Livro: Como Investir em Ações | Eduardo Alves da Costa | Primeiro Capítulo

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Afinal, o que são ações?

Este capítulo apresenta alguns conceitos fundamentais para as primeiras de muitas decisões requeridas de um investidor, além de explicar por que o mercado de ações vem atraindo tantos novos investidores para a Bolsa de Valores.

Ações e a divisão dos lucros:

Ações são direitos à propriedade de uma empresa, ou seja, uma ação confere a seu dono uma fração da propriedade da empresa. Você tem direito a uma parte dos imóveis, das máquinas, dos lucros, das marcas e de todos os demais direitos da empresa. Você e todos os demais acionistas são os donos da empresa. Seu percentual de participação na propriedade da empresa dependerá da quantidade de ações que possuir.

As ações são negociadas nas Bolsas de Valores. Compradores e vendedores vendem-nas e compram-nas das empresas. No passado, esse sistema acontecia com operadores gritando o preço para outros operadores no pregão. Hoje em dia, o sistema é computadorizado. As ordens de compra e venda são inseridas na Mega Bolsa, o sistema de negociação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

As notícias que afetam a empresa se refletem no preço das ações, pois indicam uma mudança no valor daquela. Para uma pequena indústria, as notícias sobre o crescimento econômico, a greve dos empregados do concorrente e a entrada em vigor de leis que afetam o setor são exemplos de notícias que mudam a expectativa dos lucros futuros da empresa. Veremos no Capítulo 6 que o valor da ação é o valor atual dos lucros esperados para a empresa no futuro.

Observe que não são todas as empresas que possuem ações na Bolsa. No Brasil, temos três tipos básicos de empresas:

  • Empresa individual: formada por uma única pessoa. Geralmente, seus proprietários são profissionais liberais, como engenheiros, consultores, advogados, médicos etc. A responsabilidade legal e financeira da empresa envolve a responsabilidade dos bens do proprietário.
  • Empresa limitada: é aquela formada por uma sociedade. Cada sócio possui um número definido de cotas. Esse é o tipo de empresa normalmente adotado por pequenos e médios negócios.
  • Empresa de sociedade anônima: nesse caso, a responsabilidade dos sócios fica limitada ao valor de sua ação. Se a empresa falir e ficar devendo a fornecedores, a empregados e ao governo, os acionistas não serão chamados para cobrir o prejuízo. O risco máximo para um acionista dessa empresa é perder totalmente o valor pago pela ação, mas não mais que isso.

Dos três tipos, a única que pode abrir o capital e negociar suas ações é a empresa de sociedade anônima. Abrir o capital é um processo no qual os proprietários de uma empresa de sociedade anônima decidem vender parte da empresa para os investidores em geral. A empresa, antes chamada de “capital fechado”, passa a negociar suas ações na Bolsa.

Por que investir em ações?

Possuir ações é acreditar no futuro da empresa. É acreditar que será bem-sucedida e terá lucros, além de crer que os lucros com a propriedade das ações serão maiores do que se a aplicação tivesse sido feita em outros investimentos, como imóveis e juros. Possuir ações também é acreditar no sistema capitalista. É crer que o sistema de livre mercado, apesar de suas falhas, ainda é a melhor maneira que a humanidade encontrou para distribuir bens e serviços de qualidade a preços competitivos. As empresas que não conseguem tal intento são eliminadas pela própria competição entre si.

Historicamente, o investimento em ações tem superado todas as demais aplicações em longo prazo até agora. Existem períodos que podem durar vários anos, em que as ações perdem para os juros. Para os brasileiros, tal fato parece mais verdadeiro do que nunca. Há alguns anos, nossa taxa de juros era alta o suficiente para desestimular qualquer investimento substancial em ações. Por que alguém investiria com a expectativa de ganhar 15% ao ano, se poderia aplicar em um fundo DI rendendo 22%?

Felizmente, a estabilização da inflação permitiu a redução gradual da taxa de juros. Esta, representada pela taxa Selic, tem um impacto fortíssimo no desempenho das empresas. Isso acontece por dois motivos principais: porque as empresas tomam dinheiro emprestado para financiar suas operações e investimentos e porque a taxa de juros tem o poder de incentivar, ou não, o consumo. Uma taxa de juros alta desestimula o consumo das famílias e estimula a poupança. Para as empresas, isso significa menos vendas e menos lucros.

Se uma taxa de juros baixa ajuda as empresas, gera investimentos, fomenta a criação de novos empregos e reduz o endividamento público, então, o governo deveria mantê-la o mais baixa possível, certo?

Não necessariamente. O problema é que uma taxa de juros baixa aquece a economia e gera inflação. E nós sabemos bem o que a inflação ocasiona. As pessoas perdem poder de compra, a concentração de renda aumenta, a moeda perde valor, os investimentos de longo prazo migram para países mais estáveis e ocasionam muitos outros problemas. Por isso, o governo precisa dosar bem a taxa de juros. Se erra para mais, gera recessão, se erra para menos, inflação.

As ações passaram por maus bocados na época dos juros altos, mas se olharmos por um período maior, veremos que as ações batem todos os outros tipos de investimento: juros, dólar, euro, imóveis, ouro. A capacidade de as ações superarem outros tipos de investimento tem sido constatada em diferentes Bolsas de Valores ao redor do globo, onde o capitalismo não sofre tanta intromissão estatal.

Atualmente, o investimento em ações no Brasil está em franca expansão. Nos últimos anos, a valorização do Ibovespa (principal índice de medição da valorização das ações no Brasil) chegou a mais de 600%. Milhares de novos investidores começaram a investir em ações. O maior volume de recursos vem dos investidores institucionais, como fundos de investimento, instituições financeiras e fundos de pensão. Mas a maior quantidade dos novos investidores na Bolsa é constituída de pessoas físicas.

A Bovespa é responsável pela negociação de ações no Brasil. Apesar de sua participação na América Latina ser dominante, com cerca de 70% dos negócios, seu peso no mundo é pequeno: cerca de 0,5%. No entanto, esse percentual deve aumentar, uma vez que países em desenvolvimento têm ampliado sua participação no cenário econômico mundial.

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