixa operacional mais restrita que as corretoras, pois não possuem acesso às Bolsas. Suas atividades básicas compreendem a intermediação de colocação de emissões de capital no mercado, subscrição isolada ou em consórcio de emissão de títulos e valores mobiliários para revenda e operações no mercado aberto (condicionada às exigências do Banco Central).

Mercado de Balcão:

É um mercado aberto para títulos não cotados em Bolsa, permitindo às empresas de menor dimensão a transação dos seus títulos a custos substancialmente inferiores. Diz-se que um título foi transacionado no mercado de balcão quando é transacionado fora da Bolsa de Valores. Não é, portanto, um mercado organizado onde se faz o encontro entre a procura e a oferta, mas sim um conjunto de encontros particulares. É um mercado virtual, dado que todas as transações são feitas apenas por telefone ou via internet.

SOMA (Sociedade Operadora de Mercado de Ações):

É a empresa responsável pela administração do mercado de balcão organizado no Brasil. Tem como objetivo oferecer um ambiente eletrônico para negociação de títulos e valores mobiliários e demais ativos financeiros ao mercado. A SOMA não possui um recinto físico (pregão), sendo todas as negociações conduzidas por computador, por meio de uma rede de aproximadamente mil terminais, presentes em grande parte do território nacional. A SOMA é uma instituição regida por normas e regulamentos específicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

CVM (Comissão de Valores Mobiliários):

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criada pela Lei 6.385/76, é uma autarquia federal que regula, disciplina e fiscaliza as Bolsas de Valores, as companhias abertas, os fundos de investimento e os mercados derivativos que tenham por referência valores mobiliários.

Uma das principais funções da CVM é cuidar para que investidores tenham acesso a informações que confirmem a boa qualidade das empresas abertas e dos fundos de investimento. Ou seja, que o mercado seja transparente para o investidor e, o que ainda é mais importante, que todos tenham oportunidade de acesso a informações relevantes de maneira uniforme.

Dessa forma é possível evitar o chamado insider information, que é o uso de informações privilegiadas que vão beneficiar determinado grupo de investidores em detrimento de outro.

CBLC (Companhia Brasileira de Liqüidação e Custódia):

Trata-se de uma sociedade anônima com a finalidade de prestar serviços de compensação e liqüidação física e financeira das operações realizadas nos mercados à vista e a prazo da Bovespa e de outros mercados, fazendo também a operacionalização dos sistemas de custódia de títulos e valores mobiliários em geral.

Quando compramos ações de uma empresa por intermédio de uma corretora, essas ações ficam guardadas na CBLC e não na corretora, o que aumenta a segurança nas transações envolvendo ações, pois se sua corretora vier a falir, suas ações não serão perdidas, uma vez que se encontram sob a custódia da CBLC.

Dividendos:

O dividendo é a sua parte no lucro da empresa. Sempre que uma empresa tem lucros, ela reserva parte desse resultado para distribuir aos seus acionistas. No Brasil, as empresas são obrigadas a um pagamento mínimo de dividendos de 25% do lucro.

O retorno gerado com dividendos pode ser expresso pelo dividend yield de uma ação, o qual é igual ao dividendo pago dividido pelo preço da ação. No Brasil, o dividend yield médio das empresas tem aumentado nos últimos anos.

De forma simples, os dividendos são como um aluguel, o qual o inquilino (empresa) paga para o proprietário do imóvel (acionista) toda vez que a empresa tem lucro. O pagamento dos dividendos depende da política da empresa, podendo ser anual, semestral, trimestral ou mesmo mensal.

Juros sobre o capital próprio:

As empresas, na distribuição de resultados aos seus acionistas, também podem optar por remunerá-los por meio do pagamento de juros sobre o capital próprio. Para o investidor, a diferença básica é que ao receber dividendo este não é tributado, pois a empresa já o foi quando da apuração de seu lucro líquido. Mas quando recebe o pagamento de juros sobre capital próprio, ele tem de pagar imposto de renda sobre o total recebido.

Para a empresa, a grande vantagem do pagamento de juros ao acionista é justamente a questão fiscal. Isso porque esse pagamento pode ser contabilizado como despesa da empresa, antes do lucro, o que representa um significativo benefício para a companhia.

A decisão de distribuir resultados via pagamento de juros sobre capital próprio ao acionista compete à assembléia geral ou ao conselho de administração da empresa ou à diretoria.

Bonificação:

Advém do aumento de capital de uma sociedade, mediante a incorporação de reservas e lucros, quando são distribuídas gratuitamente novas ações a seus acionistas, em número proporcional às já possuídas. Excepcionalmente, além dos dividendos, uma empresa poderá conceder a seus acionistas uma participação adicional nos lucros por meio de bonificação em dinheiro.

Bonificação não gera captação de recursos para a empresa emissora, embora represente aumento de capital.

Split:

Quando uma empresa quer tornar suas ações mais líqüidas no mercado, substitui os papéis que estão em circulação e emite novas ações com valor nominal menor do que o da emissão anterior, porém em quantidades maiores.

Para o acionista, não há alteração sobre o montante financeiro nem sua participação proporcional no capital da empresa. Nessa operação simplesmente é feita a troca de ações de valores maiores por várias ações de menor valor.

Por exemplo, vamos imaginar que você tenha um terreno de 1.000 m2 e queira vendê-lo por R$ 100.000,00, mas em razão do alto valor você não consegue encontrar comprador, ou seja, o terreno está sem liqüidez. Vendo isso, você resolve dividir seu terreno em quatro lotes de 250 m2 e vendê-los por R$ 25.000,00 cada um. O que você fez, na verdade, foi tornar seu terreno mais líqüido, sem, contudo, modificar o valor de seu capital.

Inplit:

É um agrupamento de ações: o número de papéis em poder do acionista diminui, sem alterar a participação dele no capital da empresa, pois o valor nominal das ações se eleva proporcionalmente. Isto já ocorreu, por exemplo, em decorrência da mudança de padrão monetário, quando as cotações passaram a ser expressas em lotes de mil ações. É exatamente o inverso do split.

Vamos imaginar agora que você tenha o mesmo terreno do split, porém divididos em lotes de 10 m2 sendo vendidos a R$ 1.000,00 cada lote. Como os lotes são muito pequenos, você não consegue encontrar comprador, desse modo resolve agrupar os lotes em tamanhos de 100 m2 e vendê-los individualmente por R$ 10.000,00. Assim como no split, você apenas tornou seu terreno mais líquido, sem, no entanto, alterar seu capital.

Subscrição:

Ocorre quando a empresa necessita de recursos para financiar investimentos ou modificar sua estrutura de capital e decide lançar novas ações no mercado. O acionista tem o direito de subscrever ações em quantidade proporcional à já possuída.

Para incentivar o investimento adicional nas novas ações, a empresa procura estabelecer um preço de emissão inferior ao da cotação em Bolsa de Valores. O direito de subscrição pode ser negociado em Bolsa no período que antecede o término da operação de aumento do capital.

Subscrição gera captação de novos recursos para a empresa emissora.

Mercado primário:

É o mercado onde as empresas que querem abrir seu capital colocam suas ações para serem vendidas pela primeira vez. As empresas recorrem ao mercado primário para completar os recursos de que necessitam, visando ao financiamento de seus projetos de expansão ou a seu emprego em outras atividades.

Para entender as diferenças entre mercados primário e secundário, podemos traçar um paralelo com a compra de um imóvel que acabou de ser construído. Quando um comprador adquire o imóvel diretamente da construtora, ele está fazendo uma aquisição no mercado primário, isto é, ele se torna o primeiro proprietário do referido imóvel. Quando, algum tempo depois, esse proprietário vende o imóvel para outro comprador, a operação está ocorrendo no mercado secundário. No primeiro caso, a construtora recebe o produto da venda, enquanto no segundo os recursos ficam com o proprietário que vendeu o imóvel.

Mercado secundário:

Chamamos de mercado secundário aquele em que os investidores ou acionistas transacionam ações de sua titularidade. Ou seja, é o mercado em que é possível comprar e vender ações já emitidas e em circulação.

MEGABOLSA:

MEGABOLSA é o sistema de negociação da Bovespa que processa ordens de compra ou venda eletronicamente. Com isso, o processo como um todo ficou mais justo e transparente ao permitir que investidores, corretoras e agências de informação on-line (Vendors) visualizem todas as ofertas – em tempo real – pela internet ou por redes privadas.

Home Broker:

Sistema lançado pela Bovespa em 1999 com o intuito de facilitar e agilizar o processo de negociação, atraindo desta forma mais pessoas físicas para o mercado de ações.

O sistema abriu a possibilidade de as operações serem feitas por meio da internet, reduzindo os custos delas. Hoje é possível operar na Bovespa de qualquer lugar do mundo a partir de uma conexão com a internet. O sistema de negociação é bastante simples, com os usuários tendo acesso ao quadro de ofertas de cada ativo, podendo colocar ordens de compra ou venda facilmente.

After Market:

Horário estendido do pregão eletrônico que passa a funcionar após às 17:45h até às 19:00h. Esse horário pode variar em função do horário de verão. Isso possibilita o acesso de pequenos e médios investidores que não têm chance de operar durante o pregão principal.

Existem algumas restrições para se operar no After Market:

  • Limite máximo de operações de R$ 300.000,00 por CPF.
  • Somente para ativos que tiveram negociação no horário regular.
  • A oscilação de preço nos negócios não pode ultrapassar 2% para mais nem para menos do valor de fechamento do papel.
  • Não é possível operar opções.

Pregão:

As negociações ocorrem no pregão, local em que se reúnem os corretores para cumprir as ordens de compra e venda enviadas pelos seus clientes. Nos últimos anos, o local físico de negociação tem perdido cada vez mais espaço para o pregão eletrônico, em que as ordens são enviadas pela corretora por meio de um sistema informatizado, conectando as Bolsas e as corretoras remotamente. Esse pregão ocorre diariamente das 10 às 17 horas. Durante o pregão, os participantes enviam ordens de compra das ações por intermédio das corretoras de valores. Essas ordens são organizadas pelo sistema eletrônico da Bolsa e colocadas em um quadro, onde essas ofertas são ordenadas seguindo dois critérios: valor ofertado e horário da oferta. O sistema tem como objetivo facilitar a formação dos preços da maneira mais justa e transparente possível.

O sistema de negociação eletrônico visa a facilitar a colocação das ordens e o fechamento dos negócios, assim como fazer valer a lei da oferta e da procura, sem dar margem à manipulação dos preços.

Tipos de ordens:

Ordens são instruções dadas por um investidor para que a sociedade corretora da qual é cliente compre ou venda ações.

Para enviarmos uma ordem, precisamos definir alguns passos:
1. Qual o código e tipo de ação (PETR4).
2. Se é uma ordem de compra ou de venda.
3. Temos que informar o tamanho da ordem, que pode ser em quantidade de ações (1.000) ou o volume financeiro (R$ 1.000,00). Sendo em volume financeiro, a própria corretora irá informar quantas ações estaremos comprando com o valor informado.
4. Tipo de ordem (stop, normal, start).
5. Prazo de validade da ordem que pode ser para o dia corrente ou para uma data válida no futuro.

Ordem a mercado:

É aquela que especifica somente a quantidade e as características dos ativos, devendo ser executada a partir do momento em que for recebida. Neste tipo de ordem você não define o preço de entrada, entrando na melhor oferta do mercado no momento em que a ordem for recebida.

Ordem limitada:

É aquela a ser executada somente ao preço igual, ou melhor, do que o especificado pelo cliente. Neste tipo de ordem você especifica a que preço deseja entrar ou sair do mercado. Por exemplo: Quero comprar a R$ 50,00 ou quero vender a R$ 49,00.

Ordem administrada:

É aquela que especifica somente a quantidade e as características dos ativos ou direitos a serem comprados ou vendidos, ficando a execução a critério da corretora.

Ordem casada:

É aquela cuja execução está vinculada à execução de outra ordem do cliente, podendo ser com ou sem limite de preço. Neste tipo de ordem, o corretor somente poderá efetuar a ordem se der para fazer as duas operações.

Ordem de financiamento:

É aquela constituída por uma ordem de compra ou de venda de um ativo ou direito em um mercado administrado pela Bovespa, e outra concomitantemente de venda ou compra do mesmo ativo ou direito, no mesmo ou em outro mercado também administrado pela Bovespa.

Ordem de stop:

A ordem de stop é uma das ferramentas mais importantes na sobrevivência de um trader. Antes de nos preocuparmos com quanto dinheiro estamos ganhando, devemos garantir a menor perda possível. Operar sem stops é o mesmo que dirigir uma Ferrari a 300 km/h em uma autopista, sem freios.

Todo bom plano tem de ter uma saída de emergência, senão não é um bom plano. O stop é a nossa saída de emergência. Devemos posicioná-lo de forma a que se nossa estratégia não funcionou, e o mercado se virar contra nós, possamos encerrar a posição com o menor prejuízo possível, antes que um estrago maior seja feito na nossa conta.

Veja, a seguir, as ordens de stops existentes no mercado.

Stop de perda (stop loss):

Stop loss é uma ordem que o trader posiciona junto a sua corretora. Se o preço da ação chegar a um determinado ponto, dado pelo trader, a corretora efetuará a venda de toda ou parte da posição do trader por um preço que ele também determinará.

Vejamos um exemplo prático:

Você monta uma operação de compra em cima de um suporte (veremos com mais detalhes esse assunto adiante neste livro) para um ativo XPTO4 a R$ 10,95. Assim que você efetua a compra, deixa uma ordem de stop em R$ 10,75. Se o ativo perder seu suporte e seguir caindo, atingirá seu stop e você será ejetado da operação.

Como assim? Vou vender mais barato do que comprei? Sim, você irá vender mais barato do que comprou e terá um pequeno prejuízo, mas se a operação que você planejou para a ação não fluiu da forma como imaginava, deve se livrar da ação o mais rápido possível, pois já não consegue mais dizer para onde ela vai.

Para enviar uma ordem de stop loss é preciso seguir os seguintes passos:
1. Qual o código da ação que deseja vender.
2. Quantidade de ações que deseja vender caso o stop seja acionado.
3. O preço stop loss é o preço de gatilho da venda: quero colocar minhas ações para a venda se houver uma negociação no mercado a R$ 10,75.
4. O preço de venda é o preço pelo qual você deseja vender suas ações, o qual deve ser inferior ou igual ao preço stop loss sob o risco de não conseguir vendê-las.

Não existe nenhuma razão, em nenhum momento, para mudar um stop que foi planejado anteriormente, quando você estava calmo, sem pressão e tranqüilo. Uma vez estabelecido o stop, esse foi o cálculo de perda com que você estava disposto a arcar, por isso cumpra-o. Pode parecer fácil agora lendo o livro, mas uma ordem de stop fere a nossa vaidade, pois significa ter de assumir que erramos e, para muitos, tal atitude não é fácil.

Stop de ganho (stop gain):

Uma ordem de venda stop gain tem como objetivo permitir que suas metas de ganho sejam quantificadas.

Por exemplo: você compra a ação da empresa XPTO4 por R$ 100,00. Agora, você quer determinar um teto de ganho para sua nova aquisição e define que quer rentabilidade de 25% a partir da data da compra. Quando a ação chegar a R$ 125,00, você irá vendê-la. Para isso, bastaria que você emitisse uma ordem de venda stop gain com preço-alvo de R$ 125,00.

Da mesma forma que o stop loss, para aumentar a probabilidade de vender a R$ 125,00, sua ordem terá de ser enviada para a Bolsa antes que o preço atinja esse preço. Logo, é necessário configurar um preço de disparo do stop gain, por exemplo, R$ 124,00. Quando o preço da XPTO4 atingir R$ 124,00, será automaticamente disparada para a Bolsa uma ordem limitada na quantidade especificada pelo preço de R$ 125,00. Desta forma, você terá prioridade no caderno de ofertas sobre todas as ordens enviadas depois que sua ordem foi disparada.

Vale destacar que, no stop gain, você pode colocar um preço de venda igual ou superior ao preço de disparo.

Para enviar uma ordem de stop gain, é preciso adotar os seguintes passos:
1. Qual o código da ação que deseja vender.
2. Quantidade de ações que deseja vender caso o stop seja acionado.
3. O preço stop gain é o preço de gatilho da venda: quero colocar minhas ações para a venda se houver uma negociação no mercado a R$ 124,00.
4. O preço de venda é o preço pelo qual você deseja vender suas ações (R$ 125,00), o qual deve ser igual ou superior ao preço stop loss sob o risco de você não conseguir vendê-las.

Stop móvel:

Também conhecido como trailing stop, o stop móvel é, como o próprio nome sugere, uma ordem stop que se move. É importante ressaltar que o stop móvel se move somente para cima.

Para colocar uma ordem stop móvel, é necessário informar os seguintes campos:
1. Preço stop – é o preço de disparo inicial. Sua ordem de venda será disparada imediatamente ao atingir esse preço.
2. Preço de venda – é o preço real que você deseja vender seu papel caso o stop seja disparado.
3. Início do móvel – é o preço a partir do qual o incremento em seu stop começará. Deve ser uma cotação superior à cotação atual do papel.
4. Ajuste inicial – é o valor que será adicionado aos parâmetros de seu stop assim que a mobilidade deste for iniciada. O valor mínimo deve ser de R$ 0,01.

Todo stop móvel tem validade até cancelar.

Para facilitar o entendimento, segue um exemplo.

Suponha que você tenha comprado uma ação a R$ 100,00 e deseje colocar uma ordem de stop móvel para minimizar o risco dela.

Inicialmente, você não deseja perder mais que R$ 5,00 por ação, por exemplo. Logo, poderíamos colocar o preço stop em R$ 96,00 e o preço de venda em R$ 95,00.

Porém, você quer que a partir de R$ 105,00 o stop passe para um valor superior. Ou seja, você deseja que a diferença entre o máximo da cotação após você ter colocado o stop móvel seja sempre de R$ 5,00 após essa ação igualar os R$ 105,00.

Suponha que após você ter comprado a ação, a cotação atingiu os R$ 105,00. Imediatamente ao atingir esse preço, seu stop será movido R$ 5,00 para cima a fim de efetuar o ajuste inicial especificado por você e manter a diferença em reais a partir desse ponto, ou seja, o novo preço stop será de R$ 101,00 e o novo preço de venda, R$ 100,00.

Se a cotação da ação cair para R$ 103,00, seu stop não será alterado e o preço stop continuará sendo R$ 101,00 e o preço de venda, R$ 100,00.

Se a cotação subir para R$ 107,00, seu stop será movido novamente a fim de manter a diferença entre a última cotação e seu stop móvel, ou seja, o novo preço stop será de R$ 103,00 e o novo preço de venda, R$ 102,00.

Note que a diferença é sempre mantida a partir do valor de início do móvel entre o preço de venda e o preço máximo do papel após sua compra ser efetuada.

Ordem de start:

É uma ordem de compra de ações enviada à Bovespa, vinculada a um preço máximo. Quando a ordem start é solicitada, o papel em questão é comprado quando o preço no mercado atingir ou ultrapassar o preço predeterminado pelo cliente (preço start). A ordem start tem prazo de validade de 30 dias e, após esse período, o investidor deve voltar a registrá-la caso ainda não tenha sido executada.

Exemplo: Se um investidor deseja comprar uma ação apenas após a confirmação do rompimento de uma resistência, ele poderá determinar o valor de disparo da ordem e o preço limite a ser pago pela ação. Suponha que uma ação esteja sendo negociada a R$ 20,00, sua resistência é R$ 21,50 e o investidor queira comprar a ação apenas se conseguir o negócio acima dessa resistência. Neste caso, poderá ser colocada uma ordem com o preço de start a R$ 21,51 e o preço limite a R$ 21,60.

Fluxo da liqüidação das operações:

Vamos ver agora como funciona o fluxo da liqüidação das operações. É importante conhecer seu funcionamento para evitar problemas de inadimplência ou mesmo utilizar os dias a mais como forma de captação de recursos.

  • D + 0 = Dia da operação, ou seja, é o dia em que você faz a compra ou a venda do ativo.
  • D + 1 = Neste dia é preciso fazer a entrega das ações, mas como os papéis agora ficam todos na CBLC, isso é feito de forma automática.
  • D + 2 = Tem-se que entregar o dinheiro.
  • D + 3 = As ações saem da conta da CBLC do cliente A e passam para a conta do cliente B na CBLC, já o dinheiro sai da conta do cliente B e vai para a conta da corretora do cliente A, tornando-se disponível para ele.

Custos operacionais:

São todos os custos envolvidos no investimento em ações. Muitos traders iniciantes se esquecem de contabilizar esses custos e, por conta disso, terminam sem fôlego e morrem no meio do caminho.

Paulo estava insatisfeito com os resultados obtidos na poupança e resolveu operar no mercado de renda variável comprando e vendendo ações. Para isso, ele resolveu separar R$ 20.000,00 de seu capital. Sabendo dos riscos, ele resolveu se preparar investindo em livros e cursos. Em um dos inúmeros cursos sobre análise técnica, percebeu que iria precisar de uma ferramenta para análise gráfica. Após pesquisar no mercado, terminou encontrando duas ótimas ferramentas: GrafTools, que atualiza as cotações apenas no final do dia e tem um custo de assinatura de R$ 50,00, e GrafTools RT (Real Time), cuja atualização é on-line, mas tem um custo de assinatura de R$ 200,00. Apesar de saber que não terá tempo de acompanhar o mercado on-line em razão de seu trabalho, família e outras atividades, Paulo é impaciente e diz que quer ver as cotações on-line optando por assinar o GrafTools RT de R$ 200,00 mensais. Esquecendo todos os demais custos que ainda iremos ver, o que aconteceu aqui foi que Paulo já comprometeu 1% de seu capital todo mês para pagar a assinatura da ferramenta, o que significa que para começar a ter lucro com suas operações, precisará ter um ganho mensal superior a 1% ao mês.

Agora que você já entendeu a idéia, vamos conhecer quais são os custos operacionais.

Corretagem fixa:

Corretagem é a taxa que sua corretora cobra para realizar operações na Bovespa para você. A corretagem será cobrada por ordem executada e não por ordem enviada, ou seja, se você manda uma ordem de compra para a Bovespa, a corretagem só será cobrada caso alguém lhe venda a ação, o mesmo valendo para ordens de venda.

A taxa de corretagem fixa no Brasil tem variado de R$ 10,00 a R$ 20,00, por isso é bom pesquisar bastante antes de escolher sua corretora.

É importante saber que quando uma ordem é alterada, passa a ser considerada uma nova ordem e por isso será cobrada novamente. Por exemplo: suponhamos que você mandou uma ordem de venda de 1.000 ações da XPTO4 para a Bovespa. Após a chegada da ordem, um primeiro comprador levou 100 ações, um segundo levou mais 500 ações, um terceiro, mais 200 ações e assim até terminar seu lote. Como você não fez nenhuma alteração no lote inicial, isso foi considerado apenas uma ordem e, por isso, cobrada apenas uma taxa, mas se no momento em que foi vendido o primeiro lote de ações você fez qualquer alteração, será cobrada uma nova taxa.

Corretagem tabela:

Neste tipo de corretagem, o custo é formado por um valor fixo somado a um valor variável de acordo com o volume total de operações realizadas no mesmo dia.

Se você compra R$ 1.567,00 e vende R$ 355,00, seu volume total no dia é de R$ 1.922,00. Como esse valor é maior que R$ 1.514,69 e menor que R$ 3.029,37, seu custo de corretagem será de (0,01*1922,00) + 10,06 = R$ 29,28.

Algumas corretoras cobram esse valor por operação, o que aumenta bastante seu custo operacional.

Emolumento:

São taxas cobradas pela Bovespa e pela CBLC (Companhia Brasileira de Liqüidação e Custódia) por meio de taxa fixa para cada tipo de operação ou produto. As operações normais têm incidência de 0,035% e as Day Trade, de 0,025%.

Taxa de custódia:

É uma taxa cobrada pela CBLC para poder guardar suas ações. Seria o equivalente a um aluguel que a pessoa paga enquanto estiver habitando na casa.

Imposto de Renda (IR):

Diferente das outras formas de investimento, em que o imposto é debitado direto da fonte e você não precisa preocupar-se em fazer a declaração, o Imposto de Renda das ações precisa ser declarado pelo trader. Sempre que você vende uma ação à corretora, dispara para a Receita um aviso que chamamos de “dedo duro”, informando que houve uma operação de venda.

A declaração do IR das operações de venda de ações segue algumas regras, as quais veremos a seguir:

  • Somente se aplica sobre operações de venda no mercado à vista superiores a R$ 20.000,00 no período de um mês corrente.
  • Somente se recolhe imposto com valor superior a R$ 10,00. Se for menor, soma-se a impostos nos meses posteriores.
  • Sobre o lucro são descontados os custos de corretagem e emolumentos, além dos prejuízos anteriores.
  • Taxa de 20% em operações day trade (operações de compra e venda no mesmo dia), sendo 1% na fonte.
  • 15% na venda de ativos no mercado à vista, sendo 0,005% na fonte.
  • O recolhimento é feito via DARF (código 6015).
  • Deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da apuração.

Vamos a um exemplo prático para tornar mais fácil a compreensão:

  • Suponhamos que o valor líqüido das vendas que você efetuou no mês de agosto de 2007 foi de R$ 23.845,12 (operações diárias apenas).
  • O seu lucro operacional foi de R$ 1.348,33. No mês anterior, teve um prejuízo de R$ 53,25. Pagou de corretagem R$ 283,15, de emolumento R$ 42,05 e já teve de imposto retido R$ 15,85. Qual será o valor do IR a ser pago até 31 de setembro de 2007?
  • Como R$ 23.845,12 é maior do que R$ 20.000,00, é obrigatório recolher o valor do Imposto de Renda se for superior a R$ 10,00.
  • R$ 1.348,33 (lucro operacional) – R$ 283,15 (corretagem) – R$ 42,05 (emolumento) – R$ 53,25 (prejuízo anterior) = R$ 969,88 (lucro bruto).
  • Valor a recolher = R$ 969,88 x 15% = R$ 145,48 – R$ 15,85 (IR retido na fonte) = R$ 129,63 (valor a pagar).
  • Como R$ 129,63 é maior do que R$ 10,00, terá de ser recolhido esse montante até o dia 31 de setembro de 2006.

Tipos de investidores:

Veja, a seguir, as possíveis abordagens que um trader pode assumir no mercado.

Investidor:

O investidor é um operador que atua no mercado seguindo a filosofia do Buy and Hold, isto é, ele não compra uma ação pensando em vendê-la no curto prazo, pelo contrário. Quando esse tipo de operador compra uma ação, sua intenção é a de ser sócio da empresa, incluindo-a como parte de seu patrimônio. O desejo do investidor é comprar ações de empresas sólidas, que sejam bem administradas, que estejam num setor aquecido do mercado e que paguem bons dividendos.

Para obter esse tipo de informação, os investidores utilizam como metodologia para sua tomada de decisão a Análise Fundamentalista. Essa metodologia procura determinar o preço justo de uma ação fundamentada na expectativa de lucros futuros das empresas. O investidor não se interessa pelas movimentações de preço no curto prazo e olha para o mercado cerca de duas vezes por ano apenas.

Especulador:

O trader ou especulador não está interessado em ser sócio da empresa nem deseja transformar a ação comprada em parte de seu patrimônio. Para ele, o que importa é entender os movimentos dos preços no mercado para poder comprar e vender nos momentos mais apropriados. Suas operações podem durar de segundos até meses, mas dificilmente isso vai acontecer, pois o especulador procurar obter lucro no curto prazo.

Utiliza como metodologia a análise técnica ou qualquer outro método que facilite o entendimento das variações dos preços. Para o especulador, a situação da empresa ou mesmo o ramo de negócio em que atua não traz nenhuma informação relevante. O que interessa para ele é observar o gráfico e extrair dele todas as informações de que precisa para comprar e vender no curto prazo.

Por operar no curto prazo, o especulador é quem assume praticamente todo o risco do sistema, dando em troca a liqüidez necessária para que este funcione.

Fazendo uma analogia com um imóvel, o investidor seria o sujeito que compra um imóvel para alugar e procura obter o retorno do investimento por meio do aluguel, enquanto o trader seria o sujeito que compra o imóvel por achar que o preço está muito depreciado, para revendê-lo em seguida, auferindo lucro.

Gambler:

O gambler é um operador que está no mercado para ser um jogador. Ele vê o mercado da mesma forma que um apostador encara uma casa lotérica, ou seja, fazendo uma “fezinha”; a diferença é que suas apostas são muitos maiores. A metodologia usada por esse tipo de operador é o Achismo. Depois de ouvir uma notícia no jornal ou por meio de um amigo, ele compra uma ação porque acha que vai subir ou vende porque acha que vai cair.

Esse tipo de operador também poderia ser chamado de caçador de mico, pois adora papéis em centavos e altamente especulativos. Normalmente está atrás dos ganhos foguetes, mas tudo que consegue, na maioria das vezes, é perder dinheiro. Como um alcoólatra que não consegue parar de beber, o gambler perde consistentemente, mas não consegue parar de apostar até perder o último centavo, pois está viciado na sensação de euforia que o mercado lhe causa. Infelizmente, cerca de 80% do mercado é formado por esse tipo de operador.

Usando o poder dos juros compostos:

“O juro composto é a maior invenção da humanidade, porque permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza.” – Albert Einstein

Apesar de não parecer, juros compostos e investimentos em ações têm tudo a ver. Aprenda a usar essa força a seu favor e você poderá diminuir bastante os seus riscos. A melhor forma de desfrutar sua força é começar a usá-la mais cedo.

Por exemplo, se você começar com um capital de R$ 20.000,00 apenas e todo mês investir mais R$ 200,00 com uma taxa de juros de 5% ao mês, terá acumulado no final de cinco anos mais de R$   440.000,00. Em seis anos e meio, com a mesma taxa de juros, terá conseguido seu primeiro milhão. Bons traders conseguem uma taxa de 50% a 100% ao ano; tentar obter uma taxa maior do que essa é submeter seu capital a um risco desnecessário que pode, com o tempo, dilapidar seu patrimônio.

Apesar de tudo isso, por que a maioria das pessoas não se torna milionária em menos de sete anos? Simplesmente porque como qualquer outra meta, para se conquistar a riqueza, necessita-se ter disciplina.

Ter disciplina implica ter um planejamento adequado, envolve talvez ter de cortar gastos desnecessários hoje para poder desfrutar benefícios melhores no futuro, significa ter paciência para ver o dinheiro crescer aos poucos no início e, mesmo assim, resistir à tentação de sair do plano. Investimento pode ser comparado a plantar uma árvore. Durante um tempo, você não vê nada acima da superfície, no entanto a semente está nas profundezas expandindo as raízes para fixar-se, fortalecendo-se para que não seja derrubada pelos ventos, até que quando você menos a espera, rompe a superfície da terra e cresce atingindo alturas enormes.

Muitos investidores iniciantes acreditam que podem contar com a sorte para alavancar os seus rendimentos. Para mim, sorte significa aumentar as probabilidades de ganho a seu favor. Existem quatro características dos juros compostos que trabalham a favor de qualquer investidor e, à medida que você passa a utilizá-las, sua sorte aumenta bastante.

Essas características estão fundamentadas em cálculos matemáticos e devem ser seguidas por qualquer pessoa que deseje obter sua independência financeira. Veja-as a seguir.

Comece a poupar e a investir o mais cedo possível:

Quanto mais cedo você começar a investir, mais tempo o poder dos juros compostos trabalhará a seu favor. Com mais tempo a seu favor, você poderá diminuir o aporte inicial e também suas contribuições mensais.

Vamos imaginar que dois irmãos desejem obter seu primeiro milhão até os 35 anos. Um deles tem 20 anos e o outro, 25.

O irmão mais novo, para conseguir seu primeiro milhão em 15 anos, só precisa começar com um capital de R$ 5.000,00, fazer depósitos mensais de R$ 50,00 e de uma taxa de juros de 3% ao mês. Com apenas isso, quando completar a idade de 35 anos, seu capital terá se transformado em R$ 1.361.689,06. O irmão mais velho, por dispor apenas de 10 anos, terá que compensar essa diferença de alguma forma. Por isso, para conseguir ser milionário com 35 anos, precisará começar com um capital inicial de R$ 10.000,00, fazer depósitos mensais de R$ 100,00 e conseguir uma taxa de juros de 4%. Fazendo tudo isso, quando tiver 35 anos, terá juntado R$ 1.380.782,01.

Não corra risco desnecessário:

Quanto maior o percentual de ganho de seu investimento, mais rápido você irá conseguir seu primeiro milhão. Pode não parecer, mas um aumento de apenas 1% faz muita diferença. No exemplo anterior, se o irmão mais velho conseguisse aumentar seu rendimento para 5% ao mês, em vez de 4%, ele poderia reduzir o prazo de 15 para 8 anos, quase a metade do tempo. Entretanto, também é fato que os riscos de cada operação aumentarão à mesma proporção que você deseja aumentar sua taxa de retorno.

Um capital perdido é muito mais difícil de ser recuperado do que ser preservado.

Uma pessoa que possua um capital de R$ 100.000,00 e venha a perder 25% desse capital, ficará com R$ 75.000,00. Se no mês seguinte ganhar 25%, seu capital não será de R$ 100.000,00, mas sim de R$ 93.750,00. Se, em vez de 25%, perder 50%, precisará obter um ganho de 100% sobre o capital restante para voltar a possuir os mesmos R$ 100.000,00. Caso a perda seja de 90%, precisará obter um ganho de 900% apenas para voltar a ter o capital com que começou.

Logo, quanto maior for sua perda em um mês, mais difícil será recuperar o capital perdido. Por isso, é muito bom procurar obter rendimentos superiores a 5% ao mês, mas será que o risco vale a pena? Com 5% ao mês, ao final de um ano serão 60% de ganho sobre o capital, um rendimento muito melhor do que qualquer fundo existente atualmente.

Tenha paciência com seu capital:

Pode ser que neste momento você esteja sonhando com tudo que poderá comprar daqui a alguns anos, mas é preciso dar tempo para que seu capital se desenvolva. No início, o processo é lento e talvez desanime um pouco, mas continue firme em sua meta.

Vejamos, na tabela a seguir, a evolução anual de uma pessoa que investe R$ 10.000,00 com depósitos mensais de R$ 100,00 e taxa de juros de 5% ao mês.

Tabela: Evolução do capital em anos

Quantidade de meses <> Capital
12 <> R$ 19.550,28
24 <> R$ 36.701,20
36 <> R$ 67.501,79
48 <> R$ 122.815,24
60 <> R$ 222.150,23
72 <> R$ 400.541,61
84 <> R$ 720.906,90
96 <> R$ 1.296.236,90

Apesar de no primeiro ano o capital praticamente ter dobrado, está tão longe da meta inicial que uma pessoa pouco disciplinada pode desanimar e desistir do plano. Não permita que isso aconteça com você. Visualize a linha de chegada em sua frente, comece a correr e só pare quando chegar lá.

Não destrua seu lucro:

No mundo consumista em que vivemos, onde somos valorizados pelo que temos e não pelo que somos, é muito fácil cair na tentação de comprar um carro novo ou uma casa nova. Apesar do status que esses bens lhe darão, devem ser considerados como prejuízos que o afastarão de seu objetivo.

Conforme visto na tabela de evolução do capital em anos, ao chegar ao quinto ano, você estará com um capital de mais de R$ 220.000,00. Talvez nesse momento você pense: “Huuuuum! Já dá para dar uma entrada de R$ 100.000,00 num bom apartamento e financiar o restante”. O único problema é que esse valor corresponde a quase 50% de seu capital atual e você aprendeu que um capital perdido é muito difícil de ser recuperado. Lembre-se do que você quer e do porquê de estar poupando e continue firme.

Pronto, agora você já sabe que os juros são seu maior aliado na conquista de sua independência financeira. Procure aumentar sua taxa de retorno, sem, no entanto, comprometer muito seu capital. Talvez a melhor forma de fazer isso seja reduzindo os seus custos operacionais.

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+ Veja também:

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