Livro Livros Jose Saramago Vida Biografia Premio NobelVidas: José Saramago

José de Sousa Saramago nasceu em uma família humilde de camponeses em 1922 no pequeno vilarejo de Azinhaga, no distrito de Santarém, na província de Ribatejo, em Portugal. Devido a dificuldades econômicas abandonou os estudos secundários e fez um curso de serralheiro mecânico. Trabalhou em diversas profissões, entre elas: desenhista técnico, funcionário público, jornalista e editor. Durante toda a vida, pertenceu ao Partido Comunista Português. Estreou na literatura em 1947 com o romance Terra do Pecado. Somente ao final dos anos 70 é que o autor passou a viver exclusivamente para o trabalho literário.

Saramago é conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional (aparentemente incorreta aos olhos da maioria dos leitores). Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a confundir-se se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento. Muitas das suas “sentenças” ocupam mais de uma página, usando vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. Da mesma forma, muitos dos seus parágrafos ocupariam capítulos inteiros de outros autores. Apesar disso o seu estilo não torna a leitura mais difícil e os seus leitores habituam-se facilmente ao seu ritmo próprio.

Estas características tornam o estilo de Saramago único na literatura contemporânea: é considerado por muitos críticos um mestre no tratamento da língua portuguesa. Em 2003, o crítico norte-americano Harold Bloom, em seu livro Genius: A Mosaic of One Hundred Exemplary Creative Minds, considerou José Saramago “o mais talentoso romancista vivo no mundo atual”, referindo-se a ele como “o Mestre”. Declarou ainda que Saramago é “um dos últimos titãs de um gênero literário que está desvanecendo”.

Com uma obra densa, extremamente provocadora e estimulante à reflexão de quem a lê, José Saramago é o autor de literatura em língua portuguesa mais conhecido em todo o mundo e ampliou a sua popularidade global após vencer, em novembro de 1995, o Prêmio Luís de Camões (o mais prestigioso da língua portuguesa) e, em outubro de 1998, o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhá-lo. É Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Turim (Itália), de Sevilha (Espanha) e de Manchester (Reino Unido). Vive em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde se mantém distante das metrópoles para se dedicar totalmente à escrita.

Um autor inquieto. Assim Saramago pode ser definido. Ensaio Sobre a Lucidez, o 11º livro da sua carreira, provocou polêmica na Europa ao sugerir a derrota de um governo de uma localidade sem nome após 83% dos eleitores votarem em branco. Foi o suficiente para os europeus dizerem que o autor, comunista assumido, pretendia destruir a democracia. “O voto em branco é um voto democrático. Está claro que se o voto em branco superasse os 5% ou 10%, os partidos políticos entrariam em pânico”, disse o autor, em posterior entrevista.

Essa foi mais uma oportunidade para o autor chamar a atenção do leitor para que duvide da realidade na qual vive, assim como o fizera em suas obras A Caverna (2000) e Ensaio Sobre a Cegueira (1995). E, exatamente por isso, é tão provocativo.

Assim como a inusitada situação provocada pela ampla votação em branco trazida em Ensaio Sobre a Lucidez, A Caverna angustia o leitor ao relatar o fim dos trabalhos em uma olaria e seus desdobramentos sociais e íntimos a cada pessoa. “Evidentemente que o caso dessa gente da olaria não é único, e pode passar-se do caso familiar a uma situação geral, como é a de profissões que não interessam, que já não servem, que já não são úteis à sociedade e que a sociedade despreza”, disse Saramago em entrevista ao Portal Educacional.

Ensaio Sobre a Cegueira não é menos angustiante e provocativo, ao relatar à contaminação de toda uma população com a cegueira, cada drama individual e como o Estado se relaciona com toda a sociedade sofrendo da chaga. No pano de fundo, uma advertência à cegueira diária vivida por cada pessoa no mundo moderno.

Durante os anos 80 sua obra passa a ganhar peso e publicidade na Europa. Que Farei Com Este Livro? (1980), Manual de Pintura e Caligrafia (1977), Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), História do Cerco de Lisboa (1989) são dessa época.

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Com escrita formidável, a partir dos anos 90, Saramago já passa a ser uma estrela do universo literário. Em 1991, lançou O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que para alguns é sua obra-prima; para outros, um romance blasfemo. A polêmica foi agravada pelo fato de o autor ser um ateu convicto. Na obra, Saramago interpreta os Evangelhos deixando de lado a figura divina e onipotente de Jesus e concentra o foco no lado mais humano de Cristo.

Outras obras de grande expressão são a série de diários Cadernos de Lanzarote, e os fantásticos romances Todos os Nomes (no qual ele materializa todo seu conhecimento adquirido na máquina burocrática do Estado português), O Homem Duplicado, Viagem a Portugal, Objecto Quase, In Nomine Dei, A Bagagem do Viajante e O Conto da Ilha Desaparecida.

Um bom conhecimento sobre a vida de Saramago é possível ser obtido no livro Saramago – O Amor Possível. Nele, o escritor fala, em entrevista ao jornalista espanhol Juan Arias sobre sua infância pobre, política, literatura e Deus. O próprio vencedor do Nobel considera esse livro sua autobiografia.

A produção literária de Saramago, num total de cerca de 30 obras, compreende, além da prosa também a poesia, o ensaio e o teatro. Foram-lhe atribuídos, entre outros, os seguintes prêmios: Prêmio Cidade de Lisboa, 1980; Prêmio PEN Club Português, 1983; Prêmio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos, 1986; Grande Prêmio do Romance e Novela, 1991; Prêmio Vida Literária, 1993.

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