Livro: A Mente Milionária | Dr. Thomas J. Stanley | Primeiro Capítulo

O Dr. Thomas J. Stanley é Ph.D. em Administração pela Universidade da Geórgia e especialista no estudo das características que levam as pessoas a alcançar a independência financeira.

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Moram em casas magníficas localizadas em bairros sofisticados. Equilíbrio é o conceito com que encaram a vida. São financeiramente independentes e ainda gozam a vida; não são pessoas do tipo “só trabalho, diversão zero”. A maioria tornou-se milionária em uma única geração. Nem o estilo de vida, nem a riqueza que possuem vieram de uma significativa alavancagem financeira. Não são viciados em tomar empréstimos. Como conseguiram isso? Como conseguiram equilibrar a necessidade de ficarem ricos e serem economicamente produtivos com a necessidade de aproveitar a vida?

No começo de minha jornada de estudos sobre pessoas ricas, tive uma pequena noção desse segmento da população milionária. Em 1983, solicitaram que eu entrevistasse 60 milionários de Oklahoma. O que aprendi com eles foi simples, mas a mensagem teve um impacto duradouro em mim: você não consegue aproveitar a vida sendo consumista e acumulando dívidas. Os milionários de Oklahoma agiam de maneira completamente oposta, como demonstrado por um grupo de estudo formado por dez deles. Todos esses dez eram empresários, executivos ou profissionais experientes. Todos ricos de primeira geração. Alguns precisaram de empréstimo no início da carreira, mas posteriormente encontraram a luz no final do túnel. Eles tomaram uma decisão radical e quebraram o ciclo de tomar emprestado para consumir, gastar tudo o que ganhavam e tomar, cada vez mais, dinheiro emprestado. Outros jamais foram viciados em empréstimos, nem sentiram a necessidade de exibir o próprio sucesso.

Todos os dez eram multimilionários. Viviam em casas sofisticadas e em bairros tradicionais e respeitados. Dirigiam carros americanos. Aproveitavam a vida e não eram workaholics. Passavam bastante tempo com os familiares e amigos, tomavam pouco dinheiro emprestado e a maioria deles havia enriquecido antes dos 45 anos. Minha entrevista com eles estava programada para durar cerca de duas horas, mas durou quase quatro. Só precisei fazer algumas perguntas — os participantes se divertiam contando como haviam enriquecido. Se existisse uma calçada da fama para grupos de estudo, esses dez milionários certamente fariam parte dela desde o princípio.

Dentre os vários comentários importantes sobre como alguém se torna milionário, o de Gene foi o que mais me chamou a atenção. Ele mencionou que todos aqueles que “dependem de empréstimo” são, na verdade, controlados por um outro alguém, ou seja, alguma instituição.

Gene já estava avançado na casa dos 40 anos nessa época. Declarou que sua ocupação era a de “proprietário de um negócio de recuperação”. Ele comprava ou “recuperava” imóveis de várias instituições financeiras. Essas instituições “tinham empréstimos em atraso… de seis meses ou mais”.

Semanas antes da entrevista, Gene “recuperou” 68 casas, um shopping center e cinco condomínios de apartamentos de uma instituição financeira com a qual já havia negociado muitas vezes. Imediatamente após a assinatura do contrato, o funcionário de liberação de crédito da instituição fez sinal para que Gene o acompanhasse até a grande janela do escritório do último andar. Tratava-se de um edifício alto, do qual se podiam avistar quilômetros e quilômetros da cidade. Havia milhares de prédios comerciais ao redor. Gene podia avistar até alguns bairros residenciais no horizonte.

Enquanto ele olhava pela janela, o funcionário apontava para os edifícios, casas, escritórios, estacionamentos e lojas; e proferiu as palavras que causaram a impressão mais duradoura em Gene:

Nós, donos do crédito, possuímos tudo (…) tudo isso. E quanto aos negócios disponíveis por aí? (…) Vocês, aqueles que tomam empréstimos, apenas gerenciam esses negócios para nós (…) Vocês é que cuidam deles para nós, as instituições financeiras.

Quantas pessoas hoje, nos Estados Unidos, dirigem “seus negócios”, “suas práticas profissionais”, mas, na realidade, estão trabalhando para os que concedem empréstimos ou estão sendo controladas por eles? Quantas vivem em casas luxuosas, mas são obrigadas a trabalhar arduamente para pagar o dono da hipoteca? Quantas se importam com seus automóveis, na verdade alugados dos verdadeiros donos? Pessoas demais. Mas Gene não era uma dessas pessoas, nem tampouco algum dos outros membros do grupo de estudo. Todos possuíam em comum a mente milionária. Nenhum deles tinha um gerente de crédito pessoal para cuidar de seus empréstimos. Todos viviam em casas sofisticadas, mas nenhum tinha uma “hipoteca mastodôntica”.

A lição que aprendi com Gene foi repetida várias vezes pelos milionários entrevistados para a composição deste livro.

Todos eles acreditam ser possível aproveitar a vida e, ainda assim, enriquecerem. Acreditam que a independência financeira e muito do sucesso econômico estão ao alcance de todos sem que haja a necessidade de se adotar um estilo espartano de vida. Mas há certas restrições, como será discutido posteriormente neste livro.

Algumas pessoas não são controladas por instituições de crédito. Pelo contrário, são governadas pela cobiça; são avarentas. Conseguem até ser desleais com o cônjuge e os filhos. Fazem do dinheiro seu deus. Elas não têm a mente milionária. Um outro milionário que tinha uma perspectiva apropriada disse:

Ensinei a meus filhos que não se deve tratar o dinheiro como um deus. Você o controla (…) não o contrário!

A maioria das pessoas descritas neste livro se tornou bem-sucedidas economicamente em uma única geração. Elas começaram do zero. A maioria não herdou dinheiro. Nunca tiveram rendas imobiliárias ou rendimentos de aplicações financeiras. Como conseguiram então? Digo mais uma vez: elas têm mentes milionárias.

Talvez você nunca consiga gerar as consideráveis entradas de capital que muitos desses milionários receberam. Você pode não se tornar multimilionário em poucos anos, mas, ainda assim, poderá se beneficiar compreendendo como essas pessoas conseguem manter um agradável estilo de vida e, ao mesmo tempo, acumular riquezas. Somente poucas pessoas, mesmo aquelas com alta renda, sabem como conseguir isso. Os que possuem mentes milionárias sabem, e são deles os perfis delineados nesta obra.

A BUSCA

A pesquisa que fiz para meu livro anterior, O Milionário Mora ao Lado, e os resultados lá relatados aprofundaram meus conhecimentos sobre as características das pessoas mais ricas dos Estados Unidos. Decidi ampliar o tamanho e a extensão do meu próximo estudo para incluir um número maior de participantes a partir de uma população-base significativamente mais rica. O novo levantamento focalizou também um conjunto diferente de atributos e estilos de vida, projetados para obterem uma prospecção mais abrangente e profunda da mente dos milionários. Os resultados desse estudo serão apresentados nos capítulos seguintes.

É muito mais fácil traçar o perfil das características das pessoas com mente milionária do que encontrá-las. Por que não incluir no levantamento todos os domicílios dos Estados Unidos? Simplesmente porque somente 4,9% dos domicílios americanos, aproximadamente, detêm um patrimônio líquido de US$ 1 milhão ou mais. Nem é possível considerar todos os que vivem em residências luxuosas, pois com freqüência esses “proprietários de mansões” são o que eu chamo de Ricos na Declaração de Renda. Possuem altas rendas, grandes residências, grandes dívidas, mas baixa liquidez. São peritos em preparar pedidos de empréstimo, cuja maioria não pergunta sobre o grau de liquidez do indivíduo.

Em contraste marcante, existem os que eu chamo de Ricos no Balanço Patrimonial. São os da mente milionária, aqueles que objetivam o acúmulo de riquezas. Seus bens excedem em muito suas dívidas. Freqüentemente têm saldo bancário discreto ou saldo credor em aberto.

Se eu tivesse entrevistado as pessoas que vivem em casas sofisticadas em todo o país, qual teria sido o resultado? Um número demasiado de respostas seria proveniente dos Ricos na Declaração de Renda. Todavia, creio que certos tipos de bairro atraem o tipo dos Ricos no Balanço Patrimonial e retêm os de mente milionária, e esses mesmos bairros podem não ser atraentes para os Ricos na Declaração de Renda. Minha hipótese foi confirmada pelos resultados do levantamento que fiz para este livro.

Tendo em vista a obtenção de uma amostra representativa dos Ricos no Balanço Patrimonial, procurei ouvir os conselhos do meu amigo e sócio Jon Robbin. Ele é a autoridade máxima em geodemografia, termo empregado para descrever o estudo das características de pessoas que vivem em áreas geográficas definidas. Freqüentemente essas áreas podem ser localizadas pelo CEP, mas meu levantamento pedia um detalhamento maior e optei pelo grupamento de quarteirões ou bairros, alguns com menos de 50 casas.

Contei a Jon meu problema e ele o resolveu imediatamente. Jon é um matemático formado pela Harvard e um brilhante pesquisador; sua base de dados geodemográficos é extraordinária. Ele desenvolveu um modelo matemático sofisticado capaz de estimar as características do patrimônio líquido da maioria dos grupos de quarteirões/bairros nos Estados Unidos.

Jon descobriu que alguns bairros possuem alta concentração de pessoas com significativa renda proveniente de investimentos e, portanto, provavelmente com as características típicas da mente milionária. Ele selecionou então 2.487 bairros de sua base nacional de 226.399. Seu modelo matemático previu que estes seriam bairros densamente habitados por pessoas realmente ricas, ao contrário daquelas que possuíam mansões, enormes hipotecas, mas baixa liquidez. Foi gerada uma amostra nacional mediante a seleção aleatória de 5.063 residências daqueles bairros e, para cada uma dessas residências, foi enviado um questionário.

Dos 1.001 questionários respondidos por completo, 733 provinham de milionários, cada qual com um patrimônio líquido igual ou superior a US$ 1 milhão. Esse levantamento nacional de 733 milionários forneceu uma parte considerável da base empírica para esta obra. A maioria das pessoas que respondeu vivia em bairros de classe média alta e tradicionais, em casas construídas na década de 1950, ou mesmo de 1940 e anteriores. O quê? Nada de casas com cinco banheiras de hidromassagem? O quê? Nada de novos bairros da moda ou mansões em bairros habitados por ricaços? Será que os que possuem a mente milionária não “seguem a moda” quando se trata de escolher casas e bairros? Parece ser esse o caso. E mais: a maioria dos que responderam tinha pequena dívida remanescente sobre a hipoteca de suas casas, ou não tinha hipoteca alguma.

A metodologia de cada indivíduo, selecionado aleatoriamente, que respondeu ao questionário foi descrita em um artigo (Thomas J. Stanley e Murphy A. Sewall, “The Response of Affluent Consumers to Mall Surveys” [“Resposta dos Consumidores Ricos às Pesquisas dos Shopping Centers”], Journal of Advertising Research, junho-julho 1986, p. 55-58).

O questionário de nove páginas continha 277 questões. Esse projeto foi o mais abrangente dentre os que já tive a oportunidade de empreender. Os dados foram coletados e tabulados por uma das mais importantes organizações de pesquisas dos Estados Unidos, a Survey Research Center, do Institute for Behavioral Research, da Universidade da Geórgia. Esse centro de pesquisas também executou análises de dados por computador com uma única variável ou com múltiplas variáveis.

O questionário e a metodologia do levantamento foram previamente testados em uma amostragem ad hoc de 638 milionários. Todos tinham características das declarações de renda e de balanço patrimonial que os qualificariam para uma hipoteca mastodôntica. Esse levantamento pré-teste foi realizado pelo autor e sua equipe.

Além disso, estudos de casos importantes foram desenvolvidos a partir de uma série de entrevistas pessoais e de grupos de estudo. Esses casos estão detalhados ao longo do livro e fornecem uma peça importante do quebra-cabeça. Não é fácil compreender inteiramente a mente milionária. Os resultados resumidos neste livro têm o objetivo de ajudar as pessoas a desenvolver uma compreensão e uma apreciação maior do significado de um estilo de vida equilibrado.

UM ESBOÇO DEMOGRÁFICO

A seguir, será apresentada uma visão geral dos resultados do levantamento. A fim de desenvolver e ampliar o perfil dos milionários que venceram na vida pelo próprio esforço, temos aqui um esboço em primeira pessoa dos homens e mulheres mais produtivos economicamente dos Estados Unidos.

UMA FAMÍLIA TRADICIONAL

• Sou um homem de 54 anos. Estou casado com a mesma mulher há 28 anos. Em cada quatro de nós, um permanece em companhia da mesma esposa por 38 anos ou mais.

• Temos, em média, três filhos.

• A maioria de nós, 92%, é casada. E, dos casados, 95% têm filhos.

• Apenas 2% de nós não nos casamos.

RIQUEZA, RENDA E ALGUNS OBJETOS DE CONSUMO

• Estamos bem, financeiramente. Nosso patrimônio líquido gira em torno de US$ 9,2 milhões. O patrimônio líquido típico ou médio é de US$ 4,3 milhões. A curva do patrimônio dos que responderam possuir níveis de riqueza muito elevados mostra tendência ascendente.

• Nossa renda familiar anual total é de US$ 749 mil. A renda média é de US$ 436 mil. Aqueles dentre nós que possuem receitas iguais ou superiores a US$ 1 milhão ou mais (20%) deslocam a média para cima.

• Mesmo com essa ordem de riqueza e receita, um típico membro de nosso grupo nunca pagou mais de US$ 41 mil por um automóvel ou gastou mais de US$ 4,5 mil em um anel de noivado. Nem nossos cônjuges, nem nós nunca gastamos mais de US$ 38 (incluindo a gorjeta) por um corte de cabelo. Um de cada quatro de nós nunca gasta mais do que US$ 24 em um corte de cabelo, US$ 340 mil em uma casa, US$ 30,9 mil em um veículo automotor ou US$ 1,5 mil em um anel de noivado. Alguns de nós, cerca de 7% dos casados, não tivemos de comprar um anel de noivado. Herdamos o anel de um parente.

SOBRE A RIQUEZA HERDADA

• Vivemos em casas excelentes em bairros de alto padrão, mas apenas 2% de nós herdaram toda ou parte das casas e propriedades.

• Alguns de nós recebemos uma parte da riqueza como herança. Aproximadamente 8% herdaram 50% ou mais do patrimônio líquido que possuem. Em contraste marcante, 61% nunca receberam herança, presentes financeiros ou auferiram receita proveniente de imóvel ou fundo de investimentos.

ALGUNS NOMES E LUGARES

• Podemos ser encontrados em mais de dois mil bairros tradicionais e respeitados, em pequenas e grandes cidades, tais como: Shawnee Mission, Kansas; New Canaan, Connecticut; Richmond, Virgínia; Pittsburgh, Pensilvânia; Fort Worth, Texas; Kenilworth, Illinois; Columbus, Ohio; Atlanta, Geórgia; Summit, Nova Jersey; Englewood, Colorado e Tulsa, Oklahoma.

ESTILO DE CASA

• Quase todos nós (97%) somos proprietários.

• Há cerca de 12 anos compramos nossa casa atual por um preço médio de US$ 558.718. O preço era de US$ 435 mil. Ficamos muito satisfeitos com a valorização de nossas residências. Atualmente, o valor médio está em torno de US$ 1.381.729. O valor médio atual é de US$ 750 mil. Portanto, lucramos e aumentamos nosso patrimônio líquido pela valorização das casas.

• Apesar do alto valor de nossas residências, geralmente temos pequenos valores de quitação de hipotecas.

• A maioria de nós (61%) mora em casas que valem mais de US$ 1 milhão atualmente. Apenas um de cada quatro (25%) pagou US$ 1 milhão ou mais por suas residências atuais.

• Um dentre dez comprou uma casa nos três anos seguintes da queda da Bolsa de Valores em 1987. Muitos dos que o fizeram estavam procurando execuções hipotecárias.

• Vivemos em uma casa construída em média há 40 anos. Um dentre quatro de nós vive em casas construídas antes de 1936. Somente cerca de 10% vivem em residências construídas nos últimos dez anos.

• A maior parte (53%) não se mudou nos últimos dez anos. Somente 23% do nosso grupo mudou-se duas ou mais vezes durante o mesmo período.

• Apenas uma minoria de 27% construiu sua própria casa algum dia, independentemente do tipo. Nós, que temos uma mente milionária, acreditamos ser melhor comprar uma casa pronta do que entrar no ramo da construção. Consome muito menos tempo e, provavelmente, custa muito menos comprar casas “diretamente de um inventário já existente”.

• Quem de nós é o menos provável em mandar construir as próprias casas? Os advogados! Ficamos sem saber por que eles são tão reticentes em construir.

NOSSAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS

• Cerca de um em cada três (32%) tem seu próprio negócio ou é empresário. Praticamente um em cinco (16%) é alto executivo de empresas. Um em dez (10%) do nosso grupo é constituído por advogados e praticamente a mesma proporção (9%) por médicos.

• O terço remanescente de nossa população compõe-se de aposentados, gerentes de nível médio, contadores, profissionais de vendas ou funcionários de desenvolvimento de novos negócios, engenheiros, arquitetos, professores e donas-de-casa.

• Os donos do próprio negócio geralmente são os mais ricos do nosso grupo, mas os altos executivos, freqüentemente, alinham-se entre as fileiras dos multimilionários. Eles correspondem a 16% dos milionários, mas a quase 26% dos decamilionários, aqueles com um patrimônio líquido igual ou superior a US$ 10 milhões.

• Perto de 50% de nossas esposas não trabalham fora. As que estão empregadas são donas do próprio negócio ou empresárias (7%), profissionais de vendas (5%), gerentes de nível médio (4%), advogadas (4%), professoras (3%), altas executivas de empresas (3%) e médicas (2%). Aproximadamente 16% das esposas que trabalhavam fora estão aposentadas atualmente.

• Cerca de dois terços de nós, decamilionários, relataram que as esposas não trabalham fora. Aproximadamente a metade das esposas que o fazem trabalha em tempo parcial.

EDUCAÇÃO

• Temos bom nível de educação, 90% com diploma universitário e mais da metade (52%) com pós-graduação concluída.

UM VISLUMBRE DA MENTE MILIONÁRIA

Além das características demográficas listadas anteriormente, meu levantamento fornece uma rápida percepção da mente milionária. Os capítulos que se seguem expandem essa percepção chegando a um quadro mais detalhado.

• Somos financeiramente independentes, mas cuidamos para ter um estilo de vida confortável e sem extravagâncias.

• Muitos de nós nos concentramos em certos bairros de classe média alta por todos os Estados Unidos. Vivemos em casas sofisticadas, mas temos poucas ou nenhuma dívida. Preferimos comprar propriedades quando muitos outros estão vendendo.

• Quase todos nós somos casados e temos filhos. Na realidade, muitos acreditam que possuir complementos da vida familiar não compete com o processo de construir riquezas.

• Somos ricos por nosso próprio esforço.

• Tiramos férias e viajamos para o exterior, em média, a cada dois anos.

• Poucos de nós temos emblemas da fraternidade Phi Beta Kappa ou conseguimos 1.400 ou mais nos testes SATs, aqueles feitos para ingressar nas faculdades (SAT é a prova de proficiência do 2º grau, e GPA é a média geral das médias anuais, calculada no fim da graduação).

• A maioria de nós ama as carreiras escolhidas ou, parafraseando um dos nossos membros mais ricos, “não é um trabalho, é um labor de amor”.

• Poucos de nós acham necessário sair da cama às 3 ou 4 horas da manhã todos dias úteis para amealhar riquezas.

• Muitos jogam golfe ou tênis regularmente. Na realidade, existe forte correlação entre jogar golfe e o nível do patrimônio líquido.

• Devemos admitir que não estamos entre os que praticam o “faça você mesmo”. Aqueles afeitos a isso tendem a ter significativamente menos riqueza do que a média do nosso grupo.

• Nós nos tornamos ricos sem comprometer nossa integridade. Na realidade, creditamos à integridade uma parcela importante do nosso sucesso.

• Não somos workaholic, passamos muito tempo em atividades sociais com nossos amigos e com a família. Quando trabalhamos, trabalhamos pra valer. Concentramos nossa energia procurando maximizar o retorno pelos nossos esforços.

• Passamos bastante tempo planejando nossos investimentos e, freqüentemente, pedimos conselhos aos nossos consultores fiscais. Muitos dentre nós encontramos tempo também para participar de cultos religiosos, atuando de forma proativa no levantamento de fundos para causas nobres.

• Acreditamos ser plenamente possível conciliar as metas financeiras individuais com um agradável estilo de vida. Existe uma correlação positiva entre o número de atividades ligadas a um estilo de vida saudável e o nível de patrimônio líquido.

• Muitas vezes nosso estilo de vida nos coloca em contato com pessoas que, posteriormente, se transformam em nossos clientes, consumidores, pacientes, fornecedores ou grandes amigos.

• Para muitas atividades descobrimos ser verdadeiro o velho adágio: as melhores coisas na vida são gratuitas, ou, pelo menos, têm preços razoáveis. Não custa muito assistir à participação de seu filho na competição da escola, visitar um museu ou jogar cartas com os amigos. Custa muito menos do que uma ida ao bingo.

FATORES DE SUCESSO

No Capítulo 2, “Fatores de Sucesso”, os milionários discorrem sobre os fatores que consideram muito importantes para explicar o próprio sucesso. Seus pontos de vista podem surpreender algumas pessoas, porque aquilo que valorizam parece estranho quando confrontado com muitas noções populares. Seus pontos de vista são diferentes dos perfis estereotipados retratados como realidade por Hollywood: a boa aparência e o aspecto de supermodelo nunca foram mencionados nem mesmo por um único milionário que respondeu ao questionário. Nem uma única vez.

Muitos pais bem-intencionados, mentores, professores e até alguns dos melhores gurus de Wall Street não concordam com as opiniões defendidas pela maioria dos milionários. E isso sem falar nos anúncios de prêmios acumulados da loteria e da Publishers Clearing House. Os milionários têm uma explicação diferente para seu sucesso.

Quais são os cinco fatores principais mais freqüentemente mencionados por milionários como sendo importantes na explicação de seu sucesso econômico? Depois de lê-los, pegue um pequeno pedaço de papel e escreva esses cinco elementos de sucesso financeiro. Mantenha a lista na bolsa ou na carteira e pregue uma cópia na tevê. Da próxima vez que aparecer um anúncio de prêmio acumulado na loteria, na corrida de cavalos ou sorteios no bingo, dê uma olhada nessa cópia. Os anúncios apregoam que você pode ganhar um desses grandes prêmios, mas o que lhe diz a lista dos cinco pontos?

As pedras fundamentais do sucesso financeiro são:

• Integridade: seja honesto com todas as pessoas.

• Disciplina: exerça o autocontrole.

• Sociabilidade: procure se dar bem com todos.

• Procure contar com o apoio de seu parceiro em todas as situações.

• Trabalhe com dedicação, muito mais do que a maioria das pessoas.

Em que posição fica o elemento sorte? Ele está perto do final da lista dos 30 fatores de sucesso, ocupando a 27ª posição. Mas, nesse contexto, os milionários referiram-se notadamente a fatores incontroláveis, como os econômicos, capazes de provocar impacto no patrimônio líquido de uma pessoa. Nenhum dos milionários entrevistados fez qualquer observação favorável aos jogos de azar. Uma discussão mais detalhada sobre o hábito de jogar ou não se encontra no Capítulo 9, “O Estilo de Vida dos Milionários: Real Versus Imaginário”.

Alguns podem argumentar que muitas pessoas — e não apenas os milionários dos Estados Unidos — têm os cinco elementos de sucesso citados anteriormente, embora não sejam milionários hoje. Esses cinco são os elementos básicos. E o que acontece se faltar um ou mais desses elementos? De acordo com a grande amostra de milionários estudados, as chances são contra a possibilidade de que você obtenha sucesso econômico. Entretanto, contando com esses e com alguns outros fatores, há chances de uma pessoa ficar rica no futuro, caso não seja rica ainda. Vejamos uma vez mais o que dizem os próprios milionários:

• Como se tornaram milionários em uma única geração? A maioria de nós consegue ver a oportunidade econômica ignorada por outros, e temos a propensão de assumir riscos financeiros caso exista perspectiva de bom retorno. Isso é especialmente verdadeiro para os que são donos do próprio negócio. Mas sabemos que existe uma correlação forte entre a vontade de assumir riscos financeiros e o nível de riqueza alcançado. Trata-se menos de investir no mercado de ações e mais em investir em nós mesmos, em nossas carreiras, em nossas práticas profissionais, em nossos negócios privados e assim por diante.

• A maioria concorda com a afirmativa de que possuímos qualidades de liderança marcantes. Temos capacidade para vender nossas idéias a empregados e fornecedores, bem como para apresentar produtos a um público-alvo cuidadosamente escolhido.

• Por que a economia dos Estados Unidos tem sido tão generosamente compensadora? Isto ocorre porque fornecemos um produto ou serviço com forte demanda mas com poucos fornecedores capazes de atendê-la. Não seguimos a multidão. Isso se aplica tanto ao que queremos vender quanto ao objeto de nossos investimentos.

NASCIDOS INTELECTUAIS?

Os milionários são superdotados intelectualmente? Todos se graduaram advindos da fraternidade Phi Beta Kappa em faculdades de primeira linha? É comum a crença de que pessoas intelectualmente superdotadas possuem elevada inteligência analítica. Por sua vez, a inteligência analítica é supostamente mensurada por “testes” padronizados de QI. Em vez de usar a pontuação pelo QI, empreguei a pontuação nos testes SAT no meu levantamento, por estarem mais prontamente disponíveis. Existe correlação positiva entre esses dois sistemas de pontuações. Descobri também que as auto-avaliações dos milionários sobre as respectivas inteligências analíticas, desempenho no SAT e notas de faculdade estão relacionados.

Os milionários acreditam que possuem inteligência superior? Mais basicamente ainda, qual a importância da inteligência na explicação de diferentes sucessos econômicos? Estas e muitas outras questões relacionadas são detalhadas no Capítulo 2, “Fatores de Sucesso”, e no Capítulo 3, “Na Época de Escola”. Considere os seguintes fatos sobre milionários como introdução a esses tópicos:

• Ter tido bom nível educacional não quer dizer que fomos todos graduados com honras quando saímos da faculdade. O geral das médias anuais durante a graduação superior foi de 7,3 em uma escala de 10,00.

• Nossa pontuação no SAT foi de 1.190, significativamente acima da usual, sem ser, entretanto, suficientemente alta para conquistar a admissão nas faculdades reconhecidamente seletivas ou competitivas. A maioria de nós não freqüentou essas faculdades, nem indicou, quando indagada durante o questionário, que a graduação em uma faculdade de renome era importante para explicar nosso respectivo sucesso econômico. Mas até mesmo a pontuação de 1.190 no SAT pode estar um pouco inflacionada. Praticamente 90% dos integrantes de nosso grupo que eram alunos nota 10 no colegial lembraram-se de citar suas pontuações no SAT. Ironicamente, apenas metade do grupo que era composto por alunos nota 7 foi capaz de lembrar de sua pontuação no SAT. Sabe-se que as pontuações no SAT e as médias ponderadas GPA são correlacionadas. E se a pontuação de 1.190 fosse ajustada para refletir a pontuação no SAT daqueles alunos nota 7, quem não se lembraria dela? Estima-se que pelo menos 100 pontos poderiam ser diminuídos da média 1.190!

• A maioria de nós já ouviu de alguma autoridade, ou sabe a partir de resultados de testes-padrão, que nós, os milionários, não somos:

  • Intelectualmente superdotados.
  • Qualificados para estudar direito.
  • Qualificados para estudar medicina.
  • Qualificados para fazer um MBA.
  • Suficientemente espertos para sermos bem-sucedidos.

• Freqüentemente tentamos imaginar como foi possível que nós, como grupo, pudemos ter alcançado tanto sucesso financeiro, considerando o fato de que poucos receberam algum dia o epíteto de “intelectualmente superdotado”. Portanto, questionamos se existe alguma relação entre capacidade intelectual, desempenho acadêmico e sucesso econômico. Somos bem-sucedidos apesar de nossa capacidade intelectual, ou por que sempre sentimos que tínhamos que trabalhar mais para compensar nossas deficiências?

LEITURA RECOMENDADA

É possível ampliar a compreensão sobre a fraca relação existente entre capacidade intelectual/inteligência analítica e os vários indicadores de sucesso pela leitura de Successful Intelligence, de Robert J. Sternberg (Nova York: Simon & Schuster, 1996). O dr. Sternberg, autoridade proeminente em inteligência humana, descobriu que a inteligência bem-sucedida compõe-se de três tipos, enquanto a inteligência analítica, de apenas um. Os outros tipos são a inteligência criativa e a inteligência prática, ou o bom senso. Será que a maioria dos milionários é economicamente bem-sucedida por causa da elevada criatividade e muito bom senso? Esta e outras questões relacionadas são abordadas ao longo deste livro.

NA ÉPOCA DE ESCOLA

Quais experiências de colégio e de faculdade impulsionam os milionários no sentido de tornarem-se adultos economicamente produtivos? A resposta a esta pergunta encontra-se detalhada no Capítulo 3, “Na Época de Escola”, mas é evidente que os milionários aprendem muito mais nos estudos do que lhes é oferecido nos livros. A maioria deles nos relatou que aprendeu sobre tenacidade, sobre como lidar com pessoas, ter autodisciplina e discernir situações corretamente. Uma boa parcela da população milionária constitui-se de pessoas que trabalharam arduamente na escola, mas que não se formaram com a nota máxima. Os milionários com pontuação no SAT não muito espetacular ocupam um lugar de destaque neste livro. Tracei o perfil deles sob o título de o Clube dos 900 — apenas milionários com menos de 1.000 no SAT foram admitidos. Eles dizem que:

• Alguns de nós fizemos menos do que 1.000 pontos no SAT, mas ainda assim ficamos milionários. Quais experiências de colégio e faculdade nos impulsionaram para que nos tornássemos adultos economicamente produtivos? Setenta e dois por cento dos membros do Clube dos 900 responderam que foi: Aprendendo a lutar para alcançar nossas metas porque nos foi dito que tínhamos “capacidade média ou deficitária”.

• A vasta maioria de nós acredita que nos beneficiamos da experiência educacional que tivemos. A maior parte (93%) apontou que a experiência estudantil de nível médio e superior foi: Significativa para determinar que o trabalho árduo tinha mais importância para conquistar objetivos do que uma alta capacidade intelectual de origem genética.

• A maioria de nós sentiu que a escola foi importante na determinação das habilidades para: Distribuir o tempo adequadamente e fazer julgamentos precisos acerca de pessoas.

A população milionária abrange muitas pessoas que não foram alunos nota 10, mas que aprenderam muito na escola. E não foram apenas as matérias obrigatórias que tiveram importância. As matérias “disciplina” e “persistência” básicas também constituíram relevante experiência escolar.

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+ Veja também:


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