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Primeiro Capítulo: O Guardião de Memórias | Kim Edwards
Livro: O Guardião de Memórias
Brasil | World
- 1 -
Março de 1964
A neve começou a cair horas antes de ela entrar em trabalho de parto. Primeiro alguns flocos, no céu cinzento e opaco do fim de tarde, depois volteios e redemoinhos impelidos pelo vento ao redor das quinas da ampla varanda frontal. Ele parou ao lado da mulher, à janela, observando as rajadas abruptas de neve sucederem-se em ondas, rodopiarem e caírem no chão. Em todo o bairro acenderam-se as luzes e os galhos nus das árvores embranqueceram.
Depois do jantar, ele acendeu a lareira, aventurando-se na nevasca para buscar lenha do monte que empilhara junto à garagem no outono anterior. O ar penetrante e frio bateu-lhe no rosto, e a neve na entrada da garagem já chegava a meia altura de seus joelhos. Ele juntou algumas toras, sacudindo a camada macia e branca que as cobria, e as levou para dentro. Os gravetos sobre a grelha pegaram fogo imediatamente e, por algum tempo, ele ficou sentado junto à lareira, pernas cruzadas, acrescentando toras e observando o saltitar das chamas, azuladas e hipnóticas. Lá fora a neve continuava a cair silenciosamente na escuridão, tão brilhante e densa como estática nos cones de luz formados pelos postes de iluminação. Quando se levantou e olhou pela janela, seu carro se transformara numa colina branca e fofa à beira da calçada. Suas pegadas na entrada da garagem já tinham desaparecido.
Ele sacudiu as cinzas das mãos e se sentou no sofá ao lado da mulher, que tinha os pés apoiados em almofadas, cruzando os tornozelos inchados, e um exemplar do livro do Dr. Spock equilibrado sobre a barriga. Absorta, ela lambia a ponta do dedo indicador, distraída, a cada vez que virava uma página. Tinha mãos delgadas, de dedos curtos e firmes, e mordiscava o lábio inferior, concentrada, enquanto lia. Ao observá-la, ele sentiu uma onda de amor e deslumbramento: por ela ser sua esposa e pelo fato de seu bebê, esperado dali a apenas três semanas, estar prestes a nascer. Seria o primeiro filho. Fazia só um ano que estavam casados.
Ela ergueu os olhos, sorridente, quando o marido ajeitou o cobertor em volta de suas pernas.
– Sabe, andei pensando em como deve ser… – disse. – Quero dizer, antes de nascermos. É uma pena a gente não se lembrar.
Abriu o roupão e levantou o suéter que usava por baixo, revelando uma barriga redonda e dura como um melão. Passou a mão pela superfície lisa, enquanto a luz do fogo brincava em sua pele, lançando em seu cabelo um tom de ouro avermelhado.
– Você acha que é como estar dentro de uma grande lanterna? O livro diz que a luz atravessa minha pele, que o bebê já consegue enxergar.
– Não sei – disse ele.
A mulher riu.
– Por que não? – perguntou. – O médico é você.
– Sou apenas um cirurgião ortopedista – lembrou-lhe o marido. – Poderia explicar o padrão de ossificação dos ossos fetais, mas só isso.
Levantou o pé da mulher, delicado e inchado dentro da meia azul-clara, e começou a massageá-lo de leve: o tarso possante do calcanhar, os metatarsos e as falanges, escondidos sob a pele e sob a densa camada de músculos, como um leque prestes a se abrir. A respiração dela enchia a sala silenciosa, o pé aquecendo-se nas mãos do marido, e ele imaginou a simetria perfeita, secreta, dos ossos. Na gravidez, sua mulher lhe parecia linda, mas frágil, com as finas veias azuis transparecendo vagamente na pele alva e pálida.
Tinha sido uma gestação excelente, sem nenhuma restrição médica.Mesmo assim, já se iam vários meses sem que ele conseguisse fazer amor com a mulher. Em vez disso, descobria-se querendo protegê-la, carregá-la nas escadas, envolvê-la em cobertores, levar-lhe xícaras de creme de ovos. Não estou inválida, ela sempre protestava, rindo. Não sou um filhote de passarinho que você tenha encontrado na grama. Apesar disso, gostava das gentilezas do marido. Às vezes, ele acordava e a observava durante o sono: o tremor das pálpebras, o movimento lento e ritmado do peito, a mão estendida, tão miúda que ele conseguia envolvê-la completamente com a sua.
Ela era 11 anos mais moça. Fazia pouco mais de um ano que ele a vira pela primeira vez, subindo uma escada rolante de uma loja de departamentos no centro da cidade, num sábado cinzento de novembro em que saíra para comprar gravatas. Ele tinha 33 anos e era novo em Lexington, no Kentucky, e a moça havia emergido da multidão como uma espécie de visão, com o cabelo louro penteado para trás e preso num coque elegante, pérolas reluzindo no pescoço e nas orelhas. Ela usava um mantô de lã verde-escuro e tinha a pele clara e pálida. Ele subiu a escada, abrindo caminho pela aglomeração e se esforçando para não perdê-la de vista. A moça foi para o quarto andar: lingerie e meias. Quando ele tentou segui-la por entre os corredores repletos de araras cheias de anáguas, sutiãs e calcinhas, todos com um brilho suave, uma vendedora de vestido azul-marinho com gola branca o deteve, sorrindo, perguntando em que poderia servi-lo. Um roupão, disse ele, vasculhando os corredores até avistar o cabelo da moça, um ombro verde-escuro e a cabeça inclinada, que revelava a curva elegante e pálida de sua nuca. Um roupão para minha irmã que mora em Nova Orleans. Ele não tinha irmã, é claro, nem qualquer parente vivo que conhecesse.
A vendedora desapareceu e voltou um instante depois, com três roupões de tecido felpudo e grosso. Ele escolheu às cegas, quase sem baixar os olhos, pegando o do topo da pilha. Temos três tamanhos, dizia a vendedora, e haverá uma variedade maior de cores no mês que vem.Mas ele já seguia pelo corredor, com um roupão cor de coral pendurado no braço e os sapatos rangendo no piso de lajotas, enquanto se deslocava com impaciência por entre os outros clientes, em direção ao local em que ela havia parado.
A moça estava examinando as pilhas de meias caras, cujas cores transparentes reluziam pelas aberturas brilhosas de celofane: castanho, azul-marinho, um marrom-escuro como sangue de porco. A manga de seu casaco verde tocou-o de leve e ele sentiu seu perfume, suave mas penetrante, como as pétalas densas e pálidas dos lilases fora da janela do quarto de estudante que ele um dia ocupara em Pittsburgh.As janelas de seu apartamento no porão estavam sempre sujas, cobertas pela fuligem e pelas cinzas da siderúrgica, mas na primavera havia lilases em flor, borrifos brancos e purpúreos no vidro, e o aroma invadia o aposento como a luz.
Ele pigarreou – mal conseguia respirar – e levantou o roupão felpudo, mas a vendedora atrás do balcão estava rindo, contando uma piada, e não o notou. Quando tornou a pigarrear, a mulher o olhou de relance, irritada, e fez sinal com a cabeça para sua freguesa, que nesse momento segurava nas mãos três embalagens finas de meias, como cartas de baralho gigantes.
– Creio que a Srta. Asher chegou aqui primeiro – disse a vendedora, fria e altiva.
Foi quando os olhos dos dois se encontraram, e ele ficou surpreso ao ver que os da jovem eram do mesmo tom verde-escuro de seu mantô. Ela o estava avaliando – o sólido sobretudo de tweed, o rosto escanhoado e avermelhado pelo frio, as unhas bem aparadas. Sorriu, divertida e meio desdenhosa, apontando para o roupão em seu braço.
– Para sua mulher? – indagou. Falava com o que ele reconheceu ser um sotaque refinado do Kentucky, numa cidade de velhas fortunas em que essas distinções tinham peso. Depois de apenas seis meses na cidade, ele já sabia disso. – Está tudo bem, Jean – prosseguiu a jovem, tornando a se virar para a vendedora. – Pode atendê-lo primeiro. Esse pobre homem deve estar se sentindo perdido e sem graça com toda essa renda aqui.
– É para minha irmã – disse ele, aflito por desfazer a má impressão que estava causando. Isso já lhe acontecera várias vezes na cidade; era afoito ou direto demais e ofendia as pessoas. O roupão caiu e ele se abaixou para pegá-lo, enrubescendo ao levantar. As luvas da moça estavam sobre o vidro do balcão e suas mãos se cruzavam de leve ao lado delas. O constrangimento do homem pareceu abrandá-la, pois, quando os olhos voltaram a se encontrar, os dela se mostraram gentis.
Ele tentou de novo:
– Desculpe. Parece que não sei o que estou fazendo. E estou com pressa. Sou médico. Estou atrasado para o hospital.
Nesse momento, o sorriso dela se modificou, tornou-se sério.
– Entendo – disse, e se voltou de novo para a vendedora. – Jean, por favor, atenda-o primeiro, sim?
Concordou em vê-lo de novo, escrevendo seu nome e telefone com a letra perfeita que aprendera na terceira série, cuja professora era uma ex-freira que havia imprimido em seus pequenos pupilos as regras da caligrafia. Toda letra tem um formato, ela lhes dizia, um único formato no mundo, e nenhum outro, e é sua responsabilidade fazer com que ele seja perfeito. Aos oito anos, pálida e magrela, a mulher de mantô verde que viria a ser sua esposa havia agarrado a caneta entre os dedinhos e praticado a letra cursiva, sozinha em seu quarto, hora após hora, até escrever com a fluência requintada da água corrente. Tempos depois, ao ouvir essa história, ele a imaginaria com a cabeça inclinada sob o abajur, com os dedos dolorosamente apertados em volta da caneta, e se admiraria com a perseverança dela, com sua crença na beleza e na voz autoritária da ex-freira. Nesse primeiro dia, porém, não sabia de nada disso. Carregou o pedaço de papel no bolso do jaleco branco, de um quarto de doente para outro, rememorando as letras dela a fluírem até desenhar a forma perfeita de seu nome. Telefonou-lhe na mesma noite, levou-a para jantar na seguinte e, três meses depois, os dois estavam casados.
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+ Veja também:
Lista de livros (leitura obrigatória) para o vestibular
A Cidade e as Serras | Eça de Queirós
A Rosa do Povo | Carlos Drummond de Andrade
Auto da Barca do Inferno | Gil Vicente
Dom Casmurro | Machado de Assis
Iracema | José de Alencar
Memórias de um Sargento de Milícias | Manuel Antônio de Almeida
Poemas Completos de Alberto Caeiro | (heterônimo de Fernando Pessoa)
Sagarana | João Guimarães Rosa
Vidas Secas | Graciliano Ramos
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+ Veja também:
Primeiro Capítulo: Uma Breve História do Mundo | Geoffrey Blainey
Livro: Uma Breve História do Mundo
(A Short History of the World)
Brasil | World
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Vindos da África
Há 2 milhões de anos, eles viviam na África e eram poucos. Eram seres quase humanos, embora tendessem a ser menores que seus descendentes que hoje povoam o planeta. Andavam eretos e subiam montanhas com enorme habilidade.
Alimentavam-se principalmente de frutas, nozes, sementes e outras plantas comestíveis, mas começavam a consumir carne. Seus implementos eram primitivos. Se eram bem-sucedidos em dar forma a uma pedra, não iam muito longe com a modelagem. É provável que usassem um pedaço de pau para defesa ou ataque, ou até mesmo para escavar, caso surpreendessem um roedor escondendo-se em um buraco. Não se sabe se construíam abrigos feitos de arbustos e de pedaços de pau para se protegerem do vento frio no inverno. Não há dúvida de que alguns moravam em cavernas – quando podiam ser encontradas –, mas uma residência permanente teria restringido bastante a necessária mobilidade para encontrar alimento suficiente. Para viver do que a terra oferecia, precisavam fazer longas caminhadas a lugares onde sementes e frutas pudessem ser encontradas. Sua dieta era resultado de uma série de descobertas, feitas ao longo de centenas de milhares de anos. Uma das mais importantes estava em saber se uma planta, aparentemente comestível, não era venenosa; explorando novos lugares à procura de novos alimentos em tempos de seca e carestia, alguns devem ter morrido por envenenamento.
Há 2 milhões de anos, esses seres humanos, conhecidos como hominídeos, viviam principalmente nas regiões dos atuais Quênia, Tanzânia e Etiópia. Se dividirmos a África em três zonas horizontais, a raça humana ocupava a zona central, ou zona tropical, constituída principalmente de pastos. Uma mudança no clima, cerca de um ou dois milhões de anos antes, que fez com que em certas regiões os pastos tenham substituído boa parte das florestas, pode ter incentivado esses hominídeos a, gradualmente, descendo das árvores, deixar a companhia de seus parentes, os macacos, e passar mais tempo no chão.
Eles já acumulavam uma longa história, embora não tivessem nenhuma memória ou registro disso. Falamos hoje do grande espaço de tempo que se passou desde a construção das pirâmides do Egito, mas esse período representa um simples piscar de olhos se comparado à longa história que a raça humana já viveu. Na Tanzânia, descobriu-se um registro primitivo pelo qual se conclui que dois adultos e uma criança caminhavam sobre cinza vulcânica amolecida por uma chuva recente. A seguir, suas pegadas foram cozidas pelo sol e, aos poucos, foram cobertas por camadas de terra; as pegadas, definitivamente humanas, têm pelo menos 3,6 milhões de anos. Até mesmo isso é considerado um fato recente na história do mundo contemporâneo: os últimos dinossauros foram extintos há cerca de 64 milhões de anos.
No leste da África, os primeiros humanos costumavam acampar às margens dos lagos e dos leitos arenosos de rios ou em campinas: nesses locais, foram encontrados alguns restos deixados por eles. Conseguiam adaptar-se a climas mais frios e, na Etiópia, preferiam os planaltos abertos, a uma altitude de 1.600 ou 2.000 metros acima do nível do mar. Nas florestas sempre verdes das regiões montanhosas, também sentiam-se em casa; sua adaptabilidade era impressionante.
De modo geral, na impiedosa competição por sobreviver e multiplicar-se, os humanos tiveram sucesso. Nas regiões da África que habitavam, eram em número bem menor que as espécies de grandes animais, alguns deles agressivos; ainda assim, os humanos prosperaram. Talvez as populações tenham se tornado muito numerosas para os recursos dis poníveis na região ou tenha havido um longo período de seca, e isso os tenha levado para o norte. Há forte indício de que, em algum momento dos últimos dois milhões de anos, eles tenham começado a migrar mais para o norte. O maior deserto do mundo, que se estende do noroeste da África para além da Arábia, pode, por algum tempo, ter impedido seu avanço. A estreita faixa de terra entre a África e a Ásia Menor, contudo, podia ser facilmente atravessada.
Moviam-se em pequenos grupos: eram exploradores e colonizadores. Em cada região desconhecida, tinham de adaptar-se a novos alimentos e precaver-se contra animais selvagens, cobras e insetos venenosos. Os que abriam caminho conseguiam uma certa vantagem, pois os seres humanos, adversários implacáveis dos invasores de território, não estavam lá para atrapalhar seu caminho.
Era mais uma corrida de revezamento do que uma longa caminhada. É possível que um grupo de talvez 6 ou 12 pessoas avançasse uma pequena distância e decidisse se estabelecer naquele lugar. Outros vinham, passavam por cima delas ou impeliam-nas para outro lugar. O avanço pela Ásia pode ter levado de 10 mil a 200 mil anos. Montanhas tinham de ser escaladas; pântanos, vencidos. Rios largos, gelados e de forte correnteza tinham de ser atravessados. Será que eles atravessavam esses rios em seus pontos mais rasos, nas estações muito secas, ou nos pontos mais próximos às nascentes, antes que o leito se tornasse largo demais? Será que os exploradores sabiam nadar? Não sabemos as respostas. À noite, em terreno desconhecido, era preciso selecionar um abrigo ou um lugar com um mínimo de segurança. Sem a ajuda de cães de guarda, cabia a eles manter vigilância sobre animais selvagens que vinham caçar durante a noite.
No decorrer dessa longa e lenta migração, a primeira de muitas na história da raça humana, esses povos originários dos trópicos avançaram para territórios bem mais frios, jamais conhecidos por qualquer de seus ancestrais. Não se sabe ao certo se conseguiam aquecer-se ao fogo nas noites frias. É provável que quando um raio caía nas proximidades, ateando fogo à vegetação, eles apanhassem um galho em chamas e o transportassem para outro lugar. Quando o galho estava quase todo queimado e o fogo por se extinguir, juntavam-lhe outro galho. O fogo era tão valioso que, uma vez obtido, era tratado com desvelo; ainda assim, o fogo podia extinguir-se por descuido, apagar-se sob uma chuva forte ou por falta de madeira seca ou gravetos. Enquanto conseguiam manter o fogo, devem tê-lo levado em suas viagens como um objeto precioso, como faziam os primeiros nômades australianos.
A habilidade de produzir fogo, em vez de obtê-lo ao acaso, veio bem mais tarde na história humana. Com o tempo, os humanos conseguiram produzir uma chama através do atrito e do calor provocados ao esfregarem-se dois pedaços de madeira seca. Podiam, também, triscar um pedaço de pirita ou outra rocha adequada e, assim, provocar uma faísca. Em ambos os processos, eram necessários gravetos muito secos e o domínio da arte de soprar delicadamente sobre os gravetos em chamas
O emprego habilidoso do fogo, resultado de muitas idéias e experiências durante milhares de anos, é uma das conquistas da raça humana. A genialidade da maneira com que era empregado pode ser vista na forma de vida que sobreviveu até o século 20, em algumas regiões remotas da Austrália. Nas planícies desanuviadas do interior, os aborígines acendiam pequenas fogueiras para enviar sinais de fumaça, uma forma inteligente de telégrafo. Usavam o fogo também para cozinhar, para se aquecer e para forçar os animais a sair das tocas (enchendo-as de fumaça). O fogo era a única iluminação à noite, exceto quando uma lua cheia lhes dava luz para suas cerimônias de dança. Era usado para endurecer os pedaços de pau usados para cavar, para modelar madeira com a qual eram feitas as lanças e para cremar os mortos. Era usado, ainda, para gravar marcas cerimoniais na pele humana e para afastar as cobras do capim perto dos acampamentos. Era um eficaz repelente de insetos e era usado por caçadores para queimar o capim em sistema de mosaicos em certas ocasiões do ano e, assim, incentivar novo crescimento, quando viessem as chuvas. Eram tão numerosos os usos do fogo que, até recentemente, foi a ferramenta de maior utilidade da raça humana.
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+ Veja também:
nos Estados Unidos
Mai 11, 2008

Ficção
1. SUNDAY AT TIFFANY’S
James Patterson
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
2. THE WHOLE TRUTH
David Baldacci
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
3. TWENTY WISHES
Debbie Macomber
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
4. HOLD TIGHT
Harlan Coben
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
5. UNACCUSTOMED EARTH
Jhumpa Lahiri
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
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Não-Ficção
1. THE REVOLUTION: A MANIFESTO
Ron Paul
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
2. A WOLF AT THE TABLE
Augusten Burroughs
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
3. ARE YOU THERE, VODKA? IT’S ME, CHELSEA
Chelsea Handler
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
4. HOME
Julie Andrews
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
5. ESCAPE
Carolyn Jessop & Laura Palmer
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
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Auto-Ajuda
1. THE LAST LECTURE (A Lição Final)
Randy Pausch & Jeffrey Zaslow
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
2. JUST WHO WILL YOU BE?
Maria Shriver
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
3. THE SECRET (O Segredo)
Rhonda Byrne
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
4. THE SOUTH BEACH DIET SUPERCHARGED
Arthur Agatston
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
5. THE ONE MINUTE ENTREPRENEUR
Ken Blanchard
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
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Ficção
01. O SILÊNCIO DOS AMANTES
LYA LUFT
02. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
MARKUS ZUSAK
03. O CAÇADOR DE PIPAS
KHALED HOSSEINI
04. A CIDADE DO SOL
KHALED HOSSEINI
05. UMA VIDA INVENTADA
MAITÊ PROENÇA
06. O GUARDIÃO DE MEMÓRIAS
KIM EDWARDS
07. A SOMBRA DO VENTO
CARLOS RUIZ ZAFÓN
08. A CONSPIRAÇÃO FRANCISCANA
JOHN SACK
09. LA BODEGA
NOAH GORDON
10. CREPÚSCULO
STEPHENIE MEYER

Não-Ficção
01. 1808
LAURENTINO GOMES
02. O SEGREDO
RHONDA BYRNE
03. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
GEOFFREY BLAINEY
04. O MONGE E O EXECUTIVO
JAMES C. HUNTER
05. CASAIS INTELIGENTES ENRIQUECEM JUNTOS
GUSTAVO CERBASI
06. BEM-VINDO À BOLSA DE VALORES
MARCELO C. PIAZZA
07. OS SEGREDOS DA MENTE MILIONÁRIA
T. HARV EKER
08. COMER, REZAR, AMAR
ELIZABETH GILBERT
09. VALE TUDO: TIM MAIA
NELSON MOTTA
10. MARLEY E EU
JOHN GROGAN
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+ Veja também:
nos Estados Unidos
Mai 04, 2008
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Ficção
1. THE WHOLE TRUTH
David Baldacci
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
2. HOLD TIGHT
Harlan Coben
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
3. THE MIRACLE AT SPEEDY MOTORS
Alexander McCall Smith
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
4. UNACCUSTOMED EARTH
Jhumpa Lahiri
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
5. WHERE ARE YOU NOW?
Mary Higgins Clark
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
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Não-Ficção
1. ARE YOU THERE, VODKA? IT’S ME, CHELSEA
Chelsea Handler
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
2. ESCAPE
Carolyn Jessop & Laura Palmer
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
3. HOME
Julie Andrews
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
4. BEAUTIFUL BOY
David Sheff
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
5. MISTAKEN IDENTITY
Don & Susie Van Ryn & Whitney Cerak
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
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Auto-Ajuda
1. THE LAST LECTURE (A Lição Final)
Randy Pausch & Jeffrey Zaslow
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
2. JUST WHO WILL YOU BE?
Maria Shriver
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
3. THE SECRET (O Segredo)
Rhonda Byrne
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
4. THE 4-HOUR WORKWEEK
Timothy Ferriss
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
5. HARMONIC WEALTH
James Arthur Ray & Linda Sivertsen
Brasil | World | Livros do autor(a) em Português
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Literatura Brasileira: Parnasianismo
Na década de 1870, quando o Parnasianismo começou a ser difundido como nova estética literária no Brasil, o país atravessava uma série de crises políticas e sociais que assinalariam o colapso do governo imperial e do regime escravocrata, culminando na abolição da escravatura, em 1888, e na proclamação da República, em 1889. O desenvolvimento econômico, que até meados do século XIX se concentrara no Nordeste, a partir dos anos de 1870 passou a deslocar-se para o Centro-Sul, onde a cultura do café começava a expandir-se. O único grande centro urbano do Brasil, ainda essencialmente agrícola, era o Rio de Janeiro, onde se concentrava a vida política e cultural do país. Mas foram intelectuais de Recife ligados à Faculdade de Direito, entre eles Silvio Romero e Tobias Barreto, os primeiros a divulgar as novas idéias literárias, filosóficas e políticas que passariam a influenciar o pensamento dos escritores nacionais.
A elite brasileira recebia, principalmente através da França, as idéias republicanas, positivistas e evolucionistas que agitavam os meios intelectuais europeus, além das descobertas de novas ciências como a física, a lingüística e a biologia. O grande veículo de difusão das novas teorias, inclusive literárias, eram os inúmeros periódicos surgidos com o desenvolvimento da imprensa nacional. Foi nas páginas do jornal Diário do Rio de Janeiro que, no final da década de 1870, travou-se a Batalha do Parnaso, polêmica entre os adeptos do Romantismo, de um lado, e os seguidores do Realismo e do Parnasianismo, de outro, que serviu para tornar mais conhecidas as novas tendências literárias.
Os jornais e revistas eram importantes veículos para a divulgação de obras e movimentos literários e consolidação de autores. Muitos escritores da época, além de publicarem poemas e folhetins, atuaram como cronistas em periódicos, contribuindo inclusive para a profissionalização do escritor brasileiro. Entre eles destaca-se Machado de Assis, um dos principais autores brasileiros do Realismo e poeta parnasiano que, como cronista da Gazeta de Notícias (RJ), exerceu forte influência crítica.
O sucessor de Machado na Gazeta de Notícias, Olavo Bilac, como bom parnasiano, permaneceu distante, no âmbito da poesia, dos acontecimentos sociais e políticos de seu tempo - ainda que tenha escrito eventuais poemas satíricos, alguns deles dedicados a Floriano Peixoto; produziu também poemas infantis e é o autor do Hino à Bandeira. Como cronista, desceu da “torre de marfim” e abordou alguns dos grandes temas de seu tempo, como a libertação dos escravos, em A Escravidão, e a reurbanização da capital nacional, em O Rio Convalesce.
Assim, os escritores brasileiros, que nesse período já constituíam um grupo numeroso, produtor de obras inseridas em uma tradição nacional, tinham garantida a circulação de seus textos por meio de periódicos ou de algumas editoras, como a francesa Garnier, instalada no Rio de Janeiro. No entanto, o público leitor era bastante restrito, já que a maioria da população brasileira - 80%, segundo o censo de 1872 - era analfabeta. Os poetas parnasianos dirigiam suas obras, portanto, a uma reduzida e letrada camada da população, que prestigiava seus poemas repletos de preciosismos lingüísticos e de referências à Antigüidade Clássica.
Nas últimas décadas do século XIX, várias correntes literárias inovadoras, entre elas o Parnasianismo, apresentaram parâmetros de criação artística que se contrapunham aos então já desgastados valores românticos. Enquanto na prosa o Realismo e o Naturalismo apresentavam novas maneiras de produzir ficção, calcadas na análise objetiva da realidade social e humana, no âmbito da poesia o movimento parnasiano voltava-se principalmente para o culto da forma, afastando-se dos problemas sociais do período.
O termo parnasianismo surgiu na França, para nomear os poetas reunidos nas antologias de poesia intituladas Le Parnasse Contemporain, publicadas a partir de 1866. Entre os poetas mais importantes do movimento francês estava Théophile Gautier, principal divulgador do princípio da “arte pela arte” - a arte voltada para si mesma, sem intenções políticas, morais, didáticas ou de qualquer outro tipo, princípio que sintetizava os objetivos do movimento. A nova escola rapidamente penetrou no Brasil e, nos decênios de 1880 e 1890, conquistou número progressivo de adeptos. Poetas parnasianos portugueses, como Gongalves Crespo (brasileiro de nascimento), Antero de Quental e Teófilo Braga também exerceram influência, ainda que em menor escala, sobre os autores brasileiros.
A obra Fanfarras (1882), de Teófilo Dias, costuma ser identificada como o marco inicial do Parnasianismo no Brasil, onde o movimento perdurou até os primeiros decênios do século XX, coexistindo com o Simbolismo e mesmo com o início do Modernismo. O prolongamento da estética, por poetas conhecidos como Neoparnasianos, “é fenômeno particular da literatura brasileira”, segundo Otto Maria Carpeaux. Para o crítico, “aqui e só aqui fracassou o Simbolismo; e, por isso, o movimento poético precedente sobreviveu, quando já estava extinto em toda parte no mundo”. Já para Alfredo Bosi, “o Parnasianismo é o estilo das camadas dirigentes, da burocracia culta e semiculta, das profissões liberais habituadas a conceber a poesia como “linguagem ornada”, segundo padrões já consagrados que garantam o bom gosto da imitação”. O fato de a Academia Brasileira de Letras (1897) apresentar adeptos do Parnasianismo entre a maioria de seus fundadores pode também ter colaborado, segundo vários críticos, para a “oficialização” e para a extensão cronológica da escola, cujo prestígio enfraqueceu apenas depois dos duros ataques desferidos pelos poetas modernistas. Hoje, porém, as críticas de autores e pensadores ligados ao Modernismo estão sendo revistas, e o maior distanciamento permite avaliar, talvez com mais imparcialidade, as qualidades e os problemas do Parnasianismo.
Parnaso é um monte localizado na Grécia central, onde, segundo a mitologia, residiam o deus Apolo e as Musas, divindades inspiradoras das artes. Já no nome da escola se revela, por conseguinte, seu tributo à Antigüidade Clássica, que influenciou os temas e a concepção de arte dos adeptos do Parnasianismo. Incidentes da história ou da mitologia greco-latina foram grande fonte de termas para os parnasianos, como se pode observar no poema “Afrodite”, de Alberto de Oliveira. Formas poéticas antigas ou em desuso, como o soneto, principalmente, voltaram a ser cultivadas. Aliás o soneto, que havia quase desaparecido com os românticos, tornou-se marca distintiva dos parnasianos, assim como a famosa “chave de ouro” - o acabamento feliz, de belo efeito, de um poema.
A busca da objetividade temática e o culto da forma são as mais importantes características do Parnasianismo. Os poetas parnasianos opunham-se ao individualismo, ao sentimentalismo e ao subjetivismo românticos, e procuraram voltar sua poesia para temas que consideravam mais universais, como a natureza, a história, o amor, os objetos inanimados, além da própria poesia. Essa poética da impessoalidade era reforçada pelo gosto da descrição e do rigor formal. O ideal da “arte pela arte” resultou em acentuada preocupação com a versificação e a metrificação, pois acreditava-se que a Beleza residia também na forma. O trabalho do poeta foi, inclusive, comparado ao do escultor, do ourives, do artesão, já que seu esforço concentrava-se em dar forma perfeita a um objeto artístico. O poema de Raimundo Correia A um Artista, dedicado a Olavo Bilac, é modelar nesse sentido. Essa comparação levou à criação de poemas que tematizam esculturas, pinturas, jóias, objetos artísticos - como em Vaso Grego, de Alberto de Oliveira - transformando muitas vezes o princípio da “arte pela arte” em “arte sobre a arte”.
Os versos brancos do Romantismo foram abandonados e retomou-se o uso dos versos de 10 sílabas e das rimas ricas e raras, num movimento de aproximação da tradição clássica. A procura da expressão perfeita e original de determinada idéia ou sentimento levou à valorização do conhecimento da língua, necessário para fugir das imagens gastas e vulgarizadas da estética romântica. A utilização de vocabulário culto, como tentativa de renovação da linguagem poética, é, desse modo, outro traço característico do Parnasianismo. Olavo Bilac, em Língua Portuguesa, expressa o amor parnasiano ao idioma nacional. O apego dos parnasianos ao rigor gramatical e ao rebuscamento da linguagem teria contribuído, segundo Antonio Candido, “para lhes dar voga e credibilidade, pois facilitava o entrosamento com as aspirações dominantes da cultura oficial”.
Já a impassibilidade pretendida pela escola, necessária para o registro objetivo da realidade, se foi tematizada em poemas como Musa Impassível, de Francisca Júlia, não chegou a ser plenamente alcançada, e nem poderia ser. Afinal, como afirma Benjamin Abdala Junior, “o poeta só pode construir o poema selecionando situações, palavras, imagens, a partir de sua própria perspectiva”, o que torna a objetividade de certa forma um mito. Além disso, a impassibilidade e outros princípios do Parnasianismo foram muitas vezes alterados pelos autores nacionais, pois no Brasil os fundamentos da nova estética repousaram “na tradição literária interna, suficiente para assimilar e reformular as sugestões externas”, como observou José Aderaldo Castello.
A tradição brasileira permitiu, assim, que o mesmo Olavo Bilac que professa os ideiais parnasianos em Profissão de Fé e A um Poeta - em cujos versos o culto à forma, o tributo à Antiguidade Clássica, o amor à língua e a fidelidade ao princípio da “arte pela arte” são enfaticamente expostos - expressasse um lirismo apaixonado em tantos sonetos, como no antológico Ora (Direis) Ouvir Estrelas. É preciso lembrar ainda que o sistema literário brasileiro, se no período já estava consolidado por uma tradição local, englobava várias correntes literárias de origem estrangeira que aqui se misturavam e se recriavam, como o Romantismo e o Simbolismo, movimentos que influenciaram em menor ou maior grau a obra dos poetas parnasianos.
Os autores mais significativos do Parnasianismo foram Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia, considerados a “tríade oficial” do movimento, além de Vicente de Carvalho e Francisca Júlia. A poesia de Alberto de Oliveira é considerada a mais fiel aos valores do Parnasianismo; nela, a impessoalidade, o descritivismo, a tematização de objetos são elementos bastante presentes - ainda que em poemas como Alma em Flor revele sentimentalidade que desmente sua fama de impassível. Olavo Bilac, um dos mais populares poetas brasileiros, buscou e alcançou o rigor da forma, mas o lirismo e o sensualismo de seus versos muitas vezes o afastaram dos princípios mais rígidos do Parnasianismo. Raimundo Correia estreou como romântico, mas tornou-se parnasiano, intensamente influenciado por autores franceses e criador de uma poesia filosófica, reflexiva, distinta pelo pessimismo. Vicente de Carvalho, poeta também bastante popular, de obra impregnada de matizes românticas, foi o parnasiano que melhor tematizou a natureza, principalmente o mar de sua terra natal, Santos SP. Finalmente, Francisca Júlia é autora de sonetos que figuram entre os mais bem realizados do Parnasianismo e, ainda que alguns de seus últimos poemas apresentem traços simbolistas, segue sendo considerada poeta das mais leais aos fundamentos parnasianos.
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Livro: A Luneta Âmbar (The Amber Spyglass)
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A Adormecida Enfeitiçada
Em um vale sombreado por rododendros, próximo da linha de neve, onde um riacho de águas leitosas de neve derretida passava ligeiro espumando, onde pombos e milheiros voavam entre os imensos pinheiros, havia uma caverna, que ficava semi-escondida pelo rochedo acima e pelas folhas secas e pesadas que se acumulavam abaixo.
A floresta era repleta de sons: das águas do riacho correndo entre as pedras, do vento entre as folhas alongadas dos galhos de pinheiros, do zumbido dos insetos e de guinchos de pequenos mamíferos arbóreos, bem como do cantar de passarinhos; e, de tempos em tempos, uma lufada mais forte de vento fazia com que um dos galhos de um cedro ou de um abeto roçasse contra um outro e gemesse como um violoncelo.
Era um lugar claro e ensolarado, nunca monótono; raios de claridade, dourado-limão, penetravam até o solo da floresta entre retângulos e círculos de sombra verde-acastanhados, e a luz estava sempre em movimento, nunca era constante, porque a névoa que passava com freqüência flutuava em meio às copas das árvores, filtrando todos os raios de sol até adquirirem um brilho perolado e salpicando cada cone de pinheiro com gotículas de umidade que cintilavam quando a névoa se desfazia. Por vezes a umidade nas nuvens se condensava formando minúsculas gotas, metade neblina, metade chuva, que desciam flutuando em vez de cair, fazendo um ruído suave como um tamborilar farfalhante entre os milhares de folhas aciculadas dos pinheiros.
Havia um caminho estreito passando junto do riacho, que levava de uma aldeia — pouco mais que um aglomerado de choupanas de pastores —, na entrada do vale, até um relicário, semi-arruinado, próximo da geleira lá no fundo, um lugar onde bandeirolas de seda esvoaçavam sob os ventos perpétuos das altas montanhas e oferendas de bolos de cevada e chá seco eram colocadas pelos fiéis aldeões. Um estranho efeito da luz, do gelo e do vapor fazia com que a parte mais alta do vale ficasse envolta em eternos arco-íris.
A caverna ficava a alguma distância acima do caminho. Muitos anos antes, um homem religioso morara ali, meditando, jejuando e orando, e o local ainda era venerado em sua memória. Tinha 30 metros de profundidade, mais ou menos, com o solo bem seco: um abrigo ideal para um urso ou para um lobo, mas os únicos seres morando nela durante anos haviam sido pássaros e morcegos.
Mas o vulto que estava se agachando logo após a entrada, os olhos negros atentos vigiando um lado e depois o outro, as orelhas pontudas levantadas, não era pássaro nem morcego. A luz do sol descia pesada e forte sobre seu lustroso pêlo dourado e as mãozinhas de macaco reviravam uma pinha para lá e para cá, com os dedos fortes, partindo a casca em lascas e raspando as nozes doces.
Atrás dele, pouco além do ponto que a luz do sol alcançava, a Sra. Coulter estava aquecendo água numa panelinha sobre um fogareiro à nafta. Seu daemon emitiu um murmúrio de advertência e a Sra. Coulter levantou a cabeça.
Vindo pelo caminho da floresta havia uma menina da aldeia. A Sra. Coulter sabia quem ela era: Ama vinha lhe trazendo comida já há alguns dias. Logo ao chegar, a Sra. Coulter fizera circular a notícia de que era uma mulher religiosa, dedicada a meditações e preces, que fizera um voto de jamais falar com um homem. Ama era a única pessoa cujas visitas aceitava receber.
Dessa vez, contudo, a menina não estava sozinha. Seu pai estava com ela e enquanto Ama subia até a caverna, ele esperou, mantendo alguma distância.
Ama chegou à entrada da caverna e fez uma mesura.
— Meu pai me pediu que viesse trazendo preces para sua boa vontade — disse.
— Bons olhos a vejam, criança — disse a Sra. Coulter.
A menina trazia uma trouxa embrulhada em algodão desbotado, que colocou aos pés da Sra. Coulter. Então estendeu um raminho de flores, cerca de uma dúzia de anêmonas amarradas com um fio de algodão, e começou a falar rápida e nervosamente. A Sra. Coulter compreendia um pouco da língua daquela gente da montanha, mas nunca permitiria que percebessem o quanto. De modo que sorriu e fez um gesto para que a menina se calasse e para que observassem seus daemons. O macaco dourado estava estendendo a mãozinha negra e o daemon borboleta de Ama esvoaçava, chegando cada vez mais perto, até pousar no caloso dedo indicador.
O macaco o aproximou lentamente de sua orelha e a Sra. Coulter sentiu uma corrente de compreensão fluir para sua mente, esclarecendo as palavras da menina. Os aldeões estavam felizes que uma santa mulher religiosa como ela estivesse abrigada na caverna, mas havia rumores de que também tinha uma acompanhante, uma mulher como ela, que de alguma forma era perigosa e muito poderosa.
Isso era o que estava deixando os aldeões assustados. Seria aquele outro ser mestra da Sra. Coulter ou sua criada? Teria a intenção de fazer mal? Por que estava ali, para começar? Pretendia ficar muito tempo? Ama transmitiu essas perguntas com infindáveis apreensões.
Uma resposta totalmente nova ocorreu à Sra. Coulter, à medida que a compreensão do daemon foi penetrando em sua mente. Ela podia contar a verdade. Não toda, naturalmente, mas parte. Estremeceu ao conter a vontade de rir diante da idéia, mas manteve isso longe de sua voz quando explicou:
— Sim, há uma outra pessoa comigo. Mas não há nada a temer. É minha filha e ela foi vítima de um feitiço que fez com que adormecesse. Viemos aqui para nos esconder do feiticeiro que lançou esse feitiço, enquanto eu tento curá-la e impedir que qualquer mal lhe ocorra. Venha ver, se quiser.
Ama ficou parcialmente tranqüilizada pela voz suave da Sra. Coulter, mas ainda estava com medo; e toda aquela conversa sobre feiticeiros e feitiços aumentava seus temores. Mas o macaco dourado estava segurando seu daemon com tamanha gentileza e, além disso, estava tão curiosa, que seguiu a Sra. Coulter até o interior da caverna.
O pai de Ama, que esperava mais abaixo no caminho, deu um passo adiante e seu daemon corvo levantou as asas uma ou duas vezes, mas ficou onde estava.
A Sra. Coulter acendeu uma vela, porque a luz estava indo embora rapidamente, e conduziu Ama até o fundo da caverna. Os olhos da garotinha faiscavam, arregalados, na semi-obscuridade e suas mãos se moviam, fazendo um gesto repetitivo de esfregar o dedo no polegar, o dedo no polegar, para afastar o perigo confundindo os maus espíritos.
— Está vendo? — perguntou a Sra. Coulter. — Ela não pode fazer mal a ninguém. Não há motivo para ter medo.
Ama olhou para a pessoa no saco de dormir. Era uma menina, mais velha que ela, talvez três ou quatro anos; e tinha cabelos de uma cor que Ama nunca vira antes — de um tom fulvo, amarelo-tostado como o pêlo de um leão. Seus lábios estavam bem fechados, comprimidos, e estava profundamente adormecida, não havia dúvida quanto a isso, pois seu daemon estava deitado, enroscado em seu pescoço e inconsciente. Ele tinha a forma de um animal parecido com um mangusto, mas de cor vermelho-dourada e menor. O macaco dourado estava alisando carinhosamente o pêlo entre as orelhas do daemon adormecido e, enquanto Ama observava, a criatura-mangusto mexeu-se incomodada e emitiu um pequeno miado rouco. O daemon de Ama, na forma de camundongo, se apertou contra o pescoço de Ama e espiou assustado entre seus cabelos.
— De maneira que pode contar a seu pai o que você viu — prosseguiu a Sra. Coulter. — Não há nenhum espírito mau. Apenas minha filha, adormecida por causa de um feitiço e de quem estou cuidando. Mas por favor, Ama, diga a seu pai que isso tem de ser mantido em segredo. Ninguém, exceto vocês dois, deve saber que Lyra está aqui. Se o feiticeiro souber onde ela está, virá procurá-la e destruí-la, a mim também e tudo que estiver nas vizinhanças. De maneira que trate de ficar calada! Conte a seu pai e a mais ninguém.
Ela se ajoelhou junto de Lyra e afastou o cabelo úmido do rosto da menina adormecida antes de se inclinar para beijar a face de sua filha. Então levantou a cabeça, com uma expressão triste e carinhosa no olhar, e sorriu para Ama com tamanha bravura e sábia compaixão que a garotinha sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
A Sra. Coulter pegou a mão de Ama, enquanto iam voltando para a entrada da caverna, e viu o pai da menina observando cheio de ansiedade lá de baixo. A mulher juntou as mãos e inclinou a cabeça para ele num cumprimento, que ele respondeu com alívio, enquanto sua filha, depois de fazer uma mesura para a Sra. Coulter e para a menina adormecida enfeitiçada, fez meia-volta e desceu correndo pela encosta sob a luz do crepúsculo. Pai e filha inclinaram a cabeça mais uma vez em direção à caverna, num cumprimento respeitoso, e se foram, desaparecendo em meio às sombras dos rododendros.
A Sra. Coulter virou-se de volta para a água no fogareiro, que estava quase fervendo.
Abaixando-se, ela esmigalhou algumas folhas secas sobre a água, tirando duas pitadas de um saquinho, uma pitada de outro e acrescentou três gotas de um óleo amarelo-claro. Mexeu rapidamente a mistura, contando silenciosamente até terem se passado cinco minutos. Então tirou a panela do fogo e sentou-se para esperar que o líquido
esfriasse.
Espalhada ao seu redor estava parte da equipagem do acampamento, próximo ao laguinho azul, onde Sir Charles Latrom havia morrido: um saco de dormir, uma mochila com mudas de roupas, produtos de limpeza e assim por diante. Também havia uma valise de lona com uma armação resistente de madeira, acolchoada com paina, contendo vários instrumentos; e havia uma pistola num coldre.
A decocção esfriou depressa no ar rarefeito e tão logo atingiu a temperatura do corpo, ela a colocou cuidadosamente numa taça de metal de boca larga e levou-a até o fundo da caverna. O daemon macaco largou a pinha e foi junto com ela.
Cuidadosamente, a Sra. Coulter colocou a taça sobre uma rocha e se ajoelhou junto de Lyra. O macaco dourado se abaixou ao lado dela, pronto para agarrar Pantalaimon, se este acordasse.
O cabelo de Lyra estava úmido, seus olhos se moviam atrás das pálpebras cerradas. Ela estava começando a despertar: a Sra. Coulter tinha sentido seus cílios se mexerem quando a beijara e sabia que não dispunha de muito tempo antes que Lyra despertasse totalmente.
Enfiou a mão sob a cabeça da menina e com a outra afastou as mechas úmidas de cabelo de sua testa. Os lábios de Lyra se entreabriram e ela gemeu baixinho; Pantalaimon se aconchegou mais junto de seu peito. Os olhos do macaco dourado não se descravavam do daemon de Lyra e seus pequeninos dedos negros repuxavam a beirada do saco de dormir.
Depois de um olhar da Sra. Coulter, ele largou o saco de dormir e se afastou um palmo para trás. A mulher levantou a filha com delicadeza de modo que seus ombros saíssem do chão e a cabeça balançou ligeiramente. Então Lyra respirou fundo e seus olhos se entreabriram, piscando pesados.
— Roger — murmurou. — Roger. . . onde está você. . . não consigo ver. . .
— Ssh — sussurrou sua mãe —, ssh, minha querida, beba isso.
Levando a taça até a boca de Lyra, ela a inclinou para deixar que uma gota umedecesse os lábios da menina. A língua de Lyra percebeu isso e se moveu para lambê-los, e então a Sra. Coulter deixou que um pouco mais do líquido pingasse em sua boca, com muito cuidado, deixando-a engolir cada gole antes de lhe dar mais.
Passaram-se vários minutos, mas finalmente a taça ficou vazia e a Sra. Coulter tornou a deitar a filha. Tão logo a cabeça de Lyra repousou no chão, Pantalaimon voltou a se acomodar em volta de seu pescoço. Seu pêlo vermelho-dourado estava tão úmido quanto os cabelos de Lyra. Ambos estavam de novo profundamente adormecidos.
O macaco dourado foi saltitando graciosamente até a entrada da caverna e sentou-se, mais uma vez vigiando o caminho. A Sra. Coulter umedeceu uma flanela numa bacia de água fria e passou no rosto de Lyra, depois, abriu o saco de dormir e lavou seus braços, pescoço e ombros, porque Lyra estava acalorada. Então sua mãe pegou um pente e com delicadeza desembaraçou o cabelo de Lyra, afastando-o da testa
e repartindo-o cuidadosamente.
Ela deixou o saco de dormir aberto de modo que a menina pudesse se refrescar e abriu a trouxa que Ama havia trazido: algumas bisnagas achatadas de pão, um retângulo de chá prensado, um pouco de arroz meio grudento, embrulhado numa folha larga. Estava na hora de acender a fogueira. O frio nas montanhas era intenso durante a noite. Trabalhando metodicamente, ela cortou algumas achas de lenha, preparou a fogueira e acendeu um fósforo. Aquilo era outra coisa a respeito da qual teria que pensar: os fósforos estavam acabando e
a nafta para o fogareiro também; teria que manter a fogueira acesa dia e noite, dali por diante.
Seu daemon estava aborrecido. Não gostava do que ela estava fazendo e quando tentou manifestar sua preocupação ela não lhe deu atenção. Ele deu-lhe as costas, o desprezo evidente em cada linha de seu corpo enquanto continuava a descascar pinhas na escuridão. Ela nem reparou e continuou a trabalhar atenta e habilmente para aumentar a fogueira e preparar uma panela para esquentar água para fazer um chá.
A despeito disso, o ceticismo dele a afetava e enquanto ia desmanchando o chá prensado na água, repetidamente perguntou a si mesma o que achava que estava fazendo e se teria enlouquecido, o que aconteceria quando a igreja descobrisse. O macaco dourado tinha razão. Ela não estava apenas escondendo Lyra: estava cobrindo os olhos para esconder a verdade de si mesma.
Saindo da escuridão o garotinho veio, esperançoso e assustado, sussurrando uma vez após a outra:
— Lyra, Lyra, Lyra. . .
Atrás dele havia outros vultos, ainda mais indistintos do que ele, ainda mais silenciosos. Pareciam ser de um mesmo grupo e do mesmo tipo, mas não tinham rostos que fossem visíveis ou vozes que falassem; e a voz dele se elevou um pouco acima de um sussurro e seu rosto ficou sombreado e borrado como algo semi-esquecido.
— Lyra. . . Lyra. . .
Onde estavam eles?
Numa grande planície onde nenhuma luz brilhava no céu escuro cor de chumbo e onde uma neblina obscurecia o horizonte em todas as direções. O solo era de terra nua, socada e achatada por milhões de pés, embora esses pés tivessem menos peso que penas; de modo que deveria ter sido o tempo que o achatara daquele jeito, embora o tempo tivesse parado naquele lugar; de modo que as coisas deviam ser assim mesmo. Aquele era o fim de todos os lugares e o último de todos os mundos.
— Lyra. . .
Por que estavam ali?
Eram prisioneiros. Alguém havia cometido um crime, embora ninguém soubesse qual era o crime, quem o havia cometido, nem que autoridade o havia julgado.
Por que o garotinho continuava a chamar pelo nome de Lyra?
Esperança.
Quem eram eles?
Fantasmas.
E Lyra não conseguia tocá-los, por mais que tentasse. Desnorteadas, suas mãos se moviam procurando, tentando, de um lado para o outro, e o garotinho continuava parado ali suplicando.
— Roger — chamou ela, mas sua voz saiu num sussurro. — Ah, Roger, onde está você? O que é este lugar?
— É o mundo dos mortos, Lyra — respondeu ele. — Não sei o que fazer, não sei se estou aqui para sempre e não sei se fiz coisas más ou o que, porque tentei ser bom, mas detesto estar aqui, estou com medo de tudo isso,
detesto —
E Lyra disse:
— Eu.
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Bibliografia: os livros de Jorge Amado
Jorge Leal Amado de Faria nasceu em 1912, em Itabuna, no Estado da Bahia. Foi um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, com obras traduzidas em dezenas de idiomas e adaptadas com sucesso para o cinema, o teatro e a TV.
Amado foi superado (em número de vendas) apenas por Paulo Coelho, mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira. Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais de seus livros. Recebeu no estrangeiro os seguintes prêmios: Prêmio Internacional Lênin (Moscou, 1951); Prêmio de Latinidade (Paris, 1971); Prêmio do Instituto Ítalo-Latino-Americano (Roma, 1976); Prêmio Risit d’Aur (Udine, Itália, 1984); Prêmio Moinho, Itália (1984); Prêmio Dimitrof de Literatura, Sofia - Bulgária (1986); Prêmio Pablo Neruda, Associação de Escritores Soviéticos, Moscou (1989); Prêmio Mundial Cino Del Duca da Fundação Simone e Cino Del Duca (1990); e Prêmio Camões (1995).
No Brasil: Prêmio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro (1959); Prêmio Graça Aranha (1959); Prêmio Paula Brito (1959); Prêmio Jabuti (1959 e 1970); Prêmio Luísa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil (1959); Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1959); Troféu Intelectual do Ano (1970); Prêmio Fernando Chinaglia, Rio de Janeiro (1982); Prêmio Nestlé de Literatura, São Paulo (1982); Prêmio Brasília de Literatura - Conjunto de Obras (1982); Prêmio Moinho Santista de Literatura (1984); prêmio BNB de Literatura (1985).
Recebeu também diversos títulos honoríficos, nacionais e estrangeiros, entre os quais: Comendador da Ordem Andrés Bello, Venezuela (1977); Commandeur de l’Ordre des Arts et des Lettres, da França (1979); Commandeur de la Légion d’Honneur (1984); Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (1980) e do Ceará (1981); Doutor Honoris Causa pela Universidade Degli Studi de Bari, Itália (1980) e pela Universidade de Lumière Lyon II, França (1987). Grão Mestre da Ordem do Rio Branco (1985) e Comendador da Ordem do Congresso Nacional, Brasília (1986).
Foi membro correspondente da Academia de Ciências e Letras da República Democrática da Alemanha; da Academia das Ciências de Lisboa; da Academia Paulista de Letras; e membro especial da Academia de Letras da Bahia.
Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência, na Rua Alagoinhas, em 10 de agosto, dia em que completaria 89 anos.
Bibliografia de Jorge Amado:
O país do Carnaval
(1931, romance)
Cacau
(1933, romance)
Suor
(1934, romance)
Jubiabá
(1935, romance)
Mar morto
(1936, romance)
Capitães da areia
(1937, romance)
A estrada do mar
(1938, poesia)
ABC de Castro Alves
(1941, biografia)
O cavaleiro da esperança
(1942, biografia)
Terras do sem fim
(1943, romance)
São Jorge dos Ilhéus
(1944, romance)
Bahia de Todos os Santos
(1945, guia da cidade)
Seara vermelha
(1946, romance)
O amor do soldado
(1947, peça teatral)
O mundo da paz
(1951, guia de viagem)
Os subterrâneos da liberdade (vol. 1, 2 e 3)
(1954, romance)
Gabriela cravo e canela
(1958, romance)
A morte e a morte de Quincas Berro D’Água
(1961, romance)
Os velhos marinheiros
(1961, romance)
Os pastores da noite
(1964, romance)
Dona Flor e seus dois maridos
(1966, romance)
Tenda dos milagres
(1969, romance)
Tereza Batista cansada de guerra
(1972, romance)
