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Cabeça de Olivetto: Coca-Cola | Happiness Factory
Fantástico e divertido comercial da Coca-Cola realizado em animação 3D. Criação da agência Wieden + Kennedy.
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Cenas: John Turturro | O Grande Lebowski
O Grande Lebowski (The Big Lebowski), comédia dos premiados Irmãos Coen (vencedores do Oscar de Melhor Direção em 2008 por “Onde os Fracos Não Têm Vez”), estrelado por Jeff Bridges (The Dude), John Goodman, Julianne Moore, Steve Buscemi, Philip Seymour Hoffman, Peter Stormare, Tara Reid e John Turturro.
Na cena do filme John Turturro faz Jesus Quintana ao som da música Hotel California interpretada pelos Gipsy Kings.
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Hancock (2008), comédia de Peter Berg, estrelado por Will Smith, Jason Bateman e Charlize Theron. Estréia nos Estados Unidos em 02/07/2008.
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Tom Cavalcante não pode imitar Sílvio Santos
O comediante Tom Cavalcante, da TV Record, continua proibido de fazer paródias sobre o apresentador Silvio Santos. Isso porque o recurso apresentado pela defesa do apresentador no Superior Tribunal de Justiça não foi analisado. O ministro João Otávio de Noronha entendeu que o recurso não pode ser apreciado no tribunal porque necessita de reexame do processo. Com isso, permanece válida a posição do Tribunal de Justiça de São Paulo, que impediu a Rede Record de apresentar as paródias sob pena de multa.
No STJ, a defesa de Tom Cavalcante alegou divergência entre a decisão do TJ paulista e o posicionamento de outros tribunais. Esse argumento foi rejeitado pelo ministro Noronha por não ter sido apresentada a comparação jurídica entre as decisões. O processo em si discute direito autoral e ainda cabe recurso da decisão do ministro do STJ tanto ao próprio tribunal quanto ao Supremo Tribunal Federal, caso seja alegada violação constitucional.
A defesa de Tom Cavalcante argumentou, no STJ, que a lei que protege os direitos autorais (Lei 9.610/98) permite a elaboração de paródia, o que não estaria sendo verificado no processo. Afirmou que estaria sendo feita uma imitação de maneira respeitosa e “demonstrando apenas o que tantos outros comediantes fazem há anos, ou seja, a paródia de Sílvio Santos”. Argumentou, ainda, que as decisões anteriores estariam violando a Constituição no que tange à liberdade de expressão, além de artigos do Código Civil e do Código de Processo Civil. Os argumentos não foram aceitos.
O caso
Inicialmente, o SBT e Sílvio Santos ingressaram com ação cautelar na primeira instância para que fosse determinado à Record e a Tom Cavalcante que não mais produzissem, gerassem e transmitissem os sons e imagens que compunham o quadro denominado Qual é a Música, do programa Show do Tom. O pedido foi aceito. Eles obtiveram liminar proibindo a paródia, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
O SBT e Sílvio Santos recorreram, então, ao TJ-SP. Solicitaram o aumento do valor da multa e pediram que a proibição fosse estendida ao quadro Gentalha que Brilha, uma paródia do original Gente que Brilha, do SBT. Também pediu que fosse preservada da imitação a imagem de Sílvio Santos, incluindo seu timbre de voz e indumentária. Para a emissora e o apresentador, isso era feito de forma depreciativa e irônica. Uma nova liminar foi concedida nos termos do pedido, porém, sem o aumento da multa.
De acordo com o processo, tanto o quadro Qual é a Música como Gente que Brilha têm registro de marcas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O TJ paulista baseou o entendimento no Código Civil de 2002 (artigo 20).
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Chico Buarque foi preso em Paris | Mario Prata
Dia 19 de junho, aniversário do Chico. Não o desta semana, mas o de 1998. Paris, Copa do Mundo, Chico fazendo 54 anos. Neste dia, pela tarde, jogariam Nigéria e não sei quem. Fiquei de ir assistir com ele no seu apartamento em Marais. Torcíamos fervorosamente pelo time africano.
Cheguei na hora combinada, vinho nacional debaixo do braço, animado. Toco o interfone. Nada. Espero uns dez minutos, ele poderia estar tomando banho, porque ia jogar futebol antes. Nada. Chegando a hora do jogo. Vou para a rue St. Paul. Tinha um bom boteco lá. Assisto todo o primeiro tempo. Volto para o apê dele. Toco, ele atende, a porta abre, eu subo.
- Fui preso!!!
Nem disse oi. Fui preso!!! Mesmo irritado, dava umas risadas. Preso, cara! Suado, ainda de calção e camiseta do Brasil.
- Preso?
- Eu e o Vinícius! Presos!
Vinícius era um músico que tinha ido jogador futebol com ele. Deu carona pru Chico num carro alugado.
- Dá para explicar?
- Ia chegar na hora, desculpa. O Vinícius me deixou ali na avenida. Quando eu abri a porta do carro pra sair, vinham duas bichinhas holandesas de moto e entraram na porta. Caíram, saiu sangue. Se tem sangue, tem polícia e ambulância. Aqui é assim. A gente tinha que esperar.
- Mas machucou muito?
- Machucou nada, um cortezinho no joelho. (mostrou o tamanho do corte abrindo dois dedos) Dois pontinhos. Mas a bichinha ficava gemendo no chão. Eu com medo de passar algum jornalista brasileiro por ali.
- Somos uns 700!
- Pois é. Foi juntando gente e o cara lá no chão. Aí chega a viatura. Pede documentos pra mim e pru Vinícius. A gente não tinha. Eu tava assim, ó, desse jeito. Vou levar documento pra jogar futebol em Paris? Aí começou a complicar. O guarda já telefonou pra outro. Chegou o outro – enquanto a ambulância pegava os holandeses e…
- Como é que você sabe que eram holandeses.
- Tavam de laranja. Aí resolveram nos levar para a delegacia para fazer o B.O. Tentei argumentar com o cara, disse que era famoso no Brasil, que tava cheio de jornalista brasileiro na cidade, que ia ser um escândalo, aquele lero todo. Mas tinha que fazer o boletim de ocorrência. Tinha sangue, eles insistiam muito nisso.
- Sangrava muito (ele fez o gesto com os dedos e o corte estava ficando cada vez maior)?
- Uma bobagem. Aí o segundo guarda consentiu em fazer o B.O. dentro da viatura. Entramos lá dentro eu e o Vinícius no banco de trás e os dois no banco da frente.
- Nome, nacionalidade e profissão. Eu: Francisco, tal, brasileiro, músico. O Vinícius: Vinícius, tal, brasileiro, músico. O cara: data de nascimento. Eu: 19 de junho de 1944 (que é hoje, né?).
- Você ainda não deu espaço para o abraço.
- Deixa eu acabar. Quando eu falei 19 de junho de 44, o Vinícius começou a me olhar meio de lado. Quando perguntaram o nascimento dele, ele: 19 de junho de 1944. Você acredita, acredita? Nascemos no mesmo dia, mês e ano e é hoje. Aí os guardas começaram a achar que a gente tava gozando com a cara deles. Principalmente porque nós dois começamos a nos abraçar, falando em português, nos cumprimentando, né?, e os caras ficando irritados. Meu, eu não acredito. Quando a gente percebeu, a viatura já estava andando. Aí eu vi que eles viraram ali naquela esquina, aquela ali, e eu disse que morava aqui e podia pegar os documentos. O cara subiu aqui comigo e dizia: se você não nasceu hoje a Copa do Mundo acabou para você. Acredita, cara? Só não fui algemado. Vai ligando a televisão aí que eu vou tomar uma ducha rápido.
Ele foi subindo a escada.
- Chico, parabéns!
- Por que?
- Nada… A Nigéria tá perdendo.
- Que merd…, cara!
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Cenas: Jack Nicholson & Adam Sandler | Tratamento de Choque
O grande Jack Nicholson e o comediante Adam Sandler cantando “I Feel Pretty” no filme Tratamento de Choque (Anger Management).
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Golfinhos brincando com anéis de bolha (Vídeo)
Golfinhos brincando com anéis de bolha no Sea World em Orlando, Flórida.
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Caricatura: Ronaldo (caricature)

Ronaldo por Baptistão
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O Desbunde | Adélia Prado
Livro: Filandras
Brasil | World
O Desbunde
Tinha, como direi, eu, que sou uma senhora a seu modo pacata e até pudica, uma, ou melhor, um derrière esplendido. Não é preciso ser homem pra essas avaliações. Firme em definidos e perfeitos contornos, rebelde ao disfarce das saias e anáguas daquele tempo, inscrevia-se na cara de sua dona, que, movendo os olhos como as ancas, subia a rua em falsa pudicicia, apregoando-se: tenho. Os homens ficavam loucos. Eu era mocinha boba e escutei no armazém do Calixto ele dizer pro Teodoro, meu futuro marido, naquele tempo preocupado em fazer bodoques de goma: eh, ferro! O Vicente não vai dar conta daquela ali, não. É preciso muita saúde. Calixto falava com o Teodoro do que eu suspeitava serem os tesouros da Oldalisa e ela nem aí, toda toda, sobe e desce rua. Exatamente o que era me escapava, só podia ser coisa de homem e mulher. Felicitei-me por estar viva e participar de segredos tão excitantes. O Vicente era muito magrinho, não jogava bola, não nadava, “não salientava em nada”, o Vicente Cisquim. Pois foi dele que a Raimunda — como o Calixto chamou ela naquele dia — gostou. Casaram e tiveram pencas de filhos. O Calixto ficou chupando o dedo. Ser bonitão e dono de armazém não contou ponto pra ele. Pois é, falou o Teodoro, hoje, assim que botou o pé em casa: O que é a tecnologia, hein? Tecnologia? É o avanço da medicina. Teodoro falava era do avanço do tempo. Tou aqui matutando, disse ele, porque a Oldalisa escolheu o Vicente, não tem base. Tô vendo aquela dona pegando as compras no caixa e… Plim! Era ela, a velha senhora. A Oldalisa do Vicente? É. O Vicente estava junto? Não. Estava com duas alianças e um menino, neto dela com certeza. Será que o Vicente morreu da praga do Calixto? Acho que não, porque eu procurei o traseiro da Oldalisa e nada da olda, só mesmo a lisa, magra e murcha. Ter encontrado a Oldalisa expropriada de seu dote mais tentador deixou Teodoro bem filosofante sobre as agruras do corpo. Teria ele também sido um apaixonado da Oldalisa e eu corrido sérios riscos? Porque amor não olha idade, não é mesmo? Agora, daquela do escritório eu tive, medo não, por causa de meus outros poderes, tive inveja. A uma cintura de vespa seguia-se, instruída e fatal, o que a Oldalisa trazia com inocência. Batia à máquina, agarradinha no Teodoro, de saia justa e batom cor de sangue. O apelido dela na firma era Corrosiva, e foi Teodoro quem pôs. Se chamava Rosiva, a perigosa. Imagina o risco que eu corri.
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Caricatura: Carlos Santana (caricature)

Carlos Santana por Carlinhos Muller
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Mario Prata | Crônica: Enfim, a Próstata
Enfim, a Próstata
Maluf colocou a boca no mundo. Ou melhor, colocou a próstata no mundo. De repente, virou moda, jornais abriram espaço e foram surgindo famosos prostáticos (existe essa palavra?). Quércia voltou ao mundo político através da sua. Mas diz que é simples. Não vai operar nem nada. Na África do Sul, um Nobel, o bispo Desmond Tutu abriu o jogo: também está com câncer lá.
Os médicos avisam: todo homem, depois dos 50 anos, deve fazer o exame. A probabilidade do tumor é muito grande depois desta idade.
Mas os homens de mais de 50 anos (minha geração) são machistas demais. Não adianta dar um toque para eles. Pode-se fazer um exame de sangue e aquele exame que grávida faz. Como chama? Ficam passando um negocinho na barriga da gente. Esqueci. Mas os dois exames juntos dão garantia apenas de 80 por cento. Tem que se fazer o toque, sim.
Eu sugiro uma solução para o assunto deste começo de ano: médicas urologistas. Todos os homens iriam fazer o toque. Com mulher, tudo bem. Tem gente que iria fazer semanalmente. Gente que ia entrar duas vezes na fila, etc.
Há uns 15 anos, tive que fazer (um toque, lá). Estava com uma pequena inflamação e o médico (meu amigo de infância, Plínio) disse que teria que fazer a massagem na minha próstata para recolher um tal pus.
Estou lá eu, nu, de quatro, em cima da mesa e ele, com a maior naturalidade, colocando uma luva num grosso dedo (ele sempre foi meio gordinho). Eu ali aflito e ele contando (juro) a lua-de-mel (dele) na Bahia, meses atrás. Achei que não era um tema muito adequado para aquela hora, mas próstata é próstata e vamos lá. Passou uma vaselina e se aproximou.
Mas, antes, colocou uma folha de papel debaixo do meu corpo.
— O que é isso?
— Caso você ejacule…
Me sentei. Preocupado.
— Plínio, se você enfiar o dedo aí e eu gozar, como é que eu fico? Qual é a porcentagem dos que gozam?
— Meio a meio. Vamos, de quatro.
— Pega leve, hein?
Se eu tivesse gozado, não estaria agora contando esse caso.
Tive um segundo caso com a minha próstata. Já disse aqui que passei uns dias no Spa Médico São Pedro, em Sorocaba.
Assim que você chega, eles fazem todos os exames possíveis em você.
No ultra-som (lembrei !!!) deu uma pequena inchação na mencionada área.
O diretor do Spa achou melhor eu fazer um exame de toque com um urologista para ficarmos todos tranqüilos.
— O urologista é gordo?
— Magro.
— Menos mal. Preciso ir ao hospital?
— Não. Amanhã ele passa aqui. A gente te acha.
Na manhã seguinte, estou lá eu com as minhas queridas gordinhas a fazer um cooper, quando a enfermeira vem me chamar.
— O senhor tem médico daqui a meia hora.
Foi o tempo suficiente para um bom banho, lavar bem as partes, colocar uma cueca novinha. Fui para o sacrifício.
O médico me recebeu, nos apresentamos e ele me levou para o fundo do corredor e abriu uma porta. A primeira coisa que eu vi foi aquela cama de examinar mulheres, com lugares para colocar as pernas. Sabe qual?
“Vai ser de frente. Mais constrangedor ainda”.
Pediu para eu sentar. Ele era sério. Para desanuviar um pouco o ambiente, brinquei:
— Você é que vai me dedurar?
— Depende.
— (olhando para a cama) Depende do quê?
— A não ser que você tenha algum problema mais grave, fica tudo entre a gente.
Aquele “tudo entre a gente” eu já não gostei.
— Você está com algum problema?
— Bem… é que é estranho assim logo de manhã..
— Você prefere de tarde?
— Não, já que eu estou aqui, vamos fundo. Vamos fundo?
— Pois então, algum problema de ordem psicológica?
— Bem, fora aquelas brincadeiras que a gente fazia quando era garoto, né, eu nunca…
— Como assim?
— Doutor, vamos deixar de conversa e vamos logo ao que interessa?
— Não estou te entendendo.
— O senhor não é o urologista?
— Urologista? Eu sou o psiquiatra.
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Caricatura: Marlon Brando (caricature)

Marlon Brando por Diogo Salles
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Alegrias da Paternidade | João Ubaldo Ribeiro
Livro: O Conselheiro Come
Brasil | World
Alegrias da Paternidade
Tenho certeza de que inventaram esse negócio de Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia dos Namorados e assemelhados com o exclusivo propósito de atanazar o juízo do grupo, numeroso porém desprezado, em que me integro, ou seja, o dos que acham essas datas apenas ocasiões para exercícios de sadomasoquismo e solapamento da já combalida estrutura familiar. Sei de dezenas e dezenas de namoros acabados e casamentos atormentados porque um infeliz se esqueceu de uma dessas datas. (As infelizes, curiosamente, não costumam esquecer-se — deve ser algum golpe delas; está fora da moda, mas mandam os antigos não menosprezar o Eterno Feminino, os antigos sabiam das coisas.) Eu mesmo só lembrei que hoje é Dia dos Pais (escrevo com cruel antecedência, é bom sempre observar) porque andei folheando uma agenda.
Queridos confrades, pais, que nos espera hoje? As possibilidades são infindas, mas há categorias em que a maior parte pode ser enquadrada, sob diversos critérios. Penso primeiro (dei muito para pensar em velho ultimamente, bandeira grande) nos avôs, que, como as avós, reúnem todas as forças para não meter a mão na cara do centésimo sujeito que o chama de “pai duas vezes”, achando que está fazendo um comentário original e engraçadíssimo. E, claro, com heróicas e escassíssimas exceções, os dessa faixa já chegaram ao doloroso estágio em que todo mundo manda, menos eles, e muito menos neles mesmos.
— Vô, vamos almoçar fora em sua homenagem. Aonde o senhor quer ir?
— A uma churrascaria. Uma churrascariazinha, há muito tempo que não vou.
— Churrascaria? Mas nunca! O senhor já se esqueceu do colesterol, esqueceu a angioplastia? O senhor não se quer bem, mas nós queremos bem ao senhor!
— Então por que perguntam?
— É porque hoje é seu dia, paizão, é tudo para seu bem-estar e felicidade.
Claro, vão levá-lo ao restaurante de não-fumantes em que servem saladas de aspecto malevolente e onde vão deixar — fantástica colher de chá, tudo para a felicidade dele — que ele tome um copinho de vinho, daquele branco doce que a Eulália, sua nora mais carinhosa, adora. E virão os brindes, todos sublinhando, com inquietante ênfase numa convicção obviamente falsa, os muitos e muitos outros dias dos pais que ainda se celebrarão na companhia do homenageado. E, na seqüência de tributos que lhe serão prestados, consentirão que fique na sala até a hora do “Sai de baixo”, pois normalmente é forçado a ir dormir depois do “Fantástico”, não só porque o médico aconselhou, como porque, e principalmente, a velha (que fuma e dorme na hora em que quer) tem ciúme das pernas da Marisa Orth.
Quanto às ganas de pisotear e jogar no vaso o celularzinho indecifrável que lhe deram, passam logo no dia seguinte e ele dá o celular ao neto, o que, aliás, era o verdadeiro objetivo do presente.
Sejamos igualmente solidários para com os pais separados. Normalmente, domingo já é dia de pai separado sair com os filhos, a maior parte comendo apaixonadamente pizza fria e indo a lugares de cuja existência jamais tomaria conhecimento, se não fosse pai separado.
Pai junto pode bocejar e dizer ao moleque que vá pastar, vá surfar ou vá para um quarto acusticamente isolado, caprichar no progresso de sua surdez heavy metal. Mas pai separado tem gravíssimos encargos, notadamente se se filia à escola entusiástico-companheirona, que implica risos alvares, gritos de “vamos lá, filhão!”, trajes grotescos, músculos e juntas aos frangalhos, papos de homem para homem em que o homem acaba sendo o filho e pedidos gaguejantes a senhoras desconhecidas, para que levem a filha ao banheiro feminino. Para não falar nos presentes, todos escolhidos a dedo pela ex-mulher entre tudo o que ele não gosta, preferivelmente algo que o presenteador exija que ele use na hora, como um par de óculos escuros de boiola e um walkman vermelho e azul, do tamanho e peso de uma bateria de automóvel.
Os prejuízos para as finanças familiares são às vezes consideráveis. Um amigo meu festejou durante um mês a excursão à Europa, para ele e a patroa (sozinho não tem graça e, embora tenha tido que passar a maior parte do tempo em lojas e ouvindo comentários sobre como Florença realmente é uma bela cidade, mas enche o saco logo e o comércio é péssimo, não chega aos pés de Miami, conseguiu, afinal, viajar para fora do país), para em seguida descobrir a chegada dos carnês de pagamento da agência de turismo, todos em seu nome, é claro. Claro, sim, ele tinha dinheiro guardado, a vida é curta, por que se privar de um sonho só para conservar os trocados da velhice? E ele não reclamou, tem umas duas músicas compostas e vai ver se descola uma vaga no Retiro dos Artistas.
De minha parte, sofro grandes sobressaltos com os anúncios de televisão, principalmente os dos aparelhos de ginástica (venho murchando a barriga com afinco desde que me lembraram a chegada do dia de hoje, espero escapar) e, nas raras vezes em que o controle está sob meu controle, mudo de canal. Mas é a velha paranóia, na verdade não tenho muito o que temer. Vou ganhar uma bermuda e um par de sandálias, se bem que minhas camisas de ir à Academia “estão uma vergonha” e talvez eu receba novos instrumentos de estrangulamento parcelado. Nada como a alegria do Dia dos Pais. Pelo menos quando se é dono de shopping ou churrascaria, imagino eu.
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+ Veja também:
Millôr Fernandes | Poemeu - A superstição é imortal
Quando eu era bem menino
Tinha fadas no jardim
No porão um monstro albino
E uma bruxa bem ruim.
Cada lâmpada tinha um gênio
Que virava ano em milênio
E, coisa bem mais perversa,
Sapo em rei e vice-versa.
Tinha Ciclope,Centauro,
Autósito, Hidra e megera,
Fênix, Grifo, Minotauro,
Magia, pasmo e quimera.
Mas aí surgiram no horizonte
Além de Custer e seus confederados
A tecnologia mastodonte
Com tecnologistas bem safados
Esses homens da ciência me provaram
Que duendes, bruxas e omacéfalos
Eram produtos imbecis de meu encéfalo.
Nunca existiram e nunca existirão:
uma decepção!
Mas continuo inocente, acho.
Ou burro, bobo, ou borracho.
Pois toda noite eu vejo todo dia
Tudo que é estranho, raro, ou anomalia:
Padres sibilas
Hidras estruturalistas
Ministros gorilas
Avis raras feministas
Políticos de duas cabeças
Unicórnios marxistas
Antropólogas travessas
Mactocerontes psicanalistas
Cisnes pretos arquitetos
Economistas sereias
Democratas por decreto
E beldades feias
Que invadem a minha caverna
E me matam de aflição
Saindo da lanterna
Da televisão.
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+ Veja também:
“CLIC“
Luis Fernando Verissimo
Livro: As Mentiras que os Homens Contam
Brasil | World
Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele está no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.
Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.
— Aloa.
— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.
— Ele já vai sair do banheiro.
— Você é a…
— Uma amiga.
— Como é seu nome?
— Quem quer saber?
O cidadão inventou um nome.
— Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele.
— Primo do Amleto?
Amleto. O safado já tinha um nome.
— É. De Quaraí.
— Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí.
— Pois é.
— Carol.
— Hein?
— Meu nome. É Carol.
— Ah. Vocês são…
— Não, não. Nos conhecemos há pouco.
— Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço.
— Eu também não sei o endereço dele.
— Mas vocês…
— Nós estamos num motel. Este telefone é celular.
— Ah.
— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.
— Ele disse que comprou?
— Por quê?
O cidadão não se conteve.
— Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim!
— Não acredito.
— Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta.
— O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo.
E Carol desligou de novo.
O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou.
— Aloa.
— Carol, é o Tobias.
— Quem?
— O Taborda. Por favor, chame o Amleto.
— Ele continua no banheiro.
— Em que motel vocês estão?
— Por quê?
— Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto…
— Recém nos conhecemos.
— Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos?
— Esta é a primeira vez.
— Vocês nunca tinham se visto antes?
— Já, já. Mas, assim, só conversa.
— E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí.
— Pensei que fosse goiano.
— Aí esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano…
— Não, não. Eu é que pensei.
— Carol, ele ainda está no banheiro?
— Está.
— Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negócio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. — Saia daí enquanto é tempo, Carol!
— Mas…
— Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo.
— Ele esta saindo do banheiro.
— Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está.
Clic.
Dez minutos depois, o cidadão liga de novo.
— Aloa.
— Carol, onde você está?
— O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa.
— Carol, eu…
— Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso.
O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou:
— Como ele vai devolver o telefone?
— Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá.
— Carol, não…
Mas Carol já tinha desligado.
O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez.
—Aloa.
Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento.
— Carol, é o Torquatro.
— Quem?
— Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular!
— Mas ele disse que vai devolver na…
— Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol.
— Então você também mentiu!
— Carol…
Clic.
Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um “Alô” de homem.
— Amleto?
— Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro.
— Olha aqui, seu…
— Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era?
— Só quero meu telefone.
— Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino?
— Quero meu celular de volta!
— Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol…
— Ladrão
— Executivo
— Devolve meu…
Clic.
Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente.
— Ahn?
— Quem fala?
— É o Trola.
— Como você conseguiu esse telefone?
— Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou.
— Onde você está?
— Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai.
— Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar.
— Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo…
— Onde você está? Eu quero saber onde!
— Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e…
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+ Veja também:
Matrix 4 ReEntered | Trailer
Há um boato circulando pela Internet sobre o filme Matrix 4 - ReEntered, e há até um trailer do “novo” filme no YouTube. Seria bacana, é claro, se fosse verdade, mas não é. O que acontece é que algum “espertinho” editou cenas do filme Casshern e criou o trailer do Matrix 4, que é falso. Assista o trailer. Mais abaixo você também pode conferir um vídeo que faz uma sátira sobre uma suposta luta entre Neo, Robocop e Yoda.
Matrix 4 is a hoax edited by someone, it is fake.
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Matrix 4 - ReEntered | Trailer (falso/fake)
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Bônus: Neo vs. Robocop & Yoda | Trailer (Humor)
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+ Veja também:
Song Lyrics | Music Video: Bon Jovi | “Lost Highway” | Lost Highway
“FARSA“
de Luis Fernando Verissimo
Comédias da Vida Privada
Brasil | World
Quando ouviu o ruído da porta do apartamento sendo aberta, a mulher soergueu-se ligeiro na cama e disse, ela realmente disse:
- Céus, meu marido!
O amante ergueu-se também, espantado, menos com o marido do que com a frase.
- O que foi que você disse?
- Eu disse “Céus, meu marido!”
- Foi o que eu pensei, mas não quis acreditar.
- Ele me disse que ia para São Paulo!
- Talvez não seja ele. Talvez seja um ladrão.
- Seria sorte demais. É ele. E vem vindo para o quarto. Rápido, esconda-se dentro do armário!
- O quê? Não. Tudo menos o armário!
- Então embaixo da cama.
- O armário é melhor.
O amante pulou da cama, pegou sua roupa de cima da cadeira e entrou no armário, pensando “isto não pode estar acontecendo”. Começou a rir, descontroladamente. Até se lembrar que tinha deixado seus sapatos ao lado da cama. Ouviu a porta do quarto se abrir. E a voz do marido.
- Com quem é que você estava conversando?
- Eu? Com ninguém. Era a televisão. E você não disse que ia para São Paulo?
- Espere. Aqui no quarto não tem televisão.
- Não mude de assunto. O que é que você está fazendo em casa?
O amante começou a rir. Não podia se conter, mesmo sentindo que assim fazia o armário sacudir. Tapou a boca com a mão. Ouviu o marido perguntar:
- Que barulho é esse?
- Não interessa. Por que você não está em São Paulo?
- Não precisei ir, pronto. Estes sapatos…
O amante gelou. Mas o marido se referia aos próprios sapatos, que estavam apertados. Agora devia estar tirando os sapatos. Silêncio. O ruído da porta do banheiro sendo aberta e depois fechada. Marido no banheiro. O amante ia começar a rir outra vez quando a porta do armário se abriu subitamente e ele quase deu um berro. Era a mulher para lhe entregar seus sapatos. Ela fechou a porta do armário e se atirou de novo na cama antes que ele pudesse avisar que aqueles sapatos não eram os dele, eram os do marido. Loucura! Porta do banheiro se abrindo. Marido de volta ao quarto. Longo silêncio.
Voz do marido:
- Estes sapatos…
- O que é que tem?
- De quem são?
- Como, de quem são? São os seus. Você acabou de tirar.
- Estes sapatos nunca foram meus.
Silêncio. Mulher obviamente examinado os sapatos e dando-se conta do seu erro. O amante, ainda por cima, com falta de ar.
Voz da mulher, agressiva:
- Onde foi que você arranjou estes sapatos?
- Estes sapatos não são meus, eu já disse!
- Exatamente. E de quem são? Como é que você sai de casa com um par de sapato e chega com outro?
- Espera aí…
- Onde foi que você andou? Vamos, responda!
- Eu cheguei em casa com os mesmos sapatos que saí. Estes é que não são os meus sapatos.
- São os sapatos que você tirou. Você mesmo disse que estavam apertados. Logo, não eram os seus. Quero explicações.
- Só um momentinho. Só um momentinho!
Silêncio. Marido tentando pensar em alguma coisa para dizer.
Finalmente, a voz da mulher, triunfante:
- Estou esperando.
Marido reagrupando as suas forças. Passando para o ataque.
- Tenho certeza absoluta - absoluta! - que não entrei neste quarto com estes sapatos. E olhe só, eles não podiam estar apertados porque são maiores do que o meu pé.
Outro silêncio. A mulher, friamente:
- Então só há uma explicação.
O marido:
- Qual?
- Eu estava com outro homem aqui dentro quando você chegou. Ele pulou para dentro do armário e esqueceu os sapatos.
Silêncio terrível. O amante prenderia a respiração se não precisasse de ar. A mulher continuou:
- Mas nesse caso onde é que estão os seus sapatos?
O homem, sem muita convicção:
- Você poderia ter entregue os meus sapatos para o homem dentro do armário, por engano.
- Muito bem. Agora, além de adúltera, você está me chamando de burra. Muito obrigada.
- Não sei não, não sei não. E eu ouvi vozes aqui dentro…
- Então faz o seguinte. Vai até o armário e abre a porta.
O amante sentiu que o armário sacudia. Mas agora não era o seu riso. Era o seu coração. Ouviu os pés descalços do marido aproximando-se do armário. Preparou-se para dar um pulo e sair correndo do quarto e do apartamento antes que o marido se recuperasse. Derrubaria o marido na passagem. Afinal, tinha os pés maiores. Mas a mulher falou:
- Você sabe, é claro, que no momento em que abrir essa porta estará arruinando o nosso casamento. Se não houver ninguém aí dentro, nunca conseguiremos conviver com o fato de que você pensou que havia. Será o fim.
- E se houver alguém?
- Aí será pior. Se houver um amante de cuecas dentro do armário, o nosso casamento se transformará numa farsa de terceira categoria. Em teatro barato. Não poderemos conviver com o ridículo. Também será o fim.
Depois de alguns minutos, o marido disse:
- De qualquer maneira, eu preciso abrir a porta do armário para guardar a minha roupa…
- Abra. Mas pense no que eu disse.
Lentamente, o marido abriu a porta do armário. Marido e amante se encararam. Nenhum dos dois disse nada.
Depois de três ou quatro minutos o marido disse: “Com licença” e começou a pendurar sua roupa. O amante saiu lentamente de dentro do armário, também pedindo licença, e se dirigiu para a porta. Parou quando ouviu um “psiu”. Disse:
- É comigo?
- É - disse o marido. - Os meus sapatos.
O amante se lembrou que estava com os sapatos errados na mão, juntou com o resto da sua roupa. Colocou os sapatos do marido no chão e pegou os seus. Saiu pela porta e não se falou mais nisso.
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+ Veja também:
“Cog“, criação da agência Wieden + Kennedy UK Ltd para o Accord, da Honda, foi o comercial vencedor do Leão de Ouro em Cannes em 2003 na categoria Carros.
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Cog | Honda Accord
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+ Veja também:
Pipoca e Pizza com Guaraná | Nizan Guanaes
Caricatura: Wesley Snipes (caricature)

Wesley Snipes por Sérgio G. Brito
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+ Veja também:
Cancioneiro: “Refazenda” (+ “Refarm” / English version) | Gilberto Gil | Red Hot + Rio

MÁRIO PRATA
Livros (Books):
Brasil | World
“PERUCAS, PERUAS E BOTOQUES“
Tem coisas que não dão certo. Já falei aqui sobre perucas. Ainda existem homens que insistem. E todos dizem a mesma coisa: o careca vira ponto de referência para localizar alguém em algum lugar. Numa fila, por exemplo. “Tá vendo aquele careca? O segundo, depois dele”. Aí o sujeito coloca uma peruca e a pessoa fala: “Tá vendo o cara de peruca? Dois depois dele”.
E agora as pessoas resolveram usar botoques (botox, em inglês). Eu digo pessoas e não apenas as mulheres porque tem muito marmanjo por aí esticando a pele, disfarçando as rugas, querendo ficar rapazinho de novo. E estão todos e todas, passando pelo mesmo constrangimento: “Tá vendo aquela de botoques? Duas depois dela”.
Além de trazer vários problema paralelos. Se uma pessoa coloca botoques na testa você nunca mais vai saber se ela está preocupada ou não. Aquilo fica uma superfície de marfim esmaltado que brilha, reluz. Preocupante. Tem umas que fazem ao lado dos lábios. Jamais saberemos se ela está sorrindo um chupando uma uva.
Mas o pior é que o efeito dura apenas seis meses. Isso significa que aquelas rugas que a mulher cultivou em sessenta anos de vida, dia a dia, agora surgem no espelho a cada seis meses, de cara. Quem é que ganha com isso, fora os aplicadores de botoques? Se envelhecer em 60 anos já não foi (fisicamente) tão agradável, imagine em seis meses, minha senhora.
Como sempre, invenção daquelas loiras americanas. O botoques que é bom para as americanas é bom para as brasileiras, já dizia alguém nos anos 60.
Só que aqui no Brasil botox é botoques e, se esticarmos os olhos até o dicionário, vamos deixar a nossa testa enrugada de preocupação.
Tá lá. Botoques: rolhas que vedam orifício no bojo de pipas, barris e tonéis; bujão, esquiça. E o que é esquiça? Rolha…
Quer mais? Botoques: pequenos orifícios circulares feitos na orelha da rês para marcá-la.
Mas botoques ainda podem ser muito mais coisas. Pode ser, por exemplo, o esporão do galo e até mesmo um indivíduo gordo e baixinho.
E sabe aquelas “peças arredondadas de madeira, pedra ou concha, usada como enfeite pelos botocudos e outros indígenas sul-americanos, que as introduzem em furos feitos no lábio inferior ou nos lóbulos das orelhas”? Também se chamam botoques…
E você, minha senhora, que está me lendo agora tentando franzir a testa e não está conseguindo, não fique chateada comigo. Por que, do alto dos meus quase sessenta, e também meio enrugadinho, posso lhe garantir que ruga não é um bicho de sete cabeças. Nem de sete testas. Faz parte. Denotam no seu rosto – no mínimo – uma certa sabedoria, uma certa vida vivida, um conhecimento do mundo, um prazer de estar vivo.
Não vamos esconder nossas preocupações e muito menos nossos sorrisos. Vamos enfrentar a velhice que se aproxima de cara limpa. Sem metamorfoses.
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+ Veja também:
Albert Einstein

Jean-Paul Belmondo por Biratan
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Veja também:

Grande Edgar, do sempre genial Luis Fernando Verissimo.
Livros (Books): Brasil | World
Já deve ter acontecido com você.
- Não está se lembrando de mim?
Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele está ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando a sua resposta. Lembra ou não lembra? Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir. Um, o curto, grosso e sincero.
- Não.
Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O “Não” seco pode até insinuar uma reprimenda à sua pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos não entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem.
Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.
- Não me diga. Você é o… o…
“Não me diga”, no caso, quer dizer “Me diga, me diga”. Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com a sua agonia. Ou você pode dizer algo como:
- Desculpe, deve ser a velhice, mas…
Este também é um apelo à piedade. Significa “Não torture um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!” É uma maneira simpática de dizer que você não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve à insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.
E há o terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.
- Claro que estou me lembrando de você!
Você não quer magoá-lo, é isso. Há provas estatísticas que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:
- Há quanto tempo!
Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.
- Então me diga quem eu sou.
Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:
- Pois é.
Ou:
- Bota tempo nisso.
Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem é esse cara, meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas do meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como “jabs” verbais.
- Como cê tem passado?
- Bem, bem.
- Parece mentira.
- Puxa. (Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)
Ele está falando:
- Pensei que você não fosse me reconhecer…
- O que é isso?!
- Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.
- Eu esquecer você? Logo você?
- As pessoas mudam. Sei lá.
- Que idéia! (É o Ademar! não. o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O… o… como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. “Que bom encontrar você!” e paf, chuta uma perna. “Que saudade!” e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)
- É incrível como a gente perde contato.
- É mesmo.
Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.
- Cê tem visto alguém da velha turma?
- Só o Pontes.
- Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes…)
- Lembra do Croarê?
- Claro!
- Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.
- Velho Croarê! (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda a cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)
- Rezende…
- Quem?
Não é ele. Pelo menos isto está esclarecido.
- Não tinha um Rezende na turma?
- Não me lembro.
- Devo estar confundindo.
Silêncio. Você sente que está prestes a ser desmascarado.
Ele fala:
- Sabe que a Ritinha casou?
- Não!
- Casou.
- Com quem?
- Acho que você não conheceu. O Bituca.
Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador. Você está tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?
- Claro que conheci! Velho Bituca…
- Pois casaram.
É a sua chance. É a saída. Você passa ao ataque.
- E Não me avisaram nada?!
- Bem…
- Não. Espera um pouquinho. Todas essas coisas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, o Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?!
- É que a gente perdeu contato e…
- Mas o meu nome está na lista, meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.
- É…
- E você ainda achava que eu não ia reconhecer você. Vocês é que esqueceram de mim!
- Desculpe, Edgar. É que…
- Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam… (Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele está na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de “Já?!”)
- Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?
- Certo, Edgar. E desculpe, hein?
- O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.
- Isso.
- Reunir a velha turma.
- Certo.
- E olha, quando falar com a Ritinha e o Mutuca…
- Bituca.
- E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?
- Tchau, Edgar!
Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer “Grande Edgar”. Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar “Você está me reconhecendo?” não dirá nem não. Sairá correndo.
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+ Veja também:

Marilyn Monroe por Ant
“Olha Eu Aqui, Mãe!“
- Mãe, estou escrevendo na última página da Criativa.
- Da onde, meu filho?
- Da revista Criativa, mãe. Não conhece? Vende uns 500
mil exemplares por mês.
- Só? O Oscar, disseram que tinha 1 bilhão vendo. É
revista de arquiteto, meu filho?
- Não, mãe. Revista de mulher.
- Pelada?
- Não, mãe, é séria. Feita de mulher para mulher.
- E você vai escrever aí? Na última página, ainda por cima?
Por que não deixam você escrever na primeira? Por que você
não escreve no Cruzeiro? Tão boa revista, meu filho.
- Já fechou, mãe.
- Meu filho, acho melhor não contar para o seu pai que
você está escrevendo em revista de mulher. E a cidade, meu
filho? Você conhece aqui, cidade pequena, vai todo mundo
comentar: “você viu o filho dela? Sempre desconfiei…”.
- Imagina, mãe. Tem moldes, receitas…
- Receita? Você vai escrever receitas, meu filho? Você
nunca conseguiu fritar um ovo.
- Não, mãe. Vou falar do meu ponto de vista sobre as
mulheres.
- Meu filho, não faça isso. Você sabe muito bem que você
não entende nada de mulheres. Como marido foi um fracasso.
Quantas mulheres você já teve, menino? Nenhuma te agüentou.
Volta para a Globo, meu filho. Vai escrever novela, vai. Tão
bonitas as suas novelinhas.
- Vou falar sobre orgasmo múltiplo.
- Múltiplo? Meu filho, que vergonha. Se o seu pai sabe
disso, te mata. E a Parati, escreve para a Parati.
- Já fechou, mãe.
- E a Playboy? Por que você não escreve para a Playboy?
Pelo menos na cidade não vão comentar.
- O Nirlando Beirão está escrevendo lá.
- Meu filho, aquele barbudinho que casou com a sua
mulher? Estou quase chorando, meu filho. O primeiro marido na
revista de mulher e o atual… Você está me fazendo sofrer tanto.
Sabe o que eu acho, que você está escrevendo nessa revista
para namorar as moças de lá.
- Imagina, mamãe, é uma revista moderna, criativa mesmo.
- Mas por que te puseram na última página? Estão
abusando de você, meu filho. A gente educa, perde noites de
sono, se preocupa, dá o melhor da gente para isso, meu filho?
- Pagam bem, mãe.
- O dinheiro não traz felicidade, meu filho. Na Globo, sim,
que você ganhava bem.
- A revista é da Globo, mãe.
- Vai sair na televisão?
- Não, da Editora Globo.
- Mas não aparece na televisão? Ah, meu filho, que notícia
mais triste. Você não tem vergonha? O Nirlando lá na Playboy
e você aí? O que é que os seus filhos não vão pensar? Eu disse
para você não se separar. Sabia que coisa boa não ia dar. Vão
ficar rindo dos seus filhos na escola, meu filho.
- Fica tranqüila, mãe. Vai dar tudo certo.
- Eu me lembro, quando você tinha 14 anos e começou a
fazer coluna social lá em Lins. Comentei com o seu pai: “Isso
não vai dar certo”. Olha onde você terminou.
- Mãe, eu estou feliz. Isso é uma conquista profissional.
- Já sei de tudo. Você vai querer que eu te mande aquela
receita do meu vatapá, não é? Eu mando. Mãe é para isso
mesmo. Tenho também aqui uns moldes de uns “taierzinhos”.
- Não precisa, mãe.
- Tem uma moça aqui que faz umas cerâmicas muito
bonitas, com rosas cor-de-rosa, uma beleza. Quer que eu peça
para ela mandar umas fotos? Coitada, ela está tão necessitada.
Talvez se sair aí na Criação.
- Criativa, mãe.
- E o seu chefe é simpático, te trata bem? Você tem
chegado no horário, meu filho?
- É chefa. Mulher.
- Meu filho, recebendo ordens de uma mulher? Realmente
é melhor o seu pai não saber disso. A revista vai vender aqui na
cidade?
- Claro.
- Você quer me matar, meu filho. Fala a verdade. Quer ou
não quer? Uma chefa, era só o que faltava. Só falta ela ser mais
nova do que você.
- É.
- É o fim do mundo. (começa a chorar, desliga)
- Mãe, mãe…

MÁRIO PRATA

Samuel L. Jackson por Nelson Santos

Jack Nicholson por Diogo Salles

Woody Allen por Carlinhos Muller

Tom Jobim por Baptistão

Jô Soares por Paffaro

Trabalho de autoria do fotógrafo Claudio Lara




