Poemas Escolhidos Gregorio de Matos SonetoSoneto | Gregório de Matos

Poemas Escolhidos: Gregório de Matos
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Soneto

Quem viu mal como o meu, sem meio ativo?
Pois no que me sustenta e me maltrata,
É fero quando a morte me dilata,
Quando a vida me tira é compassivo!

Oh, do meu padecer alto motivo!
Mas oh, do meu martírio pena ingrata!
Uma vez inconstante, pois me mata;
Muitas vezes cruel, pois me tem vivo!

Já não há não, remédio, confianças;
Que a morte a destruir não tem alentos,
Quando a vida em penar não tem mudanças:

E quer meu mal, dobrando os meus tormentos
Que esteja morto para as esperanças,
E que ande vivo para os sentimentos.

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