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Câmera Digital Samsung NV100HD tem resolução de 14,7 MP

A Samsung apresentou a Câmera Digital Samsung NV100HD, modelo com resolução de 14,7 MP, ou seja, basicamente o dobro da capacidade de captação fotográfica digital das câmeras mais vendidas no mercado brasileiro.

A NV100HD é equipada com lentes Schneider de 28mm, tela Touch Screen (sensível ao toque) e estabilizador duplo de imagem, função que auxilia no ajuste da fotografia quando tirada em movimento.

A Samsung NV100HD também conta com a tecnologia Face Detection (reconhecimento de face) e grava vídeos com resolução de 720p, utilizando-se do afamado codec H264. Possui microfone estéreo e aceita até 10 horas de gravação de voz.

A câmera vem com bateria de lítio, pesa 138 gramas e tem saídas USB, vídeo AV (NTSC, PAL) e vídeo HDMI 1.2 (NTSC, PAL).

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Setembro 28, 2008
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O Estado de São Paulo
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Livros A Cabana William P Young The Shack Books

Ficção

01. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

02. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

03. O CAÇADOR DE PIPAS
Khaled Hosseini . leia um trecho do livro

04. ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
José Saramago . leia um trecho do livro

05. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

06. CREPÚSCULO
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

07. AS MEMÓRIAS DO LIVRO
Geraldine Brooks . leia um trecho do livro

08. O MUNDO É BÁRBARO
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro

09. O VENCEDOR ESTÁ SÓ
Paulo Coelho . leia um trecho do livro

10. MUNDO SEM FIM
Ken Follett . leia um trecho do livro

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Livros ELES CONTINUAM ENTRE NOS Zibia Gasparetto Books

Não-Ficção

01. ELES CONTINUAM ENTRE NÓS
Zibia Gasparetto . leia um trecho do livro

02. O SEGREDO
Rhonda Byrne

03. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

04. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro

05. O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro

06. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro

07. CASAIS INTELIGENTES ENRIQUECEM JUNTOS
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro

08. SEMPRE EM FRENTE
Roberto Shinyashiki

09. O PAÍS DOS PETRALHAS
Reinaldo Azevedo

10. RESISTÊNCIA
Agnès Humbert

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Trecho do Livro: O Ladrão de Arte | Noah Charney

Livros O Ladrao de Arte Noah Charney The Art Thief BooksLivro: O Ladrão de Arte

Era quase como se ela estivesse esperando, ali parada, naquela escuridão artificial.

A pequenina igreja barroca de Santa Giuliana in Trastevere se encolhia num canto da cálida noite de Roma. As ruas estavam sombrias e sem qualquer movimento, iluminadas apenas pela luz mansa da lâmpada de um poste numa praça próxima.

Então fez-se um ruído. Dentro da igreja.

Era um ruído mínimo, produzido pelo roçar de metal sobre metal, quase imperceptível de dia, mas que àquela hora parecia o contraste entre o branco e o preto. Então parou. O som tinha sido momentâneo, mas seu eco perdurava.

Do bojo da igreja fechada um pássaro apareceu. Um pombo esvoaçou aflito pela capela sombria e arremeteu por entre as abóbadas e ao longo do transepto, esculpindo um padrão às cegas pelo interior cavernoso e sombrio.

Então o alarme soou.

Padre Amoroso despertou num sobressalto. Havia suor em sua testa, rente ao cabelo.

Ele olhou para o relógio na cabeceira da sua cama. Três e quinze. Ainda era noite do lado de fora da janela do quarto. Mas o ruído que soava em seus ouvidos não parava. Então ele percebeu que não era apenas em seus ouvidos.

Jogou um roupão por cima da camiseta com que dormia e enfiou os pés nas sandálias. Num segundo já tinha descido a escada e corrido a distância de poucos passos ao longo da praça até a Santa Giuliana in Trastevere, que espreitava, com suas formas que lembravam as de um tatu, como havia pensado certa vez, mas que agora vibrava com aquele som.

Padre Amoroso avançou às cegas com suas chaves e finalmente empurrou a porta antiga, inchada pela umidade. Virou-se para o dispositivo que destoava como algo anacrônico, logo na entrada, e desligou o alarme. Olhou à sua volta por um momento. Então pegou o telefone.

— Scusi, signore. Estou aqui, sim… Não sei. Provavelmente algum defeito no sistema de alarme, mas eu… Um momento…

Padre Amoroso deixou a polícia esperando enquanto inspecionava o interior. Nada se mexia. Bem comportada, a escuridão mantinha-se no entorno da igreja e a luz da lua na nave projetava sombras entre os bancos. Ele deu um passo adiante, e então, pensando melhor, mudou de idéia. Acendeu as luzes.

O interior barroco pouco a pouco ganhou vida. Holofotes apontados para as várias reentrâncias e tesouros iluminavam indiretamente os espaços vazios. Padre Amoroso avançou até o centro da nave e examinou tudo atentamente. Havia a capela de Santa Giuliana, a pintura de Domenichino retratando Santa Giuliana, o confessionário, a pia branca de mármore para água benta, os candelabros das orações com a inscrição offerte, a estátua de Sant’Agnese de autoria de Maderno, o ícone bizantino e os cálices no interior da vitrina, a pintura de Caravaggio da Anunciação acima do altar, o relicário onde estava sepultada a tíbia de Santa Giuliana sob um mar de ouro e vidro… Nada parecia estar fora do lugar.

Padre Amoroso voltou ao telefone.

— Non vedo niente… Deve ser um problema com o sistema. Desculpem, por favor. Obrigado… Boa noite… Sim… Sim, obrigado.

Pôs o telefone no gancho e desligou as luzes. A igreja que por um momento tinha adquirido vida agora voltava a adormecer mais uma vez. Armou novamente o alarme, empurrou a porta pesada, trancou-a e voltou a seu apartamento para dormir.

Padre Amoroso ergueu-se de repente na cama, os olhos arregalados. Acabara de ter um sonho terrível no qual não conseguia fazer parar a campainha soando em seus ouvidos. Por um momento atribuiu o ruído à zupa di frutti di mare do jantar no Da Saverio, mas então se deu conta mais uma vez de que o alarme não estava apenas em seus ouvidos. Todo mundo deve ter comido no Da Saverio, pensou por um instante, e então acordou completamente.

Era o alarme, mais uma vez tocando com violência. Ele olhou para o relógio de cabeceira. Três e cinqüenta. O sol ainda estava num sono profundo. E ele, por que não estava? Pôs o roupão e as sandálias e desceu mais uma vez aos tropeções para a insone noite romana.

Ainda que raramente se portasse como um homem profano, padre Amoroso murmurou entre os dentes algumas imprecações leves, enquanto manuseava desajeitadamente suas chaves, enfiava-as na pesada porta de madeira e a empurrava para abri-la, apoiando-se nos calcanhares para tomar impulso.

Isso era para ser uma igreja, não um despertador, pensou.

Lá dentro, virou-se na direção do alarme na parede, derrubando sem querer o telefone do gancho. “Dio!”, murmurou, então pensou melhor e apontou para o céu ao sussurrar:

— Scusa, signore. Estou um pouco cansado. Scusa.

Desligou o alarme e então voltou-se para o interior da igreja. As sombras pareciam zombar dele. Acendeu as luzes com satisfação. A igreja bocejou ao se iluminar. Padre Amoroso pegou o telefone.

— Si? Si, mi dispiace. Não sei… Não, isso não vai ser necessário… Um instante, por favor…

Largou o telefone e mais uma vez se dirigiu para o centro da nave. A pequenina igreja parecia boquiaberta, grande e vazia, em meio à escuridão da madrugada.

Nada aparentava estar faltando. Dessa vez padre Amoroso caminhou ao longo das paredes internas da igreja. Deslocou-se pela ardósia gasta do piso, passando ao largo de fileiras de velas apagadas, bancos entalhados em madeira e reentrâncias ainda sombrias, nas quais se escondiam figuras de santos em relevo ou pintadas a óleo. Tudo estava quieto. Ele voltou ao telefone.

— Niente. Niente di niente. Mi dispiace, ma… Certo, agora são quatro e dez da manhã… Sim, provavelmente um defeito… Sim… Mais tarde, pela manhã, sim. Não há nada a se fazer até lá. Obrigado, boa-noite… Quer dizer, bom-dia. A noite já acabou há algum tempo… Ciao.

Padre Amoroso olhou com desprezo para o alarme que havia disparado duas vezes sem motivo algum, só para debochar dele. Talvez não devesse ter olhado por tanto tempo para a Signora Materassi na missa do último domingo. Deus tem seus caminhos. Mais tarde telefonaria pedindo que o alarme fosse checado. Talvez ainda conseguisse dormir um pouco.

Padre Amoroso apagou as luzes. Ignorou o alarme vistoso ao sair porta afora, trancou-a e voltou à sua casa para capturar quaisquer minutos preciosos de sono que ainda estivessem ao seu alcance.

Um alarme disparou.

Padre Amoroso pulou da cama. Mas então se acalmou. Era o alarme do despertador na sua cabeceira. Eram sete horas, numa manhã de segunda-feira. Assim é melhor, pensou.

O sol estava presente no horizonte e o dia prometia sua habitual luminosidade romana em meio à umidade do verão. Ele bocejou despreocupadamente e esticou os braços cansados, abrindo-os em forma de cruz. Tirando sua camisa de dormir, padre Amoroso caminhou gingando até o banheiro e de lá surgiu como um novo homem, limpo e revigorado para outro dia. Vestiu suas roupas clericais e desceu para ir até a Santa Giuliana.

Estava dez minutos adiantado. Não esperavam que abrisse a igreja até que soassem as oito horas. O dia ainda não estava quente demais, e padre Amoroso decidiu dar uma escapada por um momento. Escapuliu para o bar ao lado e pediu um caffè. Admirou a luz do sol no piso antigo enquanto bebericava seu espresso, de pé, no bar. Os transeuntes passavam na rua lá fora. O turista ocasional aparecia por ali, de mapa na mão e câmera a postos.

Olhou o relógio. Sete e cinqüenta e sete. Acabou de beber e atravessou a praça rumo à sua igreja.

Com uma agradável sensação de quem gozava de uma folga, padre Amoroso manuseou lentamente as chaves e, tendo encontrado a que procurava, girou-a e empurrou a enorme porta de madeira. Quando já a tinha aberto o suficiente, travou o trinco de metal para mantê-la escorada, permitindo que o ar parado, preso lá dentro, esfriasse na brisa matinal que corria do lado de fora.

Entrou na igreja e, ao passar, lançou um olhar de desprezo para o sistema de alarme. Deus, vou ter de mandar consertar isso hoje, pensou, e então se deu conta da blasfêmia e olhou de relance para o céu pedindo perdão. Arrastou os pés pelo chão a caminho do escritório da igreja, afastou para o lado a cortina que escondia a porta e a destrancou. Virou-se e avançou para o centro da nave, parando por um momento para dobrar os joelhos quando passava diante do altar.

Estava prestes a seguir em frente quando percebeu. Não podia acreditar em seus olhos. Talvez ainda estivesse dormindo, pensou, esperançoso. Então se convenceu, e recuou aos tropeções, enquanto gritava:

— Dio mio!

O retábulo de Caravaggio havia desaparecido.

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Trecho do Livro: Escreva e Emagreça | Julia Cameron

Livros Escreva e Emagreca Julia Cameron The Writing Diet BooksLivro: Escreva e Emagreça

Sou uma especialista em criatividade, e não em dietas. Então, por que estou escrevendo um livro sobre perder peso? Porque por acaso descobri um segredo sobre a perda de peso que funciona de verdade. Há 25 anos dou aulas sobre como desbloquear a criatividade, um processo com 12 semanas de duração baseado em meu livro A Via do Artista (The Artist’s Way). Do meu lugar à frente da sala de aula, vejo vidas se transformarem — e, para meu espanto, corpos se transformarem também. Levei algum tempo para perceber o que estava acontecendo, mas, com certeza, alunos que começaram o curso com alguns quilinhos a mais chegavam ao final visivelmente mais magros e bem-dispostos. O que está acontecendo aqui? Perguntei a mim mesma. Tratava-se apenas de imaginação ou havia mesmo um “antes” e um “depois”? Havia, sim!

Aos meus olhos experientes, a perda de peso é freqüentemente uma conseqüência da recuperação da criatividade. Comer em excesso bloqueia a criatividade. O contrário também é verdade: podemos usar a criatividade para bloquear a gula excessiva. E isto é o que faremos neste livro: usaremos instrumentos criativos para combater o excesso de peso e alterar nosso peso através da alteração da nossa consciência. Acreditem ou não, escrever é uma ferramenta para perder peso — uma ferramenta desprezada, subutilizada e extremamente poderosa.

Não que eu não tenha experimentado as dietas tradicionais. Pelo contrário — sou quase especialista. Durante anos tentei a dieta do dr. Atkins, mas meu colesterol ia às alturas; South Beach, mas recupero o peso perdido assim que saio da fase um; a dieta dos Comedores Compulsivos Anônimos me deixa louca com as privações impostas, e loucura é algo que quero evitar tanto quanto a gordura. Recorri aos Vigilantes do Peso, mas essa história de contar pontos também me parece uma forma de loucura. O que sei contar são palavras. Escrevi mais de vinte livros e aprendi que cada palavra tem seu peso, assim como cada caloria. De repente — literalmente — passei a alimentar o pensamento. Como seria consumir palavras, em vez de calorias? Que tal escrever de modo a chegar ao tamanho certo? Assim que a idéia brotou em minha cabeça, tive certeza de que havia descoberto algo.

Todos nós sabemos que comemos em excesso porque alguma coisa está nos roendo por dentro. Que tal nos perguntarmos que coisa é essa, exatamente na hora em que nos der vontade de comer? Que tal se, à beira de um desejo por guloseimas, eu me perguntasse: “O que está me roendo tanto por dentro que senti essa vontade súbita de comer?” E se eu parasse para anotar meus sentimentos por escrito? Por que não dar à minha mente algo para pensar, em vez de dar comida para meu corpo? Já que é possível usar a comida para bloquear os sentimentos, por que não seria possível usar as palavras para bloquear a gula? Calorias não passam, no final das contas, de unidades de energia, e assim são as palavras também.

Essa idéia me entusiasmou. Minha longa experiência como escritora ensinou-me que a escrita é um meio de metabolizar a vida. Se consigo escrever sobre algo, posso lidar com esse algo — e muitas vezes com charme. Poderia a escrita se tornar um meio para metabolizar os vaivéns do meu próprio metabolismo? Acho que sim. Nunca fui magra, mas também nunca fui gorda — até que tive necessidade de tomar um medicamento que lista o ganho de peso entre seus possíveis efeitos colaterais. Remédios são uma necessidade. O ganho de peso, aos olhos do meu médico, era um preço pequeno a ser pago pela minha estabilidade mental. Certamente, pensei, deve haver uma saída. Seria a escrita essa saída?

Durante os 25 anos em que ensinei desbloqueio criativo, uma das ferramentas que sempre aconselho é escrever diariamente, pela manhã. Quantas vezes vi meus alunos usarem suas Páginas Matinais para se livrarem não só da inibição criativa, mas assim também dos quilos a mais! Embora a finalidade do curso A Via do Artista seja atingir um renascimento criativo, vi que era possível atingir ao mesmo tempo um renascimento corporal. Muitas vezes recebo alunos corpulentos e deprimidos. Eu lhes digo que escrevam. Uma dieta contínua de auto-reflexão em pouco tempo controla sua gula. Quilos começam a desaparecer. À medida que as Páginas Matinais metabolizam suas vidas, eles deixam de comer em excesso para bloquear seus pensamentos desagradáveis. Sua criatividade aumenta enquanto seu peso diminui. Vista do meu lugar à frente da sala de aula, a transformação chega a ser espantosa.

Ao iniciar seu processo de desbloqueio criativo, Laura, uma professora de jardim-de-infância, era, para ser bem franca, gorda.

Alta e loura, carregava 18 quilos de excesso de peso. Costumava vestir-se de preto para parecer mais magra, mas essa ilusão de ser magra não convencia ninguém. Laura pertencia àquele tipo de mulher de quem se costuma dizer: “É uma pena que ela seja tão gorda. Tem um rosto tão bonito…”

Laura cresceu em um lar violento e desde cedo aprendeu a bloquear seus sentimentos por meio da comida. Escrevendo suas Páginas Matinais, começou a enfrentar seus sentimentos turbulentos. Com isso, sua necessidade de bloquear as emoções foi desaparecendo. Os quilos foram sumindo também, e Laura emergiu de um curso de 12 semanas como uma mulher muito mais esbelta. Ela atribui à escrita sua perda de peso. “Havia tantas coisinhas que me incomodavam”, lembra-se ela. “Minhas Páginas Matinais eram sessões de queixumes, nas quais eu reconhecia meus ressentimentos e lidava com eles.” Depois que descobriu o que a incomodava, já não sentia necessidade de comer tanto.

Escrever nos torna conscientes. Uma vez conscientes, fica difícil agir de maneira inconsciente. Depois que percebemos que comer em excesso é um artifício que nos bloqueia, fica mais fácil recorrer às palavras do que recorrer à comida. E é isso que este livro tem para ensinar. Diante da perspectiva de um ataque às guloseimas, você pode correr para suas páginas em vez de correr até a geladeira. E, em conseqüência, sua criatividade responderá com um fluxo maior de percepções e idéias.

“Estava na ponta da língua”, dizemos muitas vezes quando uma idéia nos foge. O que nem sempre percebemos é que as idéias vivem na ponta da nossa língua — e que as afogamos com um excesso de comida. Michael, um escritor, conta que, quando consome doces e carboidratos no lanche, sua fonte de criatividade para escrever seca, mas que, quando ingere um lanche saudável, como um pedaço de fruta, seu fluxo criativo dispara. Mary Alice, também escritora, declara que quando registra por escrito seus sentimentos é premiada com um fluxo de criatividade mais abundante. “É como se ao dar nome a certas coisas eu encontrasse nomes para muitas outras.”

Nossas emoções se tornam conhecidas. Uma vez conhecidas, deixam de ser os sabotadores que nos levam a comer demais. Somos todos criativos e podemos, todos nós, ser mais criativos do que já somos. Ao abandonarmos nossos mecanismos de bloqueio, entramos no gozo de nossos poderes. Neste livro, focalizamos especificamente o bloqueio criativo constituído pela comida — e o ato de escrever como meio de controlar o peso.

Embora muitos dos meus alunos digam que descobriram uma vida nova e cheia de emoções depois de seguir minhas dicas sobre a criatividade, não posso prometer uma nova carreira se você seguir a dieta do Escreva e Emagreça. O que posso prometer é um aumento em sua clareza, energia e produtividade. À medida que for escrevendo, você perderá peso e ganhará em criatividade. Ao desbloquear seus sentimentos, terá acesso à energia neles contida. À medida que se familiarizar consigo mesmo, com a origem de seu trabalho criativo, você se tornará, literalmente, mais original. À medida que emagrecer, seus pensamentos se tornarão mais claros. Ao perder peso, deixará de esperar pela varinha mágica que vai transformar sua vida. Em vez disso, compreenderá que a varinha mágica é, na verdade, sua caneta, e que, com a caneta na mão, você será capaz de transformar sua própria vida.

Diferentemente de outros livros de dieta que se proclamam donos da verdade, a dieta do Escreva e Emagreça funciona bem aliada a qualquer dieta sensata. Escrever é a chave. Você pode escrever e seguir a dieta Atkins. Escrever e seguir a South Beach. Você pode escrever enquanto freqüenta os Vigilantes do Peso ou os Comedores Compulsivos Anônimos. Na verdade, as ferramentas do livro contribuirão para aumentar suas chances de sucesso em qualquer dieta de sua escolha.

Se você se sente atraído por este livro, isso significa que provavelmente você se considera criativo, mas também vítima de uma criatividade inibida. Você se sente literalmente faminto por uma vida mais satisfatória. Trabalhar com a ajuda das ferramentas deste livro pode lhe proporcionar essa vida que almeja. Seu desejo por doces será saciado pela doce satisfação de levar uma vida mais rica e produtiva.

Para simplificar, este livro se divide em duas partes. A Parte I vai lhe apresentar sete ferramentas simples. Elas são o alicerce da sua gula, que a partir de agora está em recuperação. A Parte II se compõe de artigos curtos que descrevem as inúmeras situações e circunstâncias que você pode vir a encontrar. Cada artigo vem acompanhado de mais uma ferramenta que permitirá o aprofundamento de sua consciência e de sua criatividade.

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iPhone 3G: operadoras apresentam preços diferentes

O consumidor deve pesquisar e ficar atento ao preço do Telefone Celular iPhone 3G nas operadoras antes de realizar a compra, pois o preço oferecido pelas empresas de telefonia móvel pode variar bastante.

A operadora Claro disponibilizará em seu primeiro lote a quantia de 30 mil aparelhos celulares iPhone, que estarão disponíveis a venda em várias das principais capitais brasileiras e em Campinas e Ribeirão Preto, ambas cidades do estado de São Paulo.

A Claro venderá o iPhone no início por R$ 1.000 (iPhone 3G de 8GB), enquanto a Vivo o comercializará por R$ 899,00.

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Automóveis | Veículos: Seguro de Carro – Dúvidas e Respostas

SEGURO OBRIGATÓRIO (DPVAT)

O Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) é um seguro de contratação obrigatória, pago anualmente pelos proprietários de veículos automotores, com o objetivo de amparar as vítimas de acidentes de trânsito no território brasileiro, independente de quem seja a culpa do acidente ocorrido.

Como ocorre a contratação do DPVAT?

Veículos sujeitos ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA): O bilhete do seguro é emitido com o certificado de registro e licenciamento anual;

Veículos isentos do pagamento de IPVA: a contratação é efetuada junto com o emplacamento ou licenciamento.

Vigência: do primeiro ao último dia de cada ano.

Coberturas: o seguro cobre morte, invalidez permanente e despesas de assistência médica ou hospitalar. As indenizações são pagas individualmente, não importando o número de vítimas do acidente.

Beneficiários: no caso do reembolso das despesas médicas, hospitalares e invalidez permanente, o beneficiário será a própria vítima do acidente. Em caso de morte, o beneficiário será o cônjuge sobrevivente ou equiparado. Na falta destes, receberão o reembolso os herdeiros legais.

Indenização: o pedido pode ser feito através de qualquer seguradora e sem a ajuda de intermediários. O interessado deverá apresentar a documentação necessária ao caso. A mesma seguradora efetuará o pagamento da indenização em cheque nominal, no prazo de quinze dias da entrega dos documentos.

O prazo para dar entrada no pedido de indenização é de três anos, a contar da data em que ocorreu o acidente. Nos casos de invalidez o prazo para prescrição levará em conta a data do laudo do Instituto Médico Legal (IML).

O prêmio do seguro será pago na rede bancária. As indenizações por morte e invalidez permanente não são cumulativas. Não estão cobertos danos materiais como roubo, furto, colisão ou incêndio de veículos.

SEGURO PRIVADO (SEGUROS DE CONTRATAÇÃO OPCIONAL)

O seguro é um contrato pelo qual a empresa seguradora garante ao segurado proteção contra eventuais prejuízos decorrentes de determinado evento ou risco. As coberturas oferecidas pelas empresas seguradoras privadas em um seguro de veículo têm o objetivo de atender às necessidades dos segurados diante da possibilidade desses terem prejuízo em razão de danos causados acidentalmente pelo uso de seus automóveis ou resultante da ação de terceiros. São seguráveis todos os carros terrestres de propulsão a motor e seus reboques, desde que não andem sobre trilhos. O valor da importância segurada inscrito na apólice de seguro para cada cobertura representará o limite máximo de responsabilidade da empresa seguradora.

Quais são as modalidades possíveis para o seguro de automóvel?

VMR – Valor de Mercado Referenciado: modalidade que garante ao segurado, no caso de indenização integral, o pagamento de quantia variável, em moeda corrente nacional, determinada de acordo com a tabela de referência, expressamente indicada na proposta do seguro, conjugada com fator de ajuste, em percentual, a ser aplicado sobre o valor da cotação do veículo, na data da liquidação do sinistro.

VD – Valor Determinado: modalidade que garante ao segurado, no caso de indenização integral, o pagamento de quantia fixa, em moeda corrente nacional, estipulada pelas partes no ato da contratação do seguro.

O que significa “valor de novo”?

Refere-se ao compromisso da seguradora, na modalidade de valor de mercado referenciado (VMR), de indenizar o segurado pelo valor do veículo zero quilômetro constante da tabela de referência na data de liquidação do sinistro. A seguradora deverá definir expressamente os critérios necessários para que tal condição seja aceita. Esta cobertura vigorará durante prazo não inferior a 90 dias, contado a partir da entrega do veículo ao segurado e fixado nas condições gerais do seguro.

Quais são os tipos de coberturas oferecidas?

A cobertura compreensiva abrange roubo e furto, colisão e incêndio (perda parcial e total). A cobertura do seguro de automóvel pode, ainda, ser conjugada com a cobertura de responsabilidade civil facultativa de veículos (RCF-V), que cobre os danos corporais ou materiais causados a terceiros, e a cobertura de acidentes pessoais para passageiros (APP).

A cobertura de RCF-V, por sua vez, pode ser dividida em duas modalidades: a que cobre danos materiais causados a terceiros (DM) e a que cobre danos corporais causados a terceiros (DC).

Podem ser contratadas coberturas adicionais?

Sim. São coberturas contratadas por cláusulas especiais que integram a apólice. Como exemplo, temos as coberturas para: acessórios, rádios, ar condicionado, antenas e outros equipamentos, guindastes, frigoríficos (caminhões frigoríficos), aparelhos de raio x (nos hospitais volantes), etc.

Quais são os prejuízos não indenizáveis?

São os prejuízos decorrentes dos riscos excluídos, bem como, nos casos de indenizações parciais, as avarias previamente constatadas pela seguradora.

Como é determinado o valor do prêmio de seguro?

O valor do prêmio será fixado pela seguradora a partir das informações que lhe foram enviadas sobre o bem segurado (automóvel) e, em geral, sobre o segurado e o condutor (questionário de avaliação de risco).

As seguradoras estão liberadas para fixar seus prêmios e a forma de pagamento (se o prêmio será à vista ou parcelado), mas deverão encaminhar o documento de cobrança em até 5 dias úteis antes da data do respectivo vencimento.

Qual é o início de vigência do seguro?

No caso de seguro em que a proposta foi recepcionada na seguradora sem pagamento de prêmio, o início de vigência da cobertura será a data de aceitação da proposta ou outra se expressamente acordarem segurado e seguradora. Na ausência de data vale a do recebimento da proposta pela seguradora.

No caso de seguro de proposta recepcionada pela seguradora com adiantamento para futuro pagamento de prêmio, o contrato terá início de vigência a partir da realização da vistoria, exceto para veículos zero quilômetro ou para os casos de renovação na mesma seguradora, hipóteses em que o início de vigência ocorre na data em que a proposta foi recebida na empresa seguradora.

Qual é o prazo para a aceitação da proposta pela seguradora?

O prazo é especificado na proposta de seguro, não podendo ser superior a quinze dias.

Encerrado este prazo, não tendo havido a recusa da seguradora, o seguro passa a ser considerado aceito. No caso de recusa, a seguradora deverá comunicar formalmente ao segurado a não aceitação do seguro, justificando a recusa.

O que caracteriza a indenização integral em caso de ocorrência de sinistro?

A indenização integral é caracterizada quando os prejuízos resultantes de um mesmo sinistro atingirem ou ultrapassarem 75% (ou percentual inferior quando previsto na apólice) do valor contratado pelo segurado (valor definido na apólice para a modalidade VD ou valor vigente na tabela de referência na data do aviso do sinistro multiplicado pelo fator de ajuste acordado para a modalidade VMR). Em caso de roubo ou furto do veículo sem que o mesmo seja recuperado, há também a indenização integral.

Quanto vou receber no caso de ocorrência de sinistro que acarrete indenização integral?

Nos casos de indenização integral, para a modalidade VD, o valor da indenização corresponderá ao valor constante da apólice. Para a modalidade VMR, o valor da indenização será determinado de acordo com a tabela de referência, expressamente indicada na proposta do seguro, conjugada com o percentual de fator de ajuste, a ser aplicado sobre o valor de cotação do veículo, na data da liquidação do sinistro.

Como devo proceder para o recebimento de indenização integral?

No caso de indenização integral, o segurado deverá, ocorrendo sinistro, avisar imediatamente a seguradora, preencher o formulário de aviso de sinistro e apresentar a documentação necessária, definida nas condições gerais do seguro.

Como devo proceder para o recebimento de indenização parcial?

Para a indenização parcial por avarias, ou seja, por danos materiais causados ao veículo que não acarretem a indenização integral, o segurado deverá, no caso de sinistro, avisar imediatamente a seguradora, preencher o formulário de aviso de sinistro, levar o carro a uma oficina de sua livre escolha (é possível que a seguradora ofereça algumas vantagens para utilização de rede credenciada, mas não pode impedir o segurado de escolher determinada oficina) e aguardar autorização prévia da seguradora para serem efetuados os consertos.

São também indenizáveis, até o limite máximo da indenização, os valores referentes aos danos materiais comprovadamente causados pelo segurado e/ou por terceiros na tentativa de evitar o sinistro, minorar o dano ou salvar o bem.

Qual o prazo para receber a indenização?

O prazo estabelecido para a liquidação do sinistro está limitado a 30 dias contados a partir do cumprimento de todas as exigências contratuais feitas ao segurado (entrega da documentação).

A contagem do prazo poderá ser suspensa quando, no caso de dúvida fundada e justificável, forem solicitados novos documentos, sendo reiniciada a partir do cumprimento das exigências pelo segurado.

O que é limite máximo de indenização?

Também chamado de importância segurada, o limite máximo de indenização representa, para cada uma das coberturas contratadas pelo segurado, o valor máximo que esse poderá receber em caso de um sinistro amparado pela respectiva cobertura. O segurado deverá estar atento, em cada cobertura, ao valor estipulado para o limite máximo de indenização, pois, dependendo da forma de contratação do seguro, isso poderá acarretar o recebimento parcial dos prejuízos.

O que é franquia?

É o valor, expresso na apólice de seguro, que representa a parte do prejuízo que deverá ser arcada pelo segurado por sinistro. Assim, se o valor do prejuízo de determinado sinistro não superar a franquia, a seguradora não indenizará o segurado.

A franquia não poderá ser cobrada do segurado nos casos de sinistro com indenização integral por qualquer causa, além dos sinistros que resultarem de incêndio, queda de raio e/ou explosão, ainda que esses acarretem indenizações parciais. Entretanto, se o veículo roubado ou furtado for recuperado e necessitar de conserto, o segurado arcará com a franquia, pois neste caso a indenização é parcial (desde que o prejuízo não ultrapasse o percentual máximo previsto na apólice de seguro).

No caso de mais de um sinistro, o segurado arcará com tantas franquias quantas forem os sinistros.

O que é bônus?

Trata-se de um critério definido pela empresa seguradora para permitir uma redução no valor do prêmio da apólice de seguro quando o segurado apresentar um número de anos sem sinistros. A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), órgão de fiscalização e regulação das empresas de seguros, não define regras para a aplicação ou suspensão de bônus.

O contrato de seguro de veículos pode ser cancelado?

O contrato poderá ser rescindido com a concordância de ambas as partes. Se a rescisão ocorrer por vontade da seguradora, a empresa poderá reter um percentual do prêmio proporcional ao prazo decorrido do seguro. Se a rescisão ocorrer a pedido do segurado, a seguradora reterá, no máximo, além do custo da apólice de seguros e impostos, o prêmio calculado de acordo com a tabela de prazo curto.

Haverá o cancelamento automático do seguro por falta do pagamento único ou da primeira parcela do prêmio; quando ocorrer a indenização integral; e para os seguros de danos, quando a soma das indenizações pagas em razão dos sinistros ultrapassar o limite máximo da indenização.

O que é perda de direito do segurado?

É ocorrência de um fato que provoca a perda do direito à indenização, ainda que, a princípio, o sinistro seja oriundo de um risco coberto, ficando, então, a seguradora isenta de qualquer obrigação decorrente do contrato. Isto ocorre se o sinistro ocorrer por culpa grave ou dolo do segurado ou beneficiário do seguro; a reclamação de indenização por sinistro for fraudulenta ou de má-fé; o segurado, corretor, beneficiários ou ainda seus representantes e prepostos fizerem declarações falsas ou, por qualquer meio, tentarem obter benefícios ilícitos do seguro; e se o segurado agravar intencionalmente o risco.

Quais cuidados devo tomar anter de contratar um seguro de carro?

Verifique se a corretora e seguradora possuem a devida autorização de funcionamento junto à Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Pesquise e compare os valores dos prêmios de diversas empresas seguradoras em várias corretoras, não deixando de avaliar os benefícios extras oferecidos. Leia atentamente a proposta e as condições gerais do contrato. Certifique se a proposta contém os valores do prêmio, a importância segurada e a cobertura, assinando-a somente quando estiver preenchida (não assine documento em branco ou não preenchido completamente).

Não efetue pagamentos em dinheiro vivo ou com cheques ao portador (faça cheque nominal, preenchendo na folha o nome da empresa que o está recebendo) nem forneça dados pessoais ou efetue pagamentos àqueles que pessoalmente (ou por telefone) alegam necessidade prévia de pagamento para liberação de valores de indenizações do seguro ou outros benefícios.

  • Glossário

Apólice: documento emitido pela seguradora que contém todas as cláusulas do contrato.

Avaria: dano causado ao bem segurado.

Aviso de sinistro: comunicação da ocorrência de um sinistro que o segurado é obrigado a fazer ao segurador assim que tenha dele conhecimento.

Bônus: desconto incidente sobre o prêmio a ser pago na renovação do seguro.

Cobertura: eventos indenizados pela seguradora.

Condições gerais: conjunto de cláusulas que definem os riscos cobertos, direitos e obrigações das partes.

Contrato de seguro: contrato pelo qual o segurador garante ao segurado proteção contra eventuais prejuízos decorrentes de determinado evento ou risco.

Corretor(a): pessoa física ou jurídica devidamente habilitada e registrada na Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) para intermediar e promover a realização de contratos de seguro, representando o cliente junto às empresas seguradoras.

Endosso/Aditamento: documento pelo qual as partes (de comum acordo) fazem e aceitam alterações do contrato.

Franquia: parcela do prejuízo suportada pelo próprio segurado, ou seja, quantia que ele terá de pagar, em caso de perda parcial do veículo ou de acessórios segurados. Se o valor do prejuízo de determinado sinistro não superar a franquia, a seguradora não indenizará o segurado.

Importância segurada: termo utilizado para definir o valor do bem segurado estipulado na apólice.

Indenização: é o valor pago pela seguradora em caso de ocorrência de sinistro previsto na apólice.

Prêmio: é a importância que o segurado paga à seguradora para ter direito à indenização em caso de sinistro.

Proposta: documento com a declaração dos elementos essenciais do interesse a ser garantido e do risco, em que o proponente, pessoa física ou jurídica, expressa a intenção de contratar o seguro, manifestando pleno conhecimento das condições contratuais.

Risco: evento incerto ou de data incerta que independe da vontade das partes contratantes e cuja ocorrência dará direito à indenização descrita na apólice.

Questionário de avaliação de risco (definição de perfil): integra a proposta, respondido pelo segurado, contém informações precisas sobre os condutores e usos habituais do veículo. O questionário é também utilizado no cálculo do valor do prêmio.

Segurado: é a pessoa física ou jurídica que, tendo interesse segurável, contrata o seguro, em seu benefício pessoal ou de terceiro.

Seguro: contrato pelo qual uma das partes se obriga, mediante cobrança de prêmio, a indenizar a outra pela ocorrência de determinados eventos ou por eventuais prejuízos previstos nas condições contratuais. O segurador e o segurado são obrigados a guardar, no contrato de seguro, a mais estrita boa-fé e veracidade a respeito do objeto segurado e das declarações a ele concernentes.

Sinistro: representa a ocorrência do risco coberto, durante o período de vigência do plano de seguro, ou seja, é a ocorrência do fato previsto no contrato.

Terceiro: pessoa envolvida num sinistro, mas que não é parte integrante do contrato.

Vigência: período de tempo fixado para a validade da apólice de seguro.

Vistoria: inspeção feita por peritos habilitados da seguradora para verificar o estado geral do veículo. A vistoria pode ser realizada antes da contratação e após o sinistro.

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Carros | Veículos: Novo Ford Focus obedece motorista por comando de voz

O automóvel Ford Focus (modelo Ghia) é equipado com um sistema de comando de voz que obedece ao motorista. A função pode ser usada para ativar, por exemplo, o rádio, o tocador de CD e o ar-condicionado do carro.

O motorista pode pedir ao automóvel que deixe a temperatura ambiente em 21 graus, e assim o sistema obedecerá e regulará a temperatura do ar-condicionado para se adequar ao pedido do “mestre”.

O sistema de comando de voz do Ford Focus também ativa o aparelho celular do motorista através de conexão Bluetooth, permitindo a discagem sem que o usuário utilize as mãos.

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Livros | Brasil: Lista dos livros mais vendidos no Brasil
Setembro 21, 2008
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O Estado de São Paulo
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Livros A Cabana William P Young The Shack Books

Ficção

01. A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro

02. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro

03. ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
José Saramago . leia um trecho do livro

04. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak

05. O MUNDO É BÁRBARO
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro

06. CREPÚSCULO
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro

07. O VENCEDOR ESTÁ SÓ
Paulo Coelho . leia um trecho do livro

08. MUNDO SEM FIM
Ken Follett . leia um trecho do livro

09. AS MEMÓRIAS DO LIVRO
Geraldine Brooks . leia um trecho do livro

10. O CAÇADOR DE PIPAS
Khaled Hosseini . leia um trecho do livro

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Livros Comer Rezar Amar Elizabeth Gilbert Eat Pray Love Books

Não-Ficção

01. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro

02. ELES CONTINUAM ENTRE NÓS
Zibia Gasparetto . leia um trecho do livro

03. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro

04. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro

05. SEMPRE EM FRENTE
Roberto Shinyashiki

06. CASAIS INTELIGENTES ENRIQUECEM JUNTOS
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro

07. O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro

08. O SEGREDO
Rhonda Byrne

09. A ARTE DA GUERRA
Sun Tzu . leia um trecho do livro

10. INVESTIMENTOS INTELIGENTES
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro

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Telefone Celular Nokia 3600 pode ser ligado a TV

A Nokia lançou o Telefone Celular Nokia 3600, aparelho capaz de reproduzir imagens em um televisor comum, desde que este possua entrada para o plug.

O uso desse recurso se faz conectando um cabo entre o aparelho celular e a TV e acionando a função TV-OUT, que permite a exibição dos vídeos gravados no Nokia 3600 diretamente no aparelho de televisão.

A produção dos vídeos com qualidade VGA é feita pela câmera digital de 3.2 MP do próprio telefone celular, equipada com zoom de 8x.

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Livro: A Arca Perdida da Aliança | Tudor Parfitt | Primeiro Capítulo

O Professor Tudor Parfitt foi considerado o Indiana Jones britânico pelo conceituado jornal The Wall Street Journal, devido aos perigos e as aventuras que viveu na difícil busca pela Arca da Aliança, um dos objetos mais enigmáticos da história.

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Livros A Arca Perdida da Alianca Tudor Parfitt The Lost Ark of the Covenant BooksLivro: A Arca Perdida da Aliança

A Caverna

Era um tempo de seca. Em 1987 minha casa era uma cabana de palha numa ressecada área tribal no centro do Zimbábue, no sul da África, completamente isolada do resto do mundo. Eu estivera fazendo pesquisas de campo sobre uma misteriosa tribo africana chamada Lemba. Isso era parte do meu trabalho. Na época eu era professor de hebraico no Departamento de Estudos do Oriente Próximo e Médio na Escola de Estudos Orientais e Africanos (SOAS, em inglês) da Universidade de Londres, e já fazia um tempo que esta tribo era meu principal tema acadêmico.

Como eu passava o tempo na aldeia? No calor escaldante do dia caminhava pelos morros próximos ao povoado e remexia nos restos da antiga cultura de construções de pedra, que, segundo os lembas, era trabalho de seus ancestrais distantes. Com minha pequena colher de pedreiro havia descoberto alguns ossos, pedaços de cerâmica local e um ou dois instrumentos de ferro com idade incerta. Não era muita coisa sobre a qual escrever. Depois eu lia, fazia minhas anotações e passava boa parte da noite ouvindo as narrativas dos anciãos.

Os lembas faziam uma reivindicação espantosa, de que tinham origem israelita, ainda que a presença de israelitas ou judeus na África central jamais tivesse sido atestada anteriormente. Por outro lado, desde o início da Idade Média, houvera rumores de reinos judeus perdidos na África mais escura. O que eu ouvira era que a tribo acreditava que, quando deixaram Israel, estabeleceram-se numa cidade chamada Senna — em algum local do outro lado do mar. Ninguém tinha qualquer idéia de onde, no mundo, ficava essa misteriosa Senna, nem eu. A tribo pedira que eu encontrasse sua cidade perdida, e eu havia prometido tentar.

O que eu sabia em 1987 sobre a tribo lemba, com 40 mil membros, era que eles eram negros, falavam várias línguas banto como venda ou shona, habitavam diversos locais na África do Sul e no Zimbábue, fisicamente não se diferenciavam de seus vizinhos e tinham uma quantidade de costumes e tradições idênticas às das tribos africanas entre as quais viviam.

Pareciam ser completamente africanos.

Mas, por outro lado, também tinham alguns costumes e lendas misteriosos que não pareciam africanos. Não se casavam com pessoas de outras tribos. Não comiam tradicionalmente com outros grupos. Circuncidavam os meninos. Praticavam a matança ritual de animais, usando uma faca especial; recusavam-se a comer porcos e várias outras criaturas; sacrificavam animais em locais altos como os israelitas antigos e seguiam muitas outras leis do Velho Testamento. A visão da lua nova era de importância fundamental para eles, assim como para os judeus. Os nomes dos clãs pareciam derivados do árabe, do hebraico ou de alguma outra língua semítica.

Durante os meses que eu havia passado na aldeia tentando desvendar seus segredos, jamais encontrei a prova absoluta — a arma fumegante, demonstrando que sua tradição oral, que os ligava à antiga Israel, era verdadeira. Jamais encontrei uma inscrição em pedra, um fragmento de uma oração em hebraico, um artefato do antigo Israel. Nem mesmo uma moeda ou um caco de cerâmica.

Antes de chegar ao Zimbábue eu havia passado alguns meses com as grandes comunidades lembas no país vizinho, a África do Sul. Ali, os líderes da tribo haviam me dado muitas informações. Eu esperava conseguir mais no Zimbábue e pedi que o chefe lemba local facilitasse a pesquisa. O chefe Mposi convocou uma reunião dos anciãos dos clãs lembas e, instigados por minha promessa de tentar encontrar sua cidade perdida de Senna, concordaram formalmente em permitir que eu pesquisasse sua história.

Mas depois disso não me contaram nem de longe o quanto eu esperava. Eram reservados com relação a qualquer coisa que tivesse a ver com suas práticas religiosas. Foi somente a disposição de me sentar perto deles até tarde da noite, até que meu uísque tivesse afrouxado a língua dos velhos, que me permitiu ouvir algo sobre seu culto notável.

No dia seguinte eles se arrependiam das indiscrições noturnas e murmuravam que os anciãos do clã não deveriam ter autorizado minha pesquisa, que os brancos não tinham nada que se intrometer nos assuntos deles e que eu deveria parar de tentar penetrar no manto de segredo que velava seus ritos religiosos.

Outros tentaram me amedrontar e fazer com que eu fosse embora contando histórias sinistras do que havia acontecido com gerações anteriores de pesquisadores que tinham penetrado demais em caminhos proibidos. Um deles fora circuncidado à força depois da ousadia de caminhar pela Dumghe, a montanha sagrada da tribo. Outro havia chegado perto demais de uma caverna sagrada na base da Dumghe e fora ferido com uma assegai tradicional e tremendamente espancado. Escapara com vida por pouco.

À medida que minhas esperanças de encontrar a pista fundamental com relação à verdadeira identidade deles começavam a morrer, também morriam as plantações ao redor da aldeia. Não chovera nada durante meses. Havia um pouco de líquido denso e lamacento no fundo das cacimbas. Todas as manhãs as mulheres traziam água em enferrujadas latas de óleo equilibradas na cabeça. Quando isso acabasse, não teriam o que beber. A não ser a cerveja da venda, para quem tivesse dinheiro. E esses não eram muitos.

Nesta manhã, cedo, antes do nascer do sol, o chefe havia convocado uma cerimônia da chuva. O mensageiro do chefe tinha chegado assim que as pessoas da casa começavam a acordar. A fogueira de cozinhar estava sendo soprada, e era aquecida a água para o chá e para abluções, trazida todas as manhãs à minha cabana pela filha de meu gentil anfitrião, Sevias. O mensageiro disse a Sevias que a presença dele seria necessária naquela noite. Este era um último e desesperado lance de dados.

Houvera seca durante tanto tempo que os riachos que um dia haviam trazido vida e peixes ocasionais ao povoado tinham desaparecido completamente. Agora pareciam trilhas de cabras cheias de poeira funda e fina. Sem água, logo a vida na aldeia seria impossível. A tribo teria de se mudar. Mas para onde? A seca cobria toda a região.

No fim da tarde os anciãos e notáveis se reuniram na grande cabana do chefe, no centro de seu kraal — o grupo de cabanas que formavam sua propriedade. Tinham sido convidados a beber chibuku — uma cerveja de milho feita em casa, com consistência de mingau —, dançar durante toda a noite e entreter os ancestrais pedindo chuva. Isso era os confins da África mais profunda.

Sevias me convidou a acompanhá-lo. Caminhamos juntos pela terra ressequida enquanto ele me contava sobre os grandes rebanhos que já possuíra, sobre as árvores gemendo sob o peso das frutas, sobre as espigas de milho que antigamente eram grandes como abóboras.

Estávamos entre os primeiros a chegar. Sentei-me perto de Sevias num banco de barro cozido que rodeava a cabana e olhei com grande interesse os preparativos para a festa dos ancestrais. Nunca havia imaginado que teria permissão de observar qualquer coisa como aquela já que sem dúvida ela fazia parte do coração de seu culto.

Eu tinha uma máquina fotográfica, um gravador e um caderno. Tinha quase certeza de que esta noite me daria material para ao menos um artigo acadêmico, um artigo impressionante.

O chefe Mposi sentou-se sozinho. Estava com saúde ruim e parecia preocupado. Olhava o chão de terra, apoiando a cabeça no topo da bengala. Com um movimento súbito chamou as esposas para servirem cerveja.

— Ela está lá, parada, e não está fazendo bem a ninguém!

— Já vou servir — respondeu rispidamente a esposa mais velha, levantando o pote de cerveja com os braços musculosos.

— Muito tarde — resmungou ele.

O pote de chibuku foi passado de mão em mão, da direita para a esquerda, sem qualquer demonstração inadequada de pressa, como uma garrafa de vinho Madeira depois de um jantar elegante em Oxford.

O silêncio foi rompido pelo chefe chamando os nomes de suas quatro esposas. Eram singularmente diferentes uma das outras em idade, tamanho e beleza. Cada uma respondeu por sua vez, ajoelhadas lado a lado, e começaram a bater palmas. Viraram-se de costas para o chefe, levantaram-se e acenderam velas, enquanto as outras mulheres começavam a ulular e assobiar.

Uma longa trompa de chifre de antílope foi enfiada através da abertura para dentro da cabana, e um toque triunfante silenciou o som agudo das mulheres. O homem que soprava a trompa era alto e forte. Usava uma saia feita de tiras de pele preta e ao redor da cabeça tinha uma faixa de pele de leopardo. Era o feiticeiro. Seu nome era Sadiki — um dos nomes de clãs dos lembas — nome inconfundivelmente semítico cuja presença na África central era uma anomalia misteriosa. Ele comandou a cerimônia. Chocalhos magagada, feitos de cabaça, estavam amarrados aos seus tornozelos com cordas de fibra de casca de árvore. Ele batia os pés no chão de terra da cabana e soprava uma nota longa e assombrosa na trompa.

Quatro mulheres idosas sentadas juntas no banco de barro que seguia por todo o perímetro da cabana começaram a bater em tambores de madeira. Os outros convidados estavam reunidos ao redor do feiticeiro, impelidos nos movimentos curtos e estremecidos da dança pelos ritmos dos tambores e dos chocalhos magagada, praticamente sem se mexer, perdidos em concentração.

Sadiki estava parado no epicentro da tempestade de sons, direcionando seu movimento. Tinha um ar poderoso e régio, e olhava com arrogância ao redor. De modo sugestivo, mexeu um dos pés. Depois, uma das mãos. Seu corpo seguiu e, posicionando-se na frente de um dos tambores, dançou como Davi diante da Arca, parando para soprar a trompa de chifre semelhante à shofar que um dia fora tocada no Templo de Jerusalém. As tocadoras de tambor pareciam velhas e frágeis demais para produzir um som daqueles, no entanto deveriam tocar durante horas, sem pausa.

A cerveja começou a circular mais depressa. A pobreza havia dominado a aldeia. Fazia muito tempo que os potes de cerveja não eram passados com tanta liberalidade. Alguns homens, não mais acostumados a beber, já estavam inebriados.

A mulher mais velha do chefe já estava aparentemente possuída pelos espíritos dos ancestrais. Olhando de um lado para o outro, caiu no chão chorando. Olhando ao redor de modo desfocado, levantou o vestido comprido, de estilo ocidental, até tirá-lo pela cabeça. Dançou posicionando-se no espaço diante das tocadoras de tambor, que Sadiki deixara livre.

O ritmo acelerou de novo. Com o suor descendo pelo peito largo e musculoso, Sadiki pôs um adereço de penas pretas de águia na cabeça da mulher. Sevias me disse que isso era para demonstrar respeito pelos ancestrais. Ela continuou dançando, lançando grandes sombras nas paredes iluminadas por velas. Caiu de joelhos, soluçando, diante do velho chefe e pôs com ternura o adereço na cabeça dele.

O chefe estava morrendo. Todo mundo dizia isso. Parecia cinzento e doente. Fez um gesto para eu me juntar a ele. Pegou minha mão e sussurrou no meu ouvido:

— Os ancestrais vieram de Israel: vieram de Senna. Estão aqui conosco. Adeus, Mushavi. Talvez nos vejamos em Senna.

Senna era a cidade perdida de onde os lembas tinham vindo, também era o lugar aonde esperavam ir depois de morrer.

O rosto dele, iluminado pela luz trêmula das velas, era corrugado com marcas da idade e da doença; seus olhos estavam escondidos por papadas de carne clara e pintalgada. Espiou-me e depois indicou que eu deveria me levantar e deixá-lo. Entristecido e aturdido por suas palavras, voltei ao banco onde estavam meu caderno, a máquina fotográfica e o gravador.

Eu estava na aldeia havia tanto tempo que começava a me sentir em casa, como um deles. Tinha bebido um bocado de sua cerveja chibuku. Depois dos primeiros goles ela se torna mais ou menos palatável, e depois de um tempo é positivamente aceitável. Percebi que aquele não era um momento para ficar sentado num canto tomando notas e gravando música lemba. Havia coisas mais importantes a fazer. Esta era mais uma ocasião para participação do observador. Tirei a camisa para, como pensei, misturar-me aos homens e mulheres cujas sombras fantasmagóricas saltavam loucamente nas paredes e que caíam numa espécie de transe ao meu redor. A mulher mais velha do chefe atravessou a cabana, inclinou-se sobre mim, e sussurrou algo incompreensível em shona, a língua da tribo shona, dominante na região do Zimbábue onde viviam os lembas.

Comecei a dançar ao ritmo forte dos tambores. Uma das mulheres mais novas do chefe estava dançando na minha frente, oscilando, bêbada, suplicando aos ancestrais.

As tocadoras de tambor aceleraram o ritmo.

Outra mulher, num transe remelento, foi para o centro da cabana. Homens ficaram de pé ao redor, admirando seu corpo esguio, instigando-a.

— Ela está falando com os ancestrais — gritou Sevias no meu ouvido. — Logo eles vão responder. Quando as vozes deles forem ouvidas, será melhor você ir embora.

Perto da meia-noite houve uma mudança na atmosfera. Imaginei que havia chegado a hora de oferecer os sortilégios e as orações secretas do culto. Essas eram coisas muito bem guardadas. Eram os códigos orais que governavam a vida dos lembas e que sem dúvida tinham as pistas para o passado que eu estava buscando. Esses códigos e sortilégios eram para mim o âmago da questão. Era disso que eu queria fazer parte. Era para isso que eu tinha vindo.

Meus braços estavam levantados; meu rosto estava voltado para o teto de palha. O suor escorria do meu corpo. Sentia uma empolgação enorme. Eu fora aceito, era um deles. Os ancestrais iam baixar e eu estaria ali para observar o que aconteceria em seguida. Ninguém do mundo externo jamais havia observado isso. Dentro da minha cabeça podia sentir uma espécie de canal se abrindo, parecia um canal de comunicação com os ancestrais israelitas da tribo.

Eu estava me rejubilando com a eficácia de minha metodologia de pesquisa cinco estrelas quando senti um punho se chocar contra a lateral do rosto. Era o punho da mais velha e mais forte mulher do chefe. Caí no chão em cima do corpo deitado e fétido do maior bêbado dos Mposi — uma espécie de mendigo chamado Klopas, que eu conhecia e cujo cheiro havia sentido muitas vezes. Por alguns segundos, perdi a consciência. Fui arrastado para fora da cabana por alguns homens e encostado na lateral da construção.

— É… eu chateei a mulher do chefe — falei. — Lamento muito.

Não estava lamentando tanto assim. Estava me sentindo tremendamente furioso.

— Mushavi — disse Sevias, inclinado acima de mim. — Você não chateou ninguém. O soco foi apenas as boas-vindas dos ancestrais. Talvez também tenha sido um pequeno aviso. Só um pequeno aviso. Se os ancestrais não quisessem você aqui, não teriam dado um soco fraco como esse, teriam feito picadinho de você. Agora você deve ir, porque os ancestrais estão chegando entre nós. Os que não são iniciados devem sair.

Os espíritos dos ancestrais não ficariam felizes em me ver ali, explicou ele. Segredos seriam compartilhados. Havia coisas que eu não deveria saber. De modo truculento, pensei que, se eu não conseguisse descobrir as coisas secretas ali, naquela noite, as chances eram de nunca saber. Era agora ou nunca.

Do lado de fora da cabana, um grupo de anciãos estava olhando ansioso para o céu noturno, esperando sinais de chuva. Sevias sentou-se ao meu lado, encostado na parede. Seu rosto com rugas gentis traía sinais de preocupação. Sua preocupação não era somente pela chuva, ou pela falta dela, se bem que esta fosse uma questão fundamental para ele, assim como para os outros — de fato sua vida e a vida de sua família dependiam disso — mas também por mim e pelo meu desapontamento ao não ser admitido nos segredos tribais. Eu já havia lhe contado que meu trabalho de campo não rendera tanto quanto eu esperava.

De cabeça inclinada, as mãos levantadas num gesto de súplica, ele perguntou com apenas uma sugestão de sorriso:

— Mushavi, você encontrou o que estava procurando no tempo que passou conosco?

Ele freqüentemente me honrava com o elogioso nome tribal de Mushavi, que os lembas geralmente só usam entre si e que eu achava que poderia estar conectado a Musawi — a forma arábica de “seguidor de Moisés (Musa)”. Talvez ele estivesse tentando me lisonjear chamando-me de Mushavi, mas o resto de sua pergunta era incompreensível. Ele sabia muito bem que, na maior parte, os segredos da tribo permaneciam intactos.

Sorri, e com o máximo de paciência que pude juntar, falei:

— Você sabe muito bem, Sevias, que ainda há muitos segredos que vocês não me contaram. E não se esqueça que os anciãos de todos os clãs concordaram que eu tivesse acesso a tudo.

— É — concordou ele, sério — mas muitas vezes expliquei a você que, não importando o que tenha sido dito na reunião dos clãs, há coisas que não podem ser contadas fora da irmandade dos iniciados. Orações, feitiços, sortilégios. Muitos dos nossos segredos não podem ser revelados. Os outros lhe disseram isso. Eles teriam de matá-lo, Mushavi, se você ficasse sabendo dessas coisas secretas. É a lei.

Seu rosto enrugado se tornou quase uma paródia de preocupação e ansiedade.

Sevias era um homem bom. Em todos os meses que eu havia passado em seu kraal, apesar da seca e da situação política insegura dentro da tribo e do país como um todo, apesar de dificuldades familiares, ele sempre fora calmo, gentil e digno. Agora eu percebi que nunca fora mais feliz na vida do que quando me sentava sob a grande árvore no kraal de Sevias.

Ele arrastou os pés descalços e calosos na terra seca.

— Mas e os segredos da tribo? — insisti. — As coisas que vocês trouxeram do norte, de Senna. Já me contaram sobre elas, mas ainda não vi nenhuma.

— É verdade. Nós trouxemos objetos de Jerusalém há muito tempo e trouxemos objetos de Senna. Objetos sagrados, importantes, de Israel e Senna.

Senna era a cidade perdida que, segundo a tribo, ela havia habitado depois de deixar a Terra de Israel. O professor M.E.R. Mathivha — o erudito líder da tribo lemba na África do Sul — já havia me contado muitas coisas sobre a lenda de Senna. A tribo viera de Senna “atravessando o mar”. Ninguém sabia onde isso ficava. Haviam atravessado “Pusela”, mas ninguém sabia onde isso ficava, também. Tinham vindo para a África, onde, por duas vezes, reconstruíram Senna. Esse era o resumo da história.

— Sevias — insisti —, você não pode ao menos me contar o que aconteceu com os objetos da tribo?

Ele examinou o céu e permaneceu calado. Depois murmurou:

— A tribo está espalhada numa grande área. Você sabe, uma vez nós violamos a lei de Deus. Comemos camundongos, que são proibidos para nós, e fomos espalhados por Deus entre as nações da África. Assim os objetos foram espalhados e escondidos em locais diferentes.

— E o ngoma? Onde você acha que pode estar?

O ngoma era um tambor de madeira usado para guardar objetos sagrados. A tribo havia seguido o ngoma, carregando-o no alto, durante a viagem pela África. Eles afirmam que o trouxeram de Israel há tantos anos que ninguém se lembra mais de quando isso aconteceu.

Segundo suas tradições orais, eles carregaram o ngoma à frente da tribo nas batalhas e ele os havia guiado na longa caminhada pelo continente. Segundo a tradição oral dos lembas, o ngoma costumava ser carregado diante do povo, em duas varas. Cada vara era inserida nos dois aros de madeira presos nos dois lados do ngoma. O ngoma era muitíssimo sagrado para a tribo, praticamente divino. Objetos sagrados do culto eram levados ali dentro. O objeto era santificado demais para ser posto no chão: no fim de um dia de marcha era pendurado numa árvore ou posto numa plataforma construída especialmente para ele. Era santo demais para ser tocado. Os únicos membros da tribo que tinham permissão de se aproximar dele eram os sacerdotes hereditários que sempre faziam parte do clã Buba. Os sacerdotes buba serviam ao ngoma e o guardavam. Qualquer um que o tocasse, não sendo os sacerdotes e o rei, seria derrubado pelo fogo de Deus que irrompia do próprio tambor. Ele era levado para a batalha e garantia a vitória. Matava os inimigos dos guardiães do ngoma.

Eu ouvira falar do ngoma pela primeira vez alguns meses antes, na África do Sul. O professor Mathivha me contara o que sabia sobre o objeto e eu recebera um relato detalhado de um velho lemba chamado Phophi, que conhecia bem a história da tribo. Phophi havia me contado sobre o tamanho do ngoma, suas principais propriedades e que tradições eram associadas a ele.

Eu também sabia que, cerca de quarenta anos antes, um antigo ngoma fora encontrado por um estudioso alemão chamado von Sicard numa caverna junto ao Limpopo, o rio infestado de crocodilos que marca a fronteira entre o Zimbábue e a África do Sul. Ele o havia fotografado e a foto fora incluída num livro que escreveu sobre o assunto, mas aparentemente desde então o ngoma havia desaparecido sem deixar vestígios. Mathivha, Phophi e outros anciãos lembas haviam me contado que o artefato encontrado pelo alemão em sua caverna remota era sem dúvida o ngoma original que os lembas haviam trazido do norte.

Uma noite, algumas semanas antes da dança da chuva, sentado até tarde junto ao fogo com Sevias e outros anciãos, ouvi um pouco mais sobre a lenda do ngoma.

— O ngoma veio do grande templo de Jerusalém — disse Sevias. — Nós o carregamos até aqui, pela África, usando as varas. À noite, ele ficava numa plataforma especial.

De repente me ocorreu que, na forma, no tamanho e na função, o ngoma lungundu era semelhante à bíblica Arca da Aliança, a famosa arca perdida que fora procurada sem sucesso através dos tempos. A descrição bíblica do objeto, que eu conhecia desde os anos em que estudava hebraico clássico em Oxford, estava gravada na minha mente.

Uma arca de madeira de shittim; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura (…) e fundirás para ela quatro argolas de ouro, e as porás nos quatro cantos dela, duas argolas num dos lados, e duas argolas noutro lado. E farás varas de madeira de shittim, e as cobrirás com ouro. E colocarás as varas nas argolas, aos lados da arca, para se levar com elas a arca. As varas estarão nas argolas da arca, não deverão ser tiradas dela. Depois porás na arca o testemunho, que eu te darei.

A Arca, como o ngoma, tinha poderes sobrenaturais. Jamais poderia tocar o chão. Era praticamente divina. Como o ngoma, era levada para a batalha e garantia a vitória. Objetos sagrados, inclusive as tábuas em que foram inscritos os Dez Mandamentos e a vara mágica de Arão, irmão de Moisés, eram guardados ali dentro. Qualquer um que ao menos olhasse para ela seria derrubado por seu poder espantoso. Uma casta sacerdotal fundada por Arão, irmão de Moisés, guardava a Arca. O clã sacerdotal dos Buba, fundado por um indivíduo chamado Buba, que supostamente teria guiado os lembas para fora de Israel, guardava o ngoma.

As semelhanças funcionais eram marcantes. Mas as diferenças na forma eram significativas. Aparentemente a Arca era uma espécie de caixa, cofre ou baú, ao passo que o ngoma — apesar de também carregar coisas dentro — era um tambor. A Arca era feita de madeira, mas coberta com folhas de ouro; o ngoma era simplesmente feito de madeira.

De modo mais fundamental, não havia conexão nos tempos antigos entre o mundo da Bíblia e esse canto remoto do interior da África. E não havia absolutamente nenhuma prova, de modo algum, de que os guardiães lembas do ngoma tivessem ancestralidade judaica. Mesmo assim, a sobreposição entre esses objetos aparentemente muito diferentes me atraía e levou minha mente em direção à estranha história da Arca da Aliança. Era uma comparação interessante mas, pensava eu, nada mais do que isso.

Do lado de fora da cabana do chefe, com o ruído tumultuoso dos tambores suplantando todos os sons da noite, encostei-me na parede de barro e palha e senti lentamente a dor do soco ir sumindo. Sevias parecia pouco à vontade. Segurou meu braço e fez com que eu me levantasse, levando-me mais para longe dos grupos de homens que estavam de pé ao redor, desfrutando do ar noturno antes de retornar ao frenesi da dança.

— Falar do ngoma e das coisas que foram trazidas de Israel é perigoso demais, Mushavi. Isso faz parte dos conhecimentos secretos da tribo. Não posso lhe contar sobre isso mais do que já contamos. Contamos que nós nos chamamos de Muzungu ano-ku bva Senna, “os brancos que vieram de Senna”. Contamos que o ngoma veio conosco de Senna. Contamos o que era o ngoma. E contamos que o ngoma não é visto por homens há muitos, muitos anos.

Sevias já ia se virar quando hesitou e pôs a mão no meu braço.

— Os velhos dizem que foi o ngoma que nos guiou até aqui, e algumas pessoas dizem que quando chegar a hora certa o ngoma virá nos levar de volta. As coisas estão piorando neste país. Talvez a hora esteja chegando.

— Sevias — eu disse —, sei que este é um dos maiores segredos de sua tribo e sei que há muitos na tribo que não desejam compartilhar os segredos comigo. Mas partirei em breve. Não quero voltar de mãos vazias. Poderia simplesmente me contar, por favor, se tem alguma idéia de onde pode estar o ngoma lungundu?

Sevias parou, olhou ao redor e ficou em silêncio. Olhou para o céu noturno de uma limpidez frustrante, e de novo arrastou os pés na poeira fina do kraal.

— Onde está agora, não sei. Mas há alguns anos os homens muito velhos costumavam dizer que ele estava escondido na caverna abaixo da montanha Dumghe. Está em segurança lá. É protegido por Deus, pelo rei e pelo “pássaro do céu”, por cobras de duas cabeças e pelos leões, “os guardiães do rei”. Foi levado para lá, segundo dizem os velhos, pelos Buba de Mberengwe. Eles formam o clã dos sacerdotes lembas e naqueles tempos havia alguns deles que ficavam do lado de Mberengwe. Mas, como você sabe, esse é o único lugar aonde você não deve ir. À montanha Dumghe.

Ele me deu boa-noite e voltou rapidamente para se juntar aos anciãos.

Peguei Tagaruze, o policial que fora instruído pelo quartel da polícia local para atuar como meu guarda-costas (e ficar de olho em mim), e caminhei os quase quatro quilômetros de volta até o kraal de Sevias.

Senti uma pontada de tristeza porque logo estaria deixando aquele belo lugar com seus morros ásperos e grandes pedras redondas, moldados por eras de vento e chuva, sol e seca.

No dia seguinte estava planejando ir para o norte em direção ao Malawi e à Tanzânia, seguindo a trilha da passagem dessa tribo enigmática através da África, em busca de sua cidade perdida de Senna. Parecia uma busca longa e solitária, e de repente senti saudade de casa.

Tinha recebido uma carta de Maria, minha voluptuosa namorada latino-americana, dançarina de salsa. Era uma carta amorosa, porém firme. Ela queria que eu voltasse, que deixasse essa busca comodista do que ela chamava de Senna inexistente. Queria que eu me casasse com ela e levasse uma vida normal, a vida convencional e sedentária de erudito e professor universitário. Se eu não quisesse casar com ela, havia um monte de homens que iriam querer.

“Os homens”, escreveu ela, “existem aos milhões. Você é um imbecil se não aproveitar a chance agora, quando ela existe. Outros aproveitariam.”

E era verdade. Cada vez que ela andava pela rua, poucos homens deixavam de notá-la. Maria tinha um jeito especial de andar. Tentei afastá-la do pensamento. Ela esperaria. Provavelmente.

Ainda estava me sentindo tonto por causa do chibuku. Se o que Sevias havia dito estava correto, talvez houvesse alguma chance de eu encontrar seu ngoma lungundu. Isso talvez revelasse alguma coisa sobre de onde a tribo viera. Talvez me ajudasse a encontrar a cidade perdida de Senna. Talvez houvesse alguma coisa escrita nele, objetos sagrados dentro, que pudessem me ajudar na busca. Eu só precisava ir para a Dumghe.

Senti um tremor de empolgação. A montanha sagrada dos lembas situa-se a pouco menos de quatro quilômetros do kraal de Sevias. Era um belo monte arredondado, virado para o leste e coberto com as características pedras redondas da região, e esparsamente coberto de mato. Havia um terreno aberto entre o kraal e a montanha Dumghe. Não havia povoados nem kraals — nem cachorros barulhentos para alertar à tribo sobre minhas atividades. Não havia animais selvagens perigosos, a não ser bandos de chacais e algum leopardo ocasional, e eu estava bêbado demais para me preocupar muito com isso.

Seguindo uma ânsia súbita inspirada pelo chibuku, decidi caminhar até a caverna sagrada, o lugar onde a tribo me havia proibido de ir. Uma área interdita. No passado, qualquer um que ousasse ir lá e não fosse iniciado, seria punido com a morte.

Os anciãos estariam dançando e bebendo nas próximas horas, pensei. O resto da tribo estava dormindo. Ninguém saberia que eu estive lá. Eu sabia que a caverna era situada na base de duas rochas enormes que haviam se separado de um penhasco que formava o lado leste da montanha. Era coberta por grandes pedras lisas e arredondadas, moldadas durante milênios pela erosão dos ventos. As rochas atrás do local onde se escondia a caverna haviam sido apontadas para mim uma vez, e tinham me dito que atrás da caverna sagrada havia outra passagem, mais sagrada ainda do que a primeira. Talvez fosse ali que o ngoma estivesse protegido, como diziam, por seus leões e cobras policéfalas.

Eram cerca de duas da madrugada quando cheguei — junto com Tagaruze, meu forte policial guarda-costas — à grande árvore meshunah onde eu havia encontrado o guardião lemba da Dumghe nos meus primeiros dias na aldeia. A partir da árvore, todos os caminhos que levavam à caverna seriam visíveis. O guardião oficial supostamente estaria sempre de serviço, mas era difícil acreditar nisso e, de qualquer modo, nesta ocasião, eu tinha pouca coisa com que me preocupar, porque o tinha visto na festa da chuva, bêbado como todos os outros.

Paramos um momento e depois subimos pela lateral da montanha, em direção à trilha íngreme que levava à caverna. De um dos lados o caminho se grudava à face da rocha; do outro havia uma queda íngreme de doze metros no vazio. Era uma descida traiçoeira e as pedras ficavam caindo no abismo.

Até Tagaruze ficou amedrontado. Naquela noite ele estava indo muito além do dever. Sentia-se tão fascinado pelas histórias dos lembas quanto eu. Mas começava a se arrepender de ter concordado em me acompanhar até ali. Não era muito dado a palavras, mas finalmente murmurou:

— Por que estamos fazendo isso? O que estamos procurando?

Eu também estava apavorado e não respondi.

Pensei ter escutado um barulho nas árvores e nos arbustos acima da face de pedra da Dumghe. Ficamos em silêncio. Alguns dias antes, um dos anciãos tinha visto um leão, um leão branco, segundo ele, na montanha. Os anciãos tinham me contado que o ngoma era sempre protegido por leões. Eram os leões de Deus, os guardiães do rei. Fomos em frente, escorregando pela descida que levava à caverna na base das rochas, parando de vez em quando para prestar atenção a sinais de perigo. Tagaruze tirou sua arma do coldre e enfiou no cinto. Havia um cheiro úmido e acre no ar. Minhas mãos estavam molhadas de suor devido ao esforço da caminhada e do medo.

De repente o caminho sumiu sob meus pés e foi somente a rapidez de Tagaruze ao agarrar meu braço que me impediu de desaparecer pela borda. Pedras soltas caíram do penhasco numa avalanche respeitável. Um eco chapado ecoou sob nós. Paramos e olhamos a ravina abaixo. Dava para vislumbrar a silhueta do estágio final da descida pelo penhasco do outro lado da grande parede de rocha.

Com cuidado continuamos descendo. Num momento houve um estalo de galhos; em outro, o som de um grande pássaro e uma corrente de ar depois; silêncio. Imaginei se aquele seria o “pássaro do céu”, a criatura que Sevias dissera ser um dos protetores da Dumghe.

Chegamos à base de duas grandes rochas. Houve outro som de galho se partindo. Talvez os lembas realmente mantivessem alguém ali o tempo todo, para guardar seus tesouros, afinal de contas. Havia apenas espaço para andarmos em fila. Fui na frente, apontando a lanterna ao redor até chegarmos ao que parecia a entrada da caverna. Aquele lugar, pensei, devia ser o mais sagrado para os lembas. Entre a pedra e a face do penhasco havia um monte de seixos soltos. Pus ali meu pé calçado com a bota para deserto, segurando a lanterna com uma das mãos e apoiando a outra na lateral de uma pedra. Não havia nada a ser visto. Encorajado, passei pela entrada estreita e apontei a lanterna em frente. Tudo que vi foi uma parede de pedra.

Mas pude ouvir uma coisa; uma espécie de som ofegante, uma tosse ou um rosnado, e então um som mais alto — uma fungada, talvez, que se transformou num rugido ensurdecedor ricocheteando na face de rocha ao redor. Minha mão apertou a lanterna, cheia de terror. Minhas pernas viraram geléia. A arma, pensei, atire no que quer que isso seja. Tagaruze estava com a arma, mas quando me virei percebi que Tagaruze não estava mais atrás de mim. Tagaruze havia desaparecido. Eu estava sozinho.

Recuei pela abertura, de costas, mantendo o rosto virado para o som, depois subi a trilha estreita atrás dele e fugi pelas encostas cobertas de mato da montanha Dumghe. O ruído nos acompanhou, subindo pelo fosso natural formado pelas grandes rochas, montanha acima. Era um som aterrorizante — poderia ser um leão, um leopardo ou qualquer outra coisa. Não esperamos para descobrir. Corremos o mais depressa que pudemos até chegarmos à árvore meshunah.

Sentamo-nos ofegantes na base da árvore. Enquanto meu traseiro batia no chão senti algo deslizando de baixo de mim e indo para o mato rasteiro. Estremecendo, levantei-me depressa.

— Que diabo foi isso? — perguntei.

— Só uma cobra — disse Tazaruze, sem jeito.

Meu sangue ficou gelado e senti vontade de vomitar. Haviam me dito que um dos guardiães do ngoma era uma cobra de duas cabeças. Eu sentia um milhão de vezes mais medo até mesmo da cobra menor e mais inofensiva do que de qualquer felino, pequeno ou grande, na face da terra.

Estremeci.

— E aquela coisa na caverna?

— Devia ser um ancestral dos lembas no corpo de um leopardo ou um leão. Ou seriam os protetores do ngoma, os leões do Todo-poderoso, os guardiães do rei. Todo mundo sabe que eles rondam nesta montanha. Foi um erro terrível, enorme.

O que o policial dissera era indubitavelmente verdadeiro. Foi um erro. Eu lamentaria esse equívoco em muitos anos seguintes. Não encontramos o esquivo e misterioso ngoma lungundu, o estranho artefato que representava um papel tão importante na imaginação dessa remota tribo africana, mas os acontecimentos daquela noite mudariam minha vida e me colocariam numa busca que só seria solucionada muitos, muitos anos depois.

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