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Dor de Cabeça, Cefaléia e Enxaqueca

Uma das dores mais freqüentes em adultos é a cefaléia. Praticamente todo mundo já sofreu, sofre ou sofrerá de dor de cabeça ao longo de sua vida. As dores de cabeça acabam atrapalhando as pessoas na realização de suas atividades diárias, podendo assim, prejudicá-las tanto em sua vida pessoal quanto profissional.

Durante toda a vida as pessoas sofrem uma série de dores com diferentes intensidades, que podem ser desencadeadas por estímulos físicos, como um trauma, químicos, como inflamações ou biológicos, como infecções. A dor é uma sensação incômoda, podendo ou não estar relacionada a uma lesão, e também é vista como um mecanismo de defesa do organismo, um aviso, que surge quando o corpo percebe que algo não esta bem. A intensidade de uma dor é algo muito subjetivo, havendo desta forma muita dificuldade por parte das pessoas em determinar ou classificar o quanto uma dor lhe é intensa. Pessoas que sofrem com dores crônicas tendem a subestimar as dores que sentem, enquanto pessoas que sofrem de dores agudas, normalmente, superestimam suas dores.

A Sociedade Internacional de Cefaléia classificou em quase 60 tipos, as diferentes dores de cabeça. Pessoas que têm entre 20 e 50 anos de idade são as que mais sofrem de dor de cabeça.

A dor de cabeça pode ser resultado de muitas coisas, por exemplo, se qualquer uma das estruturas que fazem parte da cabeça sofrer algum tipo de processo doloroso, isso resultará em dor de cabeça e vale também mencionar que os nervos, músculos, vasos, dentes e ossos fazem parte desta estrutura. A enxaqueca, por exemplo, é um tipo de dor de cabeça causada por alterações dos vasos.

Os dois principais tipos de enxaqueca são:

Enxaqueca sem aura: Também conhecida como enxaqueca comum, é tipicamente unilateral, associada a náuseas e sensibilidade aumentada a luz e som.

Enxaqueca com aura: Também conhecida como enxaqueca clássica. A aura é um distúrbio visual que a precede, que se manifesta por visão borrada, ondulações, pontos escuros ou flashes.

A tensão nervosa pode provocar crises de enxaqueca ou a “cefaléia tensional”. A “cefaléia tensional” é uma dor que envolve toda a cabeça mas principalmente a nuca, isso em virtude de contrações dos músculos do pescoço e dos posteriores da cabeça. Esta contração dos músculos e a consequente dor de cabeça ocorrem normalmente depois que o estresse a que uma pessoa estava submetida passa. Este é o tipo mais comum de dor de cabeça que afeta as pessoas no dia-a-dia.

Como a dor de cabeça é um problema freqüente, muitas pessoas acabam se automedicando. Não existe problema neste ato desde que já se tenha consultado um médico e se saiba exatamente a causa dessa dor. Em casos de automedicação é preciso tomar certos cuidados e nunca deixar de procurar seu médico quando os sintomas da dor estiverem fora dos padrões habituais de intensidade e duração. Deve-se sempre buscar tratar as causas e não os sintomas, desta forma a melhor providência a se tomar é procurar um médico para que a dor seja tratada da melhor maneira possível.

Enfrentar os problemas relacionados com a enxaqueca não é fácil. Segundo um estudo recente, levado a cabo pela Demoskopea numa amostra representativa da população italiana composta por 2001 pessoas com idades entre os 18 e os 65 anos, cerca de 37% dos inquiridos que afirmaram sofrer de cefaléias não tomam medicamentos nem recorrem a outras terapias e, enquanto 60% procuram soluções para bloquear a dor mal esta se manifesta, apenas 3% tomam medicamentos para tratar as causas ou prevenir a perturbação. Além da propensão para tomar medicamentos ser mais elevada nas mulheres (70%), quando analisamos as profissões dos entrevistados, o recurso aos medicamentos é mais elevado nas que são mais domésticas (72%) e menor entre os estudantes (50%).

Graças a novas estratégias de tratamento, a cefaléia pode atualmente ser enfrentada com êxito, quer no caso de crises esporádicas, quer quando são recorrentes. É também possível, neste último caso, atuar com uma terapia preventiva. Após o diagnóstico seguro de enxaqueca, para prescrever o tratamento adequado os médicos seguem geralmente uma abordagem “gradual”. Inicialmente, são prescritos analgésicos e, caso estes se revelem ineficazes, é administrada uma associação de diversos fármacos. A terapia mais específica, como os triptanos, é frequentemente administrada apenas na terceira ou quarta fase após todos os outros fármacos se terem revelado ineficazes. No entanto, foi recentemente referido que o tratamento “estratificado” é mais eficaz. De fato, este permite administrar, logo de início, o medicamento mais adaptado ao tipo de enxaqueca a tratar.

Tipos de medicamentos mais utilizados no tratamento:

Analgésicos
A esta categoria pertencem numerosos fármacos. Entre os mais usados, encontram-se os medicamentos à base de paracetamol, ácido acetilsalicílico ou ambos. O seu mecanismo de ação comum parece estar principalmente ligado à inibição da síntese da prostaglandina, substância responsável pelas sensações dolorosas. Estão indicados nos casos de enxaqueca de forte intensidade, na presença de contra-indicações para o sumatriptano ou os derivados do ergot. De qualquer forma, os analgésicos têm pouco efeito sobre os sintomas associados à enxaqueca. Existem vários casos em que um analgésico é associado à cafeína para melhorar a sua absorção e eficácia. Os AINE (anti-inflamatórios não esteróides), pelo contrário, têm a mesma atividade analgésica e anti-inflamatória dos produtos tradicionais, não provocando os efeitos da enzima da ciclo-oxigenase 2 (COX-2), a substância responsável pela inflamação, e não inibindo, ao mesmo tempo, a ação da enzima gêmea COX-1, destinada à proteção da mucosa gástrica ou dos rins.

Anti-eméticos
Reduzem o vômito e as náuseas, sintomas frequentemente associados às cefaléias. A metroclopramida e a domperidona são geralmente indicadas nas crises ligeiras, enquanto nas fortes a metoclopramida pode ser associada a preparados combinados.

Os derivados do ergot
A ergotamina foi uma das primeiras substâncias a ser utilizada no tratamento da enxaqueca. Em finais do século XIX já eram utilizados na Alemanha e nos Estados Unidos extratos líquidos do fungo ergot (segale cornuta). A ergotamina atua provocando uma constrição dos vasos sanguíneos centrais e periféricos. No entanto, deve ser administrada sob controle médico, porque pode ter vários efeitos secundários. Entre os mais comuns estão as cólicas abdominais, as vertigens, cãibras musculares, diarréia, entorpecimento e alterações da coloração das mãos e dos pés. Por fim, um derivado mais recente da ergotamina, a di-hidroergotamina (DHE), pode ser considerado igualmente eficaz e mesmo melhor do que a ergotamina, produzindo um efeito mínimo sobre as artérias periféricas e uma vasoconstrição modesta ou nula. Os efeitos colaterais da DHE são mais limitados e variam desde vertigens ao entorpecimento, cólicas abdominais e constrição torácica. Ambos os fármacos estão indicados no tratamento da enxaqueca de intensidade moderada a grave, assim como nos casos de resistência ao sumatriptano ou aos analgésicos.

Os triptanos
Esta classe de medicamentos tem um mecanismo de ação muito dirigido e uma eficácia já amplamente demonstrada nas crises de enxaqueca. Por um lado, atuam de modo seletivo sobre os receptores da serotonina, tanto em nível neuronal (5-HT1D/F) como no vascular (5-HT1B). Por outro lado, controlam as paredes dos vasos cerebrais impedindo a sua dilatação, fato que está relacionado com a libertação das substâncias causadoras de dor. Assim, conseguem interromper a crise, eliminando ou reduzindo drasticamente a cefaléia e os sintomas adjacentes. Estes medicamentos existem em diversas formas de apresentação e são administrados sob rigoroso controle médico.
O precursor dos triptanos é o sumatriptano, medicamento que provoca uma vasoconstrição dos vasos intracranianos. Pode causar alguns efeitos colaterais desagradáveis, como o aumento da frequência cardíaca e uma elevação da pressão arterial nos doentes com essa predisposição. O sumatriptano está indicado no tratamento das crises de intensidade elevada ou moderada, sendo utilizado nos casos ligeiros apenas quando os outros fármacos sintomáticos se revelam ineficazes ou estão contra-indicados.

O zolmitriptano, precursor dos triptanos de segunda geração, também atua em nível central no cérebro, sendo tão eficaz como o sumatriptano. Ambos podem apresentar recorrências, com a crise a repetir-se no espaço de 24 horas.

O rizatriptano, que faz parte dos triptanos de segunda geração, pode proporcionar alívio no espaço de 30 minutos, tendo demonstrado, no espaço de duas horas, aliviar cerca de 90% das crises. É especialmente eficaz no tratamento agudo dos episódios de enxaqueca e o seu mecanismo de ação desenvolve-se através de uma vasoconstrição dos vasos sanguíneos no cérebro, eliminando deste modo náuseas e outros sintomas frequentemente associados à cefaléia.

Os triptanos podem produzir alguns efeitos colaterais, como a sensação de formigamento nas mãos, vertigens e a sensação de opressão no tórax que são de intensidade ligeira e de breve duração.

Cuidado com a automedicação

A automedicação, com recurso aos medicamentos de venda livre (para os quais não é necessário receita médica) para tratar as cefaléias pode ser perigosa, porque estes tratamentos não resolvem o problema, servindo apenas para atenuar temporariamente a dor, que acaba por voltar com a mesma intensidade. Além disso, muitas vezes o doente aumenta a dose progressivamente, porque, com o tempo, o organismo entra num processo de habituação, até chegar à cefaléia provocada pelo abuso de analgésicos que também pode ser muito difícil de tratar. Nos casos mais graves, pode vir a tornar-se absolutamente necessário recorrer à desintoxicação ou mesmo ao internamento hospitalar. Por último, o abuso de medicamentos é por vezes a causa de dores de cabeça, porque alguns fármacos, como é o caso dos derivados de ergot e da indometacina, são vasoconstritores e a sua suspensão provoca uma vasodilatação que origina a dor.

Consulte o médico se sofrer de cefaléias recorrentes ou persistentes. Não se automedique sem o parecer de um especialista. Siga a terapia recomendada pelo seu médico.

Dicas de leitura:

Livro: Enxaqueca
Dr. Oliver Sacks

Livro: A Cura da Dor de Cabeça
Dr. Joseph Kandel & Dr. David Sudderth

Livro: Enxaqueca: Tudo o que Você Deve Saber
Dr. Abouch Valenty Krymchantowski

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