Cirurgiã brasileira diz ser norueguesa para driblar racismo

A cirurgiã plástica brasileira Simone Guimarães é conhecida na Itália pela habilidade em resolver casos difíceis de reconstrução cirúrgica. Apesar do sucesso, a médica, freqüentemente, esconde sua verdadeira nacionalidade para evitar o preconceito dos italianos: “Digo que sou norueguesa”.

Discípula de Ivo Pitanguy, Simone abandonou definitivamente o Brasil em 1993 para viver um grande amor na capital italiana. Mesmo quando o então marido virou ‘ex’, ela decidiu permanecer na Itália.

A cirurgiã, que trabalhava como primeira-assistente de Pitanguy no Brasil, mantém seu próprio consultório em Roma desde 1996. Conhecida por “consertar” procedimentos mal feitos, ela conta que muitas pessoas chegam ao seu consultório direto do hospital com complicações, próteses abertas e infecções.

“Na Europa, há um outro conceito com relação à cirurgia plástica. Enquanto nós pensamos em um trabalho harmonioso, aqui, eles gostam dos lábios enormes e seios obscenos”, disse. “Eu passei a ser um ponto de referência para corrigir os erros dos outros.”

Com a experiência de quem já tinha trabalhado 10 anos com cirurgia-geral no pronto-socorro de um hospital carioca antes de se dedicar à cirurgia plástica, Simone viu-se obrigada a retornar à universidade por três anos na Itália para poder exercer a Medicina no país, já que não é possível convalidar o diploma.

Há quatro anos, ela fundou a Associação Cirúrgica Européia Ivo Pitanguy, que conta com a presença de ex-alunos estrangeiros do mestre da cirurgia plástica brasileiro.

Preconceito

Apesar do sucesso profissional, Simone diz que sente, ainda hoje, o preconceito dos italianos em relação a sua cidadania.

“Tive de criar uma outra nacionalidade. Decidi ser norueguesa porque toda a vez que dizia ser brasileira, as pessoas me olhavam como se eu fosse uma prostituta”, afirmou.

“Minha filha faz o mesmo. Antes, ela contava que eu era brasileira. Mas, agora, não.”

Segundo ela, a pele branca e os cabelos lisos não mudam nada. O preconceito é igual.

Por conta do mesmo motivo, a cirurgiã quase não fala português na Itália. Ela prefere falar italiano mesmo quando encontra brasileiras que moram há vários anos no país.

Apesar disso, não pensa em voltar a morar no Brasil.

“Nunca abandonei nada do meu país. Apenas acrescentei a Itália na minha vida”, afirmou.

Fonte: BBC

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