Bebês: Alimentos não recomendados no primeiro ano de vida

O nutrólogo e pediatra, Dr. Ary Lopes Cardoso, chefe da unidade de Nutrologia do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), esclarece a importância de alguns nutrientes na alimentação dos bebês e oferece dicas para as mamães.

1. Qual a importância dos nutrientes do leite materno no desenvolvimento do bebê?

O leite materno possui nutrientes como gorduras (35% a 58%), carboidratos (35% a 44%), proteínas (5% a 7%), cálcio, fósforo, vitaminas, ferro e uma série de outros micronutrientes. Os carboidratos fornecem energia ao bebê. As gorduras são fontes concentradas de energia que oferecem mais de 50% das necessidades do bebê e são ricas em ácidos graxos, importantes para o desenvolvimento do cérebro, da retina e dos tecidos nervosos. Já as proteínas são fonte de aminoácidos essenciais para o crescimento e desenvolvimento da criança. O cálcio e o fósforo atuam na formação de ossos e dentes. O ferro previne a anemia e a vitamina A ajuda nos processos de crescimento, desenvolvimento visual e integridade do sistema imunológico do bebê.

2. Quais substâncias do leite materno estão relacionadas ao sistema imunológico?

O leite materno é rico em diversas substâncias que fortalecem o sistema imunológico do bebê como os anticorpos, proteínas que defendem o organismo e os prebióticos, tipo de carboidrato conhecido como oligossacarídeo, que estimula o crescimento de bactérias benéficas no organismo e auxilia na prevenção de doenças alérgicas e infecções.

3. O que são os prebióticos?

Os prebióticos são o terceiro maior componente do leite materno. Trata-se de um tipo de carboidrato (oligossacarídeo), que estimula o crescimento de bactérias benéficas como as bifidobactérias e os lactobacilos no intestino, fortalecendo o sistema imunológico dos bebês. Além de garantir uma microflora intestinal saudável, os prebióticos diminuem os riscos de infecções comuns na infância como as infecções respiratórias, a diarréia e os quadros de alergias. É interessante lembrar que o leite de outros animais não possuem prebióticos.

4. O leite de vaca, cabra e soja são indicados para os bebês?

O leite de soja, vaca e de outros animais não são indicados, rotineiramente para crianças com menos de 1 ano de idade. O leite de vaca contém mais de 25 proteínas potencialmente alergênicas, das quais a beta-lactoglobulina (proteína do soro do leite) possui o maior potencial para induzir reações imunes. Cerca de 90% das proteínas de outros leites, como o de cabra e de ovelha, são semelhantes às do leite de vaca e altamente alergênicas. Por isso, esses leites devem ser evitados ao máximo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a não ser em casos excepcionais, a criança até pelo menos um ano deve receber apenas o leite materno. As fórmulas de soja ou mesmo aquelas obtidas a partir do leite de vaca podem eventualmente substituir o leite materno quando este, por quaisquer motivos, não puder mais ser fornecido. As bebidas à base de soja são indicadas para crianças maiores, adolescentes e adultos. O uso prolongado da soja, em crianças, ainda é passível de algumas restrições em termos de segurança em longo prazo.

5. Quais alimentos devem ser evitados no primeiro ano de vida do bebê?

A Organização Mundial de Saúde recomenda que a criança receba exclusivamente o leite materno até os seis meses de idade. Após essa faixa etária, o leite materno deve ser complementado com outros alimentos, até dois anos ou mais. Os alimentos que devem ser evitados, pelo menos nos primeiros 12 meses, são o mel, a farinha de trigo, a clara do ovo, refrigerantes, sucos industrializados, doces em geral, balas, chocolate, sorvetes, biscoitos recheados, salgadinhos, enlatados, embutidos como salsicha, lingüiça, mortadela e presunto, frituras, café, chá mate e chá preto. Estes alimentos são ricos em gorduras, açúcar, conservantes ou corantes e podem comprometer o crescimento e desenvolvimento, além de aumentarem o risco de doenças como alergias, obesidade e carências de vitaminas e minerais. As fórmulas à base de leite de vaca modificado e soja podem ser oferecidas ao bebê, quando o leite materno não é passível de ser utilizado.

6. Os bebês devem comer alimentos com açúcar?

O açúcar, assim como o sal, deve ser utilizado com muita moderação no 1º ano de vida da criança. O açúcar existente de forma natural em alimentos como o leite materno, frutas, batatas, entre outros, é suficiente para as necessidades do organismo do bebê. Sociedades nacionais e internacionais como o ESPGHAN (Sociedade Européia de Pediatria e Gastroenterologia) e a Comunidade Européia contra-indicam o consumo exagerado da sacarose, uma vez que isso aumenta as chances do surgimento de cáries e o desenvolvimento do hábito de consumir alimentos doces, predispondo à obesidade e ao diabetes.

Alimentos não recomendados nos primeiros 12 meses:

  • Farinha de trigo

Contém glúten e a criança pode apresentar intolerância à substância.

  • Ovo

O ovo inteiro pode ser introduzido, sempre cozido, após o sexto mês. A exceção está em crianças com alergia alimentar e quadros alérgicos intensos, que devem evitar a clara (rica em proteína).

  • Mel

Com exceção do industrializado, o mel selvagem deve ser evitado antes do primeiro ano de vida, pois pode oferecer risco de contaminação, com o Clostridium botulinum, microorganismo causador do botulismo.

  • Pescados e frutos do mar

Indicado somente após o primeiro ano, pois são muito alergênicos.

  • Carne de porco

Deve ser evitada devido ao alto teor de gordura saturada, além de causar possíveis alergias.

  • Sucos prontos (industrializados)

São recomendáveis depois de 2 anos, e mesmo assim, eventualmente. Os sucos naturais contêm mais vitaminas e muito menos açúcar.

  • Embutidos e frios

Como possuem muita gordura, sal e conservantes, devem ser evitados até os 2 anos.

  • Alimentos industrializados

Em geral, estes produtos têm em suas fórmulas corantes e conservantes, por isso não devem ser consumidos por crianças antes de um ano de vida. Além disso, contém um alto teor de gordura hidrogenada, o que pode provocar obesidade e uma alteração nas taxas de colesterol e triglicérides.

  • Refrigerantes

Esse tipo de produto tem elevada proporção de açúcar, corantes e outras substâncias sem nenhum valor nutritivo. Além disso, atrapalham a absorção de cálcio. Daí o motivo para serem evitados.

  • Enlatados

Contêm sal em excesso, aditivos e conservantes artificiais que podem irritar a mucosa gástrica da criança, comprometendo a digestão e a absorção dos nutrientes, além do baixo valor nutritivo.

  • Doces

Os açúcares e doces tiram a fome e ainda prejudicam o valor calórico das refeições. Neste caso, o ideal é que eles sejam consumidos no fim do primeiro ano e em quantidades bem pequenas. Deve-se dar preferência às frutas da estação.

Fonte: Vya Estelar

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