Trecho do Livro: Anjo de Quatro Patas | Walcyr Carrasco

Livros Anjo de Quatro Patas Walcyr Carrasco BooksLivro: Anjo de Quatro Patas

Meu irmão Cláudio resolveu ficar milionário criando cachorros. Ele e minha cunhada Bia fizeram as contas:

– Começamos com um casal. Na primeira ninhada a cadela terá uns dez filhotes. Vendemos oito e ficamos com mais um casal. Na outra teremos vinte cãezinhos. Adotamos mais dois e…

Pelas contas, estariam ricos dali a dois natais. Negociar com cães parecia melhor que jogar na loteria!

– Vamos fazer fortuna com os peludinhos! – entusiasmou-se meu irmão.

Optaram por um par de huskies siberianos. Huskies estavam na moda, após um filhote aparecer com destaque em uma novela de televisão. São lindíssimos. Se não conviveu com algum pessoalmente, você já deve tê-los visto em algum filme de esquimós. Matilhas de huskies puxam trenós na neve. Podem ter pêlo cinza, negro, branco ou cor de mel. Olhos azuis ou castanho-claros. São muito parecidos com lobos. Não latem, uivam! Possuem um charme indescritível. Qualquer pessoa se apaixona por um husky à primeira vista.

Inicialmente, os dois futuros milionários não possuíam amor especial pela raça. Parecia um bom investimento. Huskies eram vendidos a peso de ouro. Esse fenômeno ocorre com freqüência no circuito dos canis e pet shops. Raças viram moda, tal como um novo comprimento das saias ou a cor da estação. Quando eu era menino, o máximo era ostentar um pequinês bem peludinho. Em certa época se tornou chique raspar os pêlos dos poodles, deixando um topete na cabeça, um no rabo e um cinturão no corpo. Até hoje são conhecidos como cachorros de madame.

Dálmatas transformaram-se em coqueluche. Depois foi a vez dos huskies. Os filhotes eram disputadíssimos. Havia filas para adquiri-los.

Cláudio quase saiu no tapa para conseguir uma fêmea e um macho de bom pedigree, ainda filhotes. Foi vitorioso. Adquiriu o máximo em aristocracia canina. O pai de Luna, a fêmea, veio do Canadá e foi capa de uma revista canina. O macho, Thor, também ostentava um impressionante pedigree. Casal mais chique não poderia haver. Os filhotinhos eram adoráveis, mas exigiam cuidados. Bia, minha cunhada, passou semanas preparando mamadeiras e ajeitando cobertores. Se ventava ou chovia de noite, ela e meu irmão saíam da cama e enfrentavam as intempéries para abrigar melhor os pequenos huskies. Os cães sempre foram saudáveis, mas os humanos viviam espirrando. Finalmente minha cunhada, pintora, desfez o ateliê que havia em um quartinho dos fundos da casa em que vive no interior de São Paulo e montou uma suíte para huskies.

– Quando vender os filhotes, construo um ateliê com parede de vidro no quintal – planejou ela, pupilas transformadas em cifrões.

Ocorreu o inevitável. Diante de um filhotinho, ondas de amor brotam até do coração mais endurecido. Meu irmão e minha cunhada já são bem sensíveis. Não conseguiram nem tentaram resistir. Apaixonaram-se perdidamente pelos cães. Viviam com os dois no colo. Ainda não tinham filhos. Cantavam para os huskies, beijavam na testa, coçavam a barriga e comentavam, felizes como papais:

– Viu só o que a Luna fez? Pegou um osso e escondeu no quintal!

– Ai, que gracinha, o Thor nas duas patas para pedir comida. Ah, que guloso! Malandrinho! Malandrinho!

Registraram o canil com um derivado de seu sobrenome: Karras. Quando ia visitá-los, passava a tarde ouvindo comentários entusiasmados:

– Eu falo e parece que ela me entende!

– Cachorro é muito melhor que gente.

Meses depois, Luna não havia engravidado. Gastaram uma grana no veterinário em exames. O resultado:

– A cadela está bem, mas o macho é estéril.

Pode haver investimento pior do que começar um canil com um cachorro estéril? Pode sim, como vieram a demonstrar os fatos: negociar cachorro é negócio de cachorro.

Os dois não se conformavam.

– A gente tinha que escolher justo um filhote estéril?

Thor abanava o rabo. Imediatamente era perdoado.

– Não é sua culpa, querido, mas você nos deu um baita prejuízo! – explicava Bia.

– Uauuuauuuuuuuuuu – uivava Thor.

E os sonhos de riqueza rápida? Não desistiram.

– Só vai demorar um pouco mais para dar lucro – concluiu Cláudio.

Foram até outro canil e explicaram a situação. Pegaram emprestado um macho para uma gravidez em consórcio: a ninhada seria dividida meio a meio.

– Este é seu marido, Luna! – apresentou minha cunhada.

– Luna vai casar, Luna vai casar! – cantarolou meu irmão.

O noivou se aproximou. A noiva ergueu o rabo e arreganhou os dentes. O feliz consorte farejou seu tras*eiro.

Digamos que foi amor à primeira vista.

Semanas depois, Luna estava grávida.

Mais contas com o veterinário e remédios morderam a poupança dos futuros milionários. Os planos continuaram a todo vapor:

– Se ela tiver dez filhotes, damos cinco para o canil que emprestou o macho e ficamos com cinco.

– Vendemos todos. Quero pintar a casa e trocar a pia – lembrou minha cunhada.

– Melhor ficarmos com uma cadela e vendemos nove. Depois, emprestamos outros dois machos e se cada uma tiver dez…

Mais contas! Os sonhos de riqueza continuaram de vento em popa, mas era preciso investir. Os cães continuavam dando despesas. E haveria muitas mais pela frente. Seria preciso dinheiro para as vacinas, ração e veterinário dos filhotes até que fossem vendidos. Meu irmão aumentou o número de aulas que dava na universidade. Minha cunhada diminuiu os dias da faxineira e aumentou suas horas de trabalho doméstico.

Em uma noite fria, Luna foi para um canto, quieta. Estranha.

– Os filhotes devem nascer hoje – avisou o veterinário ao atender a ligação preocupada.

Os olhos de ambos brilharam de ternura misturada com ambição. (São assim os sentimentos humanos, um tanto contraditórios.)

– Se tivermos sorte, nascem uns doze – comentou Cláudio, esperançoso.

– Já ouvi falar de até quinze – concordou Bia, olhos faiscando.

Passaram a noite em claro. A cada cinco minutos minha cunhada ia verificar.

– Não nasceram ainda.

Deitava. Dali a pouco, saía da cama. Observava Luna. Adoçava a voz:

– Tudo bem, querida? Vai virar mamãe cachorra?

Ao amanhecer, iniciaram-se os sinais de parto. Emocionados, meu irmão e minha cunhada ficaram esperando o nascimento dos filhotinhos. Seus sentimentos oscilavam entre o amor desmedido pelos cães e as perspectivas financeiras. Nasceu o primeiro filhote, cor de mel.

– Ai, que coisa mais linda! – exclamou Bia.

– Já, já vem mais um. – anunciou meu irmão.

Ficaram olhando. Um minuto. Cinco. Dez. Vinte. Seus pescoços doíam com a expectativa. Bia encostou-se em um lado da parede, ele no outro.

– Que demora!

Luna acomodou-se amorosamente com a cria.

Mais meia hora.

Indiferente a suas preocupações, Luna descansava com o cachorrinho, um macho. As angústias do parto pareciam deixadas para trás.

Meu irmão e minha cunhada se olharam, surpresos.

– Só um?

– Ih… só um!

Mais tarde, o veterinário explicou:

– É raríssimo, mas pode acontecer ninhada de um só.

Nunca um projeto de riqueza desabou tão depressa! Meu irmão abriu uma cerveja e declarou:

– Acabou essa história de criar cachorros pra vender. Vamos ficar com o filhote.

Como não era possível dividir o cãozinho ao meio para entregar ao outro canil, ainda tiveram de desembolsar algum dinheiro por ele!

– O nome dele será Uno, porque foi único – declarou minha cunhada, com o cachorrinho no colo.

– Também podia ser Prejuízo – rosnou meu irmão.

Era só conversa. Ambos já estavam irremediavelmente apaixonados pelo pequeno husky.

Há males que vêm para o bem. Como disse antes, negociar cachorros pode ser um empreendimento de alto risco. Não basta querer dinheiro, é preciso ter muito amor porque as ciladas são inúmeras. Os fatos provaram que o prejuízo poderia ter sido muito maior. Bia e Cláudio tinham uma amiga que conseguiu concretizar planos exatamente iguais aos que eles possuíam no início da empreitada. Comprou dois casais, investiu em novos procriadores, encheu-se de filhotes e chegou a ganhar uma grana, que usou para ampliar os negócios. Tarde demais, descobriu que criar cães não é o mesmo que possuir uma mina de diamantes. Muitos compradores de huskies se decepcionaram. Eu, que amo a raça, posso contar com imparcialidade.

Apesar de grandes, da aparência de lobo e do uivo assustador, huskies não servem como cães de guarda. São dóceis. Adoram crianças. E não se consegue adestrá-los. Alguns treinadores cometem o erro de dizer que são burros. Coisa nenhuma. Possuem uma inteligência peculiar, uma personalidade forte. Francamente, não estão nem aí para ficar guardando os pertences dos humanos. No fundo, não nos pertencem. Eles, sim, são nossos legítimos donos!

Fogem e não sabem voltar para casa. Vieram das planícies geladas, onde não existiam fronteiras ou propriedades individuais. São oriundos da vastidão da neve. Sabem ir, ir, ir. Dificilmente conseguem voltar. Embora, como contarei mais tarde, Uno fosse uma exceção, pois sabia voltar pra casa. Portanto fogem e não voltam! Muitos proprietários de huskies se surpreenderam ao descobrir que eles são capazes de escalar muros como gatos (sim, são) e desaparecer para sempre, provavelmente adotados por uma nova família. Às vezes uivam longamente. E são teimosos!

A raça saiu de moda. O golden retriever tornou-se a nova coqueluche. Em todos os canis, os huskies deixaram de atrair compradores.

De repente a futura milionária, amiga de meu irmão, se viu com 300 filhotinhos encalhados! Sem comprador à vista! Gastou todas as economias vacinando e alimentando os trezentinhos. Com a poupança arrasada, implorava pela caridade alheia.

– Pode contribuir com um pacote de ração? – pedia aos amigos.

Pior. A maior parte dos filhotes costuma ser vendida até completar três meses. Depois disso o cachorro já está grande. A pessoa prefere um filhotinho para se acostumar na casa desde pequeno. A pobre ex-quase-milionária levava caixas de cães a todas as feiras de animais. Ficou com calos nos dedos fazendo lacinhos para enfeitar o cocoruto das fêmeas. Teve cãibras na boca de tanto sorrir para eventuais clientes. Cansou os braços de tanto botar filhotes no colo de criancinhas e murmurar:

– Olha só, ele gostou de você.

Fez liquidação no canil, oferecendo os huskies a preço de custo. Só se livrou de alguns. Ficou com 293 encalhados. Quem ama os cães não é capaz de soluções radicais. Gastou tudo o que tinha para alimentá-los, tentava mantê-los, mas alguns começaram a se reproduzir e… Segundo a última notícia, os cães continuavam crescendo fortes e saudáveis, devorando toneladas de ração. Já a grana…

Meu irmão e minha cunhada livraram-se desse destino. Ficaram com os três: Luna, Thor e Uno. Seria uma família feliz, se não fosse a eterna competição entre machos, que costumam se estranhar. No começo, Uno e Thor rosnavam um para o outro. Logo passaram a se atacar. Minha cunhada os separava com gritos e água fria. Uma loucura.

Chegou a minha vez de entrar na história.

Passei por uma fase difícil e dolorosa. Perdi uma pessoa querida após uma doença devastadora. Eu a acompanhei durante todo o desenrolar. Fui seu enfermeiro, seu amigo e seu amor. A experiência ainda não parecia terminada. Eu continuava abrindo sua parte do armário, pegava suas roupas e botava no nariz, tentando sentir seu cheiro, captar seus últimos sinais sobre a Terra. Olhava suas gavetas, seus papéis, as lembranças, bilhetes, postais que guardava. Se saía para um cinema, um papo com amigos, compras, o que fosse, me dava uma vontade enorme de voltar para o apartamento, como se ela ainda estivesse lá, me esperando. Ao entrar, voltava à realidade e dava um nó na garganta. Ia até suas coisas para novamente pegar, cheirar, ver e chorar, chorar e chorar…

– Nunca mais vou amar de novo! – dizia para mim mesmo, com plena convicção.

Era uma perda tão sofrida que não queria correr o risco de amar mais uma vez e novamente perder.

Eu me sentia no buraco. E não pretendia sair dele.

Muita gente me aconselhava a dar a volta por cima, a esquecer. Tinha horror de ouvir esses conselhos. Nada é pior do que perder alguém e ouvir:

– Não se desespere.

Só se eu não tivesse amado para não sofrer.

Somente um amigo, André, me deu razão.

– Se você tem que chorar, chore. Se quer se esconder, se esconda. Respeite seu momento.

Tinha que desocupar o apartamento repleto de recordações, onde cada móvel, cada parede me lembrava de uma passagem triste. Além do mais, era alugado. Há anos construía uma casa em um condomínio distante, de chácaras, em uma cidade próxima. Estava prestes a ser terminada. Sempre havia sonhado com a casa própria, mas a construção se arrastava havia anos. Tive pouca grana a maior parte da minha vida. Os financiamentos impunham juros e correções monetárias. Eram difíceis de obter. A maior parte dos imóveis, inacessível para meu bolso. Minha companheira fazia trabalhos eventuais na área de moda, mas nunca recebeu salário fixo. Era um tanto descabeçada. Quando recebia, comprava roupas novas, presentes para mim, comidas extravagantes. Eu segurava a estrutura: aluguel, comida, empregada, luz, água, impostos. A casa era fruto de um longo projeto. Economizei muito, durante anos. Com dificuldade comprei um terreno em um bairro distante. O país passava por sucessivos planos econômicos, um diferente do outro. Em um desses, meu terreno valorizou-se muito, porque em razão da baixa renda da poupança, todo mundo estava tirando dinheiro do banco e aplicando em imóveis. Era minha oportunidade. Resolvi vendê-lo. Fui até o dono da imobiliária:

– Quero vender o terreno para comprar um pequeno apartamento.

– Não prefere uma casa?

Meus olhos brilharam. Resumindo: havia uma casa em construção muito, mas muito mais distante ainda que o terreno, em um condomínio quase rural. A obra estava parada havia dois anos, mas já tinha as paredes e a laje. Maravilha das maravilhas, o terreno do fundo dava para uma reserva florestal onde corria um riacho com uma pequena cascata. O dono da imobiliária fez uma transação na qual entrou como parte principal o tal terreno, minha pequena poupança e até meu carro, com uns seis anos de uso. Saí da imobiliária a pé para pegar ônibus na estrada, mas proprietário de uma casa. Ou quase.

Casa? Eu nunca construíra coisa nenhuma. Imaginava que seria fácil terminá-la. Que fantasia! Nos dois anos seguintes, fui comprando o material pouco a pouco e concluindo a obra por partes. Comecei pelo telhado. Um amigo indicou um especialista, que foi até lá e perguntou:

– Como será o telhado?

- Assim – respondi desenhando no ar com os dedos.

Ele fez exatamente como mostrei e o telhado está lá até hoje. Talvez por milagre. Quando consegui, botei as janelas. Depois o piso, de tijolo. O terreno era enorme, com mais de 2 mil metros. Só tive dinheiro para plantar grama na metade. A outra continuou cheia de mato. Durante todo esse tempo fomos construindo a casa. Com a doença, tudo parou. Trabalhei em dobro e guardei dinheiro para emergências. Meu maior terror era ser obrigado a interná-la em um hospital público, onde eu não pudesse estar a seu lado e segurar sua mão quando partisse. Não tínhamos plano de saúde, pois na época não era algo tão comum quanto hoje. Juntava cada centavo para, quando chegasse a hora, pagar um hospital, mesmo simples, e acompanhá-la em seus últimos momentos. Mórbido? Quem amou e perdeu sabe do que estou falando. Minha necessidade de estar a seu lado e transmitir minha ternura era até física. Mas ela faleceu em casa. O dinheiro ficou no banco.

A melhor homenagem seria terminar a casa e mudar. A pedido de sua mãe, seu corpo fora cremado. As cinzas, espalhadas no próprio jardim do crematório. Não havia túmulo para visitar, um lugar para honrar sua memória. No jardim da casa em construção, porém, havia uma lembrança viva de seu amor. Vou explicar. Durante toda minha infância, os natais foram tristes. Minha mãe era dona de uma lojinha e passava a véspera de Natal trabalhando. No dia seguinte, exausta, fazia um almoço comum e botava algumas frutas secas na mesa. Hoje entendo que fazia o melhor possível. Devia estar exausta após dias de trabalho intenso. Quando menino era difícil ver meus amigos correndo para a ceia, para festas familiares, com parentes vestidos de Papai Noel ou comemorando de alguma outra maneira, enquanto eu ficava sozinho na porta do pequeno comércio de mamãe, admirando as luzes acesas em outras casas e os ruídos de festa. Sentia uma enorme necessidade de ter um Natal como o dos outros. Essa alegria, só tive como adulto. Estávamos sem dinheiro. Mesmo assim, ela resolveu que não podíamos passar sem uma árvore de Natal. Quase na véspera, saiu à luta. Encontrou um vendedor com alguns pinheirinhos sobrando. Pechinchou. Voltou com um pinheiro torto, que decoramos com algumas bolas vermelhas. Foi a primeira árvore de Natal de minha vida adulta, e eu nunca esquecerei seu carinho ao me oferecer a árvore. Depois do Dia de Reis, plantei o pinheiro em frente à casa em construção. Foi crescendo, ainda torto. Nossa árvore de Natal, que estaria sempre naquele lugar para me lembrar daquele gesto de carinho.

Gastei o dinheiro guardado para a doença deixando a casa em condições habitáveis. Estava exausto e precisava me mudar. A casa era a melhor opção: novo lugar, novos ares. Durante a doença, havia atingido o limite das minhas forças. Aprendi a dar remédios, ouvir instruções médicas, fazer curativos, passar horas do lado segurando sua mão, simplesmente para ela saber que eu estava lá. Nunca fui um tipo atlético. Mas a carregava no colo para ir ao banheiro e esperava a seu lado, enquanto fazia suas necessidades. Arrumava sua roupa e a levava de volta. Percebia seu corpo se tornar cada vez mais leve, consumido pelo câncer. Como meus sentimentos eram contraditórios! Dias e noites eu torcia pelo fim, porque era horrível contemplar seu sofrimento, mas ao mesmo tempo tinha esperanças de que ela não partisse nunca. Quando ela se foi, não consegui entender por que pedi a Deus que a levasse, pois me sentia rasgado por dentro, alucinado de dor. Como pude desejar o que não queria?

Eu a amava, amava tanto que nunca mais queria amar ninguém. Minha vida afetiva acabara. Estava fechado para o mundo e para o amor.

Mudar para longe parecia a solução ideal. Queria ficar solitário, no meu canto. Não tinha forças e muito menos vontade para reconstruir a vida afetiva, me apaixonar novamente, ir adiante. Sorria, triste, e pensava: “Parem o mundo que eu quero descer!”.

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