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Injeção indolor: adesivo com tecnologia de impressoras é utilizado para administrar medicamentos
A HP criou a injeção indolor, um adesivo de alta tecnologia que pode ser uma alternativa à agulha hipodérmica. O adesivo “inteligente” contém um chip de computador e microagulhas para a aplicação precisa de medicamentos abaixo da superfície da pele, de modo praticamente indolor. Um único adesivo pode ser utilizado para aplicar vários medicamentos. Elaborado com base na tecnologia de jato de tinta da HP, o adesivo realiza a aplicação de medicamentos por meio de agulhas ultrafinas embutidas.
A HP licenciou a tecnologia para a Crospon, uma empresa de dispositivos médicos sediada em Galway, na Irlanda, para produzir e comercializar o produto. A tecnologia de microagulhas pode ser usada com uma série de medicamentos e produtos biofarmacêuticos. Dependendo do uso, os adesivos podem durar dias e até mesmo semanas.
A aplicação de medicamentos por injeção geralmente causa dor aos pacientes. Sua segurança e precisão depende da pessoa que manipula uma agulha hipodérmica. Ingerir um comprimido não é necessariamente a melhor alternativa: a eficiência de medicamentos ingeridos por via oral pode ser reduzida em até 95% por causa do ácido contido no estômago.
Os adesivos disponíveis no mercado atualmente fazem com que o medicamento seja absorvido pela pele. Esse sistema funciona em alguns tipos de tratamentos, como o adesivo de nicotina para pessoas que desejam parar de fumar. Como a pele age como uma barreira natural, esse não é um mecanismo de aplicação ideal para muitos tipos de medicamentos.
Cada uma das microagulhas de um adesivo HP-Crospon pode ser programada para injetar medicamentos na corrente sangüínea de modo independente, com diferentes doses e números de vezes, dependendo da necessidade do paciente. Da mesma forma que um cartucho de jato de tinta imprime em cores diferentes, o adesivo pode aplicar diversos medicamentos.
“Basicamente, trata-se de uma série de microagulhas hipodérmicas controladas por computador que não causam dor”, explicou Janice Nickel. “O uso de vários reservatórios independentes é o que torna o sistema definitivamente único. Cada um deles possui um aquecedor e um sistema de bombeamento próprios.”
A Crospon, que tem como foco o monitoramento e tratamento da diabetes e de disfunções de refluxo gastresofagiano, comercializará o adesivo e o oferecerá a empresas do mercado farmacêutico no mundo todo. Os novos adesivos devem estar disponíveis no mercado entre 2 e 4 anos, dependendo dos processo de testes e aprovação. “Acreditamos que a administração de medicamentos por meio de um simples adesivo com microagulhas é um marco para a indústria”, declarou John O’Dea, Diretor executivo da Crospon, empresa de dispositivos médicos sediada em Galway, na Irlanda. “Esse adesivo revolucionário permite à Crospon oferecer uma plataforma superior de administração de medicamentos para médicos e pacientes.”
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A Criptografia
A Criptografia é o estudo dos princípios e técnicas pelas quais a informação pode ser transformada da sua forma original para outra ilegível, de forma que possa ser conhecida apenas por seu destinatário (detentor da “chave secreta”), o que a torna difícil de ser lida por alguém não autorizado. Assim sendo, só o receptor da mensagem pode ler a informação com facilidade.
O estudo da criptografia cobre bem mais do que apenas cifragem e decifragem. É um ramo especializado da teoria da informação com contribuições de outros campos da matemática e do conhecimento, incluindo autores como Maquiavel, Sun Tzu e Karl von Clausewitz. A criptografia moderna é basicamente formada pelo estudo dos algoritmos criptográficos que podem ser implementados em computadores.
O estudo das formas de esconder o significado de uma mensagem usando técnicas de cifragem tem sido acompanhado pelo estudo das formas de conseguir ler a mensagem quando não se é o destinatário; este campo de estudo é chamado criptoanálise.
A Criptologia é o campo que engloba a Criptografia e a Criptoanálise.
As pessoas envolvidas neste trabalho, e na criptografia em geral, são chamados criptógrafos, criptólogos ou criptoanalistas, dependendo de suas funções específicas.
Termos relacionados à criptografia são Esteganografia, Código, Criptoanálise e Criptologia.
A Esteganografia é o estudo das técnicas de ocultação de mensagens dentro de outras, diferentemente da Criptografia, que a altera de forma a tornar seu significado original ininteligível. A Esteganografia não é considerada parte da Criptologia, apesar de muitas vezes ser estudada em contextos semelhantes e pelos mesmos pesquisadores.
Uma informação não-cifrada que é enviada de uma pessoa (ou organização) para outra é chamada de “texto claro” (plaintext). Cifragem é o processo de conversão de um texto claro para um código cifrado e decifragem é o processo contrário, de recuperar o texto original a partir de um texto cifrado.
Diffie e Hellman revolucionaram os sistemas de criptografia existentes até 1976, a partir do desenvolvimento de um sistema de criptografia de chave pública que foi aperfeiçoado por pesquisadores do MIT e deu origem ao algoritmo RSA.
RSA é um algoritmo de encriptação de dados, que deve o seu nome a três professores do Instituto MIT (fundadores da atual empresa RSA Data Security, Inc.), Ron Rivest, Adi Shamir e Len Adleman, que inventaram este algoritmo. Foi a mais bem sucedida implementação de sistemas de chaves assimétricas e fundamenta-se em Teorias Clássicas dos Números. É considerado dos mais seguros, já que mandou por terra todas as tentativas de quebrá-lo. Foi também o primeiro algoritmo a possibilitar encriptação e assinatura digital, e uma das grandes inovações em criptografia de chave pública.
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Os efeitos especiais de filmes e a ciência
Físico contrapõe efeitos especiais de filmes de hollywood à ciência
Já imaginou você sentado confortavelmente numa poltrona, no escurinho do cinema, comendo sua pipoca, assistindo a uma seqüência de uma batalha no espaço das do tipo “Guerra nas Estrelas” e nenhum som saindo das potentes caixas de áudio digitais da sala?
Pois é. Se os preceitos da ciência fossem considerados nos roteiros e nos sets de filmagens, certamente você não ouviria nada, mesmo que uma nave gigante explodisse. Isso ocorre pois as explosões não fazem barulho algum no espaço.
Segundo o físico Marcelo Gleiser não só essa como várias outras cenas clássicas de filmes, tais como degelos gigantes de calotas polares e homens sendo lançados à lua por meio de tiros de canhões, não existiriam.
Em coluna publicada na Folha de São Paulo, Gleiser mostra exemplos de alguns filmes e debate se é razoável ou não criticar a indústria cinematográfica por erros crassos quando o assunto é ciência.
Gleiser é autor de Micro Macro: Reflexões Sobre o Homem, o Tempo e o Espaço e Micro Macro 2 - Mais Reflexões Sobre o Homem, o Tempo e o Espaço. Os títulos têm a proposta de disseminar os conceitos da divulgação científica atingindo ao mesmo tempo aqueles que não possuem muita intimidade com assunto, sem descontentar os já iniciados nos temas abordados.
Marcelo Gleiser nasceu no Rio de Janeiro, em 1959. Doutourou-se no King´s College, na Inglaterra, e foi pesquisador do Ferni National Accelerator Laboratory, nos arredores de Chicago, e do Institute for Theoretical Physics na Universidade da Califórnia. Atualmente é professor de física e astronomia no Dartmouth College, em New Hampshire, e vem recebendo bolsas de pesquisa da National Science Foundation, da NASA e da OTAN. Participa regularmente de programas de divulgação científica nas televisões do Brasil, dos Estados Unidos e da Inglaterra. Em 1994 foi premiado pelo presidente Clinton com o Presidential Faculty Fellows Award, por seu trabalho de pesquisa em cosmologia e por sua dedicação ao ensino.
Ciência e Hollywood
por Marcelo Gleiser
Infelizmente, é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. Não me lembro de um só filme que tenha retratado isso direito. (Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso.) Sempre vemos explosões gigantescas, estrondos fantásticos. Para existir ruído é necessário um meio material que transporte as perturbações que chamamos de ondas sonoras. Na ausência de atmosfera, ou água, ou outro meio, as perturbações não têm onde se propagar. Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. Pelo menos não como prioridade. Seu interesse é tornar o filme emocionante, e explosões têm justamente este papel; roubar o som de uma grande espaçonave explodindo torna a cena bem sem graça. Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. O sucesso do filme O Dia Depois de Amanhã (The Day After Tomorrow) faturando mais de meio bilhão de dólares e seu cenário de uma idade do gelo ocorrendo em uma semana em vez de décadas ou, melhor ainda, centenas de anos, levantaram as sobrancelhas de cientistas mais rígidos que vêem as distorções com desdém e esbugalharam os olhos dos espectadores (a maioria) que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. Afinal, cinema é diversão.
Tudo começou em 1902, quando o francês Georges Méliès dirigiu o curta Uma Viagem à Lua. No filme, seis aventureiros chegam até a Lua em uma cápsula disparada por um canhão. Após sua chegada, os tripulantes são raptados por habitantes lunares com intenções nada amistosas. Os heróis escapam, empurram a espaçonave da beira da Lua de modo que ela caia sobre a Terra, bem sobre o Oceano Atlântico. Tudo no filme está errado, claro. A aceleração de um tiro de canhão potente o suficiente para levar pessoas até a Lua as mataria quase que imediatamente. Cair da Lua é impossível. Desconto a questão dos habitantes lunares, pois na época isto não era sabido. Este filme, o primeiro de uma nobre linhagem indo até O Dia Depois de Amanhã, exagera, inventa ciência para criar um enredo emocionante. A questão então é o que devem fazer os cientistas a respeito, se é que devem fazer algo. Cabe a eles tentar “consertar” a ciência dos filmes, escrevendo cartas e artigos sobre o assunto? Será que faz sentido criticar a indústria cinematográfica pelos erros crassos?
Até recentemente, defendia a posição mais rígida, que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que retratam. Claro, isso sempre é bom. Mas não acredito mais que seja absolutamente necessário. Existe uma diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico. Óbvio, documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população. Filmes não têm um compromisso pedagógico. As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra. Claro, filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. Outros educam as emoções através da ficção. Mas se existirem exageros, eles não devem ser criticados como tal. Fantasmas não existem, mas filmes de terror sim. Pode-se argumentar que, no caso de filmes que versam sobre temas científicos, as pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. Isso pode ser verdade, mas elas não deveriam basear suas conclusões no que diz o filme. No mínimo, cinema pode servir como mecanismo de alerta para questões científicas importantes: o aquecimento global, a inteligência artificial, a engenharia genética, as guerras nucleares, os riscos espaciais como cometas ou asteróides etc. Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra. A arte distorce para persuadir. E o cinema moderno, com efeitos especiais absolutamente espetaculares, distorce com enorme facilidade e poder de persuasão.
O que os cientistas podem fazer, e isso está virando moda nas universidades norte-americanas, é usar filmes nas salas de aula para educar seus alunos sobre o que é cientificamente correto e o que é absurdo. Ou seja, usar o cinema como ferramenta pedagógica. Os alunos certamente prestarão muita atenção, muito mais do que em uma aula convencional. Com isso, será possível educar a população para que, no futuro, um número cada vez maior de pessoas possa discernir o real do imaginário.
Fonte: Folha Online
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Clonagem sem embriões
Criador da ovelha Dolly troca clonagem por técnica sem embriões
O cientista Ian Wilmut, que criou a ovelha Dolly, deixará a clonagem de lado para se concentrar em uma nova técnica revolucionária que permite criar células-tronco sem usar embriões, afirmou na edição deste sábado o jornal “The Daily Telegraph”.
Segundo a publicação britânica, o professor Wilmut abandonará o método da clonagem para encontrar outra forma de curar doenças, como o Mal de Parkinson.
O cientista da Universidade de Edimburgo (Escócia) acredita que um procedimento desenvolvido no Japão oferece uma melhor opção de desenvolver as células do próprio paciente para tratar doenças como acidentes vasculares e problemas cardíacos.
Ao contrário das atuais pesquisas com células-tronco, a nova técnica não precisa do uso de embriões humanos.
Nos últimos dez anos, os cientistas vêm sofrendo fortes críticas de grupos religiosos e organizações “pró-vida”, devido à necessidade de utilizar embriões para gerar células-tronco.
O presidente americano, George W. Bush, proibiu o uso de dinheiro público nos Estados Unidos para pesquisas deste tipo.
De acordo com o jornal britânico, a decisão de Wilmut pode pôr fim à clonagem terapêutica, uma área de pesquisa muito importante nos últimos anos e na qual se investiu muito dinheiro.
“Decidi há algumas semanas não continuar com a transferência nuclear (o método utilizado para clonar a ovelha Dolly)”, disse Wilmut, que acredita que “será mais fácil” que a nova técnica seja aceita socialmente.
A equipe de Wilmut surpreendeu o mundo em 1997 quando apresentou Dolly, o primeiro animal a ser clonado com uma célula adulta.
O cientista afirmou que se inspira em um trabalho do professor Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, que investiga a criação de células-tronco de um paciente sem a necessidade de embriões.
Em estudos anteriores, Yamanaka encontrou a maneira de criar células-tronco a partir de fragmentos de pele.
O “Daily Telegraph” acrescentou que fontes da comunidade científica consideram que o professor japonês conseguiu fazer o mesmo com células humanas.
Apesar de os detalhes desses estudos ainda não terem sido divulgados, o professor Wilmut os considerou “extremamente estimulantes e assombrosos”, uma opinião compartilhada por outros especialistas.
O prêmio Nobel de Medicina 2007 Martin Evans disse que esta pesquisa “será a solução a longo prazo”, e o professor Robin Lovell-Badge, do Instituto Nacional para a Pesquisa Médica de Mill Hill (norte de Londres), afirmou que o estudo será “o futuro”.
Fonte: Folha Online
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O País da Megadiversidade
por João Paulo Capobianco
A biodiversidade é a grande riqueza nacional. Os autores de livros escolares que gostam de exaltar a dimensão continental do Brasil, a riqueza de suas jazidas minerais ou a pujança do parque industrial brasileiro, ainda não perceberam o quanto poderiam se vangloriar da enorme diversidade biológica do País. Só na Amazônia existem 55 mil espécies de plantas, 428 de mamíferos, 1.622 de aves, 467 de répteis e 516 de anfíbios.
Numa comparação com outros países da América do Sul, o Brasil é o primeiro colocado em número de espécies de mamíferos, répteis e anfíbios. Em termos de espécies endêmicas, ou seja, que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar do planeta, o País é campeão também em aves. Em termos mundiais, o País ocupa o primeiro lugar em anfíbios, terceiro em aves e quarto em mamíferos e répteis.
Estes números constam da Global Diversity - Status of the Earth’s Living Resources, a mais importante obra sobre o tema, publicada em 1992 pelo World Conservation Monitoring Centre, em cooperação com diversas outras instituições.
Como o Brasil ainda conhece muito pouco sua biodiversidade e novas espécies continuam sendo descobertas, a tendência é de que alcance uma posição ainda melhor no ranking internacional. Trabalhos mais recentes indicam que o País é o segundo do mundo em número de espécies de mamíferos.
A enorme diversidade biológica brasileira é uma decorrência da dimensão continental do País e de sua localização na região tropical do globo terrestre, onde a vida encontrou as melhores condições para se diversificar. Os ecossistemas reúnem mais de 10% das cerca de 1,4 milhão de espécies vivas já descritas pela ciência.
Estes números, entretanto, parecem ser considerados pouco importantes para os brasileiros. O ritmo impressionante com que está se destruindo os ambientes naturais, que têm como símbolos mais trágicos a Mata Atlântica e o Cerrado, ameaça destruir o que parece ser a galinha dos ovos de ouro do País.
Novas espécies estão sendo descobertas e imediatamente consideradas ameaçadas de extinção. São os casos, entre muitos outros, do mico-leão-caissara e do bicudinho-do-brejo, recentemente descobertos no litoral paranaense. Outras espécies estão no limiar da extinção. Caso da ararinha-azul, cujo último exemplar em liberdade é alvo de um dos mais fantásticos projetos de mobilização popular para conservação em desenvolvimento no País. Outras, ainda, infelizmente não serão descobertas antes de serem extintas. Nossa ignorância não é apenas quanto ao número de espécies, mas, também, quanto ao papel que desempenham nos ecossistemas naturais e o potencial de uso para o homem.
Os estudos nesta área são novos e ainda incipientes, mas já são capazes de mostrar que espécies, aparentemente de pouco valor, podem ter utilidade inimaginável. São centenas de casos, entre os quais muitos inusitados, como a possibilidade da fruta-do-lobo contribuir para a produção de diversos medicamentos, a hortelã ser usada no combate à esquistossomose, o caju, na cura do câncer e os fungos, na produção de ração para animais, além do abacaxi gigante, recém-descoberto na Amazônia, e de tantos outros exemplos que demonstram que o uso da biodiversidade pode ser a chave para um futuro mais promissor. Desde que saibamos preservá-la.
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