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Bebês: Alimentos não recomendados no primeiro ano de vida
O nutrólogo e pediatra, Dr. Ary Lopes Cardoso, chefe da unidade de Nutrologia do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), esclarece a importância de alguns nutrientes na alimentação dos bebês e oferece dicas para as mamães.
1. Qual a importância dos nutrientes do leite materno no desenvolvimento do bebê?
O leite materno possui nutrientes como gorduras (35% a 58%), carboidratos (35% a 44%), proteínas (5% a 7%), cálcio, fósforo, vitaminas, ferro e uma série de outros micronutrientes. Os carboidratos fornecem energia ao bebê. As gorduras são fontes concentradas de energia que oferecem mais de 50% das necessidades do bebê e são ricas em ácidos graxos, importantes para o desenvolvimento do cérebro, da retina e dos tecidos nervosos. Já as proteínas são fonte de aminoácidos essenciais para o crescimento e desenvolvimento da criança. O cálcio e o fósforo atuam na formação de ossos e dentes. O ferro previne a anemia e a vitamina A ajuda nos processos de crescimento, desenvolvimento visual e integridade do sistema imunológico do bebê.
2. Quais substâncias do leite materno estão relacionadas ao sistema imunológico?
O leite materno é rico em diversas substâncias que fortalecem o sistema imunológico do bebê como os anticorpos, proteínas que defendem o organismo e os prebióticos, tipo de carboidrato conhecido como oligossacarídeo, que estimula o crescimento de bactérias benéficas no organismo e auxilia na prevenção de doenças alérgicas e infecções.
3. O que são os prebióticos?
Os prebióticos são o terceiro maior componente do leite materno. Trata-se de um tipo de carboidrato (oligossacarídeo), que estimula o crescimento de bactérias benéficas como as bifidobactérias e os lactobacilos no intestino, fortalecendo o sistema imunológico dos bebês. Além de garantir uma microflora intestinal saudável, os prebióticos diminuem os riscos de infecções comuns na infância como as infecções respiratórias, a diarréia e os quadros de alergias. É interessante lembrar que o leite de outros animais não possuem prebióticos.
4. O leite de vaca, cabra e soja são indicados para os bebês?
O leite de soja, vaca e de outros animais não são indicados, rotineiramente para crianças com menos de 1 ano de idade. O leite de vaca contém mais de 25 proteínas potencialmente alergênicas, das quais a beta-lactoglobulina (proteína do soro do leite) possui o maior potencial para induzir reações imunes. Cerca de 90% das proteínas de outros leites, como o de cabra e de ovelha, são semelhantes às do leite de vaca e altamente alergênicas. Por isso, esses leites devem ser evitados ao máximo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a não ser em casos excepcionais, a criança até pelo menos um ano deve receber apenas o leite materno. As fórmulas de soja ou mesmo aquelas obtidas a partir do leite de vaca podem eventualmente substituir o leite materno quando este, por quaisquer motivos, não puder mais ser fornecido. As bebidas à base de soja são indicadas para crianças maiores, adolescentes e adultos. O uso prolongado da soja, em crianças, ainda é passível de algumas restrições em termos de segurança em longo prazo.
5. Quais alimentos devem ser evitados no primeiro ano de vida do bebê?
A Organização Mundial de Saúde recomenda que a criança receba exclusivamente o leite materno até os seis meses de idade. Após essa faixa etária, o leite materno deve ser complementado com outros alimentos, até dois anos ou mais. Os alimentos que devem ser evitados, pelo menos nos primeiros 12 meses, são o mel, a farinha de trigo, a clara do ovo, refrigerantes, sucos industrializados, doces em geral, balas, chocolate, sorvetes, biscoitos recheados, salgadinhos, enlatados, embutidos como salsicha, lingüiça, mortadela e presunto, frituras, café, chá mate e chá preto. Estes alimentos são ricos em gorduras, açúcar, conservantes ou corantes e podem comprometer o crescimento e desenvolvimento, além de aumentarem o risco de doenças como alergias, obesidade e carências de vitaminas e minerais. As fórmulas à base de leite de vaca modificado e soja podem ser oferecidas ao bebê, quando o leite materno não é passível de ser utilizado.
6. Os bebês devem comer alimentos com açúcar?
O açúcar, assim como o sal, deve ser utilizado com muita moderação no 1º ano de vida da criança. O açúcar existente de forma natural em alimentos como o leite materno, frutas, batatas, entre outros, é suficiente para as necessidades do organismo do bebê. Sociedades nacionais e internacionais como o ESPGHAN (Sociedade Européia de Pediatria e Gastroenterologia) e a Comunidade Européia contra-indicam o consumo exagerado da sacarose, uma vez que isso aumenta as chances do surgimento de cáries e o desenvolvimento do hábito de consumir alimentos doces, predispondo à obesidade e ao diabetes.
Alimentos não recomendados nos primeiros 12 meses:
- Farinha de trigo
Contém glúten e a criança pode apresentar intolerância à substância.
- Ovo
O ovo inteiro pode ser introduzido, sempre cozido, após o sexto mês. A exceção está em crianças com alergia alimentar e quadros alérgicos intensos, que devem evitar a clara (rica em proteína).
- Mel
Com exceção do industrializado, o mel selvagem deve ser evitado antes do primeiro ano de vida, pois pode oferecer risco de contaminação, com o Clostridium botulinum, microorganismo causador do botulismo.
- Pescados e frutos do mar
Indicado somente após o primeiro ano, pois são muito alergênicos.
- Carne de porco
Deve ser evitada devido ao alto teor de gordura saturada, além de causar possíveis alergias.
- Sucos prontos (industrializados)
São recomendáveis depois de 2 anos, e mesmo assim, eventualmente. Os sucos naturais contêm mais vitaminas e muito menos açúcar.
- Embutidos e frios
Como possuem muita gordura, sal e conservantes, devem ser evitados até os 2 anos.
- Alimentos industrializados
Em geral, estes produtos têm em suas fórmulas corantes e conservantes, por isso não devem ser consumidos por crianças antes de um ano de vida. Além disso, contém um alto teor de gordura hidrogenada, o que pode provocar obesidade e uma alteração nas taxas de colesterol e triglicérides.
- Refrigerantes
Esse tipo de produto tem elevada proporção de açúcar, corantes e outras substâncias sem nenhum valor nutritivo. Além disso, atrapalham a absorção de cálcio. Daí o motivo para serem evitados.
- Enlatados
Contêm sal em excesso, aditivos e conservantes artificiais que podem irritar a mucosa gástrica da criança, comprometendo a digestão e a absorção dos nutrientes, além do baixo valor nutritivo.
- Doces
Os açúcares e doces tiram a fome e ainda prejudicam o valor calórico das refeições. Neste caso, o ideal é que eles sejam consumidos no fim do primeiro ano e em quantidades bem pequenas. Deve-se dar preferência às frutas da estação.
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Dicas de leitura:
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Dor de Cabeça, Cefaléia e Enxaqueca
Uma das dores mais freqüentes em adultos é a cefaléia. Praticamente todo mundo já sofreu, sofre ou sofrerá de dor de cabeça ao longo de sua vida. As dores de cabeça acabam atrapalhando as pessoas na realização de suas atividades diárias, podendo assim, prejudicá-las tanto em sua vida pessoal quanto profissional.
Durante toda a vida as pessoas sofrem uma série de dores com diferentes intensidades, que podem ser desencadeadas por estímulos físicos, como um trauma, químicos, como inflamações ou biológicos, como infecções. A dor é uma sensação incômoda, podendo ou não estar relacionada a uma lesão, e também é vista como um mecanismo de defesa do organismo, um aviso, que surge quando o corpo percebe que algo não esta bem. A intensidade de uma dor é algo muito subjetivo, havendo desta forma muita dificuldade por parte das pessoas em determinar ou classificar o quanto uma dor lhe é intensa. Pessoas que sofrem com dores crônicas tendem a subestimar as dores que sentem, enquanto pessoas que sofrem de dores agudas, normalmente, superestimam suas dores.
A Sociedade Internacional de Cefaléia classificou em quase 60 tipos, as diferentes dores de cabeça. Pessoas que têm entre 20 e 50 anos de idade são as que mais sofrem de dor de cabeça.
A dor de cabeça pode ser resultado de muitas coisas, por exemplo, se qualquer uma das estruturas que fazem parte da cabeça sofrer algum tipo de processo doloroso, isso resultará em dor de cabeça e vale também mencionar que os nervos, músculos, vasos, dentes e ossos fazem parte desta estrutura. A enxaqueca, por exemplo, é um tipo de dor de cabeça causada por alterações dos vasos.
Os dois principais tipos de enxaqueca são:
Enxaqueca sem aura: Também conhecida como enxaqueca comum, é tipicamente unilateral, associada a náuseas e sensibilidade aumentada a luz e som.
Enxaqueca com aura: Também conhecida como enxaqueca clássica. A aura é um distúrbio visual que a precede, que se manifesta por visão borrada, ondulações, pontos escuros ou flashes.
A tensão nervosa pode provocar crises de enxaqueca ou a “cefaléia tensional”. A “cefaléia tensional” é uma dor que envolve toda a cabeça mas principalmente a nuca, isso em virtude de contrações dos músculos do pescoço e dos posteriores da cabeça. Esta contração dos músculos e a consequente dor de cabeça ocorrem normalmente depois que o estresse a que uma pessoa estava submetida passa. Este é o tipo mais comum de dor de cabeça que afeta as pessoas no dia-a-dia.
Como a dor de cabeça é um problema freqüente, muitas pessoas acabam se automedicando. Não existe problema neste ato desde que já se tenha consultado um médico e se saiba exatamente a causa dessa dor. Em casos de automedicação é preciso tomar certos cuidados e nunca deixar de procurar seu médico quando os sintomas da dor estiverem fora dos padrões habituais de intensidade e duração. Deve-se sempre buscar tratar as causas e não os sintomas, desta forma a melhor providência a se tomar é procurar um médico para que a dor seja tratada da melhor maneira possível.
Enfrentar os problemas relacionados com a enxaqueca não é fácil. Segundo um estudo recente, levado a cabo pela Demoskopea numa amostra representativa da população italiana composta por 2001 pessoas com idades entre os 18 e os 65 anos, cerca de 37% dos inquiridos que afirmaram sofrer de cefaléias não tomam medicamentos nem recorrem a outras terapias e, enquanto 60% procuram soluções para bloquear a dor mal esta se manifesta, apenas 3% tomam medicamentos para tratar as causas ou prevenir a perturbação. Além da propensão para tomar medicamentos ser mais elevada nas mulheres (70%), quando analisamos as profissões dos entrevistados, o recurso aos medicamentos é mais elevado nas que são mais domésticas (72%) e menor entre os estudantes (50%).
Graças a novas estratégias de tratamento, a cefaléia pode atualmente ser enfrentada com êxito, quer no caso de crises esporádicas, quer quando são recorrentes. É também possível, neste último caso, atuar com uma terapia preventiva. Após o diagnóstico seguro de enxaqueca, para prescrever o tratamento adequado os médicos seguem geralmente uma abordagem “gradual”. Inicialmente, são prescritos analgésicos e, caso estes se revelem ineficazes, é administrada uma associação de diversos fármacos. A terapia mais específica, como os triptanos, é frequentemente administrada apenas na terceira ou quarta fase após todos os outros fármacos se terem revelado ineficazes. No entanto, foi recentemente referido que o tratamento “estratificado” é mais eficaz. De fato, este permite administrar, logo de início, o medicamento mais adaptado ao tipo de enxaqueca a tratar.
Tipos de medicamentos mais utilizados no tratamento:
Analgésicos
A esta categoria pertencem numerosos fármacos. Entre os mais usados, encontram-se os medicamentos à base de paracetamol, ácido acetilsalicílico ou ambos. O seu mecanismo de ação comum parece estar principalmente ligado à inibição da síntese da prostaglandina, substância responsável pelas sensações dolorosas. Estão indicados nos casos de enxaqueca de forte intensidade, na presença de contra-indicações para o sumatriptano ou os derivados do ergot. De qualquer forma, os analgésicos têm pouco efeito sobre os sintomas associados à enxaqueca. Existem vários casos em que um analgésico é associado à cafeína para melhorar a sua absorção e eficácia. Os AINE (anti-inflamatórios não esteróides), pelo contrário, têm a mesma atividade analgésica e anti-inflamatória dos produtos tradicionais, não provocando os efeitos da enzima da ciclo-oxigenase 2 (COX-2), a substância responsável pela inflamação, e não inibindo, ao mesmo tempo, a ação da enzima gêmea COX-1, destinada à proteção da mucosa gástrica ou dos rins.
Anti-eméticos
Reduzem o vômito e as náuseas, sintomas frequentemente associados às cefaléias. A metroclopramida e a domperidona são geralmente indicadas nas crises ligeiras, enquanto nas fortes a metoclopramida pode ser associada a preparados combinados.
Os derivados do ergot
A ergotamina foi uma das primeiras substâncias a ser utilizada no tratamento da enxaqueca. Em finais do século XIX já eram utilizados na Alemanha e nos Estados Unidos extratos líquidos do fungo ergot (segale cornuta). A ergotamina atua provocando uma constrição dos vasos sanguíneos centrais e periféricos. No entanto, deve ser administrada sob controle médico, porque pode ter vários efeitos secundários. Entre os mais comuns estão as cólicas abdominais, as vertigens, cãibras musculares, diarréia, entorpecimento e alterações da coloração das mãos e dos pés. Por fim, um derivado mais recente da ergotamina, a di-hidroergotamina (DHE), pode ser considerado igualmente eficaz e mesmo melhor do que a ergotamina, produzindo um efeito mínimo sobre as artérias periféricas e uma vasoconstrição modesta ou nula. Os efeitos colaterais da DHE são mais limitados e variam desde vertigens ao entorpecimento, cólicas abdominais e constrição torácica. Ambos os fármacos estão indicados no tratamento da enxaqueca de intensidade moderada a grave, assim como nos casos de resistência ao sumatriptano ou aos analgésicos.
Os triptanos
Esta classe de medicamentos tem um mecanismo de ação muito dirigido e uma eficácia já amplamente demonstrada nas crises de enxaqueca. Por um lado, atuam de modo seletivo sobre os receptores da serotonina, tanto em nível neuronal (5-HT1D/F) como no vascular (5-HT1B). Por outro lado, controlam as paredes dos vasos cerebrais impedindo a sua dilatação, fato que está relacionado com a libertação das substâncias causadoras de dor. Assim, conseguem interromper a crise, eliminando ou reduzindo drasticamente a cefaléia e os sintomas adjacentes. Estes medicamentos existem em diversas formas de apresentação e são administrados sob rigoroso controle médico.
O precursor dos triptanos é o sumatriptano, medicamento que provoca uma vasoconstrição dos vasos intracranianos. Pode causar alguns efeitos colaterais desagradáveis, como o aumento da frequência cardíaca e uma elevação da pressão arterial nos doentes com essa predisposição. O sumatriptano está indicado no tratamento das crises de intensidade elevada ou moderada, sendo utilizado nos casos ligeiros apenas quando os outros fármacos sintomáticos se revelam ineficazes ou estão contra-indicados.
O zolmitriptano, precursor dos triptanos de segunda geração, também atua em nível central no cérebro, sendo tão eficaz como o sumatriptano. Ambos podem apresentar recorrências, com a crise a repetir-se no espaço de 24 horas.
O rizatriptano, que faz parte dos triptanos de segunda geração, pode proporcionar alívio no espaço de 30 minutos, tendo demonstrado, no espaço de duas horas, aliviar cerca de 90% das crises. É especialmente eficaz no tratamento agudo dos episódios de enxaqueca e o seu mecanismo de ação desenvolve-se através de uma vasoconstrição dos vasos sanguíneos no cérebro, eliminando deste modo náuseas e outros sintomas frequentemente associados à cefaléia.
Os triptanos podem produzir alguns efeitos colaterais, como a sensação de formigamento nas mãos, vertigens e a sensação de opressão no tórax que são de intensidade ligeira e de breve duração.
Cuidado com a automedicação
A automedicação, com recurso aos medicamentos de venda livre (para os quais não é necessário receita médica) para tratar as cefaléias pode ser perigosa, porque estes tratamentos não resolvem o problema, servindo apenas para atenuar temporariamente a dor, que acaba por voltar com a mesma intensidade. Além disso, muitas vezes o doente aumenta a dose progressivamente, porque, com o tempo, o organismo entra num processo de habituação, até chegar à cefaléia provocada pelo abuso de analgésicos que também pode ser muito difícil de tratar. Nos casos mais graves, pode vir a tornar-se absolutamente necessário recorrer à desintoxicação ou mesmo ao internamento hospitalar. Por último, o abuso de medicamentos é por vezes a causa de dores de cabeça, porque alguns fármacos, como é o caso dos derivados de ergot e da indometacina, são vasoconstritores e a sua suspensão provoca uma vasodilatação que origina a dor.
Consulte o médico se sofrer de cefaléias recorrentes ou persistentes. Não se automedique sem o parecer de um especialista. Siga a terapia recomendada pelo seu médico.
Dicas de leitura:
Livro: Enxaqueca
Dr. Oliver Sacks
Livro: A Cura da Dor de Cabeça
Dr. Joseph Kandel & Dr. David Sudderth
Livro: Enxaqueca: Tudo o que Você Deve Saber
Dr. Abouch Valenty Krymchantowski
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Planos de saúde: Obrigação de provar doença preexistente é da seguradora
Cabe à operadora de plano de saúde comprovar que o segurado sabia da doença antes de assinar o contrato de serviço de saúde. O entendimento é da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que reafirmou, por unanimidade, a obrigação da Unimed de cobrir tratamento médico a um paciente que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A Unimed Cuiabá recorreu de uma decisão que a obrigou pagar o tratamento de um usuário que teve um AVC. As despesas ficaram em R$ 9,6 mil. A Unimed também foi condenada a custear despesas médicas e hospitalares recomendadas pelo médico, enquanto vigorar o contrato.
No recurso, a Unimed alegou que cooperado apresentou problemas de saúde que evoluíram para o AVC cinco meses após adquirir o plano de saúde. Segundo a cooperativa, o fato evidencia que o usuário já tinha a doença quando aderiu ao plano. A Unimed afirmou ainda que o prazo de carência para doença preexistente é de 24 meses e que, no período de carência, o atendimento é apenas ambulatorial.
Mas, para o juiz relator do processo, Antônio Horácio da Silva Neto, o artigo 11 da Lei federal 9.656/98 estabelece que “é vedada exclusão de cobertura às doenças e lesões preexistentes à data de contratação dos planos, cabendo à respectiva operadora o ônus da prova e da demonstração do conhecimento prévio do consumidor”.
O juiz frisou ainda que, “nos contratos de adesão, as cláusulas devem ser interpretadas em favor do aderente, conforme artigo 47 do Código de Defesa do Consumidor”.
Recurso de Apelação Cível: 105.960/07
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IR 2008: Cirurgia plástica não pode ser deduzida do Imposto de Renda
Apesar de as despesas médicas poderem ser deduzidas ilimitadamente da base de cálculo do IR durante a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, cirurgias plásticas para fins estéticos não estão enquadradas nessa situação. A informação é da Receita Federal.
Segundo o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, gastos com esse tipo de procedimento costumam ser acima da média. E é aí que o Fisco percebe uma suposta tentativa de burlar o sistema. “Se forem detectados gastos muito altos e o contribuinte for chamado para prestar contas, precisará justificar essa cirurgia”, explicou.
Necessidade do procedimento
Para isso, a pessoa precisará ter todos os documentos e notas que comprovem o desembolso. Como a Receita tem cinco anos para contestar prestações de contas, é interessante que o contribuinte guarde o material por todo esse período.
De acordo com Adir, se a operação ocorreu por outros motivos e não só por questão de estética, o órgão avalia a situação sobre outra ótica. “Cada caso é um caso. O responsável pela fiscalização tem de ser convencido da necessidade do procedimento”, continuou.
Preenchimento
Vale lembrar que as regras fiscais garantem a devolução de desembolsos feitos para tratamento médico-hospitalar tanto do titular quanto do dependente. Despesas com remédios não entram na conta, a não ser que tenham sido contraídas em internações hospitalares.
Os gastos devem ser informados na ficha Pagamentos e Doações da declaração. Os códigos variam conforme a finalidade do procedimento: 10 para gastos com médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais de saúde dentro do Brasil e 11 para os mesmos desembolsos feitos no exterior; 20 para despesas em hospitais, clínicas e laboratórios nacionais e 21 para ocorrências do tipo fora do País.
Obrigatoriedade
A temporada de declaração do IR 2008, ano-base 2007, foi iniciada em 3 de março. O Fisco recebe os documentos até 30 de abril. A multa mínima para quem deixar de apresentar os dados dentro do prazo é de R$ 165,74 e a máxima, de 20% do imposto.
São obrigadas a prestar contas todas as pessoas que tiveram, no ano passado, rendimentos tributáveis superiores a R$ 15.764,28, podendo escolher entre duas formas de fazê-lo: pelo modelo completo ou simplificado.
Site da Receita Federal: www.receita.fazenda.gov.br
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Injeção indolor: adesivo com tecnologia de impressoras é utilizado para administrar medicamentos
A HP criou a injeção indolor, um adesivo de alta tecnologia que pode ser uma alternativa à agulha hipodérmica. O adesivo “inteligente” contém um chip de computador e microagulhas para a aplicação precisa de medicamentos abaixo da superfície da pele, de modo praticamente indolor. Um único adesivo pode ser utilizado para aplicar vários medicamentos. Elaborado com base na tecnologia de jato de tinta da HP, o adesivo realiza a aplicação de medicamentos por meio de agulhas ultrafinas embutidas.
A HP licenciou a tecnologia para a Crospon, uma empresa de dispositivos médicos sediada em Galway, na Irlanda, para produzir e comercializar o produto. A tecnologia de microagulhas pode ser usada com uma série de medicamentos e produtos biofarmacêuticos. Dependendo do uso, os adesivos podem durar dias e até mesmo semanas.
A aplicação de medicamentos por injeção geralmente causa dor aos pacientes. Sua segurança e precisão depende da pessoa que manipula uma agulha hipodérmica. Ingerir um comprimido não é necessariamente a melhor alternativa: a eficiência de medicamentos ingeridos por via oral pode ser reduzida em até 95% por causa do ácido contido no estômago.
Os adesivos disponíveis no mercado atualmente fazem com que o medicamento seja absorvido pela pele. Esse sistema funciona em alguns tipos de tratamentos, como o adesivo de nicotina para pessoas que desejam parar de fumar. Como a pele age como uma barreira natural, esse não é um mecanismo de aplicação ideal para muitos tipos de medicamentos.
Cada uma das microagulhas de um adesivo HP-Crospon pode ser programada para injetar medicamentos na corrente sangüínea de modo independente, com diferentes doses e números de vezes, dependendo da necessidade do paciente. Da mesma forma que um cartucho de jato de tinta imprime em cores diferentes, o adesivo pode aplicar diversos medicamentos.
“Basicamente, trata-se de uma série de microagulhas hipodérmicas controladas por computador que não causam dor”, explicou Janice Nickel. “O uso de vários reservatórios independentes é o que torna o sistema definitivamente único. Cada um deles possui um aquecedor e um sistema de bombeamento próprios.”
A Crospon, que tem como foco o monitoramento e tratamento da diabetes e de disfunções de refluxo gastresofagiano, comercializará o adesivo e o oferecerá a empresas do mercado farmacêutico no mundo todo. Os novos adesivos devem estar disponíveis no mercado entre 2 e 4 anos, dependendo dos processo de testes e aprovação. “Acreditamos que a administração de medicamentos por meio de um simples adesivo com microagulhas é um marco para a indústria”, declarou John O’Dea, Diretor executivo da Crospon, empresa de dispositivos médicos sediada em Galway, na Irlanda. “Esse adesivo revolucionário permite à Crospon oferecer uma plataforma superior de administração de medicamentos para médicos e pacientes.”
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Mozart ajuda a curar doenças graves, dizem pesquisadores
Especialistas do Instituto de Neurologia de Londres afirmam que a música de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) pode funcionar melhor que remédios tradicionais no tratamento de diversos males, até mesmo de doenças complexas como a epilepsia.
Segundo artigo publicado nesta quarta-feira (19) no jornal inglês “Independent”, os pesquisadores suspeitaram das qualidades terapêuticas da obra do compositor austríaco quando trataram um paciente de 46 anos que sofria de graves ataques epilépticos e não havia reagido bem a sete tipos de terapias (à base de remédios avançados), e nem mesmo a uma intervenção cirúrgica no cérebro.
Após uma acentuada e inexplicável melhora, os médicos descobriram que o paciente havia começado a escutar a música de Mozart durante cerca de 45 minutos por dia e que seu bem-estar vinha deste novo hábito.
A Universidade de Illinois (Estados Unidos) também relatou, após o caso do paciente inglês, uma situação parecida envolvendo uma criança portadora da síndrome de Lennox-Gastaut (variante rara da epilepsia).
Inteligência
Seguindo os indícios, os médicos descobriram que “doses” de Mozart aumentariam a capacidade matemática e visual, reduziriam o estresse e dores de artrite, além de produzir efeitos positivos no coração e em fetos, no caso de gravidez (estimulando o cérebro do bebê).
Em testes com ratos e carpas, verificou-se melhora no senso de orientação e humor, especialmente com as notas de “Eine Kleine Nachtmusik (K. 525)“.
A causa dos efeitos ainda não é tão clara, mas muitos especialistas afirmam que a zona do cérebro que recebe e processa a música é a mesma da percepção espacial, por exemplo. Os estímulos provocados pela complexa e refinada música de Mozart, sobretudo a sonata K. 448, teriam, portanto, um impacto benéfico na massa cinzenta, organizando e estimulando células nervosas precárias, em um processo comparável a impulsos elétricas.
Em testes com voluntários humanos, verificou-se que, ao escutar a sonata K. 448 para dois pianos, o quociente de inteligência do grupo cresceu entre oito e nove pontos. Sobre a exclusividade da música de Mozart, e não de outros compositores, os médicos arriscam que as composições do austríaco trazem uma peculiar técnica de construção musical, baseada em temas circulares com intervalos fixos e variações moduladas do motivo principal.
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Plano de saúde não pode negar nenhum tratamento médico
Tratamento de câncer
Empresa que presta atividade econômica correlacionada com os serviços médicos e de saúde tem os mesmos deveres do Estado, ou seja, prestar assistência integral para os consumidores. Por isso, não pode negar cobertura de exames e tratamentos. O entendimento é da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os desembargadores, por maioria de votos, condenaram a Unimed Uberlândia a arcar com o tratamento de quimioterapia de uma paciente, mesmo sem previsão de cobertura no contrato.
A dona de casa aderiu ao plano de saúde por meio da empresa de seu marido, em 1997. Em 2007, descobriu que estava com câncer de mama e teria de fazer, com urgência, sessões de quimioterapia. Como o plano contratado não cobria tal tratamento, tentou migrar para outro. Foi, então, informada que seu marido e todos os funcionários da empresa, usuários do mesmo plano, teriam também de fazer a migração e cumprir um período de carência de 180 dias. Período este que a paciente não poderia esperar.
Em julho de 2007, a paciente pagou mais de R$ 1 mil pela primeira sessão de quimioterapia. A cliente entrou com ação na Justiça. A primeira instância entendeu que a cooperativa não era responsável pela cobertura do tratamento. Ela ajuizou Agravo de Instrumento no TJ mineiro.
Os desembargadores Antônio de Pádua (relator) e Valdez Leite Machado (1º vogal) atenderam ao pedido da dona de casa por entender que a saúde não pode ser comparada a uma atividade econômica qualquer.
“O direito à vida, à saúde e à dignidade humana, são direitos constitucionalmente assegurados, para que não se tenha o risco de prejuízos irreparáveis. Como a saúde não se caracteriza como uma mercadoria qualquer, nem pode ser confundida com outras atividades econômicas, tem-se que o particular, que presta uma atividade econômica correlacionada com os serviços médicos e de saúde, possui os mesmos deveres do Estado, ou seja, os de prestar uma assistência integral para os consumidores dos seus serviços”, destacou o relator.
O desembargador Elias Camilo ficou vencido. Ele considerou que, no caso em questão, há exclusão expressa no contrato, que foi firmado antes da vigência da Lei 9.656/1998 (que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde), para custeio dos tratamentos de quimioterapia e radioterapia.
Processo 1.0702.07.395986-9/001
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Exame médico: Diagnóstico errado gera indenização
O Centro de Diagnóstico por Imagem, com sede em Goiânia, está obrigado a pagar R$ 6,5 mil por danos morais e materiais a um paciente por ter apresentado o resultado errado de um exame. A decisão é do juiz Hamilton Gomes Carneiro, do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Cristalina (GO). Cabe recurso.
O advogado João Daniel Hollenbach se surpreendeu depois que soube, pelo exame, que só tinha um rim. Na ação, ele conta que fez o exame de cintilografia renal e, de posse do material, procurou o urologista. Ao analisá-lo, o médico constatou que ele tinha apenas um rim. O advogado diz ter ficado abalado emocionalmente diante deste resultado, “tendo até mesmo cogitado em fazer um transplante para acabar com a anomalia”.
Em outubro de 2007, com nova crise renal, foi atendido por outro médico e submetido a novo laudo laboratorial. Este constatou que o advogado tem os dois rins. O autor da ação afirma que este erro ocasionou-lhe um forte abalo emocional, machucando seu ego e ferindo sua personalidade.
Ele pediu R$ 9.900 de indenização. No entanto, o juiz ressaltou que atentou para os princípios de razoabilidade e proporcionalidade. E afirmou que o valor da indenização por dano moral não caracteriza enriquecimento ilícito por parte do autor, pois somente tem o objetivo de reparar os danos sofridos.
Ao determinar a indenização por danos morais, o juiz fixou juros moratórios de 1% ao mês e correção monetária, com base no INPC, a partir da publicação da sentença proferida no dia 24 de janeiro.
Prova verossímil
“As alegações do requerente são plausíveis e se encontram fundamentadas em prova verossímil”, salientou o juiz, lembrando que inexiste “qualquer elemento ou fato que impeça o acolhimento do pleito”. Ao fundamentar a sentença, observou que o Código de Processo Civil, em seu artigo 333, inciso II, determina que o ônus da prova cabe ao réu quanto à inexistência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
“Para a configuração da responsabilidade objetiva dos responsáveis legais basta a demonstração de seus pressupostos, quais sejam: conduta, resultado lesivo e nexo de causalidade entre a ação e o prejuízo praticado.”
Na decisão, Hamilton Carneiro também fez referência ao artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, que especifica os direitos básicos do consumidor. E ainda ao artigo 14, que dispõe que “o fornecedor de serviço responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação de serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos”.
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Saúde: Plano de saúde tem de arcar com cirurgia de redução do estômago
Saúde em risco
Um paciente que sofre de obesidade mórbida ganhou na Justiça o direito de fazer a cirurgia de redução do estômago, negado pelo seu plano de saúde. A decisão foi da 3ª Câmara Cível do Tribunal do Rio Grande do Norte, no julgamento da apelação da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi).
A Cassi recorreu da decisão da 1ª Vara Cível de Natal. A primeira instância concedeu liminar para que o cliente do plano de saúde pudesse fazer a cirurgia, além de todos os procedimentos pré e pós-operatórios.
O plano de saúde alegou que o paciente, apesar do quadro de obesidade mórbida, não corria risco de morte. E omitiu que tinha sido convidado pela Cassi para aderir ao plano que contemplava o procedimento cirúrgico.
Além disso, a instituição de assistência à saúde sustentou que as provas juntadas comprovaram que o cliente, há mais de um ano, já se preparava para a cirurgia, mas não buscou em nenhum momento se adequar ao plano Cassi Saúde Família III — aquele que contemplava a cirurgia. Isso demonstraria a falta de interesse do cliente pra se adequar ao plano de saúde. Assim, a Cassi diz que a decisão favorável ao cliente caracteriza enriquecimento sem causa, em detrimento dele e dos demais segurados.
A Cassi pediu revogação da condenação, a obrigatoriedade do cliente de restituí-la dos valores pagos indevidamente e que o cliente fosse obrigado a migrar para o plano Saúde Cassi Família III.
O relator, juiz convocado Kennedi de Oliveira Braga, entendeu que a decisão de primeira instância não mereceu reforma. Para ele, há perigo de lesão grave e irreparável ao paciente, caso tenha de esperar o final da ação judicial, porque é óbvio que pessoas que sofrem de obesidade mórbida correm riscos de desenvolver doenças diversas como diabetes, pressão alta, entre outras. A decisão da 3ª Câmara foi unânime.
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Transplante de Medula Óssea
O que é medula óssea?
É um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por ‘tutano’. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, inclusive nos defende das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.
Qual a diferença entre medula óssea e medula espinhal?
Enquanto a medula óssea, como descrito anteriormente, é um tecido líquido que ocupa a cavidade dos ossos, a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.
O que é transplante de medula óssea?
É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças malignas que afetam as células do sangue. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula. O transplante pode ser autogênico, quando a medula ou as células precursoras de medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (receptor). Ele é dito alogênico, quando a medula ou as células provêm de um outro indivíduo (doador). O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.
Quando é necessário o transplante?
Em doenças do sangue como a Anemia Aplástica Grave e em alguns tipos de leucemias, como a Leucemia Mielóide Aguda, Leucemia Mielóide Crônica, Leucemia Linfóide Aguda. No Mieloma Múltiplo e Linfomas, o transplante também pode estar indicado.
- Anemia Aplástica: É uma doença que se caracteriza pela falta de produção de células do sangue na medula óssea. Apesar de não ser uma doença maligna, o transplante surge como uma saída para ’substituir’ a medula improdutiva por uma sadia.
- Leucemia: É um tipo de câncer que compromete os glóbulos brancos (leucócitos), afetando sua função e velocidade de crescimento. O transplante surge como uma forma de tratamento complementar aos tratamentos convencionais.
Como é o transplante para o doador?
Antes da doação, o doador faz um exame clínico para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação é feita por meio de uma pequena cirurgia, de aproximadamente 90 minutos, em que são realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 10%. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde.
Como é o transplante para o paciente?
Depois de se submeter a um tratamento que destrói a própria medula, o paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que, uma vez na corrente sangüínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento. Cuidados com a dieta, limpeza e esforços físicos são necessários. Por um período de 2 a 3 semanas, necessitará ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, os episódios de febre são quase uma regra no paciente transplantado. Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, sendo necessário, por vezes, o comparecimento diário ao hospital.
Quais os riscos para o paciente?
A boa evolução durante o transplante depende de vários fatores: o estágio da doença (diagnóstico precoce), o estado geral do paciente, boas condições nutricionais e clínicas, além, é claro, do doador ideal. Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova ‘memória’ e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação, chamada de doença enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados. No transplante de medula, a rejeição é rara.
Quais os riscos para o doador?
Os riscos são poucos e relacionados a um procedimento cirúrgico que necessita de anestesia geral, sendo retirada do doador a quantidade de medula óssea necessária (menos de 10%). Esta pequena cirurgia tem duração de aproximadamente 90 minutos e consiste de 4 a 8 punções na região pélvica posterior para aspiração da medula. Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada. Uma avaliação pré-operatória detalhada avalia as condições clínicas e cardiovasculares do doador visando a orientar a equipe anestésica envolvida no procedimento operatório.
O que é compatibilidade?
Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja uma total compatibilidade tecidual entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Esta compatibilidade tecidual é determinada por um conjunto de genes localizados no cromossoma 6. Por isso, devem ser iguais entre doador e receptor. Esta análise é realizada em testes laboratoriais específicos, a partir de amostras de sangue do doador e receptor, chamados de exames de histocompatibilidade. O laboratório do Centro de Transplante de Medula Óssea funciona no Hospital dos Servidores do Estado. Com base nas leis de genética, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 35%.
O que fazer quando não há um doador compatível?
Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro parente próximo, geralmente um dos pais), a solução é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos (brancos, negros amarelos…) semelhantes. Embora, no caso do Brasil, a mistura de raças dificulte a localização de doadores, é possível encontrá-los em outros países. Desta forma surgiram os primeiros Bancos de Doadores de Medula, em que voluntários de todo o mundo são cadastrados e consultados para pacientes de todo o planeta. Hoje, já existem mais de 5 milhões de doadores. O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) coordena a pesquisa de doadores nos bancos brasileiros e estrangeiros.
Para obter mais informações:
REDOME - Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea
Rua do Resende, 195, térreo - Centro - Rio de Janeiro / RJ
Tel.: (21) 3970-2382 / 3970-4100
Telefax.: (21) 3970-3968
e-mail: redome@inca.gov.br
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Clonagem sem embriões
Criador da ovelha Dolly troca clonagem por técnica sem embriões
O cientista Ian Wilmut, que criou a ovelha Dolly, deixará a clonagem de lado para se concentrar em uma nova técnica revolucionária que permite criar células-tronco sem usar embriões, afirmou na edição deste sábado o jornal “The Daily Telegraph”.
Segundo a publicação britânica, o professor Wilmut abandonará o método da clonagem para encontrar outra forma de curar doenças, como o Mal de Parkinson.
O cientista da Universidade de Edimburgo (Escócia) acredita que um procedimento desenvolvido no Japão oferece uma melhor opção de desenvolver as células do próprio paciente para tratar doenças como acidentes vasculares e problemas cardíacos.
Ao contrário das atuais pesquisas com células-tronco, a nova técnica não precisa do uso de embriões humanos.
Nos últimos dez anos, os cientistas vêm sofrendo fortes críticas de grupos religiosos e organizações “pró-vida”, devido à necessidade de utilizar embriões para gerar células-tronco.
O presidente americano, George W. Bush, proibiu o uso de dinheiro público nos Estados Unidos para pesquisas deste tipo.
De acordo com o jornal britânico, a decisão de Wilmut pode pôr fim à clonagem terapêutica, uma área de pesquisa muito importante nos últimos anos e na qual se investiu muito dinheiro.
“Decidi há algumas semanas não continuar com a transferência nuclear (o método utilizado para clonar a ovelha Dolly)”, disse Wilmut, que acredita que “será mais fácil” que a nova técnica seja aceita socialmente.
A equipe de Wilmut surpreendeu o mundo em 1997 quando apresentou Dolly, o primeiro animal a ser clonado com uma célula adulta.
O cientista afirmou que se inspira em um trabalho do professor Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, que investiga a criação de células-tronco de um paciente sem a necessidade de embriões.
Em estudos anteriores, Yamanaka encontrou a maneira de criar células-tronco a partir de fragmentos de pele.
O “Daily Telegraph” acrescentou que fontes da comunidade científica consideram que o professor japonês conseguiu fazer o mesmo com células humanas.
Apesar de os detalhes desses estudos ainda não terem sido divulgados, o professor Wilmut os considerou “extremamente estimulantes e assombrosos”, uma opinião compartilhada por outros especialistas.
O prêmio Nobel de Medicina 2007 Martin Evans disse que esta pesquisa “será a solução a longo prazo”, e o professor Robin Lovell-Badge, do Instituto Nacional para a Pesquisa Médica de Mill Hill (norte de Londres), afirmou que o estudo será “o futuro”.
Fonte: Folha Online
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Unimed deve indenizar paciente com câncer de mama
Contrato derrubado
Cláusulas contratuais não devem se sobrepor à lei que determina o atendimento médico ao paciente com risco de morte ou de seqüelas. Com esse entendimento, o juiz Yale Sabo Mendes condenou a Unimed Cuiabá - Cooperativa de Trabalho Médico a pagar R$ 14 mil de indenização por dano moral a uma paciente com câncer de mama.
A Unimed de Cuiabá se negou a prestar atendimento à cooperada, de acordo com os autos. Para tanto, alegou que o procedimento médico não constava das cláusulas do contrato do plano de saúde.
A paciente é cliente da Unimed há dois anos. Ela teve que se submeter a uma cirurgia de urgência com risco de agravar a sua situação. Mesmo assim, a cooperativa se negou a realizá-la. Na ação, a paciente pediu a cobertura do tratamento, bem como a condenação da empresa ao pagamento de indenização por danos morais.
Conforme o juiz, o contrato discriminou os serviços, atendimentos e coberturas assegurados. No entanto, segundo ele, mesmo que fosse discriminado na cláusula o não oferecimento de determinado tratamento, o risco de morte ou lesão permanente é suficiente para garantir o tratamento, de acordo com a lei 9.656/98 do artigo 35.
Sobre a afirmação da defesa de se tratar de doença pré-existente, o juiz afirmou: “Em momento algum se comprovou que a autora tenha realizado algum tipo de exame antes da adoção ao referido plano”.
Fonte: Consultor Jurídico
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Saúde: Distrofia Simpático Reflexa (DSR)
A distrofia simpático-reflexa (DSR) é um distúrbio doloroso complexo, que se apresenta com uma dor intensa e persistente, em um dos braços. A dor é associada à queimação, disestesia, parestesia e hiperalgesia ao frio e sinais clínicos de disfunção do sistema nervoso autonômo (cianose, edema, frio e alteração de transpiração local).
Esta doença complexa vem recebendo diversas denominações, tais como, algodistrofia, causalgia, atrofia de Sudeck, síndrome ombro-mão, neuroalgodistrofia, distrofia simpática pós-traumática ou síndrome dolorosa regional complexa tipo 1.
Atualmente, há grande controvérsia a respeito da origem da DSR. Alguns autores acreditam que esta doença é decorrente de um mecanismo neuronal reflexo após um evento de trauma físico (batida, acidente etc), levando à percepção anormal da dor. Em mais de 60% dos casos, descritos em adultos, há história efetiva de um trauma. Mas a DSR ocorre também mais freqüentemente em adultos, que sofrem um trauma psicológico, mas já tinham uma instabilidade emocional, depressão, mania e insegurança. Esse quadro de DSR pode surgir em crianças que apresentam um perfil de perfeccionista e empreendedora, e o quadro pode ser precedido ou agravado por fatores estressantes, próprios da idade, como desavenças entre os pais ou morte de familiares, início na escola, etc.
O quadro de DSR pode não vir sozinho, mas, pode estar associado a outras dores com disfunção do sistema nervoso autônomo, tais como: enxaqueca, síncope, fibromialgia e dor abdominal. O envolvimento de membros inferiores se bem que mais raro, também pode ocorrer com as mesmas características dos membros superiores associado, porém, à incapacitação de deambulação. Também existe o trauma físico e o emocional e a presença de um inchaço que dificulta o diagnóstico vasomotor, que se manifestou como aumento de temperatura em dois membros acometidos, diminuição de temperatura em um, eritema fixo em dois, cianose e sudorese em um. Três pacientes apresentavam também dormência e parestesia no local afetado. Assim, como na maioria das síndromes dolorosas os exames laboratoriais geralmente são normais. O tratamento é feito com antiinflamatórios não-hormonais (AINH) (ácido acetilsalicílico, endometacina, ibuprofeno ou naproxeno) associados a sessões de fisioterapia. Quando necessário é recomendado o uso de anti-depressivo para aliviar a dor que é muito semelhante à fibromialgia.
I. Karacan e colaboradores, fisiatras, da Universidade de Istanbul, Turquia, estudaram 32 pacientes adultos, com a DSR, sendo que 20 pacientes (62,5%) tinham perda de massa óssea na mão afetada e 11 pacientes (34,4%) somente na mão afetada do lado da dor e 9 pacientes (28,1%) nos dois lados. Os autores observaram que no lado não afetado o grau de osteoporose é menor e a osteoporose nos ossos da bacia e da coluna desses pacientes tem perdas ósseas correspondentes ao tempo de queixas da dor da DSR.
Os autores chamam a DSR como síndrome de Sudeck ou como recomenda a Associação Internacional de Estudo da Dor de síndrome dolorosa regional complexa tipo 1.
Fonte: Revista de Atualização Médica
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Diabetes
No século I da era cristã, o médico grego Areteu da Capadócia usou a palavra diabetes para designar um estado fisiológico de sede intensa, em que o volume de água ingerido para mitigá-la é eliminado totalmente e em pouco tempo.
Diabetes é o nome dado à doença que impede o organismo de assimilar suficientemente a glicose fornecida pela nutrição: desse modo, os níveis do açúcar no sangue se elevam acima dos limites fisiológicos normais, com a conseqüente manifestação de sintomas mais ou menos graves.
Modernamente, diferenciam-se dois tipos de diabetes fundamentais: o melito, também chamado diabetes sacarino, e o insípido, ao lado de algumas variedades secundárias.
Diabetes melito
Na doença chamada diabetes melito registra-se uma grave alteração do metabolismo dos hidratos de carbono (açúcares), em conseqüência da produção e secreção insuficientes de insulina. Descoberta em 1921 pelos pesquisadores canadenses Frederick G. Banting e Charles H. Best, a insulina, hormônio que se encarrega de reduzir os níveis anormais de glicose no sangue, é sintetizada na ilhota de Langerhans, situada no pâncreas.
A causa da falência na produção ou no modo de atuação desse hormônio não é conhecida, mas estão demonstradas implicações de caráter genético-hereditário. Também influenciam o desenvolvimento desse processo patológico o exercício físico e a qualidade da alimentação.
O primeiro sintoma que aparece na fase aguda do diabetes melito é o excesso de glicose no sangue (hiperglicemia), acompanhado quase sempre do excesso de glicose na urina (glicosúria) e da eliminação de grandes volumes de urina (poliúria). Também se padece fome e sede intensa, além de perda de peso. A sensação de fome vem do aumento da síntese de glicose a partir dos aminoácidos ou das proteínas. Outro sintoma é o aparecimento, no sangue e na urina, de corpos cetônicos resultantes do incremento do catabolismo (degradação metabólica) das gorduras nos tecidos, especialmente no fígado.
Diferenciam-se dois tipos de diabetes melito: o juvenil e o adulto ou tardio, os quais, contudo, não estão rigidamente associados à idade. A variedade adulta é mais benigna e gradual no início. A juvenil é mais grave e apresenta sintomas mais intensos.
Nos casos crônicos, surgem sintomas secundários como a degeneração das paredes dos vasos sangüíneos e a cegueira ou retinopatia diabética. Se o diabetes não for devidamente tratado, a acumulação dos agentes tóxicos originados da alteração do metabolismo dos hidratos de carbono leva ao coma diabético. Para evitar isso, empregam-se tratamentos destinados a manter nos limites normais o nível de glicose no sangue, o que impede ou retarda o aparecimento de alterações vasculares e demais complicações próprias do diabetes.
Nos casos agudos, administra-se insulina por via intravenosa, mas no diabetes de tipo adulto a doença pode ser controlada mediante a administração de medicamentos que diminuem os níveis de glicose (hipoglicêmicos). As quantidades de insulina, se forem muito elevadas, podem levar ao chamado coma hipoglicêmico, oposto ao diabético, caso em que se deve administrar glicose ao paciente.
Diabetes insípido
Outro tipo de diabetes, menos freqüente, é o insípido. Deve-se a carências na síntese do chamado hormônio antidiurético, ADH ou vasopressina, ou a um bloqueio de sua ação. Essa substância, secretada pela hipófise posterior ou neuro-hipófise, atua no túbulo renal e tem como principal função a de regular e limitar a eliminação de água pela urina, dificultando a eventual desidratação do organismo.
Caso se registre uma disfunção ou destruição dos núcleos hipotalâmicos - centros cerebrais onde se sintetiza o ADH - ou dos condutos através dos quais passa o ADH, desenvolve-se o diabetes insípido classificado como supra-óptico hipofisário. Se a produção do hormônio se revela normal mas os túbulos renais não respondem à ação da vasopressina, produz-se o diabetes insípido nefrogênico. Em qualquer dos dois casos registra-se abundante poliúria, em que o paciente chega a eliminar até 15 litros de urina por dia, enquanto os níveis normais não ultrapassam os dois litros diários. Ao mesmo tempo, os pacientes sofrem intensa sensação de sede e há risco de desidratação.
Diversamente do que ocorre no diabetes melito, nesse processo não se verifica excesso de glicose no sangue nem na urina, daí o nome insípido. O tratamento compreende medidas como a administração de hormônios de composição afim à da vasopressina (eficaz somente na modalidade supra-óptica), a redução da carga renal e a ingestão de fármacos diuréticos.
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Mario Prata | Crônica: Enfim, a Próstata
Enfim, a Próstata
Maluf colocou a boca no mundo. Ou melhor, colocou a próstata no mundo. De repente, virou moda, jornais abriram espaço e foram surgindo famosos prostáticos (existe essa palavra?). Quércia voltou ao mundo político através da sua. Mas diz que é simples. Não vai operar nem nada. Na África do Sul, um Nobel, o bispo Desmond Tutu abriu o jogo: também está com câncer lá.
Os médicos avisam: todo homem, depois dos 50 anos, deve fazer o exame. A probabilidade do tumor é muito grande depois desta idade.
Mas os homens de mais de 50 anos (minha geração) são machistas demais. Não adianta dar um toque para eles. Pode-se fazer um exame de sangue e aquele exame que grávida faz. Como chama? Ficam passando um negocinho na barriga da gente. Esqueci. Mas os dois exames juntos dão garantia apenas de 80 por cento. Tem que se fazer o toque, sim.
Eu sugiro uma solução para o assunto deste começo de ano: médicas urologistas. Todos os homens iriam fazer o toque. Com mulher, tudo bem. Tem gente que iria fazer semanalmente. Gente que ia entrar duas vezes na fila, etc.
Há uns 15 anos, tive que fazer (um toque, lá). Estava com uma pequena inflamação e o médico (meu amigo de infância, Plínio) disse que teria que fazer a massagem na minha próstata para recolher um tal pus.
Estou lá eu, nu, de quatro, em cima da mesa e ele, com a maior naturalidade, colocando uma luva num grosso dedo (ele sempre foi meio gordinho). Eu ali aflito e ele contando (juro) a lua-de-mel (dele) na Bahia, meses atrás. Achei que não era um tema muito adequado para aquela hora, mas próstata é próstata e vamos lá. Passou uma vaselina e se aproximou.
Mas, antes, colocou uma folha de papel debaixo do meu corpo.
— O que é isso?
— Caso você ejacule…
Me sentei. Preocupado.
— Plínio, se você enfiar o dedo aí e eu gozar, como é que eu fico? Qual é a porcentagem dos que gozam?
— Meio a meio. Vamos, de quatro.
— Pega leve, hein?
Se eu tivesse gozado, não estaria agora contando esse caso.
Tive um segundo caso com a minha próstata. Já disse aqui que passei uns dias no Spa Médico São Pedro, em Sorocaba.
Assim que você chega, eles fazem todos os exames possíveis em você.
No ultra-som (lembrei !!!) deu uma pequena inchação na mencionada área.
O diretor do Spa achou melhor eu fazer um exame de toque com um urologista para ficarmos todos tranqüilos.
— O urologista é gordo?
— Magro.
— Menos mal. Preciso ir ao hospital?
— Não. Amanhã ele passa aqui. A gente te acha.
Na manhã seguinte, estou lá eu com as minhas queridas gordinhas a fazer um cooper, quando a enfermeira vem me chamar.
— O senhor tem médico daqui a meia hora.
Foi o tempo suficiente para um bom banho, lavar bem as partes, colocar uma cueca novinha. Fui para o sacrifício.
O médico me recebeu, nos apresentamos e ele me levou para o fundo do corredor e abriu uma porta. A primeira coisa que eu vi foi aquela cama de examinar mulheres, com lugares para colocar as pernas. Sabe qual?
“Vai ser de frente. Mais constrangedor ainda”.
Pediu para eu sentar. Ele era sério. Para desanuviar um pouco o ambiente, brinquei:
— Você é que vai me dedurar?
— Depende.
— (olhando para a cama) Depende do quê?
— A não ser que você tenha algum problema mais grave, fica tudo entre a gente.
Aquele “tudo entre a gente” eu já não gostei.
— Você está com algum problema?
— Bem… é que é estranho assim logo de manhã..
— Você prefere de tarde?
— Não, já que eu estou aqui, vamos fundo. Vamos fundo?
— Pois então, algum problema de ordem psicológica?
— Bem, fora aquelas brincadeiras que a gente fazia quando era garoto, né, eu nunca…
— Como assim?
— Doutor, vamos deixar de conversa e vamos logo ao que interessa?
— Não estou te entendendo.
— O senhor não é o urologista?
— Urologista? Eu sou o psiquiatra.
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Demitir empregado com Aids é discriminação, afirma TST
Motivo torpe
É discriminatória a demissão de empregado com Aids sempre que o patrão não demonstrar que a dispensa ocorreu por outra causa. O entendimento é da Seção Especializada em Dissídios Individuais I do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros não conheceram os Embargos ajuizados pela Cryovac Brasil Ltda., e mantiveram a decisão que determinou a reintegração ao emprego de uma empregada com Aids.
A ação trabalhista foi ajuizada por uma analista fiscal da Cryovac, contratada em dezembro de 1994, com salário de R$ 1.093,00, e dispensada sem justa causa em março de 1999. Segundo ela, descobriu que tinha o vírus HIV em 1996 e ficou um ano afastada do trabalho, em licença médica. Disse que, ao retornar, passou a sofrer discriminação por parte da empresa, que a colocou em uma sala isolada, sem ventilação, afastada dos demais colegas. Afirmou que foi destituída das funções anteriormente exercidas e passou a ser tratada “como um verdadeiro estorvo, passando de setor em setor”, até ser despedida.
A analista alegou, ainda, que, como soropositiva, não consegue novo emprego e, estando desempregada, não tem suportado o alto custo da assistência médica. Disse que a dispensa foi discriminatória e pediu indenização por danos morais no valor de 100 vezes sua última remuneração, reintegração ao emprego na mesma função inicialmente contratada e indenização por danos materiais no valor de 18 vezes sua remuneração mensal.
A empresa, para se defender, negou a existência de discriminação. Argumentou que, ao contrário do alegado pela empregada, assim que soube da doença providenciou médico especializado para acompanhá-la, psicólogo e assistente social. Sustentou que, mesmo no tempo em que a empregada esteve afastada por licença médica, manteve o acompanhamento especializado, pagando inclusive os medicamentos caríssimos de que ela necessitava, dentre eles o AZT, não fornecido pelo INSS. Alegou que a demissão se deu por motivos de reestruturação na empresa, o que levou à dispensa de vários empregados.
A ação foi julgada improcedente pela primeira instância. O entendimento foi de que as provas dos autos eram no sentido de que a empresa amparou a empregada sempre que necessário, sem praticar qualquer ato que causasse lesão à moral, à honra, à reputação ou à dignidade da trabalhadora. A empregada recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo), que manteve a sentença. De acordo com o acórdão, “não há preceito legal vigente que estenda ao portador do vírus HIV qualquer modalidade de estabilidade”.
Ao recorrer ao TST, a empregada saiu vitoriosa no pedido de reintegração com pagamento dos salários vencidos. De acordo com o voto do ministro Lelio Bentes Corrêa, “em circunstâncias nas quais o trabalhador é portador do vírus da Aids e o empregador tem ciência desse fato, o mero exercício imotivado do direito potestativo da dispensa faz presumir discriminação e arbitrariedade”.
A empresa ajuizou, sem sucesso, embargos à SDI. Insistiu na tese de que não há norma jurídica que estabeleça a obrigação de manter empregado ou readmitir o portador de HIV. A relatora do recurso na SDI-1, ministra Rosa Maria Weber Candiota da Rosa, destacou que “o sentimento discriminatório não é tratado pelo Direito como causa irrelevante, no que se refere à denúncia do contrato de trabalho pelo empregador. Ao contrário, constitui fator repudiado com veemência pela ordem jurídica e cuja presença no ato da dispensa implica a sua ilicitude”.
Segundo a ministra, a dispensa imotivada nesses casos é, na verdade, uma despedida motivada, “mas por motivo torpe, que vicia o ato, ensejando a sua nulidade”.
E-ED-RR-76.089/2003-900-02-00.9
Fonte: Consultor Jurídico
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Saúde: Trabalho e Depressão
Estudo vincula pressão no trabalho à depressão
Trabalhos estressantes dobram os riscos de que o profissional passe a sofrer de depressão, dizem pesquisadores britânicos.
Um estudo envolvendo mil participantes com 32 anos de idade revelou que 45% dos casos novos de depressão ou ansiedade apresentados no grupo estavam associados à alta pressão no trabalho.
Os pesquisadores definiram um trabalho estressante como aquele onde o profissional não tem controle sobre sua rotina, trabalha longas horas, com prazos não negociáveis e grande volume de trabalho.
O estudo, publicado na revista “Psychological Medicine”, sugere que o empregador precisa fazer mais para proteger a saúde mental dos trabalhadores.
A equipe do King’s College, em Londres, trabalhando com pesquisadores da Dunedin Medical School da University of Otago, na Nova Zelândia, entrevistou homens e mulheres com 32 anos de idade que estão participando de um estudo de longo prazo, o Dunedin Study.
Entre os entrevistados, 14% das mulheres e 10% dos homens que trabalham, sofreram uma primeira crise de depressão ou ansiedade aos 32 anos.
Os pesquisadores concluíram que desses novos casos, 45% estavam associados ao estresse no trabalho.
A coordenadora do estudo, Maria Melchior, epidemiologista do MRC Social, Genetic and Developmental Psychiatry Centre do King’s College London, disse que a idade dos entrevistados é um ponto forte do estudo.
“Esta é uma idade em que os indivíduos estão se firmando em suas carreiras e há menor probabilidade de que optem por trabalhos menos estressantes, como fazem trabalhadores mais velhos.”
O pesquisador da University of Otago Richie Poulton, co-autor do estudo, disse que jovens correm mais risco de sofrer de depressão e ansiedade.
Richie sugere que é importante aliviar o estresse neste grupo, e aponta caminhos:
“Estudos interventivos mostram que há pelo menos duas abordagens produtivas para se reduzir o estresse no trabalho”, ele diz.
“É possível ensinar as pessoas a lidar com situações estressantes por meio de aconselhamento psicológico ou você pode mudar o trabalho de forma a diminuir as pressões.”
Os entrevistados tinham profissões diversas, entre elas a de ator, cirurgião, professor, piloto de helicóptero, lixeiro, jornalista e policial.
Mas segundo o pesquisador Terrie Moffitt, do King’s College, também envolvido no estudo, empregos onde as falhas são mais visíveis, como por exemplo o de um chefe de cozinha de um restaurante, estão entre os que mais exigem do indíviduo.
“No extremo oposto, pessoas que trabalham em casa cuidando de duas ou três crianças têm uma vida mais previsível”, disse Moffitt.
Comentando o estudo, o especialista em psicologia e saúde Cary Cooper, da University of Lancaster, na Inglaterra, disse que empregos estão se tornando cada vez mais estressantes.
“Temos de fazer as pessoas trabalharem com mais flexibilidade, tirando vantagem da tecnologia ao invés de deixá-las no escritório por longas horas”.
“Também temos de fazer o gerente se comportar de um jeito diferente, gerenciar pelo elogio e recompensa ao invés da punição e entender que as pessoas precisam sentir que têm controle sobre seu trabalho”.
Fonte: BBC Brasil
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Risco de morrer justifica fornecimento de remédio
Dever do Estado
O fato de um paciente correr risco de morrer é razão mais do que suficiente para que seja dispensado o processo de licitação ou autorização do orçamento para o estado fornecer um remédio. A tese foi acatada pela 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, por votação unânime. O TJ catarinense determinou o fornecimento do medicamento Luprom 3,7 mg pelo período de três anos para uma criança que sofre de puberdade precoce.
A doença é causada pela liberação prematura de hormônios que afetam os órgãos sexuais. Segundo o desembargador substituto Jaime Ramos, relator do caso, a sentença da Comarca de Blumenau foi reformada apenas para que a paciente comprove periodicamente a necessidade da medicação. A ação foi movida pelo Ministério Público.
Os pais da criança não possuem recursos financeiros suficientes para comprar o remédio e, após solicitar o remédio na Secretaria Estadual de Saúde, tiveram o pedido negado. O argumento foi o de que a paciente não preenche os critérios de inclusão para ser tratada com o remédio.
“Os documentos expedidos pelo médico assistente dela são suficientes para demonstrar a necessidade de usar o medicamento receitado. Aliás, o Estado nem mesmo esclarece quais os ‘critérios de inclusão’ que a paciente deveria satisfazer, já que nenhum outro, além da comprovação da doença, da receita médica e da hipossuficiência financeira seriam exigíveis”, ressaltou o desembargador.
O estado argumentou pela ilegitimidade ativa do MP em propor Ação Civil Pública cujo objetivo visa prestar medicamento apenas para uma criança. Além disso, alegou ausência de previsão orçamentária para a aquisição do remédio. “O Ministério Público pode utilizar-se da Ação Civil Pública na defesa de interesses individuais indisponíveis, desde que estes estejam vinculados à tutela de algum interesse transcendental de toda a sociedade, sendo no caso dos autos o acesso à saúde e a proteção do direito à vida, especialmente de uma criança”, afirma o relator.
Para o relator, ao colocar em risco um bem maior, que é a vida, que a qualquer momento pode sucumbir pela interrupção dos remédios indispensáveis ao controle da doença, há motivo mais do que suficiente para justificar a dispensa do procedimento licitatório e da prévia autorização orçamentária.
Apelação Cível 2007.005127-3
6 de julho de 2007
Fonte: Consultor Jurídico
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Clínica terá que indenizar por fracasso em tratamento
Uma pessoa que opta por uma clínica, para se submeter a um tratamento estético, espera obter o melhor resultado. Com base na relação contratual, disposta no artigo 14, do Código de Defesa do Consumidor, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou uma clínica pelo fracasso de um tratamento.
O cliente apresentou uma crise alérgica, depois de se submeter a uma depilação a laser da barba. A clínica terá que pagar R$ 34.127,04, por danos morais, estéticos e materiais. Cabe recurso.
Segundo a desembargadora Maria Augusta Vaz de Figueiredo, a clínica não conseguiu provar que não foi responsável pelo dano causado ao paciente.
Para a relatora, a alegação de que tomou todas as providências posteriores necessárias à reparação do dano não é capaz de afastar sua responsabilidade. “Haja vista que tais providências por ela adotadas não foram suficientes para anular os efeitos dos danos causados”, explicou.
O cliente teria contratado os serviços da clínica por R$ 2,5 mil. Ele foi submetido a uma entrevista preliminar com um técnico de estética e não por um médico e chegou a informar que tinha foliculite. Logo após a primeira aplicação do laser, apresentou a reação alérgica.
No processo, a vítima contou que não realizou exames prévios necessários ao tratamento e em razão dos problemas apresentados, ficou deprimido, teve seu trabalho prejudicado e manteve distanciamento do meio social.
Argumentou que teve muitos prejuízos, já que trabalhava com turismo e precisava de uma boa aparência. Também afirmou ter gasto com medicamentos e consultas dermatológicas visando a recuperação da pele.
Ele pediu R$ 250 mil de indenização. Na decisão de primeira instância, ficou estipulado o valor de R$ 15 mil. O TJ-RJ reformou a decisão e elevou para R$ 20 mil.
A clínica alegou que o tratamento a laser não causa alergia, já que os produtos utilizados são orgânicos. Afirmou, ainda, que a alergia apresentada pelo cliente foi uma reação exclusiva do corpo dele, sem que a clínica tenha sido responsável.
Apelação Cível 2007.001.18860
1 de julho de 2007
Fonte: Consultor Jurídico
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Pesquisadores eliminam vírus HIV de células infectadas
por Ricardo Bonalume Neto
O vírus causador da Aids costuma ser comparado com ex-marido ou ex-mulher: uma vez que entrou na sua vida, nunca sai mais. Até agora. Uma equipe de quatro pesquisadores na Alemanha conseguiu eliminar de vez o vírus HIV de células infectadas em proveta, abrindo nova possibilidade de que a doença possa um dia ser efetivamente “curada”.
“Embora ainda muito longe de uso clínico, nós especulamos que esse tipo de tecnologia poderá ser adaptado em futuras terapias anti-retrovirais, entre outros usos possíveis”, escreveram os pesquisadores em artigo na edição de hoje da revista “Science” (www.sciencemag.org).
O HIV é um retrovírus e seu material genético é o RNA (ácido ribonucléico), em vez do DNA (ácido desoxirribonucléico) necessário para sua reprodução.
O vírus lida com isso ao usar enzimas para transformar seu RNA em DNA, em seguida integrado-o ao DNA da célula humana infectada para que ela comece a funcionar como uma “fábrica” para produzir novos vírus. Enzimas são substâncias protéicas que constituem verdadeiras caixas de ferramentas dos seres vivos.
As enzimas do HIV estão entre os atuais alvos das terapias, que buscam evitar a entrada do invasor ou a fusão dos materiais genéticos.
O problema, lembram os autores do estudo, é que os tratamentos disponíveis hoje “apenas suprimem o ciclo de vida viral sem erradicar a infecção”; e novas variantes do HIV surgem capazes de resistir às terapias.
A equipe na Alemanha, então, optou por sabotar a fábrica de vírus quando ela já está instalada na célula hospedeira, mas antes que essa “indústria” possa iniciar a sua produção de novos HIV.
Comentando o trabalho, o pesquisador Alan Engelman, do Instituto do Câncer Dana-Farber, de Boston, EUA, diz que a descoberta, por enquanto, deve ser considerada como o primeiro “passo de bebê” na direção certa.
Fonte: Folha de S. Paulo
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Saúde: Depressão nervosa - sintomas e tratamento
As causas da depressão nervosa são inúmeras e controversas. Acredita-se que a genética, alimentação, estresse, drogas e outros fatores estão relacionados com o surgimento da doença. Muitas pessoas associam a depressão com o estado de humor e acham que podem se curar sozinhas. Isso faz com que não encarem a depressão como uma doença e não procurem ajuda médica. É também chamada de transtorno depressivo maior e é um problema médico caracterizado por continuada alteração no humor e pela falta de interesse em atividades prazerosas. Estima-se que cerca de 15 a 20% da população mundial em algum momento da vida sofreu de depressão. A ocorrência em mulheres é o dobro da ocorrência em homens.
Alguns sintomas de depressão são:
- Cansaço e perda de energia
- Sentimento de tristeza persistente
- Diminuição do interesse e prazer em atividades que antes eram prazerosas
- Problemas de auto-confiança e auto-estima
- Dificuldade de concentração e de tomar decisões
- Sentimentos de culpa, desesperança, desamparo, solidão, ansiedade ou inutilidade
- Alterações no sono; dificuldades em adormecer; acordar muito mais cedo do que o habitual; dormir em excesso ou ter pesadelos freqüentes
- Isolamento: evitar outras pessoas, inclusive amigos íntimos ou familiares
- Perda de apetite com diminuição do peso ou compulsão alimentar
- Perda do desejo sexual
- Pensamentos de suicídio e morte
- Inquietação e irritabilidade
- Agressão ou auto-agressão
- Mudanças na percepção do tempo
- Acessos de choro
- Desatenção à própria higiene
- Medo e angústia freqüentes
Medicamentos como betabloqueadores, corticosteróides, anti-histamínicos, analgésicos e anti-parkinsonianos podem causar depressão, bem como a retirada de qualquer medicação utilizada a longo prazo.
São exemplos de tratamentos comuns para a depressão a medicação, a terapia, os suplementos alimentares e a correção do sistema craneo sacral. O tratamento geralmente envolve uma medicação antidepressiva receitada por pelo menos alguns meses e algumas vezes acompanhada de psicoterapia.
Sabe-se hoje que a depressão é associada a um desnível de certas substâncias químicas no cérebro e os principais medicamentos antidepressivos têm por função principal agir no restabelecimento dos níveis normais destas substâncias, principalmente a serotonina. Sabe-se também que praticar exercícios regularmente e participar de atividades desportivas e sociais pode ajudar o paciente a superar os sintomas da depressão. A atividade física a longo-prazo, controlada por profisionais, está associada a redução do nível de depressão.
Para saber mais leia o artigo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre a Depressão:
UNIFESP | Depressão
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Planos Bresser e Verão: Justiça considera legal contratação de escritório pela Nossa Caixa
Meu tema é direitos humanos e doenças epidêmicas, e eu vou tratar da questão da AIDS. Estou convencido de que a AIDS é uma doença revolucionária. Ela recoloca de forma radical para a nossa sociedade, tanto brasileira quanto internacional, uma série de problemas vitais que durante muito tempo tentamos ignorar. Nossa cultura foi se afastando do real e tenta ignorá-lo, ao invés de desafiá-lo. A medicina moderna foi criando uma idéia de onipotência e nos dizia, de forma indireta, que todas as doenças eram curáveis e que finalmente a morte não podia existir. A cultura ocidental moderna não só passou a ignorar a morte como tenta negá-la sob todas as pessoas e com todos os artifícios. Poucas são as pessoas que enfrentam a morte como seu cotidiano, como algo natural. Na nossa cultura, a morte não existe. E a medicina se imbuiu da idéia, transmitida através da tecnologia e do avanço científico, de que nós estávamos a pique de superar a morte. Dentro dessa visão, todas as doenças são tratáveis, todas as enfermidades são curáveis. Num determinado momento, a ciência moderna começou até mesmo a pensar que a eternidade estava ao alcance da humanidade. Estávamos já tratando o câncer como a última doença mortal. De alguma maneira, havia no horizonte de cada um de nós a seguinte expectativa: o dia em que descobrirem a cura do câncer marcará o fim das doenças mortais.
E eis que surge um vírus, o HIV, que se esconde no sistema imunitário, nas células que definem, articulam, constroem o sistema imunitário. E ao se instalar nesse sistema o desarma, fazendo com que a pessoa passe a ser absolutamente vulnerável a qualquer ataque externo. E está produzindo o pânico do século XX. Um sistema imunitário desarmado é a doença mais espetacular produzida ao longo da história da humanidade.
A AIDS se apresenta como absolutamente mortal e epidêmica. No Brasil, hoje, a cada dez meses, dobram os casos de AIDS. Tomando como base três mil casos registrados no Brasil - subnotificados, obviamente, porque devemos ter cinco ou seis mil casos -, façamos esse exercício: dobremos a cada dez meses; em seis anos chegaremos à casa dos milhões, não de pessoas contaminadas, mas de pessoas com manifestação de AIDS. Então, essa dimensão epidêmica que existe em nível de Brasil e em nível mundial, como que produz uma consciência de pânico. A humanidade, se não encontrar nos próximos seis ou sete anos a cura ou a vacina, pode estar condenada a um processo de extermínio por este vírus. Segundo pesquisas, alguns países da África já estão nesse quadro, pois 20% a 30% da população apresentam manifestação de AIDS ou se encontram contaminadas pelo vírus.
Esse vírus, sob todos os aspectos, apareceu de forma espetacular, mortal, com manifestação rápida, fulminante, sem cura. E, até o presente momento, sem nenhum meio de ataque direto que possa destruí-lo. Ele se transmite através da relação sexual que, queiramos ou não, é vital para a humanidade e é universal, e na nossa cultura está marcada por todo tipo de preconceito, culpabilidade, pecado, danação, inferno. Ele veio relacionado também ao sangue, que é outro elemento universal na cultura da humanidade; o sangue está na nossa cultura sob mil formas, há pessoas que entram em pânico quando o vêem, embora seja parte constitutiva da nossa realidade. E o vírus se transmite, fundamentalmente, pelo sangue. Mesmo quando segue através do esperma, é porque o esperma contaminado entra na corrente sanguínea. Então, este é o vírus que adora o sangue, mata-nos através do sangue.
Mas a AIDS vem também marcada por várias outras questões: o racismo, por exemplo. Quando o vírus foi descoberto, logo se buscou o culpado, e o culpado era o negro africano, a AIDS teria vindo do Haiti. Depois se descobriu que mais americanos iam ao Haiti que haitianos aos EUA, logo se abandonou em parte essa idéia. Nela, o culpado era a África, os africanos teriam sido contaminados, através de suas relações com o macaco, passando esse vírus para o resto da humanidade. O racismo ensaiou seus passos na questão da AIDS, resistiu por uns três anos, e só recentemente, com o fracasso de todas as teorias que tentaram explicar a AIDS como resultado dos “seres inferiores africanos”, essa tese caiu por terra. A AIDS vinha dizer assim: “Convençam-se de que todos são mortais”. E uma nova doença voltou a revelar para o século XX que a morte é absolutamente inevitável.
Bastavam esses quatro elementos para definir a AIDS como extremamente revolucionária e explosiva. Se compararmos o número de suas vítimas e o pânico existente em torno dela, não há a menor proporção. Mas eu penso, estou convencido, de que existe uma razão objetiva e subjetiva para esse pânico. É que de fato estamos diante de uma epidemia mundial, que só será vencida pelo desenvolvimento científico, pela mudança de comportamento de alguns setores da população e pela intervenção da sociedade e do Estado, de forma radical e enérgica, no controle do sangue em nível mundial. Mas eu queria ainda fazer referência a algo que a AIDS desvelou no mundo contemporâneo: a questão dos preconceitos que essa sociedade guarda em relação às pessoas. Eu, quando decidi falar aberta e publicamente que estava contaminado pelo vírus da AIDS, sabia que podia dizer isso como hemofílico, que fui contaminado através de transfusões de sangue, mas eu já havia presenciado a morte e a tragédia de várias outras pessoas, que morreram de AIDS, que tiveram que morrer clandestinamente porque eram homossexuais ou drogados. E esses homossexuais e drogados haviam incorporado a culpabilidade, a discriminação da sociedade em relação a eles, e assumido isso de tal maneira, que preferiam a morte anônima a lutar pelos seus direitos.
Uma vez fui procurado por uma jovem que me disse o seguinte: “Meu irmão é funcionário de uma empresa estatal, ele tem AIDS e não consegue se tratar em nenhum hospital: meu pai e eu é que temos que cuidar dele. Os hospitais se recusam, e a empresa não dá a menor assistência”. Então, falei: “Se você quiser, nesse exato momento, vamos chamar a televisão, as rádios, os jornalistas e fazer essa denúncia”. Ela respondeu: “Mas isso pode prejudicar meu irmão”. E eu: “Minha amiga, você não disse que seu irmão está em estado terminal, morrendo?” “É”. “E o que mais ele pode perder? Ele não vai morrer?” Ela disse: “É, ele vai morrer, mas eu tenho que pensar”. Logo falei: “Bom, você pense e me diga: no momento que você quiser, vamos denunciar essa empresa estatal que está discriminando uma pessoa doente, por abuso e discriminação”. Vinte dias depois, fui chamado pela mesma pessoa, que me disse: “Eu queria te agradecer porque fui conversar com a direção da empresa, exigi tratamento, disse que denunciaria essa discriminação e hoje meu irmão está morrendo com conforto, num hospital, com apartamento, com ar refrigerado, com tudo que ele tem direito”. Essa pessoa se sentia feliz porque seu irmão estava morrendo em paz.
Conhecendo esse e vários outros casos, percebi que a AIDS estava revelando, de forma trágica, o modo como a nossa sociedade discrimina as pessoas, discrimina o homossexual, discrimina a relação sexual, discrimina a privacidade das pessoas, o direito de existir da forma como a sua consciência julga ser necessário, ou de acordo com seus sentimentos ou com a sua vontade. E que ainda descarrega sua discriminação sobre a cabeça e as consciências dessas pessoas. E o mais trágico é que muitas delas internalizam essa discriminação e morrem na clandestinidade, sem lutar pelos seus direitos mais elementares, como, por exemplo, o direito de morrer em paz. Se não o de viver, mas o de morrer em paz.
Essa talvez tenha sido uma das experiências mais difíceis para mim. Eu presenciava o fato em homossexuais, drogados, ou o que fosse, e estava diante das pessoas, não diante de objetos da minha condenação moral. Ao mesmo tempo, meus dois irmãos manifestavam a doença. E estávamos enfrentando esse problema ainda como clandestinos. Foi então que decidi sair da clandestinidade. Já havia vivido assim durante cinco anos, clandestino na ditadura militar; para mim era o suficiente. É inadmissível que alguém sofra por um vírus, uma doença, uma enfermidade, e que, além disso, além de ter de enfrentar a morte, ainda precise se esconder da sociedade e dos seus irmãos e irmãs. E a experiência que eu vivi ao dizer que era hemofílico e estava contaminado por AIDS, e que meus irmãos também estavam, é uma experiência extremamente positiva. Para mim e pelo menos para mais um, porque o outro irmão provavelmente não tem condições de perceber o que está acontecendo com ele. Ao romper a clandestinidade, ao denunciar a discriminação, recebi muita solidariedade.
Solidariedade de amigos recentes, amigos de muito tempo, mas também de pessoas completamente desconhecidas, que nunca me viram, que nunca souberam nada a meu respeito, que me encontram na rua e demonstram apoio e afeto. Então, descobri também isso, que quando a gente aposta na dimensão negativa, a gente colhe a dimensão negativa. O pessimista sempre colhe a desgraça. Agora, quando se aposta na dimensão positiva, na solidariedade, também se colhe a dimensão positiva. Acho que é uma coisa perigosíssima admitirmos, em princípio, que as pessoas são ruins, que são más, egoístas e covardes. Acho que devemos partir do princípio oposto, e apostar nisso. E tomar o resto como exceção e não como regra. Há um caso ilustrativo. Meu filho de 05 anos e meio brincava sempre com duas crianças e, quando eu saí na televisão, no jornal ou no rádio, os dois amiguinhos desapareceram de nossa casa. Minha esposa pressentiu algum problema. A primeira reação nossa foi de profunda tristeza. Discriminar a mim que tenho 52 anos não me incomoda muito, mas discriminar uma criança de 05 anos e meio é triste. Triste e inadmissível. Decidimos chamar a família, o pai e a mãe das duas crianças, e eles vieram. Sentamos e dissemos: “Olha, nós sabemos que vocês devem estar preocupados com os filhos de vocês: é justo; todo pai e toda mãe se preocupam com os filhos, com a saúde deles, mas queremos dizer a vocês algumas coisas”. Então demos, durante uma hora, mais ou menos, um curso prático sobre hemofilia, transfusão de sangue, contaminação genética. Falamos que nosso filho não é hemofílico, portanto não toma transfusão de sangue, portanto não está contaminado. Depois, mais meia hora sobre AIDS, as formas de contaminação, as formas de transmissão, como se transmite, como não transmite. E os dois escutavam muito atentamente e, depois dessa conversa, já estavam querendo saber sobre outras coisas, sobre onde tínhamos estado no exílio, curiosos sobre outras dimensões de nossa vida. Após duas horas de conversa, toda a questão estava resolvida. No outro dia cedo, as duas crianças amigas já estavam lá em casa, brincando com o nosso filho. E continuam brincando até hoje.
Esse exemplo só nos mostrou o seguinte: a passividade, o pessimismo, a entrega ao que existe de pior, só reproduz o pior. Se não tivéssemos conversado com aquela família, provavelmente as crianças não estariam brincando com nosso filho. Mas, depois da conversa, da informação, da abertura, da confiança na capacidade deles de entender a questão e enfrentá-la, a situação mudou. Não quero dizer que todos vão ter condições de viver e de proceder como nós. A situação para os homossexuais é muito difícil, mas é possível fazer alguma coisa.
Partindo da experiência pessoal, quero dizer o seguinte: a AIDS está produzindo um verdadeiro strip-tease da nossa sociedade, dos nossos valores, da nossa cultura, assim como do sistema de saúde em nosso país. Aqui, o sistema de saúde não existe para a prevenção. É um sistema da cura, da morte e do comércio. Desde há muito deficiente, foi destruído ao longo desses vinte e tantos anos de ditadura. Na verdade, nunca tivemos uma política séria de saúde pública, que estivesse voltada para interesses da população.
Eu já disse que a AIDS era a ponta de um iceberg , porque é a ponta mais dramática, mais visível. Mas logo a seguir vem uma série de doenças endêmicas que poderiam ter sido absolutamente eliminadas do país, com pouco investimento e pouco recurso, e que até hoje não o foram, para vergonha nossa. O Brasil é um país tuberculoso, um país com doença de Chagas, com lepra, com esquistossomose e uma série de outras enfermidades que atingem a milhões de pessoas, sem contar aquelas que morrem sem estar doentes, porque morrem de fome. É o caso da mortalidade infantil no Nordeste e também (por que não?) nas periferias das nossas capitais. Há, porém, a consciência política de que não temos um sistema de saúde, mas de doença e comércio - exatamente esse comércio que produziu a calamidade do sangue, transformando-o em mercadoria e hoje transmitindo a morte, através da transfusão, pela AIDS, Hepatite B e várias outras doenças. Essa situação tem muito mais a ver com política e cidadania e direitos humanos do que com qualquer outra coisa. Nessa luta relacionada à AIDS tive uma revelação fantástica: descobri que o principal problema de saúde do Brasil era o ministro da Saúde. Ele, um ministro da Saúde de um país que ocupa o 2º lugar do mundo em casos absolutos de AIDS, nunca entendeu o que é uma epidemia, tendo tido a coragem de dizer que não importava AZT porque o Brasil tinha que fazer pesquisa científica para comprovar sua eficiência e proteger o consumidor. Isso quando sabemos que esse mesmo ministro permite a importação e o uso, aqui no Brasil, de drogas condenadas no mundo inteiro.
Outro exemplo de como a gente enfrenta obstáculos onde não deveria haver, foi quando o diretor da Cacex, perguntado pelo jornalista se importaria o
