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Trecho do Livro: Uma Bagunça Perfeita – Como Aproveitar as Vantagens da Desordem | Eric Abrahamson e David H. Freedman

Livros Uma Bagunca Perfeita Eric Abrahamson David H Freedman A Perfect Mess BooksLivro: Uma Bagunça Perfeita
Brasil | World

Há um local na Broadway, em Manhattan, no qual havia antigamente duas lojas de revistas, uma de frente para a outra. Uma das lojas exibia prateleiras ordenadas com perfeição, cobertas de revistas impecavelmente arrumadas, e qualquer edição delas podia ser rastreada no computador. Na outra loja, as revistas estavam às vezes espalhadas quase ao acaso, com a Cosmopolitan ao lado da Fortune, a Real Simple ao lado da Jet, e a Smithsonian disputando o espaço com a Psychotronic. Não era de causar espanto: Essam, o dono e gerente da loja mais bagunçada, não tinha um sistema informatizado de estoque para lhe dizer o que tinha vendido ou que revistas precisavam ser reabastecidas. Ele e o seu assistente, Zak, operavam baseados na memória, e arrumavam as coisas da melhor forma que podiam no final do dia.

É compreensível que a primeira loja atraísse mais clientes e tivesse um negócio mais dinâmico, vendendo mais revistas do que a de Essam. O que é igualmente compreensível é que somente uma das lojas continua aberta até hoje, pois a outra fechou por ter prejuízo. Mas o desfecho é interessante: a loja de Essam é a que continua a prosperar. Ele não vendia tantas revistas quanto o seu antigo concorrente, mas ganhava mais dinheiro. O simples motivo é que ele evitou alguns dos custos devoradores de lucro associados ao pessoal adicional que o seu concorrente considerava necessário para manter as prateleiras arrumadas e aos sistemas de estoque computadorizados fundamentais para rastrear as revistas. Levando-se em conta que o lucro, sem mencionar a sobrevivência, é um critério razoável da eficácia de um negócio, é legítimo afirmar que quaisquer benefícios que a outra loja possa ter obtido por ser mais arrumada e organizada foram sobrepujados pelos custos. Em outras palavras, uma das razões pelas quais a loja alcançou mais êxito foi o fato de ser mais bagunçada.

Não é muito difícil entender como Essam conseguiu lucrar, em certo sentido, com a bagunça. Talvez o fato nem mesmo pareça particularmente extraordinário depois de assinalado. No entanto, imagine que as lojas de revistas não sejam apenas uma curiosidade interessante. E se os custos de ser metódico e bem organizado frequentemente sobrepujarem os benefícios? E se o fato de sermos um tanto ou quanto desorganizados, em um sentido mais amplo, for melhor negócio?

Parece quase ridículo sugerir que o mundo em geral despreze a idéia relativamente óbvia de que ser metódico e organizado implica um custo. Imaginaríamos que a primeira pergunta que as pessoas e as empresas fariam a si mesmas antes de tomar a iniciativa de arrumar as coisas e ser mais organizadas seria a seguinte: o que pretendo fazer valerá o que mais custar em tempo e em outros recursos? Afinal de contas, a idéia de que a organização nem sempre compensa teria que surgir como uma notícia atordoante para os escritórios que têm tudo arquivado na mais perfeita ordem, escolas com currículos e padrões rigidamente detalhados, mente rígida, empresas que detalham ao extremo os procedimentos administrativos e operacionais, militares que mantêm rígidos agrupamentos, e para os administradores das cidades que geram uma enorme quantidade de leis e normas.

Na verdade, o método e a organização podem custar caro, o que é muito mal compreendido. Ou então, expondo a situação de outra maneira, com freqüência é possível reduzir os custos se tolerarmos certo nível de bagunça e desordem. No entanto, este livro vai mostrar que a lacuna é ainda mais impressionante. Não se trata apenas do fato de que as vantagens de ser metódico e organizado são tipicamente superadas pelos custos. Acontece que as próprias vantagens costumam ser ilusórias. Embora essa afirmação contrarie uma sabedoria quase universalmente aceita, as pessoas, as instituições e os sistemas moderadamente desorganizados com freqüência revelam-se mais eficientes, flexíveis, criativos e, em geral, mais competentes do que os altamente organizados. Assim como o custo da ordem foi desconsiderado, o mesmo aconteceu com os possíveis benefícios de alcançar o nível e o tipo adequado de bagunça. Embora a desordem beneficia possa não ser a regra, tampouco é uma exceção.

O fato de que a bagunça e a desordem podem ser proveitosas não pareceria algo tão ilógico não fosse a tendência para a ordem programada em quase todos nós. Especificamente, as pessoas tendem a desconsiderar o custo do esmero, a não fazer caso da possibilidade de que a bagunça nem sempre pode ser removida por mais que seja combatida e não acreditam na idéia de que a bagunça pode funcionar melhor do que o método. Na verdade, este último realmente tornou-se para quase todos nós um fim em si mesmo. Quando as pessoas ficam nervosas por causa de suas casas e escritórios bagunçados ou suas rotinas desorganizadas, isso costuma acontecer não porque a bagunça e a desordem estejam causando problemas, mas sim porque as pessoas partem do princípio de que deveriam ser mais metódicas e organizadas, e sentem-se mal quando não o são.

A idéia de que a bagunça e a desordem podem ser inofensivas ou até mesmo benéficas não deveria parecer tão estranha. No entanto, quase toda discussão sobre como podemos melhorar a nossa vida, o nosso negócio e a sociedade sugerem maneiras de sermos mais ordenados ou métodos pelos quais podemos nos ordenar de um modo diferente. A hipótese de sermos desordenados – e não apenas menos ordenados – raramente é considerada. Está na hora de examinar, com a mente aberta, a bagunça de todos os aspectos de nossa vida e instituições, e refletir sobre onde ela poderia ser celebrada em vez de evitada.

As páginas que seguem compõem um passeio representativo pelo lado indevidamente apreciado do mundo da bagunça e da desordem. Entre as paradas temos: uma casa incrivelmente bagunçada, uma pré-escola na qual desmontar brinquedos faz parte do currículo, uma loja de ferragens e uma livraria que prosperam tornando difícil encontrar as mercadorias, a vida completamente desorganizada de Arnold Schwarzenegger, um hospital no qual os pacientes dão festas de pizzas, a sinfonia de Beethoven que frequentemente é tocada sem afinação, a bagunça de uma mesa que conduziu a um Prêmio Nobel, um restaurante que serve pratos fora de ordem e a cidade americana cuja bagunça a deixa comparável à histórica Paris. O objetivo do passeio não é esgotar completamente o assunto da bagunça e da desordem. Longe disso; qualquer faceta desse tema poderia facilmente preencher muitos volumes. Na verdade, a meta é simplesmente explorar e destacar algumas verdades importantes a respeito da desordem que foram em grande parte negligenciadas.

Você perceberá que o passeio dá algumas voltas inesperadas. Pelo menos é o que esperamos.

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