Diabetes

No século I da era cristã, o médico grego Areteu da Capadócia usou a palavra diabetes para designar um estado fisiológico de sede intensa, em que o volume de água ingerido para mitigá-la é eliminado totalmente e em pouco tempo.

Diabetes é o nome dado à doença que impede o organismo de assimilar suficientemente a glicose fornecida pela nutrição: desse modo, os níveis do açúcar no sangue se elevam acima dos limites fisiológicos normais, com a conseqüente manifestação de sintomas mais ou menos graves.

Modernamente, diferenciam-se dois tipos de diabetes fundamentais: o melito, também chamado diabetes sacarino, e o insípido, ao lado de algumas variedades secundárias.

Diabetes melito
Na doença chamada diabetes melito registra-se uma grave alteração do metabolismo dos hidratos de carbono (açúcares), em conseqüência da produção e secreção insuficientes de insulina. Descoberta em 1921 pelos pesquisadores canadenses Frederick G. Banting e Charles H. Best, a insulina, hormônio que se encarrega de reduzir os níveis anormais de glicose no sangue, é sintetizada na ilhota de Langerhans, situada no pâncreas.

A causa da falência na produção ou no modo de atuação desse hormônio não é conhecida, mas estão demonstradas implicações de caráter genético-hereditário. Também influenciam o desenvolvimento desse processo patológico o exercício físico e a qualidade da alimentação.
O primeiro sintoma que aparece na fase aguda do diabetes melito é o excesso de glicose no sangue (hiperglicemia), acompanhado quase sempre do excesso de glicose na urina (glicosúria) e da eliminação de grandes volumes de urina (poliúria). Também se padece fome e sede intensa, além de perda de peso. A sensação de fome vem do aumento da síntese de glicose a partir dos aminoácidos ou das proteínas. Outro sintoma é o aparecimento, no sangue e na urina, de corpos cetônicos resultantes do incremento do catabolismo (degradação metabólica) das gorduras nos tecidos, especialmente no fígado.

Diferenciam-se dois tipos de diabetes melito: o juvenil e o adulto ou tardio, os quais, contudo, não estão rigidamente associados à idade. A variedade adulta é mais benigna e gradual no início. A juvenil é mais grave e apresenta sintomas mais intensos.

Nos casos crônicos, surgem sintomas secundários como a degeneração das paredes dos vasos sangüíneos e a cegueira ou retinopatia diabética. Se o diabetes não for devidamente tratado, a acumulação dos agentes tóxicos originados da alteração do metabolismo dos hidratos de carbono leva ao coma diabético. Para evitar isso, empregam-se tratamentos destinados a manter nos limites normais o nível de glicose no sangue, o que impede ou retarda o aparecimento de alterações vasculares e demais complicações próprias do diabetes.

Nos casos agudos, administra-se insulina por via intravenosa, mas no diabetes de tipo adulto a doença pode ser controlada mediante a administração de medicamentos que diminuem os níveis de glicose (hipoglicêmicos). As quantidades de insulina, se forem muito elevadas, podem levar ao chamado coma hipoglicêmico, oposto ao diabético, caso em que se deve administrar glicose ao paciente.

Diabetes insípido
Outro tipo de diabetes, menos freqüente, é o insípido. Deve-se a carências na síntese do chamado hormônio antidiurético, ADH ou vasopressina, ou a um bloqueio de sua ação. Essa substância, secretada pela hipófise posterior ou neuro-hipófise, atua no túbulo renal e tem como principal função a de regular e limitar a eliminação de água pela urina, dificultando a eventual desidratação do organismo.

Caso se registre uma disfunção ou destruição dos núcleos hipotalâmicos – centros cerebrais onde se sintetiza o ADH – ou dos condutos através dos quais passa o ADH, desenvolve-se o diabetes insípido classificado como supra-óptico hipofisário. Se a produção do hormônio se revela normal mas os túbulos renais não respondem à ação da vasopressina, produz-se o diabetes insípido nefrogênico. Em qualquer dos dois casos registra-se abundante poliúria, em que o paciente chega a eliminar até 15 litros de urina por dia, enquanto os níveis normais não ultrapassam os dois litros diários. Ao mesmo tempo, os pacientes sofrem intensa sensação de sede e há risco de desidratação.
Diversamente do que ocorre no diabetes melito, nesse processo não se verifica excesso de glicose no sangue nem na urina, daí o nome insípido. O tratamento compreende medidas como a administração de hormônios de composição afim à da vasopressina (eficaz somente na modalidade supra-óptica), a redução da carga renal e a ingestão de fármacos diuréticos.

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