O Fusca no Brasil
O primeiro Volkswagen Fusca brasileiro foi lançado em 1959, obedecendo, com poucas modificações, ao do projeto de Ferdinand Porsche, lançado na Alemanha vinte anos antes. A origem do nome Fusca está relacionada com a pronúncia alemã da palavra Volkswagen. O nome da letra V em alemão é “fau” e o W é “vê”. Ao abreviar a palavra Volkswagen para VW, os alemães falavam “fauvê”. Logo que o Fusca foi lançado na Alemanha, ficou comum a frase “Isto é um VW” (”Das ist ein VW”). A abreviação alemã “fauvê” logo se transforma em “fulque” e “fulca”. “Desde que começaram a circular os primeiros Volkswagens, em 1950. também apareceu a corruptela da palavra Volkswagen passando pela influência da colônia alemã”, – explica Alexander Gromow para o Jornal do Brasil de 7 de agosto de 1993 – “Em Curitiba se fala “fuqui” ou “fuque” e em Porto Alegre é “fuca”, acrescenta Gromow. “Mas em São Paulo, talvez por uma questão de fonética, acrescentaram o “S” na palavra e o Volkswagen virou Fusca.”
A partir de 1950, o Fusca começou a ser vendido no Brasil. Chegando pelo porto de Santos, as 30 primeiras unidades foram logo vendidas (a família Matarazo foi uma das primeiras a comprar). O carro vinha desmontado da Alemanha (ou em kits “CKD”, “Completely Knocked Down”), e curiosamente não era montado pela Volkswagen – a empresa ainda não havia se instalado no Brasil, e a empresa responsável pela montagem era a Brasmotor (mesmo grupo dono da Brastemp, por exemplo). O modelo importado era o conhecido “Split Window”, com vidro traseiro dividido em dois, modelo Export (havia o Standard, mais simples, nunca trazido para o Brasil).
Em 1953 o Fusca deixou de ser montado pela Brasmotor e a Volkswagem assumiu a montagem do carro no Brasil, com peças vindas da Alemanha até 1959. O modelo produzido já era o que tinha janela traseira oval.
Em 1959 o Fusca passou a ser oficialmente produzido no país, embora parte das suas peças ainda fosse importada. A janela traseira passou a ser retangular neste modelo.
Em 1960 a fábrica alterou o volante. As maçanetas externas ganharam botão de acionamento e o estribo ganhou revestimento na cor do carro.
Em 1961 o carro passou a ter caixa de marchas sincronizada (para resolver o problema das “arranhadas”), além de ganhar nova lanterna traseira (o modelo oval, que durou até 1983), e o painel ganhou uma alça de segurança para o passageiro.
Em 1962 o Fusca passou a ter chassi nacional, faróis com luzes assimétricas, gancho cabide e reservatórido de fluido de freio de plástico.
Em 1963 o carro ganhou novo descanso de braço, lavador de párabrisas pneumático e janelas traseiras basculantes. O Fusca ganhou também amortecedor de direção.
Em 1964 o Fusca passou a vir com novo tanque de combustível.
1965 foi o ano do lançamento do Fusca com teto-solar, que ficou conhecido como “Cornowagen” – logo o acessório foi rejeitado, e muitos proprietários incomodados com o apelido, dado ao carro por um executivo da Ford, mandaram fechar o teto. Houve também mudanças nas lanternas e na luz de placa.
Em 1966 houve mudanças na caixa de marcha e no distribuidor.
Em 1967, a Volkswagen adotou um motor de 1.300 de 46cv no lugar do antigo 1.200, de 36cv. Nas propagandas, apareciam os carros com uma cauda de tigre saindo da traseira em alusão a maior potência. O vidro traseiro ficou maior e o acionamento da seta foi para a coluna de direção. Foi também o fim do sistema elétrico de 6 volts para a chegada do de 12v.
Vale notar que foi durante esta época que o fusca sedimentou a Volkswagen no mercado nacional, permitindo o lançamento de vários derivados no mercado nacional, tais como o Vw 1600, o TL, a Variant, o Karmann Ghia TC, o SP2, a Variant II, o Brasília e o Gol.
Em 1969, novos bancos e espelhos retrovisores.
Em 1970 chegou o novo motor 1.500 de 52cv. Ocorreram mudanças na tampa do motor, tampa do porta-malas e pára-choques.
A partir de 1973 o carro passou a contar com uma entrada de ar no caput dianteiro, que chegava ao interior do carro através do painel e saía por aberturas atrás dos vidros laterais traseiros, as populares “orelhinhas”. Muitos pensam que sua função é ventilar o interior do carro quando, na verdade, é o inverso. As janelas laterais traseiras passam a ser fixas. Também são apresentados novos faróis e distribuidor à vácuo.
O Fusca 1500 durou de 1970 até 1975.
Em 1974 foi abandonado o modelo de farol de perfil abaulado, sendo adotado o farol de perfil reto, que durou até o fim da linha.
Em 1975 foi introduzido o “Bizorrão” ou “Super-Fuscão”, o Fusca 1600-S com carburação dupla, que desenvolvia 65 cv SAE, tinha volante de direção esportiva de três raios, rodas aro 14 e painel com marcador de temperatura, relógio e amperímetro. As fendas de ventilação do capô trazeiro deixaram de ser cinco de cada lado, e passaram a ser dois grupos com oito e seis fendas de cada lado do capô.
Em 1976 é lançada a versão 1.300-L. O perfil entre o quebra-vento e o vidro dianteiro deixa de ser cromado.
Em 1977, o Fusca apareceu com mudanças estruturais, comando do limpador de parabrisas na chave de seta e barra de direção retrátil, que protege o motorista em caso de choque frontal.
Em 1978 ocorreu uma mudança no bocal do tanque, que passou para a lateral direita do carro. O interruptor do pisca-alerta foi transferido para a coluna de direção e foi adotada uma chave única para portas, capô do motor e ignição.
Em 1979, houve uma alteração no modelo e as lanternas traseiras passam a ser maiores, e passam a ser chamadas “Fafá”, em alusão aos grandes seios da cantora Fafá de Belém. O modelo de lanterna menor continuou a ser utilizado nas versões de acabamento mais simples.
Em 1981 foi lançado o Fusca 1.300 com motor a álcool. O Fusca passou a ter novo painel, com instrumentos quadrados.
Em 1983, a empresa resolveu rebatizar o modelo no Brasil, adotando o nome que se tornara popular, Fusca. Até então o automóvel era oficialmente denominado VW Sedan nos registros dos Detrans.
Em 1984 o motor 1.300 deixou de ser produzido. Agora passa a equipá-lo o novo motor 1.600, mais moderno e o carro passa a contar também com freios a disco na dianteira, mais eficientes. A lanterna modelo Fafá passou a ser padrão para todos os modelos.
Em 1986 a Volkswagen desistiu de fabricá-lo, alegando que era um modelo muito obsoleto, apesar de ser o 2°Carro mais vendido daquela época, atrás apenas do Chevrolet Monza e muitos considerarem que tinha fôlego suficiente para permanecer mais uns bons anos no mercado. O real fato é que a Volkswagen queria abrir espaço para a Família BX, composta por Gol, Parati, Voyage e Saveiro.
Em 1993, por sugestão do então presidente Itamar Franco a empresa voltou a fabricar o modelo. Itamar queria a fabricação de carros populares, e sugeriu que o Brasil precisava de um carro como o Fusca. Foi aprovada, então a Lei do carro popular, que previa isenções e diminuições de impostos para os carros com motor 1.0, e o Fusca e o Chevrolet Chevette L, embora tivessem motores de 1.6l, foram incluídos.
O carro vendeu bem, mas longe da meta esperada pela Volkswagen. A principal razão para que o Fusca não vendesse tão bem se deve ao fato de seu acabamento espartano demais diante dos concorrentes surgidos em meados da década de 90, como o Fiat Uno Mille e Chevrolet Corsa de primeira geração, que tinham preços muito próximos do velho Besouro, porém, com acabamento e equipamentos bem melhores que os do Fusca.
Em 1996, a empresa deixou de produzir novamente o carro, com uma série especial denominada Série Ouro. A partir daí, ele só seria produzido no México.
No período entre 1993 a 1996 foram produzidos no Brasil cerca de 42.000 Fuscas.
O Fusca permanece como um dos carros usados mais vendidos no mercado nacional.
Fonte: WP
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Novembro 23, 2007 às 1:37 pm
nail o donnel
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