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“Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.”
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876)
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Construção (1971)
Chico Buarque – Novo Millennium
Ouça “Construção” na Rádio UOL: clique aqui
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Deus lhe pague (1971)
Chico Buarque – Novo Millennium
Ouça “Deus lhe pague” na Rádio UOL: clique aqui
Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
Pelo prazer de chorar e pelo “estamos aí”
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague
Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague
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Acho que quem já assistiu a uma entrevista do Sr. Ferruccio Lamborghini há de convir que ele é um sujeito engraçado. Quando há pouco admitiu o seu mais recente desenhista de carros, um sujeito novo cuja idade deve estar entre 35 e 42 anos, perguntou-lhe em uma reunião: “Ah, você é quem faz a tampa do motor?” O designer respondeu: “Não, senhor Lamborghini, eu projeto a carroceria inteira.” Lamborghini respondeu: “Isso mesmo. Nós fazemos o motor, você faz a tampa!”
Lamborghini passou de fabricante de tratores a dono de uma das mais cobiçadas empresas de supercarros do mundo, a Automobili Lamborghini, porque em um belo dia do passado se desentendeu com Enzo Ferrari. Disse a Enzo que a Ferrari que possuía tinha uma embreagem péssima, e que ele (o Enzo) deveria reprojetá-la. Sua sugestão não foi acatada e Enzo o ofendeu. Então decidiu fazer “Ferraris melhores que a Ferrari”. E fez! Virou história e nasceu um carro sem igual: Lamborghini.
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Veja também:
Letras do Chico: Construção / Deus lhe pague
Loteria: Lotofácil
Concurso 203 (19/03/2007)
01 02 03 04 05 06 07 12 13 14 17 18 23 24 25
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Estatísticas (concursos 01 ao 203)
:: Freqüência das dezenas mais sorteadas (por ordem de Freqüência)
dezena x vezes em que foi sorteada
01 <> 142
23 <> 140
02 <> 137
11 <> 132
13 <> 131
20 <> 127
04 <> 126
25 <> 126
19 <> 125
17 <> 124
24 <> 124
15 <> 124
05 <> 124
22 <> 121
16 <> 119
08 <> 119
10 <> 117
21 <> 115
09 <> 114
14 <> 113
06 <> 113
07 <> 108
18 <> 108
03 <> 108
12 <> 108
:: Duque(s) mais sorteado(s) na Lotofácil
02 23 <> 095
:: Terno(s) mais sorteado(s) na Lotofácil
01 02 25 <> 065
:: Soma das dezenas sorteadas
soma / vezes sorteadas/ percentual
De 120 a 165 <> 10 <> <> <> 04,926%
De 166 a 180 <> 30 <> <> <> 14,778%
De 181 a 195 <> 61 <> <> <> 30,049%
De 196 a 210 <> 60 <> <> <> 29,557%
De 211 a 225 <> 34 <> <> <> 16,749%
De 226 a 270 <> 08 <> <> <> 03,941%
:: Pares e ímpares
pares / ímpares / vezes sorteadas / percentual
04 <> 11 <> 02 <> <> <> 00,99%
05 <> 10 <> 19 <> <> <> 09,406%
06 <> 09 <> 46 <> <> <> 22,772%
07 <> 08 <> 61 <> <> <> 30,198%
08 <> 07 <> 52 <> <> <> 25,743%
09 <> 06 <> 21 <> <> <> 10,396%
11 <> 04 <> 01 <> <> <> 00,495%
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Veja também:
Lamborghini, a tampa do motor e a embreagem da Ferrari
“Não importa que você vá devagar, contanto que você não pare.”
Confúcio (Kung-Fu-Tse) (551 a.C. – 479 a.C)
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Veja também:
Sorte: Lotofácil – concurso 203
Não é novidade que o cartão de crédito facilita a vida do consumidor em várias ocasiões, assim como também não é novidade que o mesmo cartão pode ser uma cilada financeira que te levará para o buraco. Taxas de juros abusivas (e ilegais aos olhos do ordenamento jurídico brasileiro) são praticadas pelas administradoras dos cartões em detrimento de seus usuários que, em muitos casos, nem mesmo sabem quais são os seus direitos. Mas tudo tem remédio.
A ANUCC, Associação Nacional dos Usuários de Cartões de Crédito, elaborou um manual com importantes informações sobre o assunto que abordam diveras questões como: cobranças indevidas, cobrança de juros sobre juros por parte das administradoras, envio do nome do devedor para o SPC e SERASA, direitos do usuário e deveres das administradoras, entre outros.
Para ir a página de download do manual, clique aqui.
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Veja também:
Confúcio (Kung-Fu-Tse)
Faz bem uns sete ou oito anos que vi o vídeo pela primeira vez e ainda o acho muito bonito e bem feito. Foi produzido por um brasileiro e um norte-americano, ambos publicitários da agência DM9DDB.
O texto refere-se a transcrição da palestra de um orador em uma cerimônia de formatura nos EUA em 1997.
Para quem quer saber: a música de fundo do videoclipe é Everybody’s Free – Rozalla.
Wear Sunscreen
Senhoras e senhores: usem filtro solar.
Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: “Usem filtro solar”.
Os benefícios a longo prazo do uso do filtro foram cientificamente provados.
Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência.
Eis aqui um conselho:
Desfrute do poder e da beleza de sua juventude. Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza da sua juventude quando já tiverem desaparecido.
Mas, acredite em mim, dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você e quão realmente fabuloso(a) você era. Você não era tão gordo(a) quanto imagina.
Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chicletes.
É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vidsão aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você às quatro da tarde em alguma terça-feira ociosa.
Todos os dias faça alguma coisa que seja assustadora.
Cante!
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.
Relaxe.
Não perca tempo com a inveja: Algumas vezes você está na frente, algumas você está atrás. A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você.
Lembre-se dos elogios que recebe. Esqueça os insultos.
(Se conseguir fazer isso me diga como)
Guarde suas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extratos bancários.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber bem o que quer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas mais interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando eles se forem.
Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta anos ou talvez dance uma valsinha quando completar 75 anos de casado(a).
O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais. Todas as sua escolhas têm 50% de chance de dar certo, assim como as escolhas de todos os demais.
Curta seu corpo da maneira que puder. Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensem dele. Ele é seu maior instrumento.
Dance… mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja a sua sala de estar.
Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. A única coisa que elas fazem é mostrar você como uma pessoa feia.
Saiba entender seus pais. Você nunca sabe a falta que vai sentir deles. Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o seu passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.
Entenda que amigos vão e vêm, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com carinho.
Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude.
More em Nova York (ou em São Paulo) pela menos uma vez, mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa dura. More no Norte da Califórnia (ou na Bahia), mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.
Viaje.
Aceite certas verdades eternas: os preços sempre vão subir; os políticos são todos mulherengos; você também vai envelhecer. E quando envelhecer vai fantasiar que quando você era jovem os preços eram acessíveis, os políticos eram nobres de alma, e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite os mais velhos.
Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha uma aposentadoria, talvez tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou outro podem desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo, senão quando tiver quarenta anos ficará com a aparência de oitenta e cinco.
Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos, mas seja paciente com elas.
Conselhos são uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço bem maior do que realmente vale.
Mas acredite em mim sobre o filtro solar.
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Ladies and gentlemen of the class of ‘99:
Wear sunscreen.
If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it. The long-term benefits of sunscreen have been proved by scientists, whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience. I will dispense this advice now.
Enjoy the power and beauty of your youth. Oh, never mind. You will not understand the power and beauty of your youth until they’ve faded. But trust me, in 20 years, you’ll look back at photos of yourself and recall in a way you can’t grasp now how much possibility lay before you and how fabulous you really looked. You are not as fat as you imagine.
Don’t worry about the future. Or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubble gum. The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind, the kind that blindside you at 4 p.m. on some idle Tuesday.
Do one thing every day that scares you.
Sing.
Don’t be reckless with other people’s hearts. Don’t put up with people who are reckless with yours.
Floss.
Don’t waste your time on jealousy. Sometimes you’re ahead, sometimes you’re behind. The race is long and, in the end, it’s only with yourself.
Remember compliments you receive. Forget the insults. If you succeed in doing this, tell me how.
Keep your old love letters. Throw away your old bank statements.
Stretch.
Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives. Some of the most interesting 40-year-olds I know still don’t.
Get plenty of calcium. Be kind to your knees. You’ll miss them when they’re gone.
Maybe you’ll marry, maybe you won’t. Maybe you’ll have children, maybe you won’t. Maybe you’ll divorce at 40, maybe you’ll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary. Whatever you do, don’t congratulate yourself too much, or berate yourself either. Your choices are half chance. So are everybody else’s.
Enjoy your body. Use it every way you can. Don’t be afraid of it or of what other people think of it. It’s the greatest instrument you’ll ever own.
Dance, even if you have nowhere to do it but your living room.
Read the directions, even if you don’t follow them.
Do not read beauty magazines. They will only make you feel ugly.
Get to know your parents. You never know when they’ll be gone for good. Be nice to your siblings. They’re your best link to your past and the people most likely to stick with you in the future.
Understand that friends come and go, but with a precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle, because the older you get, the more you need the people who knew you when you were young.
Live in New York City once, but leave before it makes you hard. Live in Northern California once, but leave before it makes you soft. Travel.
Accept certain inalienable truths: Prices will rise. Politicians will philander. You, too, will get old. And when you do, you’ll fantasize that when you were young, prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.
Respect your elders.
Don’t expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund. Maybe you’ll have a wealthy spouse. But you never know when either one might run out.
Don’t mess too much with your hair or by the time you’re 40 it will look 85.
Be careful whose advice you buy, but be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia. Dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it’s worth.
But trust me on the sunscreen.
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Veja também:
Cuidado com o cartão de crédito
Muito já se discutiu por aí sobre a autoria do poema abaixo. É de Artur da Távola, porém, Leitor Fiel, parece que ninguém sabe (pelo menos eu não sei) bem ao certo qual é o seu título ou o seu correto teor, já que versões tanto de um quanto do outro não faltam. Já o li sob o título de “Namorada”, “Namorados”… e por aí vai, assim como o seu conteúdo, que também costuma variar.
TER OU NÃO TER NAMORADO, EIS A QUESTÃO
de Artur da Távola, e não de Carlos Drummond de Andrade
Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.
Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.
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Veja também:
O bom e velho Wear Sunscreen (Filtro Solar)
Quá! Pois não é dele. Aliás ninguém tem muita certeza sobre quem o escreveu. Talvez seja de autoria da norte-americana Nadine Stair, mais aí já são outros quinhentos. Borges não foi.
INSTANTES
“Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo”
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Veja também:
Ter ou não ter namorado? Eis a questão: Artur da Távola ou Carlos Drummond de Andrade?
Nizan Guanaes não é só um dos grandes publicitários brasileiros, mas sim do mundo. Dizem por aí que o texto abaixo refere-se a um discurso seu como paraninfo de uma turma de graduação da FAAP. Inteligente ele é, e muito!, e não duvido que o texto seja de sua autoria.
“Dizem que conselho só se dá a quem pede”
E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a
acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto,
apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a
quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos:
Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu
ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor. Seja
fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como
conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer
ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. E,
geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são
incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi
construído antes, na alma. A propósito disso, lembro-me de
uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre
uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um
milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles
leprosos, disse:
“Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo.”
E ela respondeu:
“Eu também não, meu filho”.
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito
pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar, tem
trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho:
Pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em
todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal, é difícil
viver numa nação onde uma maioria morre de fome e uma
minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de
padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e
uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a
viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de
Odorico Paraguassu.
Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia:
“seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.”
É exatamente isso que está escrito na carta de Laudicéia. É
preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O
escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes
sobre a tristeza, a tragédia e o fracasso. Mas ninguém narra
o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com
seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por
favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária
oportunidade de ter vivido.
Tenha a consciência de que cada homem foi feito para fazer
história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma
revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.
Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir
continentes e mundos, e caminhar, sempre, com um saco de
interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na
outra.
Não use “rider”, não dê férias a seus pés. Não se sente e
passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo,
comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer:
eu não disse? eu sabia! Toda família tem um tio batalhador e
bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que
agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado
contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados. Profetas do acontecido.
Empresários de mesa de bar. Pessoas que falam coisas
fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas
que na segunda não sabem concretizar o que falaram. Porque
não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem
recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12
às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o
tempo. Evita o ócio que é a morada do demônio, e constrói
prodígios.
O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em
tudo, tem muito que aprender com aqueles “trouxas” dos
japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de
sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior
megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos,
construímos uma das maiores impotências do trabalho.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está
perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles
veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao
mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas,
mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o
fruto do seu esforço, e só o trabalho te leva a conhecer
pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso
se chama sucesso.”
“TRABALHE EM ALGO QUE VOCÊ REALMENTE GOSTE, E VOCÊ NUNCA
PRECISARÁ TRABALHAR NA VIDA”.
* Nizan Guanaes
Publicitário baiano, fundador da holding Ypy, que conta com
as agências Africa, DM9DDB e MPM.
Nizan é uma das figuras mais polêmicas da propaganda
brasileira, misturando seu alto critério criativo (por ser
redator) com um espírito extremamente empreendedor.
Administrador formado pela Universidade Federal da Bahia,
começou a carreira em Salvador, na DM9, de Duda Mendonça.
Transferiu-se para Artplan, na década de 80. Já trabalhou ao
lado de Washington Olivetto na W/Brasil, antes de fundar a
DM9 em São Paulo, com Guga Valente.
Sob seu comando, a DM9 se transformou numa das maiores
agências do país (e uma das mais premiadas). Vendeu sua
parte da agência para a DDB Needham, em 1997, a qual
tornou-se DM9DDB. Nizan foi o fundador do portal iG e se
manteve no comando da empresa por dois anos.
Hoje, preside a Africa, uma das maiores do mercado
brasileiro, com uma estrutura diferente das outras agências
do mercado, marcada por poucos e poderosos clientes; entre
eles Vivo, Itaú, Nivea e Gradiente.
Fonte: Wikipedia
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Veja também:
“Instantes”, autoria de Jorge Luis Borges ou quá?










