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Carros: GM apresenta o automóvel Chevrolet Camaro 2010
O novo automóvel da GM, o Chevrolet Camaro, foi construído de acordo com a nova e mundial arquitetura para veículos com tração nas rodas traseiras. O carro estará disponível nas versões LS e LT com motor de seis cilindros, e na versão SS com motor de 8 cilindros. Todas as versões do veículo vêm equipadas com transmissão de seis marchas.
O Camaro é um carro econômico (comparado aos seus concorrentes): faz uma média de 11 quilômetros por litro (cidade-estrada). As avançadas tecnologias de motorização e câmbio, incluindo motores com injeção direta e gerenciamento ativo de combustível permitem o bom equilíbrio entre alto desempenho e eficiência na economia de combustível.
O projeto do Chevrolet Camaro é bastante fiel ao conceito original. A dianteira longa e a traseira curta dão ao modelo proporções clássicas, mas o perfil liso do pára-brisa e os pára-lamas bem delineados são elementos modernos que reforçam sua engenharia avançada. O formato em “V” na parte dianteira do automóvel e as aletas nos painéis laterais traseiros são traços do Camaro original, da mesma forma que os “ombros” largos do pára-lama traseiro do carro. Estes elementos fazem com que o Chevrolet Camaro seja imediatamente reconhecido.
O equilíbrio entre a tradição e a atenção aos detalhes também estão presentes na parte interna do Camaro. Os dois mostradores (bastante profundos) do painel dos instrumentos dão um toque dos esportivos clássicos ao Camaro, enquanto um pacote disponível de luz ambiente oferece a tecnologia de LEDs para propiciar à cabine um brilho diferenciado. O estofamento de série é em tecido, mas estão disponíveis bancos em couro com aquecimento.
Os modelos do Chevrolet Camaro equipados com transmissão manual recebem o motor LS3, com estimados 428 cavalos de potência e torque de 56,4 kgfm. O motor LS3 apareceu primeiramente no Corvette 2008 e utiliza os cabeçotes de motor de alto fluxo, baseados no motor LS7 do Corvette Z06, para permitir um alto torque final e uma alta potência.
Os modelos do Camaro equipados com transmissão automática recebem o novo motor V8 L99 e transmissão automática de seis marchas Hydra-Matic 6L80. Embora o motor V8 L99 tenha sido construído para proporcionar alto desempenho, também possui o sistema de Gerenciamento Ativo de Combustível. Ele permite que o motor do carro funcione com apenas quatro cilindros durante condições de carga leve (em estradas, por exemplo) para melhorar a economia de combustível. O motor V8 tem uma potência estimada de 406 cv e torque de 54,6 kgfm.
O automóvel Chevrolet Camaro será comercializado primeiramente nos Estados Unidos a partir do ano que vem.
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Trecho do Livro: O Pequeno Príncipe | Antoine de Saint-Exupéry
Livro: O Pequeno Príncipe
Brasil | World
O pequeno príncipe atravessou o deserto e encontrou apenas uma flor. Uma flor de três pétalas, uma florzinha insignificante….
- Bom dia – disse o príncipe.
- Bom dia – disse a flor.
- Onde estão os homens? – Perguntou ele educadamente.
A flor, um dia, vira passar uma caravana:
- Os homens? Eu creio que existem seis ou sete. Vi-os faz muito tempo. Mas não se pode nunca saber onde se encontram. O vento os leva. Eles não têm raízes. Eles não gostam das raízes.
-Adeus – disse o principezinho.
-Adeus – disse a flor.
O pequeno príncipe escalou uma grande montanha. As únicas montanhas que conhecera eram os três vulcões que batiam no joelho. O vulcão extinto servia-lhe de tamborete. “De uma montanha tão alta como esta”, pensava ele, “verei todo o planeta e todos os homens…” Mas só viu pedras pontudas, como agulhas.
- Bom dia! – disse ele ao léu.
- Bom dia… bom dia… bom dia… – respondeu o eco.
- Quem és tu? – perguntou o principezinho.
- Quem és tu… quem és tu… quem és tu… – respondeu o eco.
- Sejam meus amigos, eu estou só… – disse ele.
- Estou só… estou só… estou só… – respondeu o eco.
“Que planeta engraçado!”, pensou então. “É completamente seco, pontudo e salgado. E os homens não têm imaginação. Repetem o que a gente diz… No meu planeta eu tinha uma flor; e era sempre ela que falava primeiro.”
Mas aconteceu que o pequeno príncipe, tendo andado muito tempo pelas areias, pelas rochas e pela neve, descobriu, enfim, uma estrada. E as estradas vão todas em direção aos homens.
- Bom dia! – disse ele.
Era um jardim cheio de rosas.
- Bom dia! – disseram as rosas.
Ele as contemplou. Eram todas iguais à sua flor.
- Quem sois? – perguntou ele espantado.
- Somos as rosas – responderam elas.
- Ah! – exclamou o principezinho…
E ele se sentiu profundamente infeliz. Sua flor lhe havia dito que ela era a única de sua espécie em todo o Universo. E eis que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim!
“Ela teria se envergonhado”, pensou ele, “se visse isto… Começaria a tossir, simularia morrer, para escapar ao ridículo. E eu seria obrigado a fingir que cuidava dela; porque senão, só para me humilhar, ela seria bem capaz de morrer de verdade…”
Depois, refletiu ainda: “Eu me julgava rico por ter uma flor única, e possuo apenas uma rosa comum. Uma rosa e três vulcões que não passam do meu joelho, estando um, talvez, extinto para sempre. Isso não faz de mim um príncipe muito poderoso…”
E, deitado na relva, ele chorou.
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia – disse a raposa.
- Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe, olhando a sua volta, nada viu.
- Eu estou aqui – disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? – Perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa – disse a raposa.
- Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa – disse o principezinho.
Mas, após refletir, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
- Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer “cativar”?
- Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
- Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
- É algo quase sempre esquecido – disse a raposa. Significa “criar laços”…
- Criar laços?
- Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra…
- Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
- A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito – suspirou a raposa.
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TV LG Time Machine pode ser a solução para assitir as Olimpíadas de Pequim
A TV LG Time Machine (Plasma ou LCD) possui HDD (memória interna), função que permite a gravação automática e programada do conteúdo dos programas que passam na televisão, sem necessitar de qualquer aparelho externo ou tipo de mídia para captar as gravações direto no televisor.
A memória interna da Time Machine grava entre 33 e 66 horas, o que pode ajudar a solucionar o problema do fuso horário entre a China e o Brasil para aqueles que assistirão as Olimpíadas, e facilitar o acompanhamento dos Jogos Olímpicos de 2008, que se iniciam oficialmente em 08 de agosto em Pequim (Beijing), China.
Os aparelhos da linha de TVs LG Time Machine, tanto os de Plasma quanto os de LCD, vem com memória interna (HDD) e têm conexão USB, para a reprodução de músicas, fotos e vídeos.
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Carros: Linha 2009 dos Automóveis Volkswagen traz novidades em motores
A nova linha de motores da Volkswagen Brasil (EA 111 VHT) privilegia o aumento de torque, e envolveu modificações nas relações da transmissão, ou seja, os motores 1.0 e 1.6 aumentaram a economia de combustível, enquanto o nível de emissões de poluentes diminuiu.
O motor 1.0, que equipa a versão de entrada do VW Fox, agora oferece 9,7 mkgf de torque a 3.850 rotações com o uso de gasolina e 10,6 mkgf com o uso de álcool no mesmo nível de rotações (rpm), respectivamente 0,2 e 0,8 mkgf a mais do que o motor anterior.
A opção 1.6, que passa a sair de fábrica no Fox, CrossFox, Polo, Polo Sedan e Golf, gera 15,4 mkgf de torque a apenas 2.500 rpm com o uso de gasolina e 15,6 mkgf com o de álcool no mesmo nível de rotações, exatamente 1,1 mkgf a mais (nos dois casos) do que proporcionado pelo antigo projeto.
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+ Veja também:

Ficção
01. O VENDEDOR DE SONHOS
Augusto Cury . leia um trecho do livro
02. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS
Markus Zusak
03. O SILÊNCIO DOS AMANTES
Lya Luft . leia um trecho do livro
04. O CAÇADOR DE PIPAS
Khaled Hosseini . leia um trecho do livro
05. A SOMBRA DO VENTO
Carlos Ruiz Zafón . leia um trecho do livro
06. CREPÚSCULO
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
07. A CIDADE DO SOL
Khaled Hosseini . leia um trecho do livro
08. O GUARDIÃO DE MEMÓRIAS
Kim Edwards . leia um trecho do livro
09. KUNG FU PANDA (O LIVRO DO FILME)
DreamWorks
10. AS MEMÓRIAS DO LIVRO
Geraldine Brooks . leia um trecho do livro
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Não-Ficção
01. COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
02. UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
03. 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro
04. O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
05. O SEGREDO
Rhonda Byrne
06. INVESTIMENTOS INTELIGENTES
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro
07. BEM-VINDO À BOLSA DE VALORES
Marcelo C. Piazza . leia um trecho do livro
08. A LIÇÃO FINAL
Randy Pausch . leia um trecho do livro
09. CASAIS INTELIGENTES ENRIQUECEM JUNTOS
Gustavo Cerbasi . leia um trecho do livro
10. O MAGO (PAULO COELHO)
Fernando Morais . leia um trecho do livro
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+ Veja também:
Trecho do Livro: Adeus, China | Li Cunxin
Livro: Adeus, China
Brasil | World
SAINDO DE CASA
Eu tinha quase 11 anos quando, certo dia, na escola, enquanto estávamos ocupados memorizando algumas frases do chefe Mao, o diretor entrou na sala gelada acompanhado de quatro pessoas com um ar distinto, todas usando jaquetas ao estilo Mao e casacos com golas de pele sintética.
O que havia de errado, desta vez? Para minha surpresa, porém, o diretor apresentou as visitas como representantes de madame Mao, de Pequim. Estavam ali a fim de selecionar estudantes talentosos para estudar balé e servir à revolução do chefe Mao. Ele, então, nos pediu que levantássemos e cantássemos “Amamos o chefe Mao”.
O Leste está vermelho, o sol está nascendo.
Mao Zedong nasceu na China.
Veio para nos trazer felicidade.
Hu lu hai ya.
A estrela da sorte nos salvou.
Enquanto cantávamos, os quatro representantes percorriam as fileiras de carteiras. Eles selecionaram uma menina de olhos grandes, dentes certinhos e rosto bonito. Passaram sem me notar e já iam saindo, quando a professora Song, depois de certa hesitação, tocou no ombro de um dos senhores de Pequim e perguntou, apontando para mim:
– Que tal aquele ali?
O representante de Pequim olhou em minha direção.
– Está certo. Ele pode vir também – respondeu o senhor, sem muito empenho, expressando-se em um perfeito dialeto mandarim.
A menina de olhos grandes e eu fomos atrás dos representantes de madame Mao até a sala do diretor. Era a única que dispunha de um aquecedor a carvão, uma engenhoca meio tosca, feita artesanalmente de um balde de onde saíam canos em várias direções, como as patas de uma aranha. Com tudo isso, a sala continuava extremamente fria.
Ao chegar, já encontramos lá outras crianças – éramos dez escolhidos. Todos vestíamos calças e casacos de algodão acolchoado feitos em casa. Juntos na sala gelada, parecíamos uma fileira de bolas de neve.
– Tirem a roupa toda, menos as roupas de baixo – ordenou um homem de óculos. – Depois, dêem um passo à frente, um a um. Vamos medir o corpo de vocês e testar a sua flexibilidade.
Nós nos entreolhamos nervosamente e ninguém se mexeu.
– Qual é o problema? Não ouviram? Tirem a roupa! – vociferou o diretor.
– Desculpe – um dos garotos começou timidamente –, mas eu não tenho roupa de baixo.
Para minha surpresa, eu era o único a usar roupa de baixo, embora remendada pela niang, minha mãe, já que tinha servido a todos os meus irmãos mais velhos. Então, fui emprestando-a a um por um dos colegas, para que pudessem se apresentar.
Os oficiais do serviço público avaliaram nosso corpo: parte superior do tronco, pernas, comprimento do pescoço e até os dedos dos pés. Todos os que foram chamados antes de mim reagiram ao teste de flexibilidade com gritos e reclamações. Quando chegou a minha vez, um dos oficiais se aproximou e flexionou minhas pernas para fora; outro ajeitou meus ombros e um terceiro pressionou o joelho contra a parte inferior das minhas costas e, ao mesmo tempo, puxou com força meus joelhos para trás, para verificar a mobilidade das articulações dos quadris. A dor foi tanta que tive a impressão de que todos os meus ossos iam se quebrar ao mesmo tempo. Queria gritar, mas por alguma razão não o fiz. Estava obstinadamente decidido a manter a dignidade e o orgulho. Só o que fiz foi cerrar os dentes.
Quando os testes terminaram, eles haviam escolhido apenas um menino e uma menina. O menino era eu. Fui tomado por ansiedade e medo. Não sabia o que estava para acontecer. Os oficiais falaram em balé, mas eu só conhecia o que tinha visto no filme O Destacamento Vermelho de Mulheres. Não tinha a menor idéia do que se tratava.
Nos dias seguintes, só se falava no teste, tanto na escola como em toda a vila. A princípio, meus pais não deram muita atenção. Em nossa família, não havia o menor sinal de talento artístico. Vários dos meus irmãos e colegas implicavam comigo:
– Faz um passo de balé! Faz um passo de balé!
Mas eles sabiam que eu nada entendia do assunto. Para mim, o aspecto mais emocionante era a possibilidade de ir a Pequim e me aproximar do admirado chefe Mao. E a possibilidade, embora improvável, de sair do poço.
Algumas semanas mais tarde, fui ao escritório da comuna para novos testes. Dessa vez, eles avisaram aos pais com antecedência, para que os candidatos usassem roupa de baixo.
O segundo teste foi muito mais difícil. A garota de olhos grandes não passou: gritou quando teve as costas dobradas para trás e foi desclassificada por falta de flexibilidade. Então, chegou a minha vez. Uma professora levantou uma das minhas pernas, enquanto outras duas seguravam a perna que estava no chão, mantendo-a reta e firme. Elas iam levantando a perna cada vez mais alto e perguntavam se doía. É claro que doía. E muito! Mas eu estava determinado a ser escolhido. Mantive o sorriso e respondi:
– Não. Não dói nada.
“Seja forte! Seja forte! Você pode suportar a dor!”, repetia para mim mesmo. O mais difícil, porém, foi andar normalmente depois. Elas tinham lacerado meus tendões.
Depois do teste entre os estudantes da comuna, fomos submetidos a outros, em nível de cidade, município e província. A cada vez, havia mais crianças, e o número de eliminados aumentava sempre. No exame físico em nível de município, a marca de queimadura que tenho no braço quase me desclassificou. Um dos professores de Pequim reparou na cicatriz e mostrou ao médico.
– Como foi isso? – perguntou o médico.
Minha vida começou com uma quase tragédia para meus pais. Com apenas quinze dias de nascido, a niang me embrulhou em uma colcha de algodão, deitou-me sobre o kang (uma plataforma de alvernaria que de noite é cama e de dia serve para fazer as refeições) e foi para a cozinha preparar os pãezinhos de ano-novo. Na China, as mães sempre envolviam os bebês em cobertas, deixando os braços junto do corpo, e os deitavam de costas, de modo que a cabeça crescesse normalmente. Naquele dia, a niang tinha tantos pães para assar, que o kang em que eu estava deitado ficou quentíssimo. Provavelmente a ponto de sufocar, debatendo-me, consegui soltar o braço direito, que encostou no kang e sofreu uma séria queimadura.
Quando a niang ouviu meu choro, pensou que fosse fome. Como os seios estavam vazios, ela não atendeu logo. Ao chegar para verificar, encontrou toda a área de meu cotovelo direito em bolhas, gravemente queimada. Ficou uma grande cicatriz, que sempre toco em momentos difíceis. Ela se tornou minha ligação com a niang e um modo de lembrar seu amor. Como não queria que a niang fosse responsabilizada pelo acidente, menti, dizendo que me cortara em um caco de vidro e o ferimento tinha infeccionado.
– Nos dias de chuva, você sente coceira neste local?
– Não, nunca – respondi, encarando o médico com firmeza.
Eu rezava para não ser eliminado. Rezava pela niang. Ela ficaria tão triste e se sentiria tão culpada, se eu fosse eliminado por causa da cicatriz!… A niang não precisava passar por mais um sofrimento.
Depois do exame, eu estava me vestindo quando ouvi o médico conversando com um homem alto, professor da Academia de Dança de Pequim. O professor se chamava Chen Lueng. Era exatamente o senhor a quem a professora Song tinha me indicado.
– A cicatriz vai aumentar de tamanho à medida que ele crescer – o médico dizia.
Meu coração se apertou. Minha única possibilidade de sair do poço estava indo embora. Eu ia ser desclassificado. Decidi jamais contar à niang que tinha sido por causa da cicatriz. Aquilo fora um acidente. A niang era a melhor mãe do mundo, com o coração cheio de amor. Ninguém mancharia sua reputação.
Terminados os testes físicos, começamos a ser testados em outras habilidades: sensibilidade musical e compreensão da ideologia de Mao. Eles também investigaram nossa história familiar até três gerações anteriores. A teoria comunista de Mao acerca das chamadas “três classes de pessoas” era decisiva para a seleção. Todas as três classes deviam estar representadas – camponeses, proletários e soldados. As crianças cujas famílias até a terceira geração anterior tivessem qualquer ligação com saúde ou educação eram consideradas inimigas da classe e sumariamente dispensadas. Como madame Mao queria que fôssemos treinados para ser guardas fiéis, precisávamos ter uma bagagem pura, segura e confiável.
A barreira final para que eu fosse aprovado no processo de seleção foi o encontro dos profissionais com minha família. Eles queriam conhecer todos – pais, irmãos e avós – para verificar suas proporções físicas. Eu estava preocupado que criassem algum problema pelo fato de a niang ser muito baixinha, mas a personalidade marcante dela e a boa figura do dia, meu pai, salvaram a situação.
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Samsung apresenta o telefone celular M150
A Samsung apresentou o modelo Celular Samsung M150, aparelho em metal escovado e disponível em várias cores: cinza claro, cinza carvão, branco, lavanda e azul gelo.
O Celular Samsung M150 tem apenas 12,7 mm de espessura e possui função MP3 e câmera digital VGA. O aparelho traz rádio FM com gravador e permite que o usuário personalize os toques e alarmes. Utilizando o sistema de gravação do rádio FM o usuário poderá gravar as músicas tocadas na rádio de seu próprio telefone.
O telefone celular Samsung M150 estará disponível em agosto primeiramente na Alemanha e depois em outros países.
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Trecho do Livro: A Lógica do Cisne Negro, O Impacto do Altamente Improvável – Gerenciando o Desconhecido | Nassim Nicholas Taleb
Nassim Taleb trabalhou como operador de derivativos em sua própria firma e em firmas de Wall Street, e como operador no pregão da bolsa de valores de Chicago. Fez mestrado na Wharton School e doutorado na Universidade de Paris. Ensinou a aplicação da teoria da probabilidade em gerenciamento de riscos durante sete anos no Instituto Courant de Ciências Matemáticas da Universidade de Nova York. Atualmente atua como decano das ciências da incerteza na Universidade de Massachusetts.
Livro: A Lógica do Cisne Negro
Brasil | World
Antes da descoberta da Austrália, as pessoas do Antigo Mundo estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos. Esta era uma crença inquestionável por ser absolutamente confirmada por evidências empíricas. Deparar-se com o primeiro cisne negro pode ter sido uma surpresa interessante para alguns ornitólogos (e outras pessoas extremamente preocupadas com a coloração dos pássaros), mas não é aí que está a importância dessa história. Ela simplesmente ilustra uma limitação severa no aprendizado por meio de observações ou experiências e a fragilidade de nosso conhecimento. Uma única observação pode invalidar uma afirmação originada pela existência de milhões de cisnes brancos. Tudo que se precisa é de um único pássaro negro (que também, pelo que sei, é muito feio). Eu transporto essa questão lógico-filosófica para uma realidade empírica que me tem obcecado desde a infância.
O que chamamos aqui de Cisne Negro (com iniciais maiúsculas) é um evento com os três atributos descritos a seguir. Primeiro, o Cisne Negro é um Outlier, pois está fora do âmbito das expectativas comuns, já que nada no passado pode apontar convincentemente para a sua possibilidade. Segundo, ele exerce um impacto extremo. Terceiro, apesar de ser um outlier, a natureza humana faz com que desenvolvamos explicações para sua ocorrência após o evento, tornando-o explicável e previsível. Paro agora para resumir o terceto: raridade, impacto extremo e previsibilidade retrospectiva (mas não prospectiva).
Um pequeno número de Cisnes Negros explica quase tudo no mundo, do sucesso de idéias e de religiões às dinâmicas de eventos históricos e elementos de nossas vidas pessoais. Desde que deixamos o Plistoceno, há cerca de dez milênios, o efeito dos Cisnes Negros vem aumentando. A aceleração começou durante a Revolução Industrial, quando o mundo começou a se tornar mais complicado, enquanto eventos comuns, aqueles que estudamos, discutimos e tentamos prever por meio da leitura de jornais, tornaram-se cada vez menos importantes.
Simplesmente imagine quão pouco sua compreensão do mundo na véspera dos eventos de 1914 o teria ajudado a adivinhar o que viria em seguida. (Não trapaceie usando as explicações enfiadas em seu crânio por um professor do ensino médio.) E a ascensão de Hitler e a guerra subseqüente? E o fim repentino do bloco soviético? E o crescimento do fundamentalismo islâmico? E a disseminação da Internet? E a quebra do mercado de ações de 1987 (e a recuperação ainda mais inesperada)? Manias passageiras, epidemias, moda, idéias, emergência de gêneros e de escolas artísticas. Tudo segue essa dinâmica do Cisne Negro. Literalmente, quase tudo de importância à sua volta pode se enquadrar nessa definição. Tal combinação de baixa previsibilidade e grande impacto transforma o Cisne Negro em um grande quebra-cabeça – mas isso ainda não é o foco principal deste livro. Acrescente a esse fenômeno o fato de que tendemos a agir como se ele não existisse! Não estou me referindo apenas a você, seu primo Joey e a mim, e sim a quase todos os “cientistas sociais” que, por mais de um século, operaram sob a crença falsa de que suas ferramentas poderiam medir a incerteza. Afirmo isso porque as aplicações das ciências da incerteza a problemas do mundo real tiveram efeitos ridículos. Tive o privilégio de testemunhar isso nas finanças e na economia. Pergunte ao gerente de sua carteira de títulos como ele definiria “risco”, e são grandes as chances de que ele forneça a você uma medida que exclui a possibilidade do Cisne Negro – ou seja, algo que não tem mais valor preditivo do que a astrologia para avaliar os riscos totais (veremos como eles enfeitam a fraude intelectual com matemática). Esse problema é endêmico em questões sociais.
A idéia central deste livro é abordar nossa cegueira em relação à aleatoriedade, particularmente os grandes desvios: por que motivo nós, cientistas ou não, figurões ou caras comuns, tendemos a ver os centavos em vez dos dólares? Por que continuamos a nos concentrar nas minúcias e não nos eventos significativamente grandes que são possíveis, apesar das provas óbvias de sua influência gigantesca? E se você acompanhar meu argumento, por que motivo ler jornais, na verdade, reduz seu conhecimento sobre o mundo?
É fácil ver que a vida é o efeito cumulativo de um punhado de choques significativos. Não é tão difícil identificar o papel de Cisnes Negros de sua poltrona (ou banquinho de bar). Faça o seguinte exercício. Observe sua própria existência. Conte os eventos importantes, as mudanças tecnológicas e as invenções que ocorreram em nosso ambiente desde que você nasceu e compare-os ao que era esperado antes de seu advento. Quantos aconteceram como programado? Observe sua vida pessoal, sua escolha de profissão, por exemplo, ou encontrar seu parceiro, o exílio do país de onde nasceu, as traições que enfrentou, seu súbito enriquecimento ou empobrecimento. Com que freqüência essas coisas aconteceram conforme o planejado?
A lógica do Cisne Negro torna o que você não sabe mais relevante do que aquilo que você sabe. Leve em consideração que muitos Cisnes Negros podem ser causados ou exacerbados por serem inesperados. Pense no ataque terrorista de 11 de setembro de 2001: se o risco fosse razoavelmente concebível no dia 10 de setembro, ele não teria acontecido. Se tal possibilidade fosse considerada digna de atenção, caças teriam voado em torno das torres gêmeas, os aviões teriam portas trancadas e à prova de balas e o ataque não teria acontecido, ponto final. Alguma outra coisa poderia ter acontecido. Que coisa? Não sei.
Não é estranho ver um evento ocorrer precisamente porque não deveria ocorrer? Que tipo de defesa temos contra isso? O que quer que você venha a saber (que Nova York é um alvo terrorista fácil, por exemplo), pode passar a ser insignificante se seu inimigo souber que você sabe disso. Em um jogo de estratégia como esse, pode ser estranho que o que se sabe possa ser verdadeiramente insignificante. Isso se estende a todos os ramos de negócios. Pense sobre a “receita secreta” para que se tenha um sucesso absoluto no ramo de restaurantes. Se ela fosse conhecida e óbvia, então alguém já teria concebido a idéia e ela teria passado a ser genérica. O próximo sucesso absoluto na indústria de restaurantes precisa ser uma idéia que não é facilmente concebida pela população atual de proprietários de restaurantes. Ela precisa estar a certa distância das expectativas. Quanto mais inesperado for o sucesso de um empreendimento, menor o número de concorrentes e mais bem sucedido será o empresário que implementa a idéia. O mesmo aplica-se ao negócio de sapatos e livros – ou qualquer tipo de empreendimento.
O mesmo aplica-se a teorias científicas – ninguém está interessado em ouvir trivialidades. A recompensa de um empreendimento humano é, em geral, inversamente proporcional ao que se espera que ela seja. Considere o tsunami no oceano Pacífico em dezembro de 2004. Caso fosse esperado, não teria causado os estragos que causou – as áreas afetadas teriam menos pessoas e um sistema de alarme antecipado estaria em operação. O que você sabe não pode machucá-lo.
A incapacidade de se prever outliers implica na incapacidade de se prever o curso da história, dada a participação de tais eventos na dinâmica dos acontecimentos. No entanto agimos como se fôssemos capazes de prever eventos históricos, ou, ainda pior, como se fôssemos capazes de mudar o curso da história. Produzimos projeções de déficits da previdência social e de preços de petróleo para daqui a trinta anos, sem perceber que não podemos prevê-los nem mesmo para o próximo verão – nossos erros de previsão cumulativos para eventos políticos e econômicos são tão gritantes que preciso me beliscar para ter certeza de que não estou sonhando sempre que observo o registro empírico. O que é surpreendente não é a magnitude de nossos erros de previsão, mas sim nossa falta de consciência dela. Isso é ainda mais preocupante quando nos envolvemos em conflitos mortais: as guerras são fundamentalmente imprevisíveis (e não sabemos disso). Devido a essa incompreensão das cadeias causais entre política e ações, podemos disparar facilmente Cisnes Negros graças à ignorância agressiva – como uma criança que brinca com apetrechos de um laboratório infantil de química.
A incapacidade de se fazer previsões em ambientes sujeitos ao Cisne Negro, aliada à ausência geral de consciência dessa condição, significa que certos profissionais, apesar de acreditarem ser experts, na verdade não o são. Com base em seu registro empírico, eles não sabem mais sobre a própria área de estudos do que a população geral, mas são muito melhores em narrar – ou, ainda pior, em impressionar com modelos matemáticos complicados. Eles também são mais inclinados a usar gravatas.
Como os Cisnes Negros são imprevisíveis, precisamos nos ajustar à sua existência (em vez de, inocentemente, tentar prevê-los). Existem muitas coisas que podemos fazer se nos concentrarmos no anticonhecimento ou no que não sabemos. Entre muitos outros benefícios, você pode se preparar para colecionar Cisnes Negros serendipitosos (do tipo positivo) maximizando a exposição a eles. Na verdade, em alguns campos – como o da descoberta científica e o de investimentos de risco -, o desconhecido oferece uma recompensa desproporcional, já que, tipicamente, tem-se pouco a perder e muito a ganhar com um evento raro. Veremos que, contrário à sabedoria das ciências sociais, quase nenhuma descoberta, nenhuma tecnologia importante, foi fruto de projetos e de planejamento – foram apenas Cisnes Negros.
A estratégia para os descobridores e empreendedores é contar menos com um planejamento estruturado, focalizar no máximo de experimentação e reconhecer as oportunidades quando elas surgem. Portanto discordo dos seguidores de Marx ou de Adam Smith: o motivo pelo qual o livre-comércio funciona é porque ele permite que as pessoas tenham sorte, graças a tentativas e erros de caráter agressivo, e não por conceder recompensas ou “incentivos” pela técnica. Portanto a estratégia é experimentar o máximo possível e tentar colecionar o maior número possível de oportunidades de Cisnes Negros.
Outro impedimento relacionado aos humanos vem do foco excessivo no que sabemos: tendemos a aprender o específico, não o geral. O que as pessoas aprenderam com o episódio do 11 de Setembro? Será que aprenderam que alguns eventos, devido a suas dinâmicas, residem largamente fora do âmbito do previsível? Não. Será que aprenderam o defeito embutido na sabedoria convencional? Não. A que conclusão chegaram? As pessoas aprenderam regras precisas de como evitar prototerroristas islâmicos e edifícios altos.
Muitas pessoas ficam me lembrando que é importante que sejamos práticos e que tomemos atitudes tangíveis em vez de “teorizarmos” sobre o conhecimento. A história da Linha Maginot mostra como estamos condicionados a sermos específicos. Os franceses, depois da Grande Guerra, construíram um muro ao longo da rota de invasão trilhada pelos alemães para prevenir outra invasão – Hitler simplesmente contornou o muro, (quase) sem esforço algum. Os franceses foram grandes estudantes de história – só que aprenderam com precisão excessiva. Foram práticos demais e excessivamente focados, comprometendo a própria segurança.
Nós não aprendemos espontaneamente que não aprendemos que não aprendemos. O problema está na estrutura de nossas mentes: não aprendemos leis, mas fatos, somente fatos. Não parecemos bons em assimilar metaleis (como a lei que diz que temos uma tendência a não aprender regras). Desdenhamos do abstrato; desdenhamos dele com fervor. Por quê? Torna-se necessário aqui, sendo meu propósito no restante do livro colocar a sabedoria convencional de ponta-cabeça e demonstrar o quão inaplicável ela é ao nosso ambiente moderno, complexo e cada vez mais recursivo.
Mas existe uma questão mais profunda: nossas mentes são feitas para quê? Parece que temos o manual de instruções errado. Nossas mentes não parecem feitas para o pensamento e a introspecção; caso fossem, as coisas seriam muito mais fáceis para nós atualmente, mas assim não estaríamos aqui hoje e eu não estaria aqui para falar sobre isso – meu ancestral contrafactual, introspectivo e profundamente pensador teria sido comido por um leão enquanto seu primo não-pensante, mas com reações mais rápidas, teria corrido para se proteger. Considere que pensar consome tempo e, em geral, despende muita energia, de forma que nossos predecessores passaram mais de 100 milhões de anos como mamíferos não-pensantes e que, no piscar de olhos da história em que temos usado nosso cérebro, ele foi utilizado por nós em assuntos periféricos demais para que tivessem qualquer importância. As evidências mostram que pensamos muito menos do que acreditamos – exceto, é claro, quando pensamos a respeito.
O não evento de algo amplamente esperado também é um Cisne Negro. Observe que, simetricamente, a ocorrência de um evento altamente improvável é equivalente à não ocorrência de um evento altamente provável.
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Motorola apresenta os celulares W180 e W231
Celular Motorola W180
O Telefone Celular Motorola W180 é um aparelho compacto em formato barra, com rádio FM estéreo, que permite a navegação pelo telefone enquanto se ouve rádio, e tecnologia CrystalTalk. Conta com viva-voz de alta qualidade para rádio e chamadas telefônicas. Tem bateria de longa duração – até 10 horas de conversação.
O celular W180 acessa mensagens com um único toque e permite digitar textos com rapidez e precisão via SMS. Armazena até 750 mensagens, comporta até 500 números de contato e vem com fone de ouvido estéreo.
Celular Motorola W231
O Telefone Celular Motorola W231 tem design fino, na cor branca, vermelha e preta, e destaca-se pelas capacidades musicais que oferece. Possui MP3 player, rádio FM com sistema de transmissão de dados em radiodifusão (RDS) e tecla dedicada de música, que pode ser ativada com apenas um toque. O aparelho celular é fácil de usar e vem acompanhado de um cartão de memória de 1 GB, expansível até 2 GB.
O Motorola W231 também inclui a possibilidade de gravar trechos de músicas do rádio FM para utilizá-las como alarme no telefone e enviar a sintonia das estações de rádio favoritas para os amigos, por mensagem de texto. O aparelho permite ouvir música com fones de ouvido ou viva-voz e conta com a exclusiva tecnologia CrystalTalk da Motorola, para melhor áudio em ambientes barulhentos, e oferece ainda a aplicação MotoID. O aparelho armazena até 500 mensagens de texto e contatos do telefone, tem acesso em um clique para SMS e acesso a internet.
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Henfil e O Pasquim
Henfil (Henrique de Souza Filho) foi um cartunista mineiro, criador de alguns dos mais conhecidos personagens de história em quadrinhos no Brasil, e teve importante atuação política na história do país.
Nasceu em Minas Gerais, no município de Ribeirão das Neves. Mudou-se com a família para Belo Horizonte ainda na infância e trocou as brincadeiras com os amigos pelos desenhos. Em meados da década de 1950, juntamente com o irmão Betinho, aderiu ao movimento da esquerda católica, trazido ao Brasil por missionários dominicanos franceses. Inspirado nesses frades, criou os personagens Fradinhos (Fradins: Fradim Baixim e Fradim Cumprido), que logo fizeram sucesso.
Trabalhou como quadrinhista na revista Alterosas, cujo diretor, o escritor Roberto Drummond, sugeriu o apelido que o acompanharia pelo resto da vida. Foi para o Rio de Janeiro e publicou seus quadrinhos no Jornal dos Sports. Logo depois passou a colaborar no jornal O Pasquim – um dos principais veículos de resistência civil ao regime militar, consagrando-se nacionalmente. A produção de histórias em quadrinhos e cartuns do mineiro Henfil já possuía então sua marca registrada: um desenho humorístico político, crítico e sátiro, com personagens tipicamente brasileiros.
Com o aumento da repressão política do regime militar, a censura agia fortemente sobre a redação do Pasquim. Para se proteger da repressão do governo e também para tratar sua hemofilia, Henfil exilou-se nos Estados Unidos, retornando ao Brasil em 1975.
Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e da campanha pelas Diretas Já. Casou-se três vezes. Henfil era hemofílico e foi contaminado com o vírus da AIDS numa transfusão de sangue. Morreu no Rio de Janeiro em janeiro de 1988. Estima-se que, em 26 anos de carreira, Henfil tenha produzido entre 20 mil e 30 mil cartuns. Suas tiras foram divulgadas em vários países do mundo sob o título “The Mad Monks”.
Seu maior sonho era fazer desenho animado. Segundo ele, só assim suas idéias não morreriam, pois seus bonecos poderiam andar, cantar e falar, o que não acontecia quando ele desenhava e sua idéia virava papel, tinta e nanquim.
O dia 4 de janeiro lembra a morte do desenhista Henfil em 1988, com seus poucos 44 anos, e é também o Dia do Hemofílico.
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O Pasquim
O significado do nome não é dos mais lisonjeiros: Pasquim é um jornal difamatório espalhado clandestinamente. O nome do tablóide surgiu do cartunista Jaguar que, junto com Henfil, Ziraldo, Millôr Fernandes, Sérgio Cabral, Paulo Francis, Glauber Rocha, Ivan Lessa e alguns outros singulares, formavam a linha de frente da Patota do Pasquim.
O jornal O Pasquim surgiu no Rio de Janeiro em 1969 (chegou às bancas em 26 de junho daquele ano). Com sua irreverência, humor e anarquia, deu uma nova roupagem e linguagem ao jornalismo brasileiro. Apresentou uma forma mais coloquial à publicidade e causou um forte abalo nos níveis da hipocrisia nacional, pois enfrentou a censura e a cadeia com o riso aberto.
Ninguém ficou rico com o Pasquim, embora ele tenha vendido nos seus melhores tempos, entre 1969 e 1973, até 250 mil exemplares, um volume acima do razoável, se lembrarmos que os jornais de tiragem nacional rodam hoje, quase 40 anos depois, com toda a informatização, a facilidade de distribuição e as fortes campanhas de assinantes, cerca de 300 mil exemplares.
O comportamento da chamada Patota do Pasquim era tão anárquico quanto o conteúdo do jornal. E o que ganharam gastaram entre prisão, brigas, festas e altas dosagens etílicas. Os militares e a elite brasileira tentaram sufocá-lo diversas vezes e de formas variadas mas, quando conseguiram, ele já havia disseminado uma nova forma de comportamento nos meios de comunicação. Como disse o cartunista Jaguar, um dos fundadores do Pasquim: “a imprensa tirou o paletó e a gravata, ou, como diz o Olivetto, passamos a escrever e nos comunicar com língua de gente, do povo.”
A última edição do Pasquim foi a de número 1.072, publicada em 11 de novembro de 1991.
Em abril de 2008, Jaguar e outros vinte jornalistas – que foram perseguidos durante os anos repressivos da Ditadura Militar – tiveram seus processos de anistia aprovados pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Ele e o cartunista Ziraldo receberam as maiores indenizações: cada um recebeu 1 milhão de reais.
Abaixo segue a entrevista de Henfil a revista Veja em 28 de Abril de 1971.
Veja: Henfil, modéstia à parte, você se considera o maior humorista do Brasil?
HENFIL: Não. Eu não sou o maior humorista do Brasil. E não falo por modéstia, não. O maior humorista brasileiro, o humorista mais completo do país, no meu entender, é o Millôr Fernandes, que está aí mesmo na revista. Ele é um cara que tá de antena ligada para tudo quanto é assunto. É um cosmopolita da informação. Ele bebe água em anúncio classificado, em televisão, em enciclopédia, em revistinha imbecil, em jornal. E, se estou aprendendo, não posso ser maior do que ele, que também leva sobre mim a vantagem do maior tempo de serviço. E tem o Ziraldo, o Jaguar, o Fortuna. Quer dizer, um pessoal pelo qual eu tenho o maior respeito, inclusive está na minha frente há muitos anos. Eu sou uma novidade. E novidade normalmente faz barulho.
Veja: O criador do contestador Baixinho, segundo consta, tem um dos maiores salários do país. Afinal, que contestação é essa?
HENFIL: Realmente, eu ganhava muito bem. Era um cara que tinha uma soma de salários muito boa. Mas isso me deu uma série de problemas. Um deles: o excesso de segurança. Eu acho que para criar é preciso estar inseguro, estar a perigo o tempo todo. A insegurança, o perigo, é que faz com que o cara crie. A maioria dos meus personagens, eu os criei numa época em que estava a perigo, tentando abrir caminho profissionalmente. Depois, não criei nada de novo. Quando vi que o negócio era esse, resolvi cortar o mal pela raiz. Deixei 90% dos lugares onde trabalhava. Cortei definitivamente os trabalhos em publicidade, que são justamente aqueles que rendem mais, passei a trabalhar só em três veículos que me interessam: Jornal do Brasil, onde faço uma charge política para um público mais sofisticado, O Pasquim, onde eu faço grossura para um público relativamente indefinido (não sei se é elite, porque todo mundo lê – inclusive tem uma penetração violenta no interior), e o Jornal dos Sports, onde eu faço charge para o povão. Estou ganhando 90% menos por tática: para criar melhor. Não há maior perigo para um cara que cria do que a estabilidade.
Veja: Henfil, o fradinho baixinho é a exteriorização de suas neuroses?
HENFIL: Como habitante deste planeta industrial, obviamente eu sou neurótico. E o Baixinho é apenas a exteriorização de meus impulsos. Descarrego nele as minhas reações impulsivas, inclusive aquelas de que muitas vezes eu discordo depois.
Veja: Você já levou o Baixinho ao psicanalista?
HENFIL: Levei ao reflexologista, o negócio do condicionamento. O pessoal lá da clínica brincava comigo: Você vai perder a graça, pois seu humor é fruto de suas neuroses. Se isto for verdade, pensei, vou passar fome depois de curado. Mas aconteceu o inverso. Ao me libertar de uma série de tensões, de problemas, fiquei mais descontraído. O Baixinho ficou ainda mais baixinho e eu fiquei mais espontâneo.
Veja: Se o Baixinho é você, quem é o Cumprido?
HENFIL: O Baixinho sou eu. Hoje. O Cumprido também sou eu – numa versão antiga. Vamos dizer que eu andei e o Cumprido ficou para trás. É isso. O Cumprido é como eu era: um cara carola, infantil, ingênuo, aquele mineiro com aquela formação religiosa antiga, mórbida. A religião do terror, na qual tudo é pecado (o raio que está caindo é castigo de Deus). Do pecado mortal, venial e original. O Cumprido ficou nessa fase. Agora eu me identifico com o Baixinho, que é exatamente como eu sou hoje: toda uma negação desse meu passado. E de uma maneira muito agressiva, porque esse meu passado me incomoda bastante. Não acho nada gostoso ser um cara que já foi da cruzada eucarística, que quase foi congregado mariano. Minha mãe me formava para eu ser padre. Fui salvo pelos dominicanos, que me deram uma nova formação, uma nova visão da Igreja, de justiça, de liberdade, de alegria. A outra era uma visão tétrica. O Baixinho procura, através da agressão, do ridículo, me checar e ao meio em que vivo. Já vi: não era só eu o carola: meio mundo é carola, fariseu, hipócrita. Então eu passei a anarquizar, a agredir essa gente, como o Baixinho agride.
Veja: Se o Baixinho é considerado o mau caráter da dupla dos fradinhos, o Henfil é mau caráter?
HENFIL: Não. Eu não sou mau caráter. De jeito nenhum. Eu seria mau caráter se as ações do Baixinho, pelas quais sou responsável, fossem gratuitas. Mas não são. Ele está sempre provocado: pela frescura com a criança, o relacionamento que se tem com a criança, por exemplo. O pessoal acha o Baixinho um tremendo mau caráter porque ele está sempre agredindo as crianças não é isso? O problema é que existe um negócio que me provoca: a paparicação das crianças até os dois, três anos. Elas são os reizinhos, as princesinhas da casa. Daí em diante o negócio começa a mudar: o cace*te começa a comer em cima, elas são mandadas para a guerra do Vietnam. Quer dizer: eu sou a favor do adulto. Não quero essa discriminação de idades. Por isso agrido a carolice com as crianças, que é negócio de fariseu: paparica agora para ser bucha de canhão depois. O Baixinho agride esse relacionamento falso, hipócrita. Procura escandalizar: chega e dá uma cocada numa criança. Aí todo mundo acha aquilo um sadismo tremendo. Mas se por acaso eu fizer o Baixinho mandar um rapaz para a guerra, ninguém acha graça. Meu negócio é esse, mostrar, com a ajuda do sadismo, um troço que, na base da poesia, não entra na cabeça de ninguém. Minha política é simples: poesia não, sadismo sim.
Veja: Como foi que os Fradinhos nasceram?
HENFIL: Nasceram graças à insistência de um cara lá de Minas, que praticamente me obrigou a criar os personagens para a revista Alterosa, que ele dirigia. Quer dizer: ele queria que eu criasse um personagem. Como na época, 1964, eu convivia muito com os frades dominicanos, acabei vestindo os personagens com o hábito deles. Curioso é que o Roberto Drumond, o jornalista, foi o único sujeito a acreditar em mim, numa época em que nem eu acreditava. Eu era um péssimo desenhista. Meus desenhos poderiam servir, no máximo, para um catálogo de esquizofrênicos, ou uma coleção de desenhos de débil mental. Eu pedia demissão todo o mês mas o Roberto não aceitava e ainda metia minha família no meio para me obrigar a continuar. Também não durou muito, pois quatro números e quatro meses depois a revista fechou.
Veja: Você matou os Fradinhos e depois os ressuscitou. Por que tentou acabar com eles e por que desistiu? As criaturas foram mais fortes do que o criador?
HENFIL: Foi o seguinte: eu trabalho há três anos no Jornal dos Sports, fazendo uma charge diária de quase uma página. Quer dizer: em três anos temos aí umas mil e tantas charges. Pois bem, até hoje ninguém escreveu ou falou que eu estava chato, que precisava modificar, renovar: o povo tem uma raiz cultural muita firme, muito bacana. Ele vai se identificando com o negócio e passa a ser mesmo até contra mudanças radicais. Não gosta de estar mudando todo dia. Sabe que até as galinhas põem menos ovos quando trocadas de galinheiro. Essas mudanças sucessivas acabam desestruturando, arrasando o cara. O povão é assim: nestes três anos de Jornal dos Sports nunca me pediu para eu mudar minhas galinhas de galinheiro. No Pasquim é diferente. Seus leitores não pertencem ao povão, mas da classe média alta para a burguesia: estudantes, profissionais liberais, enfim um pessoal com um nível cultural um pouquinho mais elevado e com uma formação cultural principalmente estrangeira. Um pessoal de moda, que muda de filósofo, de Marcuse, como quem muda de camisa. Que muda de músico, de cantor, como quem muda de cueca. Esse pessoal fica mudando, só mudando, porque não tem raiz nenhuma – devido à formação estrangeira vive de costas para o Brasil. O sonho desse pessoal todo é pegar uma bolsa de estudo para a Europa, e ir passear ou trabalhar nos Estados Unidos. Resultado, dezesseis números, isto é, quatro meses, depois de Os Fradinhos estrearem no Pasquim, começaram a chegar as cartas de reclamação.
Veja: O que pretendiam as cartas?
HENFIL: Elas diziam: É preciso mudar, é preciso renovar, esse negócio está chato, o Henfil está sem imaginação. Fiquei mordido com o negócio. Meu primeiro golpe foi retirar o Baixinho, que era o personagem de que eles mais gostavam. Foi minha primeira vingança. Quando o Baixinho saiu, comecei a receber montes de cartas indignadas. De protesto em protesto, eu que já tinha o negócio mais ou menos engatilhado, fiz o Baixinho voltar. A volta foi anunciada na primeira página. O pessoal ficou na maior alegria ao reencontrar o Baixinho nos primeiros quadrinhos. A alegria durou pouco: no penúltimo quadrinho, um caminhão atropelou e matou os dois fradinhos. Foi minha segunda vingança. Aí é que foi aquela indignação total: era nome feio em todas as cartas. Houve até um cara, de Vitória, que prometeu vir ao Rio para me dar uma bolacha. O fato é que eu atingi o que queria: mostrei pra todo mundo que por trás dos Fradinhos havia um criador que tudo sabia e tudo queria a respeito deles.
Veja: Por que o Baixinho é muito mais popular que o Cumprido?
HENFIL: É fácil: a gente vive num clima mundial de sadismo. Em cada esquina o sujeito está levando cace*te (não confundir com cassetete) na cabeça. Então nada mais óbvio que o pessoal se identifique com o personagem sádico ou por projeção ou por sublimação. Mas é bom que se diga que a maioria dos leitores é formada por Cumpridos, por tremendos Cumpridos. O escândalo que o Baixinho produz neles é que me leva a ter essa idéia. Com um detalhe: o maior desejo deles é serem iguais ao Baixinho.
Veja: Os Fradinhos são o Henfil você já disse. Mas fisicamente eles se inspiraram em alguém?
HENFIL: Sim. Em dois frades dominicanos, de quem eu gostava muito. Um era gordinho, baixinho, moleque – o frei Rato; o outro, cumprido, magrelo e muito místico – o frei Patrício.
Veja: Você é mineiro e foi criado no melhor estilo TFM (Tradicional Família Mineira): muita religião, tabus e preconceitos. Qual a influência disso no seu humor?
HENFIL: Eu sou um reflexo da minha criação. Inclusive agradeço muito a minha mãe, a minha família, à TFM pelo que eu posso produzir hoje. O negócio lá em casa era terrível: era comemorar dia de santo por dia de santo. Quer dizer, todo dia era aquela chamada religião do terror: eu tinha um medo danado do fogo do inferno. Em dia de tempestade a gente queimava palha benta, entrava debaixo da mesa com medo do castigo de Deus em cima da cidade. Depois da confissão voltava para casa rezando uma estranha objurgatória – Deus pra cá, capeta pra lá – acompanhada de um movimento com a mão direita. Quando eu dizia Deus pra cá, levava a mão ao peito. Quando dizia Capeta pra lá, a retirava, num gesto de expulsão. Mas, durante a caminhada, acabava havendo um desencontro entre as palavras e os gestos. E quando eu percebia, entrava em pânico e voltava correndo para confessar de novo, pois pra mim era como se eu tivesse dito que estava com o capeta. Era uma religião mórbida. A repressão que eu sofria por causa disso obviamente desabrochou o masoquismo: foi criado o masoquismo Henfil. E, como todo mundo sabe, masoquismo e sadismo são a mesma coisa. Logicamente isso influenciou o meu trabalho. Não nego isso em nenhum momento e até faço propaganda do tipo de enredo que os fradinhos vivem. Tá o Cumprido neste esquema antigo e tá no Baixinho o meu protesto, a minha agressão a esse tipo de vida que eu levava. Eu agradeço a esse tipo de educação que eu tive e que já superei. O negócio é que eu assimilei e consegui dar um tratamento comercial às minhas neuroses. Hoje vendo as minhas neuroses nas páginas do Pasquim. Mas, olhando bem, a posição crítica em que me coloco me dá certo crédito de sadio. Sou crítico, logo sou sadio, portanto não sou tão neurótico assim.
Veja: O humorista deve fazer o humor pelo humor ou esse humor deve ter um fim? (Nesse caso, que fim?)
HENFIL: Acho bacana responder a essa pergunta. Justamente porque não sou um cara gratuito. Acho que o meu trabalho tem um fim. A época do humor pelo humor já passou. Hoje o humor é jornalístico, tem de ser engajado, de ser quente. A fase da comunicação pura e simples acabou. O humor agora é de identificação. O meu objetivo é a identificação. Procuro dar o meu recado através do humor. Humor pelo humor é sofisticação, é frescura. E nesta eu não tou: meu negócio é pé na cara. E levo o humorismo a sério. Faço a maior preparação para detonar as minhas bombas de humor. Reservo horário, ambiente, me concentro, expulso criança de perto, dou tiro em vizinho com o rádio ligado alto – o diabo. Quer dizer: para detonar. Mas mantenho sempre a preocupação de que todos me entendam. Evito erudição, intelectualismo. Não sou artista plástico: meu negócio é me fazer entender da maneira mais fácil, rápida e direta possível.
Dicas de leitura:
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